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Capítulo 15 de 29

Parte 15 de 29

Joana D’Arc, Médium · Léon Denis

O gênio inglês é essencialmente marítimo, comercial, colonizador. O da França se orienta de preferência para os vastos domínios do pensamento. Diferentes são os destinos das duas nações e distintos os papéis que lhes tocam na harmonia do conjunto. A cada uma delas, para percorrer o caminho que lhe está naturalmente traçado e para manter em toda a plenitude a índole que lhe é própria, cumpria antes de tudo conservar a liberdade de ação e preservar sua independência. Reunidos debaixo de uma dominação comum, esses dois aspectos do gênio humano se teriam contrariado e peado os respectivos surtos.

Por esta razão é que no século XV, ameaçado o gênio da França, Joana d'Arc se constituiu, na arena da História, o campeão de Deus contra a Inglaterra. Ela desempenhou um grande papel militar. Ora, em nossos dias se verifica que a organização militar caminha para o descrédito. Sob o nome de pacifismo, muitos pensadores, na maior parte animados de louvabilíssimas intenções, movem vigorosa campanha, em nosso país, contra tudo que lembra o espírito belicoso do passado e as lutas entre nações. 174 Ver: LE MERCURE DE FRANCE–“A desastrosa Joana d'Arc”, 1907. 175 As terríveis guerras civis das Duas Rosas, York e Lencastre, que estalou pouco depois da de Cem Anos e quase levou a Inglaterra à sua perda, mostra que também neste país ainda não havia unidade. Como poderia ela estabelecer-se com os elementos inarmônicos que provinham da conquista da França? 176 Ver: O PROBLEMA DO SER E DO DESTINO, capítulo sobre a “Vontade”. 105 – JOANA D´ARC, MÉDIUM De fato, a idéia de pátria deu azo a incontestáveis abusos.

É a condição inerente a todas as coisas terrenas. Mas, nem por isso os povos perderam o direito e se forraram ao dever de rememorar suas glórias e de se orgulhar de seus heróis. Convimos em que a existência das milícias é um mal. Porém, não será um mal necessário? A paz universal representa um belo sonho, e a solução, pelo arbitramento, de todas as lides internacionais um progresso eminentemente desejável.

Resta saber se a paz assegurada, prolongada, não acarretaria males de outra ordem. “Só no décimo nono século – diz o Sr. Charles Richet – morreram, por efeito 177 da guerra, quinze milhões de bravas criaturas. O passado inteiro não foi senão um estéril morticínio. Querer perpetuar essa infâmia faria corar.” E o autor convida a Humanidade a preferir as obras de vida à lúgubre tarefa da morte.

Tais sentimentos honram ao Sr. Charles Richet. Entretanto, para enxergarmos claro na questão, precisamos elevar-nos um pouco acima dos horizontes da vida presente e abranger com o olhar a dilatada perspectiva dos tempos assinados à evolução das almas humanas. A vida atual, sabemos, não passa de um ponto na imensidade dos nossos destinos; não poderemos, pois, julgar, nem compreender o que se lhe refere, se abstrairmos de tudo o que a precede e segue. Ora, tal precisamente o caso do Sr.

Charles Richet, que é céptico por natureza, pouco informado acerca do que entende com o Além e que, conforme ele próprio declara, “não sente necessidade do Além”. Quanto à morte pela guerra, ouçamos o que a respeito dizem a sabedoria antiga e a sabedoria moderna. A seu discípulo Ardjuna, que vacila em dar combate às potências do mal e em sacrificar vidas humanas, Crisna, o fundador do bramanismo, faz as seguintes ponderações: “Os bem avisados não se lamentam, nem por causa das tristezas da vida, nem por causa da morte que lhes põe termo. Esqueces que eu, tu e todos os chefes do exército sempre existimos e que jamais deixaremos de existir, quando, em troca, de nossos corpos usados, outros nos forem fornecidos, animados de nova vida? Encara, pois, com a serenidade de uma alma impassível as alegrias e as dores da existência.

