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Capítulo 2 de 29
Parte 2 de 29
Joana D’Arc, Médium · Léon Denis
Poucos hão sabido analisar essa admirável figura que se alça acima dos tempos e domina as mais elevadas concepções da epopéia, essa figura que nos parece mais imponente à proporção que dela nos afastamos. A história de Joana é inesgotável mina de ensinamentos, cuja extensão total ainda se não mediu e da qual se não tirou ainda todo o partido desejável para a elevação das inteligências, para a penetração das leis superiores da Alma e do Universo. Há, em sua vida, profundezas capazes de causar vertigem aos espíritos mal preparados; nela se deparam fatos suscetíveis de lançar a incerteza, a confusão, no pensamento dos que carecem dos dados necessários para resolver tão majestoso problema. Daí, tantas discussões estéreis, tantas polêmicas inúteis. Mas, para aquele que levantou o véu do mundo invisível, a vida de Joana se aclara e ilumina.
Tudo que essa vida contém se explica, se torna compreensível. Falo de discussões. Vede, com efeito, entre os que enaltecem a heroína, quantos pontos de vista diversos, quantas apreciações contraditórias! Uns buscam, antes de tudo, na sua memória, uma ilustração para o partido a que pertencem; outros, mediante uma glorificação tardia, sonham aliviar certa instituição secular das responsabilidades que lhe pesam. Contam-se ainda os que não querem ver nos sucessos de Joana mais do que a exaltação do sentimento popular e patriótico.
Parece lícito duvidar-se de que, aos elogios que sobem de todos os pontos da França à grande inspirada, não se mesclem muitas intenções egoísticas, muitos propósitos interesseiros. Pensa-se em Joana, é fora de dúvida; ama-se Joana; porém, os que dizem querer-lhe não pensarão ao mesmo tempo em si próprios, ou no partido a que se filiaram? Não se procurará também nessa vida augusta o que pode lisonjear os sentimentos pessoais, as opiniões políticas, as ambições inconfessáveis? Bem poucos homens, infelizmente, sabem colocar-se acima de seus preconceitos, acima dos interesses de classe ou de casta. Bem poucos se esforçam por descobrir o segredo daquela existência e, entre os que o penetraram, nenhum até hoje, salvo casos restritos, ousou altear a voz e dizer o que sabia, o que via e percebia.
Quanto a mim, se meus títulos são modestos para falar em Joana d'Arc, pelo menos um há que reivindico ativamente: o de estar liberto de qualquer preocupação de partido, de todo cuidado de agradar ou desagradar. É na liberdade plena de meu pensamento, com a minha consciência independente, isento de qualquer ligação, não procurando, não querendo em tudo senão a verdade, é nesse estado de espírito que entro em tão elevado assunto e vou buscar a chave do mistério que envolve tão incomparável destino. 13 – JOANA D´ARC, MÉDIUM PRIMEIRA PARTE Vida e mediunidade De Joana d'Arc I Domremy Encantador o vale; deslumbrante, Ao vivo cintilar da luz esplendorosa, Desliza e brinca uma torrente: o Mosa. Saint-Yves d’Alveydre Filho da Lorena, nascido, como Joana, no vale do Mosa, tive a acalentar-me a infância as recordações que ela deixou no país. Durante a minha mocidade, visitei amiúde os lugares onde ela vivera. Aprazia-me vagar por sob as grandes abóbadas das nossas florestas lorenas, outros tantos destroços da antiga floresta das Gálias.
Como Joana, muitíssimas vezes prestei ouvido às harmonias dos campos e dos bosques. Posso dizer que também conheço as vozes misteriosas do espaço, as vozes que, na solidão, inspiram o pensador e lhe revelam as verdades eternas. Homem feito, quis seguir-lhe as pegadas através da França. Refiz, quase que etapa a etapa, a dolorosa viagem. Vi o castelo de Chinon, onde Carlos VII a recebeu, reduzido hoje a ruínas.
Vi, ao fundo da Touraine, a pequenina igreja de Fierbois, donde fez que retirassem a espada de Carlos Martel; vi as grutas de Courtineau, onde buscou refúgio durante uma tempestade; em seguida, Orleães e Reims, Compiègne, onde a prenderam. Em nenhum lugar por onde a virgem tenha passado deixei de ir meditar, orar, chorar em silêncio. Mais tarde, na cidade de Ruão (Rouen), por sobre a qual adeja a sua sombra imensa, terminei a minha peregrinação. Como os cristãos que percorrem passo a passo o caminho que leva ao Calvário, assim perlustrei a via dolorosa que conduzia a grande mártir ao suplício. Voltei depois a Domremy.
