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Capítulo 28 de 29

Parte 28 de 29

Joana D’Arc, Médium · Léon Denis

No fim, Joana, capturada pelos ingleses, lhes propõe altivamente, em nome do rei Carlos VII, um tratado de paz, se concordarem em restituir à França o que lhe tomaram, advertindo-os de que chega a seu termo o poder de que se orgulhavam. Enquanto isso se passa, o exército francês tenta libertar Joana, que os inimigos desejam sacrificar. Do alto da torre em que a enclausuraram, sob a guarda de Isabeau, encarregada de lhe dar o golpe de misericórdia se os ingleses levassem a pior, a heroína segue emocionada as peripécias do combate, conforme lhe é descrito por um soldado, que ocupa um posto de observação. As preces da virgem acompanham os franceses. Eis, porém, que os adversários cercam o rei!

Uma invocação ardente dá a Joana o poder de despedaçar as grossas cadeias que a prendem e de correr em socorro dos seus. Da torre, vêem-na libertando o monarca e alcançando a vitória para os franceses, mas a troco da vida. Morre assim gloriosamente, no campo de batalha, tendo uma última visão, em que a Virgem Santíssima a acolhe sorrindo. A um aceno do rei, todos os estandartes delicadamente cobrem o belo corpo enregelado da Pucela. Indubitavelmente, não conseguiríamos reconhecer a nossa Joana em a personagem do poeta alemão, que não se embaraçou com a verdade histórica.

Seu drama passará, todavia, à posteridade, porque documenta o nobre ideal do autor, 274 CORRESPONDANCE ENTRE GOETHE ET SCHILLER, tradução Saint-René-Taillandier, t. II, pág. 229. 275 DIE JUNGFRAU VON ORLEANS. Eine romantische Tragödie, von Fr. von Schiller. em versos, ora incisivos, que se gravam na memória como sentenças, ora tão tocantes, tão verdadeiramente humanos, que deixam na alma funda impressão. Um crítico eminente, A. W.

Schlegel, exprimia nestes termos a admiração 276 que lhe causava o caráter de Joana d'Arc, na obra de Schiller: “A alta missão, de que se mostra consciente e que infunde respeito a quantos dela se acercam, produz um efeito extraordinário e prenhe de grandeza.” Schlegel, ilustre amigo de Mme. de Staël, consagrou uma peça em verso ao suplício da heroína. Nessa obra, censura violentamente a Voltaire e parece mesmo pedir contas a todo o povo francês do erro cometido pelo filósofo: “Um poeta, diz, não! Um insultador da piedosa vidente ultraja a criatura puríssima; a glória da História, num poema infame, vos serve de repugnante passatempo.” E, com veemência, trata os franceses de “raça sem coração, alheia à lealdade e ao 277 direito, ora opressora ora escrava, nunca branda, nunca livre”. Por outro lado, Mme. de Staël escrevia no seu livro DE L'ALLEMAGNE: “Só os franceses permitiram que se insultasse a memória de Joana; é um grande erro do nosso país 278 não resistir ao motejo, quando se lhe apresenta sob uma forma picante”. 279 Schlegel, diz J. Goyau, traduzia em invectivas a severa observação de Mme. de Staël; para lhe reprimir a torrente de injúrias, seria bastante dizer-lhe, numa palavra, que a França de Voltaire não é a França inteira.

Aí termina a odisséia literária da Pucela, na Alemanha. Depois de 1815, um publicista bávaro, Friedrich Gottlob Wetzel, escreveu uma tragédia sobre Joana d'Arc. O barão de la Motte-Fouqué, descendente de refugiados protestantes, para celebrar a heroína, se faz tradutor e adaptou ao gosto alemão a HISTÓRIA DE JOANA D'ARC, de Lebrun des Charmettes. Porém, a obra mais rigorosamente histórica, consagrada, além Reno, à nossa Joana, é a de Guido Gœrres. José Gœrres e seu filho Guido escreveram um livro “em que depunham aos pés da virgem francesa as homenagens da Alemanha”.

