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Capítulo 11 de 38
Biografia
As Vidas de Osvaldo Polidoro
Quando a Índia é conquistada pelos Árias, nascem grandes impérios. Os épicos de Mahabharata e as populares Puranas relatam tal época opulenta e heróica, onde os árias deparam-se com as raças amarela, vermelha e negra, mescladas, e mesmo assim, suas idéias sobrepujaram todas. A história religiosa da Índia tem, por um lado, o gênio da raça branca com seu senso moral e aspirações metafísicas e, de outro, a energia passional da raça negra, com sua força dissolvente. Surgem na linguagem simbólica, as dinastias do sol e da lua. O deus do universo, no culto solar, é masculino. Aparece o fogo sagrado, a prece, a realeza eletiva e patriarcal. É o contraste do que se vê no culto lunar, feminino, tendendo para a magia negra e a idolatria, entre poligâmicos e tirânicos. Na epopéia de Mahabharata (250000 versos) está a luta entre esses dois polos, recheada de combates violentos e aventuras. Na metade desta epopéia, os vencedores são os Curavas (lunares) sobre os Pandavas (solares), os quais se ocultam com os anacoretas dentro das florestas. Tais ascetas eram considerados os reis espirituais da Índia, com seus poderes transcendentes. O homem que traz a vitória do poder espiritual sobre o temporal, do anacoreta sobre o rei, conciliando o solar e o lunar, o branco e o negro, esse é Crisna, divindade encarnada. Sua história inicia-se em Madura, norte da Índia, onde reinava Cansa, insaciável. Para conquistar toda a Índia, aliou-se a Calaieni, de face amarela, dedicado à magia negra, e que morava numa encosta no fundo da floresta, junto ao templo de Cali e suas serpentes monstruosas. Em troca de apoio, Calaieni exige que ele, Cansa, case-se com sua belíssima filha Nisumba. Cumprido o acordo, Cansa, apaixonado, fazia todas as suas vontades, mas o filho desejado por ela não vinha. Em ritual aos Devas sabe-se então que Devac, irmã querida de Cansa, será a mãe do imperador do mundo.
Nisumba exige sua morte, mas o chefe do sacrifício coloca-a junto aos anacoretas. Ela entra na floresta e caminha até chegar num lugar paradisíaco e, levada num barco, é conduzida até Vasista, o rei dos anacoretas. Todos prestam homenagens à mãe “daquele que há de nos regenerar”. Um dia, em êxtase, ela concebe o filho divino e recebe ordens para fugir de seu irmão, permanecendo então nas faldas do Monte Meru, reino de Nanda, patriarca dos pastores. O maravilhoso filho, alegre e destemido, cresce ali, amando sua mãe que lhe conta dos céus dos Devas. Ao completar os 15 anos, Devac desaparece e Crisna, abatido, absorto em seus pensamentos, foi viver errante no Monte Meru. No pico, aparece-lhe um velho quase centenário que lhe diz: “Sua mãe está junto d’Aquele que não muda jamais. Procura-O! Quando a filha da serpente impelir o filho do Touro ao crime, você vai me rever, envolto em aurora purpurina. Então, degolarás o Touro e esmagarás a cabeça da Serpente. Tu e eu somos um com Ele. Procura-O sempre!”. Crisna desce então do Monte, disposto à luta: guerreou reis, libertou tribos. Finalmente vai à frente de Calaieni para lutar contra uma enorme serpente. Ao decepá-la, a cabeça da serpente ainda lhe diz que tema a filha da serpente e o sangue derramado. Horrorizado, retorna ao Monte Meru. Um dia, cantando um hino de gratidão a Mahadeva, atraiu a atenção das mulheres, principalmente Nichidali e Sarasvati, filhas de Nanda. Ensina-lhes canto, dança e mímica, ao toque de alguns instrumentos. Cansa é avisado de que o filho de Devac está vivo e que tomará seu trono. Como castigo, Cansa viverá inquieto e tomado de medo. Ele já escutara sobre as proezas de Crisna (mas não sabia que ele era seu temido sobrinho). Mandou