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Capítulo 25 de 29
Parte 25 de 29
Joana D’Arc, Médium · Léon Denis
“Afinal, o espantoso tumulto cessou gradualmente no acampamento francês; os archotes se apagaram uns após outros e a noite se afigurou mais escura. Os sitiados, presas de angústia, não divisavam mais do que sombrias e confusas massas, que pareciam engrossar de instante a instante e mover-se nas proximidades dos fossos; apenas ouviam um indistinto rumor de vozes abafadas, de armas que se entrechocavam, de passos inseguros, de folhagens pisadas, etc., ruído sinistro, precursor da tempestade. “Ao raiar a alvorada, o quadro se patenteou nitidamente aos olhos dos desorientados habitantes de Troyes. Desaparecera gradativamente o fantástico, dando lugar à realidade não menos ameaçadora, a saber: tudo completamente organizado para uma arremetida, que não podia deixar de ser furiosa, obstinada, implacável!
“O exército francês, munido de todo o seu material de aproximação e de ataque, estava disposto em perfeita ordem nos pontos mais favoráveis, pois que a Pucela, como de costume, aproveitara o tempo para reconhecer o terreno; as três ou quatro peças de artilharia, bem situadas e abrigadas, se preparavam para romper o fogo e para suprir a deficiência do número com a rapidez e justeza do 261 Ipsi cives perdiderunt animum nec qœrebant nisi refugiam et fugere ad ecclesias. (Depoimento de Dunois.) 171 – JOANA D´ARC, MÉDIUM tiro; os grupos de faxineiros e de porta-escada, os arqueiros e besteiros – emboscados nos refúgios; as colunas de assalto e as reservas, silenciosas e concentradas, aguardando o sinal.
E a Pucela, à borda do fosso, com o estandarte em punho, relanceava imponente, antes de ordenar que as trombetas avançassem para o toque de assaltar; era de um efeito empolgante.” Por último, o Coronel Biottot, em sua obra LES GRANDS INSPIRÉS DEVANT LA SCIENCE; JEANNE D'ARC, eleva-se a uma apreciação de 262 conjunto, que julgamos dever reproduzir, terminando este capitulo: “As inspirações militares de Joana d'Arc – diz-nos um crítico eminente – lhe foram gentilmente emprestadas pelos da profissão, seus companheiros d'armas. “Os fatos darão testemunho contrário à tese; mas, desde logo podemos apontar a razão que a faz insustentável. A guerra é um ato que, como todos os atos, obedece, em suas formas, ao comando de seu objeto. Hereditariamente, os senhores, os chefes de bandos, que serão os colaboradores de Joana, têm, do objeto da guerra, uma concepção diametralmente oposta à que a heroína enuncia e demonstra. “Joana considera nacional esse objeto e se esforça por lhe criar instrumentos e processos adequados.
Dirige-se, de preferência, para constituir seus exércitos, ao elemento nacional, aos bons franceses, os quais, abrangendo já a causa, abrangerão os processos convenientes. Esses processos serão de invenção simples e de fácil compreensão. Trata-se de operar célere e decisivamente; de vibrar os golpes com energia, tenacidade, rapidez, continuidade e visando o ponto em que ‘reside a maior força do inimigo’. É toda a estratégia e toda a tática das guerras de Nação, é a estratégia e a tática de Napoleão, a quem foram inspiradas pela nacionalização das causas e dos instrumentos da guerra de seu tempo. “Tais, porém, não podem ser a estratégia e a tática dos profissionais do século XV.
Eles se deixarão levar à aplicação dessa estratégia e dessa tática, mas não são capazes de as imaginar e insuflar. Uma e outra rompem com as tradições e a rotina que seguem e lhes arruinarão o ofício. “Se Napoleão contasse Frederico entre os seus generais, pudera alguém suspeitar que as inspirações lhe vinham desse gênio da guerra geométrica, com atores mercenários? Menos possível é ainda que Joana tenha sido inspirada por um Dunois, um La Hire, mestres talvez na pequena esgrima de seu século, porém incapazes de uma ampliação, de uma invenção, de uma inovação de idéias, que só podiam decorrer da extensão, da diversidade, da novidade da cena em que, destacando-se, o nacionalismo enfim trazia a guerra... “Joana tem que inventar o instrumento para a guerra nacional.