Joana d'Arc é a enviada de Deus para a salvação da França: tal a tese que José Gœrres sustenta, no prefácio que compôs para o livro do filho. Explica-nos ele: “Já de muito longe se vinha preparando a Reforma e, de mais longe ainda, a Revolução; ora, nem uma, nem outra devia encontrar a Inglaterra e a França reunidas sob o mesmo cetro, porquanto, no estado de completo absolutismo que houvera pesado sobre o mundo europeu, elas teriam sido sufocadas pela força puramente material, ou, então, estendendo-se vitoriosamente por sobre esta parte do globo, teriam produzido uma anarquia desenfreada, e, num caso como no outro, a dissolução da ordem social. Era, além disso, destino dos franceses tornarem-se, nas mãos de Deus, durante as eras subseqüentes, um látego e um 276 COURS DE LITTERATURE DRAMATIQUE, t. II, págs. 309310. Paris e Genebra.

Paschoud, 1814. 277 A. W. Schlegel – POETISCHE WERKE, t. I, págs. 233236. (Heidelberg, Mohr e Zimer, 1811). 278 Mme. de Staël – DE 1'ALLEMAGNE, edição Garnier, página 242. 279 J. Goyau – JEANNE D'ARC DEVANT 1'OPINION ALLEMANDE, págs. 4344. 193 – JOANA D´ARC, MÉDIUM aguilhão para os demais povos, e à França não fora possível desempenhar esse papel providencial, se não se livrasse da dominação estrangeira e não 280 conservasse a sua individualidade”.

Segundo José Gœrres, Joana pertencia a dois mundos, ao da Terra e ao do Céu; fora chamada a exercer sua ação naquela, como enviada deste. Assim sendo, pertencia a todos os povos, ao povo francês pelo sangue, aos outros pelos seus nobres feitos. Por pouco Guido Gœrres não precedeu Quicherat em suas pesquisas. Montalembert tivera a intenção de atacar esse grande assunto; mas, o trabalho de Guido Gœrres, afigurando-se-lhe muito importante, fê-lo desistir da empresa, conforme comunicou ao pai desse escritor, em carta que lhe dirigiu. Guido, depois de passar algum tempo em Orleães, veio a Paris, freqüentou a Biblioteca Nacional e projetava novo livro sobre a Pucela, mais documentado do que o primeiro, quando foi chamado à Alemanha, onde outros trabalhos lhe ocuparam a atenção.

Dessa época em diante, uma plêiade de sábios, de historiadores, de escritores de todas as categorias, se pôs, além Reno, a comentar a epopéia da virgem Lorena. Pela pena dos dois Gœrres, o catolicismo alemão rendera homenagem à 281 Pucela; e Carlos Hase, em 1850, lhe trouxe as homenagens do protestantismo. Hase é também um admirador apaixonado de Joana d'Arc. Guido Gœrres instaurara, entre os católicos da Alemanha, uma espécie de culto de Joana d'Arc; Carlos Hase instituiu entre os protestantes uma espécie de religiosidade de Joana. O historiador Reinhold Pauli, em 1860, declarava que “para todos os 282 espíritos imparciais, ela era um enigma”. 283 Um dos biógrafos alemães de Joana, o professor Hermann Semmig, ousava escrever, em 1883: “Na França, fora de Orleães, a Pucela em parte 284 alguma é tão cara ao povo francês, quanto ao alemão”. 285 Escreve ainda J.

