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Capítulo 6 de 29
Parte 6 de 29
Joana D’Arc, Médium · Léon Denis
Segundo certos eruditos, Catarina de Alexandria não seria pessoa diversa da bela e sábia Hipátia. mediadores, pelos Espíritos mensageiros, a Humanidade esteve sempre em relação com os planos superiores do Universo. 72 Os estudos experimentais, que vêm sendo feitos há meio século, já lançaram alguma claridade sobre a vida do Além. Assim é que sabemos ser o mundo dos Espíritos povoado de seres em número incalculável, ocupando todos os degraus da escala da evolução. A morte não nos transforma, sob o ponto de vista moral. No espaço, achar-nos-emos de novo com todas as qualidades que houvermos adquirido, mas também com todos os nossos erros e defeitos. Daí resulta que na atmosfera terrestre formigam almas inferiores, sôfregas por se manifestarem aos humanos, o que às vezes torna perigosas as comunicações e exige, da parte dos experimentadores, um preparo laborioso e muito discernimento.
Esses estudos também demonstram que acima de nós há legiões de almas benfazejas e protetoras, as almas dos que sofreram pelo bem, pela verdade e pela justiça e que, esvoaçando sobre a pobre Humanidade, procuram guiá-la pela senda de seu destino. Mais para além dos acanhados horizontes da Terra, uma completa hierarquia de seres invisíveis se distende na luz. É a lendária escada de Jacob, a escada das Inteligências e das Consciências superiores, cujos degraus chegam até aos Espíritos radiosos, até as poderosas Entidades depositárias das forças divinas. Essas Entidades invisíveis, temo-lo dito, intervêm de quando em quando na vida dos povos, de modo esplendente, como nos tempos de Joana d'Arc. As mais das vezes, porém, a ação que exercem permanece obscura, primeiro para salvaguarda da liberdade humana e, sobretudo, porque, se é indubitável que elas desejam ser conhecidas, não menos certo é quererem que o homem se esforce e se faça apto a conhecê-las.
Os grandes fatos da História, devidos à intervenção delas, são comparáveis às aberturas que se produzem de súbito entre as nuvens, quando o tempo está sombrio, para nos mostrarem o céu profundo, luminoso, infinito, claros esses que, entretanto, logo se cerram, porque o homem ainda não se acha bastante maduro para apanhar e compreender os mistérios da vida superior. Quanto à escolha das forças e dos meios que os grandes Seres empregam para intervir no campo terrestre, cumpre reconheçamos que o nosso saber é bem fraco para os apreciar e julgar, que nossas faculdades são impotentes para medir os vastos planos do invisível. O que sabemos é que os fatos aí estão, incontestáveis, inegáveis.
De longe em longe, através da obscuridade que nos envolve, por entre o fluxo e refluxo dos acontecimentos, nas horas decisivas, quando a Humanidade se desencaminha, então, uma emanação, uma personificação da Potência suprema desce, para lembrar aos homens que, acima do mundo em que se debatem, recursos infinitos existem, que eles podem atrair a si por seus pensamentos e apelos, e se grupam sociedades de almas, que eles alcançarão um dia por seus merecimentos e esforços. 72 Ver: DEPOIS DA MORTE eNO INVISÍVEL, passim. 41 – JOANA D´ARC, MÉDIUM A intervenção, na obra humana, das altas Entidades, a que chamaremos os anônimos do espaço, constitui uma lei profunda, sobre a qual cremos dever insistir ainda, procurando torná-la mais compreensível. Em geral, já por mais de uma vez o dissemos, os Espíritos superiores que se manifestam aos homens não se nomeiam, ou, se o fazem, tomam de empréstimo nomes simbólicos, que lhes caracterizam a natureza, ou o gênero da missão em que foram investidos.