Tornei a contemplar a humilde casinha que a viu nascer; o aposento, arejado por estreito respiradouro, cujas paredes seu corpo virginal, destinado à fogueira, roçou; o armário rústico, onde guardava as roupas, e o sítio onde, transportada, em êxtase, ouvia as suas vozes; finalmente, a igreja onde tantas vezes orou. Daí, pelo caminho que trepa a colina, cheguei ao lugar sagrado, onde ela gostava de cismar; vi de novo a vinha de que foi dono seu pai, a árvore das fadas e 15 – JOANA D´ARC, MÉDIUM a fonte de suaves murmúrios. Cantava o cuco no bosque pardacento; embalsamavam o ar os perfumes do espinheiro; a brisa agitava a folhagem e sussurrava um como lamento, ao fundo da balsa. A meus pés se desdobravam as campinas risonhas, esmaltadas de flores, irrigadas pelos meandros do Mosa. Defronte, ergue-se abrupta a costa de Juliano, recordação da era romana e do César apóstata.
Ao longe, outeiros cobertos de matas, grotas profundas se sucedem, até ao horizonte fugidio; penetrante doçura e serena paz dominam toda a região. É bem esse o lugar abençoado, propício às meditações; o lugar onde as vagas harmonias do céu se misturam com os longínquos e brandos rumores da terra. Oh! Alma sonhadora de Joana! Busco aqui as impressões que te envolviam e as encontro vívidas, empolgantes.
Elas me enlaçam o espírito e o enchem de pungente embriaguez. E tua vida inteira, epopéia resplandecente, se desenrola ante o meu pensamento, como grandioso panorama, rematado por uma apoteose de chamas. Um instante viveu essa vida e o que meu coração sentiu nenhuma pena humana poderia descrever!... Por trás de mim, como forasteiro monumento, nota discordante nesta sinfonia das impressões e das lembranças, se ostentam a basílica e a escultura teatral onde Joana figura ajoelhada aos pés de um São Miguel e de duas imagens de santas, opulentas e douradas. Só a estátua da virgem, rica de expressão, toca, interessa, prende o olhar.
Um nome se lê gravado no soco, o de Allar. É obra, essa, de um espírita. A alguma distância de Domremy, sobre um morro escarpado, em meio dos bosques, se oculta a modesta capela de Bermont. Joana aí vinha todas as semanas; seguia a vereda que, de Greux, se estira por sobre o planalto, se some por baixo das copas do arvoredo e passa perto da fonte de São Thiébault. Galgava a colina para se ajoelhar diante da antiga madona, cuja imagem, do século VIII, ainda se venera em nossos dias.
Caminhei pensativo, recolhido, por essa pitoresca vereda e atravessei os copados bosques onde os pássaros gorjeiam. Toda a região está prenhe de lembranças célticas; lá erigiram nossos pais um altar de pedra. Aquelas fontes sagradas, aquelas austeras sombras da folhagem foram testemunhas das cerimônias do culto druídico. A alma da Gália vive e palpita em tais lugares. Sem dúvida essa alma falava ao coração de Joana d'Arc, como fala ainda hoje ao coração dos patriotas e dos crentes esclarecidos.
Levei meus passos mais longe; quis ver, nos arredores, tudo o que participara da vida de Joana, tudo o que no-la traz à memória: Vouthon, onde nascera sua mãe, e a pequena aldeia de Burey-la-Côte, que ainda guarda a casa onde morava seu tio Durant Laxart, que lhe facilitou o cumprimento da missão, levando-a à presença do Senhor de Baudricourt, em Vaucouleurs. A humilde habitação se mantém de pé, com os escudos de flores de lis, que lhe decoram o limiar, porém, transformada em estábulo. Uma simples corrente lhe segura a porta; abro-a e, a meus olhos, um cabrito, encolhido à sombra, faz ouvir sua voz fanhosa e plangente. Errei em todos os sentidos por aquelas redondezas, embriagando-me com a contemplação dos sítios que serviram de quadro à infância de Joana. Percorri os apertados vales que ladeiam o Mosa, cavados por entre matas sombrias.
Meditei na solidão, à noitinha, à hora em que canta o rouxinol, quando as estrelas se acendem na amplidão dos céus. Dava atenção a todos os ruídos, a todas as vozes misteriosas da Natureza. Sentia-me, em tais sítios, longe do homem; um mundo invisível me rodeava. A prece, então, irrompeu das profundezas de meu ser; depois, evoquei o Espírito de Joana e logo percebi o amparo e a doçura de sua presença. O ar fremia; tudo à volta de mim parecia iluminar-se; imperceptíveis asas rufiavam na escuridão; desconhecida melodia, baixada dos espaços, embalava-me os sentidos e me fazia correr o pranto.