Goyau: “A Alemanha parece afetar uma espécie de coquetismo para com a Pucela; e esse coquetismo, na expressão de que se reveste, quase que nos é ofensivo. Se a França pudesse ser acusada de esquecer Joana, aí estaria a Alemanha para festejá-la; se algum francês difama a donzela, surge logo um alemão como seu cavalheiro. Dir-se-ia que a Alemanha literária e sábia, constantemente enamorada da antiga Velléda, tem uma certa inveja dos franceses.” Esse interesse apaixonado pela nossa heroína demonstra até que ponto os alemães amam o ideal. Entre eles, os escritores de todas as escolas – racionalistas e espiritualistas, fisiologistas e místicos –, dirigiram os olhares para essa figura tão francesa, que projeta, através dos séculos, uma faixa luminosa. 280 Guido Gœrres– JEANNE D'ARC, tradução de Léon Boré, págs. XI-XII. 281 HELLIGE UND PROPHETEN, ZWEITER TEIL(8ª edição, 1893, Leipzig, Breitkopf e Haertel). 282 BILDER AUS ALT-ENGLAND(Gotha, Perthes, 1860). 283 Semmig– DIE JUNGFRAU VON ORLEANS UND IHRE ZEITGENOSSEN. (Leipzig, Unflad, 1885). 284 DIE GARTENLAUB, 1883, nº 18, pág. 291. 285 J.

Goyau – JEANNE D’ARC DEVANT L’OPINION ALLEMANDE, págs. 7677. * A Itália conta, sobre o mesmo assunto, A CRÔNICA GERAL DE VENEZA 286 ou DIÁRIO, de Antônio Morosini, recentemente traduzida e publicada. A. Morosini, nobre veneziano e negociante armador de real mérito, redigiu com esse título um jornal, mantido sem interrupção desde 1404 até 1434, a respeito do qual fez a REVUE HEBDOMADAIRE os comentários seguintes: “Observador perspicaz e judicioso, Morosini intercalou no texto vinte e cinco cartas ou grupos de cartas, em que se relatavam as ações da Pucela, à medida que iam sendo praticadas. Ficou assim composto, espontaneamente, o mais sincero dos conjuntos, a série mais cativante de noções, de impressões e de sensações, redigidas não só semana a semana, mas quase que dia a dia. “A maior parte dessa correspondência proveio de Burges, a grande praça comercial da Flandres, centro de negócios, de transações e de informações.

As missivas, algumas vezes, são resumos de cartas de várias procedências, da Borgonha, de Paris, da Bretanha. Outras procedem diretamente de Avignon, de Marselha, de Gênova, de Milão, do Monferrat. Têm por principal autor o veneziano Pancrazio Giustiniani, residente em Burges. A seu lado, aparece também Giovanni de Molino, estabelecido em Avignon. “Em muito poucos dias, a 10 de maio talvez, com uma rapidez verdadeiramente assombrosa, chegava de Orleães a Flandres a notícia do combate das Tourelles, que se ferira a 7, com a previsão do levantamento imediato do cerco.

Pelo correio ordinário, na mala que viaja entre Burges e a cidade dos Doges, Pancrazio Giustiniani a expede quase que imediatamente para Veneza, endereçada a seu pai. No mesmo dia, 18 de junho, Antônio Morosini transcreve a carta, a preserva e salva. “Em seguida, com intervalos mais ou menos curtos, registra, copia ou resume contínuas missivas. A retirada dos ingleses, Patay, a sagração e a marcha sobre Paris são anunciadas, observadas, transmitidas, refletindo a estupefação e o entusiasmo produzido por essas incompreensíveis realidades. Mesmo depois do horrível regresso ao Líger, do desastre de Compienha, as simpatias continuam.

Correm boatos de invasão e de reabertura da campanha. Até ao suplício de Ruão, 287 o drama é acompanhado com uma emoção que não desfalece”. * Por esse rápido estudo, pode ver-se como Joana, glorificada em toda parte no estrangeiro, mesmo por seus inimigos de antanho, só encontrou detratores no país do qual ela fez uma nação livre e vitoriosa. O culto que lhe é prestado fora da França não será de molde a tocar os seus depreciadores, que se dizem animados de sentimentos internacionalistas? Somente na França Joana foi infamada, por escritores talvez de mérito, mas incapazes de compreendê-la, porque nela o 286 CHRONIQUE D’ANTONIO MOROSINI, Commentaire et traduction Ed. G.

L. – P. et Léon Dorez. 287 G. Lefèvre-Pontalis – JEANNE D'ARC ET SES CONTEMPORAINS. REVUE HEBDOMADAIRE, 17 de abril de 1909, pág. 313. 195 – JOANA D´ARC, MÉDIUM humano e o divino se confundem e harmonizam numa ideal figura, que de muito nos sobrepuja a todos. Sua vida é como que um reflexo da do Cristo.