A vida de qualquer criatura desafia a destruição, porquanto a alma encarnada é eterna. Não tendo nascido, como poderia morrer? Não te cause inquietação nem o nascimento, nem a morte, olha de frente o dever que te corre. Ora, teu dever, neste dia, é travar uma justa e legítima batalha. Toda abstenção de tua parte seria uma pusilanimidade, que te desonraria para sempre.

Se te matarem, ganharás o céu; vencedor, possuirás a Terra. Ergue-te, portanto, filho 178 de heróis, e combate com a firme resolução de vencer”. Escutemos agora a palavra de um dos maiores psicólogos de nosso tempo, 179 William James, reitor da Universidade de Harvard: 177 Charles Richet – LE PASSE DE LA GUERRE ET L'AVENIR DE LA PAIX, Paris, Ollendorf, 1907. 178 Bhagavad Gita. 179 William James – L'EXPERIENOE RELIGIEUSE, pág. 312. “Um instinto profundo, impossível de desarraigar-se, nos impede de considerar a vida uma simples farsa, ou uma elegante comédia. Não, a vida é uma tragédia acerba e o que nela mais sabor tem é o que mais amarga. Na cena do mundo, só ao heroísmo cabem os grandes papéis.

É no heroísmo, sentimo-lo bem, que se acha oculto o mistério da vida. Um homem nada vale, se se mostra incapaz de qualquer sacrifício.” Quais os fins a que na realidade visamos nas vidas múltiplas, no decurso da sucessão de nossas existências na Terra e nos outros mundos? O objetivo da alma 180 em sua carreira, temo-lo demonstrado, reside na conquista do futuro, na edificação de seu destino pelo esforço persistente. Ora, a paz indefinida em mundos atrasados e no seio de sociedades ainda pouco evoluídas quanto as nossas, favorece o desenvolvimento da frouxidão e da sensualidade, os piores venenos da alma. A procura exclusiva do bem-estar, a sede de riquezas e de conforto, que caracterizam a época em que vivemos, são causas do quebrantamento da vontade e da consciência.

Destroem-nos a virilidade e nos fazem perder toda iniciativa, toda capacidade de resistência nas horas adversas. A luta, ao contrário, engendra tesouros de energia, que se acumulam nas profundezas da alma e acabam por se incorporar à consciência. Depois de terem estado norteadas para o mal, nos estádios inferiores da evolução, essas forças, por efeito da ascensão e do progresso do ser, pouco a pouco se transformam em impulsões para o bem, pois que é próprio da evolução transmudar as potências más da alma em faculdades benfazejas. Tal a divina e suprema alquimia. A guerra ensina o homem a desprezar a dor, a afrontar as privações e a morte.

As energias internas, assim adquiridas, em vez de continuarem a expandirse no exterior, voltam-se mais tarde, com o progredir da alma, contra suas mesmas paixões e lhe garantem o triunfo no combate ao sensualismo deprimente, ao mal e ao sofrimento. A ameaça das guerras externas pode ser tão salutar aos povos em via de evolução, como aos indivíduos. Dela nasce a união no interior. A paz prolongada alimenta as dissensões intestinas; fomenta a guerra civil, como vemos presentemente pelas greves que se multiplicam em torno de nós. Nas lutas empenhadas, os reveses são mesmo mais úteis do que o triunfo: a desgraça aproxima as almas e lhes prepara a fusão.

As derrotas são outros tantos golpes vibrados em uma nação; mas, à semelhança dos do martelo do escultor, esses golpes a tornam mais bela, porquanto repercutem no fundo dos corações, onde vão despertar emoções, fazendo surgir ocultas virtudes. Também é na resistência à adversidade que se temperam e nobilitam os caracteres. Na grandiosa evolução do ser, a coragem é a qualidade essencial. Se a não possui, como poderá vencer os obstáculos inúmeros que se lhe acumulam na estrada? Eis porque, nos mundos inferiores, moradas e escolas das almas novas, a luta é a lei geral da Natureza e das sociedades.