Uma obra nacional demanda artistas nacionais. Assim é que formou o exército de Gien, o qual, pela fé patriótica, pelo ardor cívico, é o protótipo dos exércitos de cidadãos. Não há nisso pequeno mérito, conquanto à primeira vista o não pareça. 262 Págs. 150, 155, 158, 211 e 213. “Quão mais expedito, mais seguro e mais simples não se afiguraria apelar para os bandos profissionais, militarizados, ou, pelo menos, dar-lhes, na composição do exército, os lugares que o número e as finanças de cada um lhes assinavam! Joana fez o contrário. Preferiu excluir os bandos.
“Ela, portanto, imaginou, ou criou o instrumento conveniente à guerra que lhe cumpria fazer e, já nisto, seu gênio resolveu vitoriosamente uma dificuldade com que o gênio de Napoleão não teve que defrontar. Efetivamente, Napoleão recebeu, como entrada para o jogo, a nacionalidade, a que a França chegara, da guerra e dos exércitos. Não lhe foi necessário mostrar que era do interesse nacional o objetivo que propunha aos esforços: o aniquilamento da vontade inimiga, que pretendia atentar contra a liberdade e a vida da Nação. “Isso a todos ocorria naturalmente e com mais clareza do que no tempo de Joana. Entretanto, Napoleão não deixou de o lembrar e repetir como a heroína.
Ele compreendera, pudera observar que aí residia toda a força moral, superior à força numérica e mecânica do adversário. Reconhecera a necessidade que tinha o comandante em chefe de tornar comum, em sua generalidade, vital em seu interesse, a causa que se debatia. “O gênio de Joana tivera espontaneamente essa concepção, porque direta e verdadeiramente uma causa de ordem geral o inspirava... “Se a importância dos meios postos em ação não constitui a medida pela qual se pode aferir o gênio, se pela novidade e originalidade desses meios é que se deve reconhecê-lo, tão inegável quanto o de Napoleão se patenteia o de Joana. “Pode-se por acaso dizer que o gênio da Pucela, no curso destes últimos 263 acontecimentos, tenha sofrido um eclipse e que, em conseqüência, se haja submetido às inspirações dos que a cercavam?
Ao contrário, esse gênio nos aparece mais do que nunca transbordante de energia, de tenacidade e de vontade; mais do que nunca, destro, engenhoso, fecundo na adaptação dos meios às circunstâncias; mais do que nunca, pessoal e independente. “Em Saint-Pierre-le-Moutier, em Charité, como diante da bastilha de Saint Loup, só há necessidade de audácia, de dominação da vontade adversa pela manifestação de uma vontade de poder e essência superiores. Mais do que na bastilha de Saint-Loup, sob os muros de Paris, Joana se mostrou audaciosa e impelida por uma vontade dominadora. “Defronte de Franquet d'Arras, inaugura uma tática, que mais tarde será freqüentemente a de Napoleão e que lhe valerá as maiores vitórias. Imobiliza um inimigo superior em número, até que o possa esmagar, dizimar, com o concurso de reforços recebidos.
“Para libertar Choisy, imagina, vendo-se impossibilitada de atacar diretamente, golpes e manobras indiretas, que constituirão, passados dois séculos, a guerra de evolução, a guerra dos Turenne, dos Montécuculli, de Frederico o Grande... 263 Trata-se da retirada que se operou depois do ataque a Paris. 173 – JOANA D´ARC, MÉDIUM “No decorrer dos últimos feitos d'armas da heroína e até em Compienha, seu gênio permaneceu sempre o mesmo. E, como não ser assim, se provinha de uma só inspiração, de uma só paixão, antes exacerbada do que enfraquecida?” Nossa História é rica de grandes capitães: gentis-homens, ou filhos do povo, todos bravos de gloriosa espada. Joana d'Arc, vê-se, os iguala e, em certos pontos, sobrepuja. Além de todas as qualidades militares, ela ainda tem mais: a habilidade na preparação e a audácia, o ímpeto irresistível na execução. Sabe, instintivamente, que o soldado francês excede na ofensiva, que a fúria é um dos privilégios de nossa raça.