Mas, por que, ao passo que o homem neste mundo se mostra tão cioso de seus menores méritos, tão apressurado em ligar seu nome às obras mais efêmeras, os excelsos missionários do Além, os gloriosos mensageiros do invisível se obstinam em guardar o incógnito, ou em usar de nomes alegóricos? É que bem diferentes são as regras do mundo terrestre e as dos mundos superiores, onde se movem os Espíritos de redenção. Aqui, a personalidade prima e absorve tudo. O eu tirânico se impõe: é sinal da nossa inferioridade a fórmula inconsciente do nosso egoísmo. Sendo imperfeita e provisória a presente condição humana, é lógico que todos os atos do homem gravitem ao redor de sua individualidade, isto é, do eu, que mantém e assegura a identidade do ser, no estádio inferior de sua evolução, através das flutuações do espaço e das vicissitudes do tempo.
Nas altas esferas espirituais dá-se o contrário. A evolução se opera sob formas mais etéreas, formas que, em certa altura, se combinam, associam e realizam o que se poderia chamar a compenetração dos seres. Quanto mais o Espírito sobe e progride na hierarquia infinita, mais se desbastam os ângulos de sua personalidade, mais o seu eu se dilata e expande na vida universal, sob a lei da harmonia e do amor. Sem dúvida, a identidade do ser permanece, porém sua ação se confunde cada vez mais com a atividade geral, isto é, com Deus, que, em realidade, é o ato puro. Consistem o progresso infinito e a vida eterna em nos aproximarmos continuamente do Ser absoluto, sem jamais o alcançarmos, em confundirmos cada vez mais plenamente a obra que nos é própria com a obra eterna.
Chegado a tão elevados cumes, o Espírito não mais é designado por meio de tal ou tal nome; já não é um indivíduo, uma pessoa, e sim uma das formas da Atividade infinita. Chama-se Legião. Pertence a uma escala de forças e de luzes, tal como uma parcela da chama pertence ao foco que a engendra e alimenta. É parte integrante de imensa associação de Espíritos harmonizados entre si por leis de afinidade luminosa, de sinfonia intelectual e moral, pelo Amor que os identifica. Fraternidade sublime, ante a qual a Terra não passa de pálido e fugidio reflexo!
Por vezes, desses grupos harmoniosos, dessas plêiades rutilantes, um raio vivo se destaca, uma forma radiosa se separa e vem, qual projeção de luz celeste, explorar, iluminar os recônditos de nosso escuro mundo. Ajudar a ascensão das almas, fortalecer uma criatura em hora de grande sacrifício, amparar a fronte de um Cristo na agonia, salvar um povo, resgatar uma nação prestes a perecer: tais as missões incomparáveis que esses mensageiros do Além descem a cumprir. A lei da solidariedade exige que os entes superiores atraiam a si os Espíritos jovens ou retardados. Assim, uma imensa cadeia magnética se desenrola pelo incomensurável Universo e ata as almas e os mundos. E, como a sublimidade da grandeza moral consiste em fazer o bem por amor do bem, sem propósito egoísta, os Espíritos benfeitores obram sob o duplo véu do silêncio e do incógnito, a fim de que a glória e o mérito de seus atos se reportem só a Deus e nele se reintegrem... Desta maneira se explicam as visões de Joana, suas vozes, as aparições do arcanjo e das santas, que nunca existiram como personalidades individuais, batizadas com aqueles nomes, mas que, entretanto, são realidades vivas, seres luminosos, destacados dos centros divinos e que fizeram dela a libertadora de seu país.
Miguel, Micaël, a força de Deus; Margarida, Margarita, a pérola preciosa; Catarina, Katarina, a virgem pura: todos nomes simbólicos, que caracterizam uma beleza moral, uma força superior e refletem uma cintilação de Deus. * Joana d'Arc era, pois, um intermediário de dois mundos, um médium poderoso. Por isso, foi martirizada, queimada. Tal, em regra, a sorte dos enviados do Alto; expõem-se às perseguições dos homens, porque estes não querem ou não podem compreendê-los. Os exemplos que dão e as verdades que espalham são um óbice aos interesses terrenos, uma condenação das paixões ou dos erros humanos. O mesmo ocorre em nossos dias.