Lutando, o ser adquire as energias primordiais, indispensáveis a que lhe seja possível descrever sua imensa trajetória através do tempo e do espaço. 180 Ver: Léon Denis – O PROBLEMA DO SER E DO DESTINO, passim. 107 – JOANA D´ARC, MÉDIUM Não o vemos já na vida de hoje? Aquele que na infância recebeu uma educação forte, que preparou sua têmpera por meio de grandes exemplos, ou do infortúnio, que, ainda jovem, aprendeu a ser austero e a sacrificar-se, não está mais bem preparado para o desempenho de um papel importante, para o exercício de uma ação eficaz? Inversamente, na criança muito amimada, habituada à abundância, à satisfação de todas as fantasias e caprichos, as qualidades viris se extinguem e as molas da alma se afrouxam. O excesso de bem-estar amolenta. Para que o ser não se atrase no caminho, preciso é que as necessidades o aguilhoem, que os perigos o obriguem ao esforço.

Com relação às sociedades terrenas, o estado moral em que se encontram apresenta mais de uma analogia com o que ocorre na atmosfera. Quando esta, na quadra estival, ao cabo de longo período de tranqüilidade, se altera e satura de emanações malsãs, furiosa tempestade vem quase sempre purificar o ar e restabelecer o equilíbrio desfeito. Assim também, quando, graças a uma paz extremamente duradoura, as paixões, as cobiças, os egoísmos chegaram ao paroxismo, quando a corrupção sobe, sobe e se alastra, cedo ou tarde acontecimentos imprevistos, bruscos abalos, rudes provações vêm chamar os homens ao sentimento das graves realidades da existência. A guerra é a forma que tais acontecimentos muitas vezes revestem, para soerguer os Espíritos, oprimindo os corpos. São purgações violentas para as sociedades e aproveitam mais aos vencidos do que aos vencedores, porque os esclarecem sobre as próprias fraquezas e lhes ministram as duras lições da experiência.

Seja como for, não se conseguirá, faça-se o que se fizer, assegurar completamente a paz e a concórdia entre os homens, senão pelo levantamento dos caracteres e das consciências. Nossa felicidade, nossa segurança perfeita, não nos esqueçamos, estão em relação direta com a nossa capacidade para o bem. Não podemos ser felizes senão na medida de nossos méritos. O flagelo da guerra, como todos os que apoquentam a Humanidade, só desaparecerá quando desaparecer a causa dos nossos erros e vícios. XIV Joana d’Arc e a idéia De humanidade Nunca matei ninguém. Jehanne Não pretenderemos que Joana d'Arc tenha sido quem nos trouxe a primeira noção de humanidade.

Muito antes dela, em todos os tempos, os gemidos dos que sofrem despertaram nas almas sensíveis os sentimentos de piedade, de compaixão, de solidariedade. Estas qualidades, porém, no decurso da guerra de Cem Anos, se haviam tornado raríssimas, particularmente entre os que cercavam Joana, entre aqueles soldados embrutecidos, que fizeram da guerra uma obra de rapina e de banditismo. É numa época assim, férrea e sanguinária, que a virgem Lorena nos faz ouvir a cariciosa linguagem da comiseração, da bondade. Não há dúvida de que ela se armou para salvar a França, mas, passada a hora da luta, volve a ser a mulher de terno coração, o anjo de meiguice e da caridade. 181 Por toda parte, opõe-se aos massacres e sempre oferece a paz antes de atacar. Três vezes, diante de Orleães, reitera propostas deste gênero.

Socorre os feridos e 182 mesmo os feridos ingleses. Aos desgraçados leva o conforto e sofre por todos os sofrimentos humanos. Na escura noite feudal, o décimo quinto século se mostra mais tenebroso, ainda mais sinistro do que os outros. É o século em que se vê um rei de Aragão matar o filho e um conde de Gueldre assassinar o pai; em que um duque da Bretanha se faz assassino do irmão, e uma condessa de Foix o carrasco da irmã. Através da densa nuvem sangrenta que envolve homens e coisas, Joana nos aparece qual visão do Alto.