um recado a Nanda, para que o enviasse a fim de ser seu conselheiro e condutor de seu carro... e Crisna aceita a incumbência, conjeturando quando seria o dia em que saberia de sua mãe. Nisumba, por feitiçaria, aparece na frente de Crisna aparentando juventude, e o envolveu tentando fasciná-lo por sua beleza. No olhar dela ele vê os abismos do inferno e crava seu olhar no dela, que tomba desmascarada. Cansa revela a Crisna que quer matar Vasista que, em sua opinião, é feiticeiro infernal. Convida-o a irem para dentro da floresta escura e ele aceita, pois talvez ali pudesse perguntar por Devac. O cenário vai ficando cada vez mais tenebroso à medida que adentram no coração da densa floresta, até que encontram a cabana do anacoreta centenário, cego, porém vendo com os olhos do espírito, alimentado por um discípulo fiel. Quando Crisna encara o velho sublime – Vasista! -, ajoelha-se e adora-o. Ao entrar na cabana, o impaciente Canda fica petrificado pela cena. Maior ainda é o seu temor quando ouve de Vasista que Crisna é aquele que vai destroná-lo. Dispara então uma flecha que, pelo estado de tensão, desvia e pega o velho, que já a esperava e diz a Crisna: - “Por que gritaste? O dardo não pode atingir a alma, e a vítima é a vencedora do assassino! Sê triunfante, cumpriuse seu destino. Eu volto Àquele que é Imutável, mas tu, Seu eleito, salvador do mundo, ergue-te!” Crisna cai ao solo para, em espírito, subir ao céu dos Devas com o velho, onde então viram, no centro de uma esfera radiosa, Devac, que os abraça em luz. Quando retorna ao corpo, já compreende sua missão. Os anacoretas saúdam Crisna como o sucessor de Vasista e entregam-lhe o bastão de sete nós, emblema do poder. Por sete anos, em retiro no Monte Meru, em meditações, Crisna trabalha para dominar a natureza terrena, sobrepondo à divina. Ao descer, não perde a força do leão, mas adquire a doçura das pombas, transfigura-se. Entre os anacoretas que acorreram ao seu encontro e dedicaram-se a ele estava Arjuna, descendente dos reis solares. É neste momento de sua vida que Crisna fala das verdades divinas aos homens, discorrendo sobre a alma imortal, renascimentos, reintegração a Deus. Explica sobre a sabedoria que se atinge pela inteligência, a necessidade do domínio da paixão para escapar da loucura, ignorância e morte transitória. A pedido de Arjuna, ele se mostra em sua forma divina, e os discípulos não suportaram o brilho e prosternaramse a seus pés. Sua doutrina pode ser lida no Bhagavad Gita, mas a resposta que Crisna dá aos seus discípulos fica atual até hoje: - “Como é que não o tínhamos visto antes?” - “Os vossos olhos não estavam abertos. Entreguei-vos o grande segredo. Transmitam-no apenas a quem puder entendê-lo. Vós, escolhidos por mim, vedes o fim. A multidão vê apenas um trecho do caminho. Vamos pregar ao povo o caminho da salvação”. Retornaram à sua presença as duas filhas de Nanda, já desencarnado, e o acompanharam, instruindo outras mulheres. Cansa ainda manda lanceiros para prenderem Crisna, mas ele os converte. Um dia, Crisna entra em triunfo na cidade de Madura. Convida Cansa ao arrependimento para que não prejudique futuras encarnações, assim como Nisumba, com suas idéias venenosas. Coloca ambos em lugar de penitência. Arjuna sobe ao posto de rei de Madura, sendo seus conselheiros os brâmanes. Crisna continua ainda chefe dos anacoretas, que formavam o conselho superior dos brâmanes, morando em um templo dentro de fortaleza em Duarca (que submergiu quando Crisna desencarnou, sobrando apenas o templo. Simbólico?) Os reis do culto lunar formaram aliança para destronarem este rei solar. Inicia-se então o diálogo a respeito da superação das ilusões de natureza inferior, que está no Bhagavad Gita.