Como o Nazareno, nasceu entre os humildes; como ele, sofreu a injustiça e a crueldade dos homens. Morta ainda jovem, iluminaram-lhe a breve e dolorosa existência, como iluminaram a do Cristo, os raios cintilantes do mundo invisível. Nota-se mesmo a mais, na da virgem, um especial elemento de poesia: é que ela era mulher e, entre as mulheres, uma das mais sensíveis e das mais ternas. Coisa singular e emocionante: essa guerreira teve o dom de pacificar e de unir. Tudo ela atrai a si.

Os ingleses, que a imolaram, são hoje os seus mais ardorosos partidários; na própria França, para todos aqueles cujas almas o vento do cepticismo não secou, as divergências na maneira de ver o que lhe diz respeito se esbatem e desvanecem numa veneração comum. * Falamos das almas ressecadas. Grande é o número delas entre nós. Há um século, o cepticismo vem fazendo a sua obra, que se traduz no empobrecimento cada vez maior das fontes da vida e do pensamento. Longe de constituir uma força, uma qualidade, ele é antes uma doença do Espírito. Destrói, aniquila a confiança que devemos depositar em nós mesmos, em nossos recursos ocultos; a confiança na possibilidade de nos desenvolvermos, engrandecermos e elevarmos, por um esforço contínuo, através dos planos magníficos do Universo; a confiança na lei suprema, que tira o ser do fundo dos abismos da vida e lhe abre à iniciativa, ao vôo, as infinitas perspectivas do tempo e o vasto teatro dos mundos.

O cepticismo bambeia pouco a pouco as molas da alma, amolece os caracteres, extingue a ação fecunda e criadora. Poderoso para destruir, jamais criou qualquer coisa de grande. Crescendo, pode tornar-se um flagelo, causa de decadência e de morte para um povo. O criticismo é produto do espírito céptico do nosso tempo e já executou lento trabalho de desagregação, reduzindo a pó tudo o que compunha a força e a grandeza do espírito humano. Tem na literatura seu principal meio de influenciar.

Nesse domínio, Renan foi um criador e um como modelo do gênero. Anatole France é atualmente o mais ilustre representante dessa escola, que todos os dias recruta numerosos prosélitos entre a nossa juventude. A nova geração se deixa seduzir pela forma elegante da linguagem e pela magia da expressão, nos seus predecessores, e também pela consideração mórbida de que é mais fácil criticar e zombar, do que estudar a fundo um assunto e tirar conclusões lógicas. Renunciam, assim, gradativamente, a toda e qualquer convicção, para se comprazerem numa espécie de diletantismo vago e estéril. É de bom tom ostentar uma atitude de desiludido, considerar vão todo esforço e inacessível a verdade, fugir de todas as tarefas penosas, satisfazendo-se com a comparação das opiniões e das idéias, para as tratar com ironia e lançá-las ao ridículo.

Tão indigente quanto funesto é o método, pois que debilita a inteligência e o discernimento, resultando daí, afinal, um amesquinhamento sensível das qualidades viris de nossa raça, uma despreocupação dos grandes deveres da existência, um desconhecimento do objetivo da vida, que avançam, passo a passo, penetram no coração do povo e tendem a secar as fontes da energia nacional. Os progressos do cepticismo se explicam, até certo ponto, pelo fato de que, entre nós, as formas da fé não mais correspondem às exigências do espírito moderno e da lei de evolução. A religião carece de bases racionais, nas quais se possa edificar uma convicção forte. O espiritualismo experimental vem preencher essa lacuna e oferecer à alma contemporânea um terreno de observação, um conjunto de provas e de fenômenos, capaz de constituir apoio firme para as crenças do futuro. Como nas épocas de Joana e do Cristo, o sopro do invisível passa sobre o mundo e vai reanimar as coragens abatidas, despertar as almas que pareciam mortas.