Fitando-a, encontramos repouso para a vista e nos 181 Ver sua carta aos ingleses: PROCESSO DE CONDENAÇÃO, 5º interrogatório público. 182 Ver o testemunho de Luís de Contes: “Joana, diz ele, que era muito compassiva, apiedou-se de tal mortandade. Tendo visto um francês, que conduzia alguns prisioneiros, dar na cabeça de um deles uma pancada tão brutal que o homem caiu como morto, ela desceu do cavalo e fez com que o inglês fosse ouvido em confissão. Sustinha-lhe a cabeça e consolava-o como podia.” J. Fabre – PROCESSO DE REABILITAÇÃO, t. I, pág. 213. 109 – JOANA D´ARC, MÉDIUM consolamos do espetáculo dos morticínios.

São dela estas dulcíssimas palavras: 183 “Jamais vi correr sangue de francês, sem que os cabelos se me eriçassem”. Na corte de Carlos VII não se praticava somente toda sorte de roubos e de atos de banditismo. Os assassínios também eram freqüentes. O senhor de Giac, camarista-mor e mais tarde favorito do rei, assassinara a mulher, Joana de Naillac, para casar com a opulenta condessa de Tonnerre, Catarina de l'Isle-Bouchard, e pereceu, ele próprio, afogado, por instigações não só do condestável de Richemont, a cuja política se constituíra um embaraço, como de La Trémoille, que lhe cobiçava a esposa, depois de ter, à força de maus tratos, dado a morte àquela com quem se casara. Um outro favorito de Carlos VII, Le Camus de Beaulieu, morre assassinado na presença do monarca.

O conde d'Armagnac seqüestra o marechal de Séverac, arranca-lhe um testamento a seu favor e em seguida manda 184 matá-lo. Num meio assim monstruoso é que à boa Lorena cumpre intervir. Essa circunstância lhe tornará ainda mais penosa a tarefa e multiplicará, para a sua sensibilidade, as causas de sofrimento. Alguns escritores quiseram ver em Joana d'Arc uma espécie de virago, de virgem guerreira exaltada pelo gosto dos combates. Nada mais falso; desmentem semelhante opinião as ações e palavras da heroína.

É certo que ela sabe afrontar os perigos e expor-se aos golpes do inimigo; mas, quer nos acampamentos, quer no ardor das refregas, jamais se despojou da doçura e da modéstia peculiares à mulher. Era bondosa e pacífica de natureza. Nunca trava combate com os ingleses, sem que previamente os convide a se afastarem. Quando os adversários se retiram sem lutar, como a 8 de maio, junto de Orleães, ou quando cedem ao embate dos franceses, ordena que os poupem: “Deixai-os ir, dizia, não os mateis. A mim me basta que se retirem.” Nos interrogatórios de Ruão perguntam-lhe: “Que era o a que mais querias, ao estandarte, ou à espada?” Ela responde: “Amava muito mais, mesmo quarenta 185 vezes mais ao meu estandarte, do que à minha espada.

Nunca matei ninguém!”. Para se preservar dos arrastamentos da luta, estava sempre com a bandeira empunhada, porque, dizia ainda: “Não quero servir-me da espada.” Não raro surgia onde mais violenta era a peleja, em risco de ser morta ou presa. Nesses momentos, referem seus companheiros d'armas, deixava de ser a mesma. Passado, 186 porém, o perigo, voltavam a predominar nela a doçura e a simplicidade. Ainda durante a ação, sua sentimentalidade acorda, reaparece a mulher: “Ao sentir-se ferida, consta no texto, teve medo e chorou.” Depois, decorrido algum tempo, disse: “Estou consolada.” Seus temores, suas lágrimas a tornam mais tocante aos nossos olhos, pois que lhe emprestam ao caráter esse encanto, essa força misteriosa, que constituem um dos maiores atrativos de seu sexo. 183 Depoimento de seu intendente João d'Aulon. 184 Segundo Lavisse, HISTOIRE DE FRANCE, t.