Crisna sentiu que chegara sua hora de passar pela suprema prova do sacrifício. Sobe ao Monte Meru, seguido pelas duas filhas de Nanda, e por sete dias oraram e fizeram abluções. Quando chegaram os arqueiros de Cansa, as mulheres desmaiaram. Eles amarraram-no a um cedro e dispararam as suas setas. À primeira, ele diz: “Vasista, os filhos do sol estão vitoriosos!”. À segunda: “Mãe radiosa! Entram comigo no céu aqueles que me amam”. À terceira: “Mahadeva!”... e murmurando - “Brahma”, expirou. Seu corpo foi cremado; as duas filhas de Nanda atiraram-se à fogueira e a multidão viu os corpos luminosos, Crisna subindo com as duas discípulas... -------------o0o--------------
Do livro “O Pentecoste”: Grande lição exala da sentença de Crisna: “ENTRETANTO, IDE, IDE PREGAR AO POVO A VIA SALVADORA” Tal como Jesus Cristo, tal como todos os Grandes Mestres. E qual era a Doutrina de Crisna? Notai bem, dizemos de Crisna, mas Ele e os Seus discípulos sabiam que através Dele falava Mahadeva, que quer dizer Deus. Neste caso, tendes a comprovante de que, se Jesus Cristo não veio muitas vezes ao plano carnal, e é isto o que não quero discutir agora, embora o pudesse e muito bem, dado os saberes de que me fiz senhor, pelo menos podeis deduzir de quem falava através de Crisna. É interessante estudar estes textos; eles exalam monismo e verdades simples, não paganismo, não clerezias exploradoras e mentirosas, não teologismos errados e corruptores; eles falam de Verdades Fundamentais, eles dizem respeito às virtudes que se acham na intimidade da criatura, onde como FUNDAMENTO está Deus. Ouçamo-lo: “Para se chegar à perfeição, é mister conquistar a ciência da unidade, que está acima da sabedoria; é mister elevarmo-nos até o Ser Divino, que está acima da alma, mais alto mesmo que a inteligência. Ora, esse Ser Divino, esse Amigo Sublime, existe em nós próprios, está dentro de cada um de nós. Porque Deus reside no interior de cada homem, mas poucas pessoas sabem encontrá-Lo. Ora, eis aí o verdadeiro caminho da salvação. Uma vez que hajas te apercebido do Ser Supremo, que está acima do mundo e que está em ti mesmo, decide-te a abandonar o inimigo que se disfarça sob a forma do desejo. Dominai as vossas paixões. Os gozos que os sentidos procuram são como que a fonte dos desgostos futuros. Não basta fazer simplesmente o bem; é preciso ser bom. Etc.” Veja-se, em poucas linhas, toda a síntese deísta e toda a regra evolutiva. A Origem, a Natureza e o Programa. A chave capaz de abrir todas as portas, porque suficiente para mostrar ao espírito que todos os valores lhe estão no íntimo e que apenas devem ser desdobrados. Tudo quanto Crisna fez, tudo o que disse, nessas palavras se resume, inclusive a lei reencarnacionista, à qual tantos foros endereçou, e tão magistralmente considerou, por ser a válvula redentora e evolutiva das criaturas. Apesar de seu Evangelho ser apelidado o Livro das Sete Interpretações, é simples e alegórico, nada mais. Afinal, todas as verdades estão no âmago de cada centelha, e convém saber isto — os conceitos misteriosos fizeram o grande número de recalcados, de traumáticos, de cismáticos que peregrinam pelos aranzéis do religiosismo universal. Tais conceitos fazem os caracteres presumidos, que arrastam os complexos de superioridade, muito piores do que os de inferioridade. Geram orgulhos mal disfarçados, vaidades, apegos a graus e a títulos que se não sustentam em face da Justiça Divina. É conveniente dar término ao culto dos chamados segredos iniciáticos, dos mistérios, para que tenham fim falsos apanágios, enganosas ou aparentes virtudes. Essas concepções custaram muito caro à Humanidade, porque engendraram orgulhos nefastos para poucos e cegueiras embrutecedoras para milhões ou bilhões. Concebamos, de uma vez por todas, que não há mistério algum, nem em Deus nem em Seus filhos; tudo é simples, por mais profundo e divino que seja.
-------------- O Verbo Solar irradiou-se pela Ásia, África, Europa: Na Pérsia, reconciliam-se Ormuz e Arimã. No Egito, Hórus é filho de Osíris e Ísis, na Grécia, Apolo e deus do Sol e da Lua.
A história da civilização milenar que floresceu originalmente na Índia divide-se em ciclos cronológicos de quatro grandes eras: Era dourada (Satya-yuga), Era de prata (Treta-yuga), Era de bronze (Dvapara-yuga) e a Era do ferro (Kaliyuga). Devido ao fator tempo, à medida que essas eras se sucedem, a virtude, a abedoria e a esiritualidade são suplantadas pelo vício, pela ignrância e pelo ateísmo – três atributos negativos que se destacam na sociedade humana na era de Kali (palavra que também significa desavença, hipocrisia, cegueira espiritual). Embora tenha transmitido o conhecimento do Bhagavad-gita pela primeira vez na era dourada, o Senhor Krishna viu a necessidade de voltar a transmiti-lo na aurora da era de ferro, cinco mil anos atrás, uma hora antes de começar a Guerra de Kuruksetra.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.