Por isso, cinco dias lhe bastam para desassediar Orleães, oito para livrar do inimigo todo o vale do Líger, quinze para conquistar a Champanha: ao todo, dois meses apenas para erguer a França do seu abatimento. Em vão se procuraria na História um feito semelhante. Os mais ilustres guerreiros podem inclinar-se diante da Pucela de dezoito anos, cuja fronte o prestígio de tais vitórias aureola. Nem um só momento de fraqueza física ou moral se descobre nesta carreira surpreendente. Em toda ela e sempre, o que se observa é a paciência, a intrepidez no combate, o descaso do perigo e da morte, a grandeza d’alma no sofrimento.
No coração de Joana, o amor ao país vibra e palpita constantemente e, nas horas de desespero, dardeja de seus lábios em palavras breves, inflamadas, que a todos arrebatam. Em resumo, sem a intervenção de causas ocultas não se poderia explicar que ela reunisse tantas aptidões guerreiras e conhecimentos técnicos, que só a experiência e um longo tirocínio na profissão das armas facultam. A França conta milhares de soldados valorosos, de hábeis generais; porém, até hoje, só teve uma Joana d'Arc! XX Joana d’Arc no século XX; seus admiradores; seus detratores Dói-me ver que os franceses disputam entre si minha alma. Jehanne A segunda metade do décimo nono século e o começo do século XX assistiram à formação de uma forte corrente de opinião, simultaneamente leiga e religiosa, a favor da virgem Lorena. As reputações mal firmadas não resistem à ação do tempo.
A fisionomia moral da heroína, ao contrário, se engrandece com o correr dos anos e rebrilha com mais vivo fulgor. De duas fontes emana essa corrente de opinião. De um lado, servem-lhe de origem as numerosas obras de história e de erudição, publicadas por J. Michelet, Quicherat, H. Martin, Wallon, Siméon Luce, J.
Fabre, e outros. Nesta ordem de idéias, nenhum assunto ainda gerou tão imponente cabedal de trabalhos. Flui também dos inquéritos e do processo dirigidos pela Igreja Católica, tendo em vista a canonização de Joana d'Arc. De ambos os lados, a memória da heroína encontrou admiradores sinceros e defensores generosos. Após longo período de silêncio e de esquecimento, opera-se como que um acordar do entusiasmo.
É de dar a supor que estamos no dia seguinte ao da libertação de Orleães. À medida que os trabalhos avançam, luz mais completa se faz. A grande figura sai dos limites estreitos em que o passado a confinara e aparece em toda a sua beleza, como a mais pura encarnação da idéia de pátria, como um verdadeiro messias nacional. Esse ímpeto magnífico de simpatia não cessou de acentuar-se, mau grado aos esforços de alguns detratores, dos quais mais longe falaremos. Hoje, a Pucela está a pique de tornar-se o vulto histórico mais popular de nosso país.
Em 1884, o gabinete político presidido por Dupuy tomou a iniciativa de uma festa nacional em honra de Joana d'Arc. A 30 de junho, uma primeira proposta foi feita à Câmara, assinada por 252 deputados, e começava por uma exposição de motivos assim concebida: 175 – JOANA D´ARC, MÉDIUM “Grande movimento de opinião acaba de produzir-se em favor da instituição de uma festa nacional de Joana d'Arc, festa que seria a do patriotismo. “Cumpriria optar por uma de duas datas: a de 8 de maio, data gloriosa da libertação de Orleães, e a de 30 de maio, data aniversária da morte de Joana d'Arc. “Estando a 30 de maio muito próxima do 14 de julho, proporíamos a 8 de maio. “Nesse dia, todos os franceses se uniriam numa benéfica comunhão de entusiasmo.” A comissão de iniciativa concluiu opinando que a proposta fosse tomada em consideração.