Conquanto menos bárbara do que a Idade Média, que os lançava em massa às fogueiras, nossa época ainda persegue os agentes do Além. Eles se vêem quase sempre repudiados, desprezados, escarnecidos. Falo dos médiuns sinceros e não dos simuladores, que são numerosos e se insinuam por toda parte. Esses que tais prostituem uma das coisas mais respeitáveis que há no mundo; mas, por isso mesmo, assumem pesadas responsabilidades para o futuro. E como tudo se paga, cedo ou tarde, todos os nossos atos, bons ou maus, recaem sobre nós com as suas conseqüências.
É a lei 73 do destino. As manifestações do mundo invisível são constantes, dizíamos; porém, não são iguais. O embuste, o charlatanismo, às vezes, se misturam com a inspiração; ao lado de Joana d'Arc encontrareis Catarina de La Rochelle e Guilherme, o pastor, impostores ambos. Há também médiuns reais, que se enganam a si mesmos e obram, em dadas ocasiões, sob o império da auto-sugestão. A fonte nem sempre é pura; a visão é algumas vezes confusa.
Há, todavia, fenômenos tão brilhantes, que não permitem a dúvida, quais os fatos mediúnicos que ilustram a vida de Joana d'Arc. A mediunidade, como todas as coisas, apresenta uma diversidade infinita, uma gradação, uma espécie de hierarquia. Quase todos os grandes predestinados, os profetas, os fundadores de religião, os mensageiros da verdade, todos os que 73 Ver: O PROBLEMA DO SERE DO DESTINO, caps. VIII e XIX. 43 – JOANA D´ARC, MÉDIUM proclamaram os princípios superiores de que se tem nutrido o pensamento humano, foram médiuns, pois que suas vidas estiveram em contínuas relações com os altos círculos espirituais. 74 Demonstrei algures, apoiando-me em testemunhos abundantes e precisos, que o gênio, sob diversos pontos de vista e em muitos casos, pode ser considerado um dos aspectos da mediunidade. Os homens geniais, na maior parte, são inspirados, na mais elevada acepção desta palavra.
Suas obras são como luzeiros que Deus acende na noite dos séculos, para clarear a marcha da Humanidade. Depois da publicação do livro que acima citei, colhi novos documentos em apoio dessa tese. Mais adiante mencionarei alguns. Toda a filosofia da História se resume em duas palavras: a comunhão do visível e do invisível, que se exprime pela alta inspiração. Os homens de gênio, os grandes poetas, os sábios, os artistas, os inventores célebres, todos são, no mundo, executores do plano divino, desse plano majestoso de evolução, que carrega a alma para os pináculos da vida universal.
De algumas vezes, as nobres Inteligências que presidem a essa evolução se humanizam para poderem exercer ação mais eficaz e mais direta. Tendes então Zoroastro, o Buda e, acima de todos, o Cristo. De outras, inspiram e sustentam os missionários encarregados de dar mais viva impulsão aos vôos do pensamento. Moisés, São Paulo, Maomé e Lutero foram deste número. Mas, em todos os casos, a liberdade humana é respeitada.
Daí os múltiplos entraves com que os grandes Espíritos topam no caminho. O fato mais saliente, entre os sucessos que assinalam a vida desses mensageiros do Alto, é a idéia religiosa sobre a qual se apóiam, idéia que basta para lhes exaltar a coragem e para congregar em torno deles, humildes quase todos e não dispondo de nenhuma força material, imensas multidões, prontas a disseminar os ensinamentos cuja grandeza sentiram. Todos hão falado de suas comunicações com o invisível; todos tiveram visões, ouviram vozes e se reconheceram simples instrumentos da Providência, para o desempenho de uma missão. Sós, entregues a si mesmos, nenhum êxito teriam conseguido; a influência do Alto era necessária, indispensável ao triunfo completo da idéia que defendiam e contra a qual se encarniçavam tantos inimigos. Também a filosofia conta gloriosos inspirados: Sócrates, como Joana d'Arc, percebia vozes, ou, antes, uma voz, a de um 75 Espírito familiar, a que ele chamava seu demônio, voz que se fazia ouvir em todas as circunstâncias.