Cumpre não desesperar jamais do porvir de nossa raça. O gérmen da ressurreição está dentro de nós, em nossos espíritos, em nossos corações. A fé esclarecida, a confiança e o amor são as alavancas da alma; quando esses sentimentos a inspiram, sustentam e arrebatam, não há culminância que ela não possa atingir! 197 – JOANA D´ARC, MÉDIUM Conclusões Da vida de Joana d'Arc três grandes lições se destacam em traços de luz. Ei-las: Nas horas de crise e de provação, a Humanidade não fica abandonada a si mesma. Do Alto, socorros, forças, inspirações descem para a sustentar e guiar em sua marcha.

Quando o mal triunfa, quando a adversidade se encarniça contra um povo, Deus intervém por meio de seus mensageiros. A vida de Joana é uma das manifestações mais brilhantes da Providência na História. Fortíssima comunhão existe entre todos os planos da vida, visíveis ou invisíveis. Para as almas sensíveis e adiantadas na evolução, nas quais os sentidos interiores, as faculdades psíquicas se acham desenvolvidas, essa comunhão se estabelece desde este mundo, no decurso da vida terrestre. É tanto mais íntima e fecunda, quanto mais puras e libertas das influências inferiores são as almas e melhor preparadas para as missões que lhes incumbem.

Tais os médiuns, na sua maioria. Ao número deles pertence Joana, que foi um dos maiores. Dessa comunhão entre os vivos e os mortos, entre os habitantes da Terra e os do Espaço, cada um de nós é chamado a participar no futuro, pela evolução psíquica e pelo aperfeiçoamento moral, até que as duas Humanidades, terrena e celeste, formem uma só e imensa família, unida no pensamento de Deus. Desde agora, liames subsistem entre os homens e os que desapareceram. Misteriosos fios ligam todos os Espíritos que se têm encontrado na Terra.

O presente é solidário com o passado e com o futuro e o destino dos seres se desenrola em espiral ascendente, do nosso humilde planeta até às profundezas do céu estrelado. De lá, dessas alturas, descem os messias, os mensageiros providenciais. O aparecerem no nosso mundo constitui uma completa revelação. Estudando-os, aprendendo a conhecê-los, levantamos uma ponta do véu que nos oculta os mundos superiores e divinos a que eles pertencem, mundos dos quais os homens mal suspeitam, esmagados como se encontram, na sua maioria, pela pesada crisálida material. Nas grandes datas da História, Deus oferece tais vidas como exemplos e lições à Humanidade. Para essas figuras de heróis e de mártires é que devem volver o olhar os que duvidam, os que sofrem.

Entre elas, nenhuma tão suave como a de Joana d'Arc. Seus atos e suas palavras são, há um tempo, ingênuos e sublimes. Uma existência tão breve, mas tão maravilhosa, não pode deixar de ser tida como um dos mais belos dons feitos por Deus à França e, para o século XIX; será uma glória haver, em meio de tantos erros e faltas, posto em foco esse nobre perfil de virgem. Nenhuma nação conta em seus anais fato comparável a essa vida. Ela é, como bem escreveu Étienne Pasquier, “um verdadeiro prodígio da mão de Deus”.

Sua ação no passado foi o início de uma renovação nacional; no presente, é o sinal de uma renovação religiosa, diversa das precedentes, mas adaptando-se melhor às necessidades da nossa evolução. Seríamos mais exatos se, em vez de religiosa, disséssemos científica e filosófica. O que é certo, porém, é que vão ser renovadas as crenças da Humanidade. Perecerá por isso o sentimento religioso? Não, sem dúvida; apenas se transformará, para revestir aspectos novos.

A fé não pode extinguir-se no coração do homem. Se desaparecer, por instante, é unicamente para dar lugar a uma fé mais elevada. Para que os sóis da noite se acendam e a imensidade estrelada se ostente aos nossos olhos, não importa que o astro rei se suma no horizonte? Quando o dia descamba, parece que o Universo se cobre com um véu e que a vida vai ter fim. No entanto, sem a extinção da luz diurna, veríamos, no fundo do céu, o formigueiro dos astros?

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.