Mas, ao encerrar-se a legislatura, ficou pendente e depois foi submetida ao Senado a requerimento de 120 senadores republicanos. No parecer que sobre o assunto apresentou à alta câmara, o Sr. Joseph Fabre, senador do Aveyron, se exprimia assim: “Nem o Oriente com todas as suas lendas, nem a Grécia com todos os seus poemas, nada conceberam que se possa comparar a esta Joana d'Arc que a História nos deu.” Concluindo, dizia: “Não será azado o momento para opor-se esta grande memória às declarações perigosas de todos os pontífices do cosmopolitismo, que intentam persuadir-nos de que nem sequer nos resta a única religião que não comporta ateus, a religião da pátria?” O Senado votou o projeto de lei e o enviou à Câmara. A 29 de julho de 1890, o Conselho Superior da Instrução Pública, por sua vez, adotou a seguinte resolução: “É declarado dia de festa, para todos os estabelecimentos de instrução pública, o 8 de maio de cada ano, data aniversária da libertação de Orleães.” Essa decisão não teve andamento. Quanto ao projeto de lei que o Senado aprovou, dorme ainda nas pastas da Câmara.
Nem o seu exame, nem a sua discussão foram iniciados em sessão pública, apesar de uma enérgica petição das mulheres da França. Grave falta cometeram assim os deputados republicanos. A indiferença, a má vontade que hão demonstrado permitiram que os católicos tomassem a dianteira, que se apoderassem da nobre figura da virgem e a colocassem nos seus altares. Quando ela devia pertencer a todos os franceses, constituir um laço que unisse os diversos partidos, para lhe honrar a memória, corre o risco de tornar-se exclusivamente prisioneira de uma religião. Que considerações detiveram os políticos cépticos da Câmara?
Provavelmente, as idéias de Joana d'Arc e o caráter espiritualista de sua missão. Mas, as vozes existiram, o mundo invisível interveio. A solidariedade que liga os seres vivos se estende para além do mundo físico, enlaça duas humanidades e se revela por fatos. As Entidades do Espaço salvaram a França no décimo quinto século, por intermédio da heroína. Agrade ou não, a História não se suprime.
A França e o mundo estão nas mãos de Deus, ainda quando governam os ateus e materialistas. A própria Revolução traduz um gesto das potências invisíveis; porém, a idéia matriz, que a inspirou, permaneceu incompreendida. Pode-se combater o clericalismo e seus abusos; mas, o ideal espiritualista e religioso nunca poderá ser destruído. Dominará os tempos e os impérios, transformando-se com eles, para assumir uma amplitude e elevação sempre e sempre maiores. Quanto a essa espécie de monopolização da memória de Joana pela Igreja Católica, só foi possível, não o esqueçamos, graças à pequenez d’alma de certos republicanos.
Joana se constituiu credora da afeição tanto dos democratas, como dos clericais, por títulos da mesma valia. De fato, sua obra não é somente uma afirmação do Além, senão também a glorificação do povo, de cujo seio ela emergiu, a glorificação da mulher, a do direito das nações e, sobretudo, a consagração da inviolabilidade das consciências. Muito diversa da dos republicanos de nossos dias era a maneira pela qual os homens de 89 e de 48 concebiam a personalidade ideal de Joana. Ante a sua memória, todos se inclinavam e Barbès escrevia: “dia virá em que até a mais pequenina de nossas aldeias lhe erigirá uma estátua.” Da parte dos católicos, o movimento de opinião em favor da libertadora se operou regular e continuamente. O bispo de Orleães, Monsenhor Dupanloup, foi o primeiro a pensar no projeto da canonização.