No THÉAGÈS de Platão se lê que Timarco houvera evitado a morte, se escutasse a voz desse Espírito: “Não vás – aconselha-o Sócrates, ao levantar-se ele do banquete com Filêmon, seu cúmplice e o único sabedor de suas intenções de matar Nicias – não vás: a voz me diz que te retenha.” Se bem que advertido mais duas vezes, Timarco partiu, porém saiu-se mal da empresa e foi condenado à 74 Ver: NO INVISÍVEL, cap. XXVI, “A mediunidade gloriosa”. 75 Em gregodaimon significa gênio familiar, espírito. morte. Na hora do suplício, reconheceu, embora demasiado tarde, que devera ter obedecido à voz: “Oh! Clitômaco! – diz ele ao irmão –, vou morrer por não haver dado ouvidos ao que me aconselhava Sócrates.” Um dia, a voz recomenda ao filósofo que não vá mais longe pela estrada por onde passeava com alguns amigos.
Estes se recusam a atendê-lo; continuam a caminhar e encontram um rebanho que os derruba e pisa. Depois de reconhecer bastas vezes o acerto dos conselhos que se lhe eram ditados pela voz, inteira razão tinha Sócrates para acreditar nela e fazer sentir a seus amigos que, “tendo-lhes comunicado as predições que recebia, jamais verificara a inexatidão de alguma.” Recordemos ainda a sua declaração solene diante do tribunal dos Efetos, quando para ele se agita a questão de vida ou de morte: “Esta voz profética do demônio, que nunca deixou de fazer-se ouvir durante todo o curso de minha existência, que jamais deixou, até nas circunstâncias mais comezinhas, de me desviar do que me pudera causar dano, eis que esse deus se cala, agora que me sucedem coisas, que poderiam ser encaradas como o pior dos males. Por que isto? É que, muito verossimilmente, o que ora acontece é um bem para mim. Sem dúvida, nos enganamos, supondo ser a morte uma desgraça!” Na França, também os filósofos foram visitados pelo Espírito: Pascal passava horas em êxtase; a RECHERCHE DE LA VÉRITÉ, de Malebranche, foi escrita em plena escuridão; e Descartes nos conta como, por súbita intuição, rápida qual relâmpago, concebeu a idéia da Doute Méthodique, sistema filosófico a que devemos a libertação do pensamento moderno.
Nos seus ANNALES MÉDICO 76 PSYCHOLOGIQUES, diz Brierre de Boismont: “Descartes, ao cabo de longo repouso, era instado por invisível pessoa para continuar as pesquisas da verdade.” Schopenhauer, na Alemanha, igualmente reconhece haver sofrido a influência do Além: “Meus postulados filosóficos, diz ele, se produziram em mim sem que eu nisso interviesse, nos momentos em que tinha a vontade como que adormecida... Minha pessoa era também por assim dizer estranha à obra.” Quase todos os poetas de renome gozaram de uma assistência invisível. 77 78 Dentre eles, citemos unicamente Dante e Tasso, Schiller e Goethe, Pope, 79 Shakespeare, Shelley, Camões, Victor Hugo, Lamartine, Alfred de Musset, etc. Entre os pintores e os músicos, Rafael, Mozart, Beethoven e outros encontrariam lugar aqui, pois que, sem cessar, a inspiração se derrama em abundantes jorros sobre a Humanidade. 76 1851, pág. 543. 77 V. Léon Denis, NO INVISÍVEL, cap. XXVI, “A mediunidade gloriosa”. 78 Pope escrevia – é ele próprio quem o diz – sob a inspiração dos Espíritos.
Suas obras encerram predições concernentes ao futuro da Inglaterra, algumas das quais já se realizaram, aguardando outras o momento da sua realização. 79 Referindo-se à sua maneira de escrever, Musset dizia: “Não se trabalha nunca, espera-se, escutando. Incógnito, ao ouvido, alguém sentis falando.” 45 – JOANA D´ARC, MÉDIUM Diz-se constantemente: “Estas idéias andam no ar.” Andam, com efeito, porque as almas do espaço as sugerem aos homens. É lá que se devem procurar as origens dos fortes movimentos de opinião em todos os domínios. Cumpre, pois, reconhecê-lo: o fenômeno da mediunidade enche todas as eras. Toda a História se aclara pela luz.