IV, págs. 24 e 27. 185 4º interrogatório público. 186 PROCESSO DE REABILITAÇÃO. Testemunhos de Dunois, do duque d'Alençon, de Thibauld d'Armagnac, do presidente Simon Charles. Joana, dizíamos, tinha um coração sensível. As injúrias dos inimigos feriamna fundo: “Quando os ingleses lhe chamavam ribalda – refere uma testemunha –, rompia em pranto.” Mas, logo, por meio da prece, que dirigia a Deus, purificava a alma de todo ressentimento e perdoava. No cerco de Orleães, um dos principais chefes ingleses, Glasdale, assim que a divisava, cobria-a de invectivas. De cima do parapeito do forte das Tourelles, pôs-se, no dia do ataque, a vociferar contra ela.

Dali a pouco tempo, ao ser o bastião tomado de assalto, caía, completamente armado, no Liger e se afogava. “Joana – acrescenta a testemunha –, cedendo à piedade, entrou a chorar copiosamente pela alma de Glasdale e dos outros que, em grande número, 187 também se afogaram”. * Joana, portanto, não é unicamente a virgem dos combates. Mal cessa a batalha, ei-la que se transforma no anjo de misericórdia. Vimos que, ainda criança, já socorria os pobres e cuidava dos enfermos. Investida no comando do exército, consegue inflamar a coragem na hora do perigo; mas, findo o combate, comove-a o infortúnio dos vencidos e seus esforços convergem para lhes minorar os malefícios da guerra.

Em oposição aos costumes do tempo, à medida que o interesse predominante da França lho permite, empenha-se, com risco da própria vida, na defesa dos prisioneiros e dos feridos votados à decapitação. Tudo faz por tornar menos cruel a morte dos moribundos. Na Idade Média, era de regras não dar quartel aos vencidos. “Os de condição 188 inferior à mediana – diz o coronel Biottot –, eram massacrados e, algumas vezes, até os grandes. Joana, porém, se opõe a esse procedimento, ponderando que a condição social não é um crime, nem dos humildes, nem dos poderosos.

Quer salvos todos os inimigos, desde que deponham as armas. Em Jargeau, só a muito custo consegue livrar da morte o conde de Suffolk, que comandava o forte, depois de haver comandado o cerco de Orleães.” Fora justo que os ingleses, quando a tiveram em seu poder e a processaram, levassem em conta os atos generosos da Pucela. Entretanto, para recordá-los, nenhuma voz se ergueu diante dos juízes de Ruão. Seus inimigos só cuidavam de cevar o ódio de que tinham rasas as almas. Deve-se, pois, reconhecer que, muito antes mesmo de ser usada a expressão, Joana aplicou o direito das gentes.

Tomava assim a dianteira dos inovadores, que mais tarde convidariam o mundo à prática da igualdade e da fraternidade entre os indivíduos e as nações; que, nos tempos porvindouros, evocariam os princípios de ordem, de equidade, de harmonia social, chamados a reger uma humanidade verdadeiramente civilizada. Sob este ponto de vista, a boa Lorena prepara as bases de um futuro melhor e de um mundo novo. 187 J. Fabre – PROCESSO DE REABILITAÇÃO. Depoimento de João Pasquerel, t. I, pág. 227. 188 Coronel Biottot – LES GRANDS INSPIRES DEVANT LA SCIENCE, pág. 183. 111 – JOANA D´ARC, MÉDIUM Joana, como se vê, soube, em tudo, ater-se a uma justa medida.

Naquela alma tão bem equilibrada, o amor ao país excede a todos os outros, mas sem exclusivismo. Qualquer dor humana lhe infunde piedade, comiseração. Muito se há, em nossa época, abusado da palavra humanidade e, mais de uma vez, temos visto pensadores, escritores fazerem, por vão e pueril sentimentalismo, tábua rasa dos interesses e direitos da França, em proveito de vagas personalidades, ou de agrupamentos hipotéticos. Jamais entenderemos que nos seja possível amar os negros, os amarelos, os vermelhos, que nunca vimos, mais do que os nossos próximos, a nossa família, pais, mães, irmãos. E a França também é nossa mãe.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.