A 8 de maio de 1869 dirigiu ao papa Pio IX um requerimento, assinado por grande número de bispos, pedindo que a “Pucela, proclamada santa, pudesse receber nos templos as homenagens e orações dos fiéis”. Os sucessos de 1870 e a queda do poder temporal retardaram os efeitos dessa primeira súplica. Mas, pouco depois a questão voltou à baila e o “processo de informação”, ordenado em 1874, terminou em 1876. A 11 de outubro de 1888, trinta e dois cardeais, arcebispos e bispos franceses dirigiram a Leão XIII “uma suplicação, para que Joana d'Arc fosse sem demora colocada nos altares”. A 27 de janeiro de 1894, a Congregação dos Ritos unanimemente se pronunciava favorável à admissão da causa e Joana era declarada “venerável”.
É o primeiro grau da canonização. Em seguida, veio a beatificação, celebrada com grande pompa a 24 de abril de 1909, em São Paulo de Roma, por Pio X, estando presentes 30.000 peregrinos franceses, entre os quais 65 bispos. A multidão, transbordando do templo, enchia o adro e se comprimia na praça, até a colunata de Bernin. Para justificarem essa beatificação, recorreram a motivos de causar pasmo: “curas milagrosas” de cancros e outras moléstias operadas por Joana d'Arc em religiosas, a cujas preces atendera. Sabemos que tais curas são uma das condições que a Igreja impõe para a canonização; mas não achariam coisa melhor?
De maneira alguma pensamos em censurar as manifestações solenes que se efetuaram em Roma e na França inteira. A todos os franceses assiste o direito de 177 – JOANA D´ARC, MÉDIUM honorificar a seu modo a libertadora. Apenas lamentamos que um partido político aproveite quase exclusivamente dessa beatificação, por culpa de republicanos materialistas e maus patriotas, baldos de senso prático e de clarividência. Dizemos – partido político. Com efeito, no movimento católico em favor de Joana, evidencia-se o interesse de casta.
Exploram a memória da heroína e a deformam, santificando-a; procuram fazer dela um troféu, um emblema de aliança, para lutas semi-políticas, semi-religiosas. Essas homenagens, parece, pouco sensibilizam a virgem Lorena. Às cerimônias ruidosas, Joana prefere a afeição de tantas almas modestas e obscuras, que a sabem amar em silêncio e cujos pensamentos ascenderam até ela, como o perfume suave das violetas, na calma e no recolhimento da prece. Tocam-lhe mais esses preitos mudos, do que o estrépito das festas e o ressoar do órgão ou dos canhões. * A corrente católica provocou uma corrente oposta. Só de há pouco tempo se observa, com um misto de admiração e de assombro, o delineamento de uma campanha de enxovalho contra Joana d'Arc.
Ao passo que todos os povos no-la invejam, que os alemães a glorificam pela obra de Schiller, que os próprios ingleses a enaltecem, proclamando-a um dos mais belos exemplos oferecidos à Humanidade, é na França que se ouve criticar, rebaixar uma das mais puras glórias do nosso país. Uma classe inteira de escritores, pensadores livres, se encarniçou contra o renome de Joana. Até a franco-maçonaria, associação poderosa, que, por séculos, foi o asilo de todas as idéias generosas, o refúgio e o esteio dos que pela liberdade combatiam a opressão, obcecada agora pelo seu materialismo doutrinal, desceu a ponto de tomar a iniciativa de um movimento infenso à grande inspirada. A instituição de uma festa de Joana d'Arc infundiu provavelmente nos grão-mestres da maçonaria francesa o temor de que a glorificação da epopéia da Pucela determinasse a revivescência do ideal religioso. Seja qual for o móvel a que tenham obedecido, eis aqui a circular que o presidente da loja “Clemente Amizade” endereçou aos deputados francos-maçons do Parlamento, no dia em que se ia dar começo na Câmara à discussão sobre a instituição da festa de Joana d'Arc: “A Câmara vai hoje ocupar-se com um parecer sentimental, apoiado em petições de mulheres sugestionadas pelos curas.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.