Aqui se concentra numa personalidade eminente e brilha com vivo fulgor: é o caso de Joana d'Arc. Ali se dissemina, repartida por grande número de intérpretes, como na época atual. A mediunidade há sido repetidamente a inspiradora do gênio, o meio que Deus emprega para elevar e transformar as sociedades. No século XV, serviu para tirar a França do abismo de males em que se precipitara. Hoje, é como um sopro novo que passa por sobre o mundo, para restituir a vida a tantas almas adormecidas na matéria, a tantas verdades que jazem na sombra e no esquecimento!
Os fenômenos de visão, de audição, as aparições de defuntos, as manifestações dos invisíveis pela incorporação, a escrita, a tiptologia, etc. vão sendo inúmeros; multiplicam-se cada dia em torno de nós. As pesquisas de muitas sociedades de estudos, as experiências e os testemunhos de sábios eminentes, de publicistas de primeira ordem, cujos nomes temos declinado, não deixam dúvida sobre a realidade desses fatos. Eles foram observados em condições que desafiam qualquer mistificação. Mencionaremos apenas alguns dos mais recentes, entre os que apresentam analogias com os da vida de Joana d'Arc. Há primeiramente as vozes: Em A PERSONALIDADE HUMANA, F.
Myers trata da que Lady Caidly ouviu, numa circunstância em que sua existência perigava. François Coppée fala igualmente de uma voz misteriosa que o chamava pelo nome em certos momentos bastante graves de sua vida, quando, deitado, suas preocupações não lhe permitiam adormecer. Afirma ele: “Seguramente não durmo nesse momento; e a prova é que, mau grado à forte emoção que então experimento, sempre respondi logo: ‘Quem é? Quem me fala?’ Porém, nunca a 80 voz acrescentou coisa alguma ao seu simples chamado”. No mês de maio de 1897, o Senhor Wiltshire foi despertado alta madrugada, ouvindo seu nome pronunciado por uma pessoa invisível.
Como a voz insistisse, ele teve a impressão de um perigo imediato na vizinhança. Acabou por se levantar e sair; chegou precisamente a tempo de salvar a vida a uma jovem que tentara 81 afogar-se. 80 Ver: NO INVISÍVEL, págs. 185186, e o jornal LE MATIN de 7 de outubro de 1901. 81 REVUE SCIENTITIQUE ET MORALE DU SPIRITISME (REVISTA CIENTÍFICA E MORAL DE ESPIRITISMO), junho de 1908. 82 Na REVUE SCIENTIFIQUE ET MORALE DU SPIRITISME, o Dr. Breton, médico da Marinha e presidente da Sociedade de Estudos Psíquicos de Nice, refere o seguinte fato: “A Srta. Lola, jovem russa, habitando uma casa de campo, pertencente à sua família, na Rússia, vê em sonho entrar-lhe a mãe no quarto e gritar: ‘Lola, não tenhas medo, a granja está incendiada!’ Na noite seguinte, a Srta. Lola é bruscamente acordada por sua mãe, que, penetrando-lhe em pessoa no quarto, grita: ‘Lola, não tenhas medo, a granja está incendiada!’ exatamente as mesmas palavras que ouvira sonhando.
A Srta. Lola se casa, torna-se esposa do Senhor de R., oficial russo. Morre-lhe o sogro. Algum tempo depois, a jovem Sra. de R. acompanha a sogra ao cemitério, para, numa capela de família, orar sobre o túmulo do defunto. Ajoelhada e orando, ouve distintamente uma voz dizer-lhe: ‘Tu também ficarás viúva, mas não terás a consolação de orar sobre o túmulo de meu filho.’ Ouvindo isso, a moça desmaiou; acode-lhe a sogra e, logo voltando a si, ela refere a causa de sua emoção.
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