E o Anjo da França ditou-me palavras que, conforme a sua ordem, reproduzo aqui piedosamente: Mensagem de Joana “Tua alma se eleva e sente neste instante a proteção que Deus lança sobre ti. “Comigo, que a tua coragem aumente, e, patriota sincera, ames e desejes ser útil a esta França tão querida, que, do Alto, como Protetora, como Mãe, contemplo sempre com felicidade. “Não sentes em ti nascerem pensamentos de suave indulgência? Junto de Deus aprendi a perdoar, mas esses pensamentos não devem fazer com que em mim nasça a fraqueza, e – divino dom! – encontro em meu coração força bastante para procurar esclarecer, às vezes, aqueles que, por orgulho, me querem monopolizar a memória.
“E quando, cheia de indulgência, peço para eles as luzes do Criador, do Pai, sinto que Deus me diz: “Protege, inspira, porém jamais faças fusão com os teus algozes. Os padres, recordando teu devotamento à pátria, não devem pedir senão perdão para aqueles cuja sucessão tomaram.” “Cristã piedosa e sincera na Terra, sinto no Espaço os mesmos arroubos, o mesmo desejo de oração, mas quero minha memória livre e desprendida de todo cálculo; não dou meu coração, em lembrança, senão aos que em mim não vêem mais do que a humilde e devota filha de Deus, amando a todos os que vivem nessa terra de França, aos quais procuro inspirar sentimentos de amor, de retidão e de energia.” 17 – JOANA D´ARC, MÉDIUM II A situação em 1429 Jazia a França como em túmulo encerrada! Do seu grande esplendor restava quase nada; Chorosa urna – o Loire, a serpear no Oeste; E o Dauphiné, qual sombra, a Leste. Saint-Yves d’Alveydre Qual a situação da França no século XV, no momento em que Joana d'Arc vai aparecer na cena da História? A luta contra a Inglaterra dura há perto de cem anos.
Em quatro derrotas sucessivas, a nobreza francesa fora esmagada, quase aniquilada. De Crécy a Poitiers e dos Campos de Azincourt aos de Verneuil, nossa cavalaria juncou de mortos o solo. O que dela resta está dividido em partidos rivais, cujas querelas intestinas enfraquecem e acabrunham a França. O duque d'Orleães é assassinado pelos lacaios do duque de Bourgogne, que, pouco mais tarde, é morto pelos Armagnacs. Tudo isto ocorre às vistas do inimigo, que avança passo a passo e invade as províncias do Norte, sendo que já, de muito tempo, ocupa a Guiena.
Depois de encarniçada resistência, no curso de um cerco que excede em horror a tudo quanto à imaginação possa engendrar de lúgubre, Rouen teve que capitular. Paris, cuja população é dizimada pelas epidemias e pela fome, está nas mãos dos ingleses. O Loire os vê nas suas margens. Orleães, cuja ocupação entregaria ao estrangeiro o coração da França, resiste ainda; mas, por quanto tempo o fará? Vastas superfícies do país se encontram mudadas em desertos; as aldeias abandonadas.
Só se vêem sarças e cardos brotando livremente das ruínas enegrecidas pelo incêndio; por toda parte os sinais das devastações da guerra, a desolação e a morte. Os camponeses, desesperados, se ocultam em subterrâneos, outros se refugiam nas ilhas do Líger (Loire), ou procuram abrigo nas cidades, onde morrem famintos. Muitas vezes, tentando escapar à soldadesca, os desgraçados emigram para os bosques, se agrupam em hordas e logo se tornam tão cruéis como os bandidos, a cuja sanha fugiram. Os lobos rondam as cercanias das cidades, nelas penetram à noite e devoram os cadáveres deixados insepultos. Tal “a grande lástima em que se encontra a terra de França”, como à Joana dizem suas vozes.
O pobre Carlos VI, em sua demência, assinou o tratado de Troyes, que lhe deserda o filho e constitui Henrique de Inglaterra herdeiro de sua coroa. Enquanto, na Basílica de Saint-Denis, junto ao esquife do rei louco, um arauto proclama Henrique de Lencastre rei da França e da Inglaterra, os restos dos nossos monarcas, sob as pesadas lápides de seus túmulos, certo fremiram de vergonha e de dor. O delfim Carlos, despojado e chamado por irrisão “o rei de Burges (Bourges)”, se entrega ao desânimo e à inércia. Faltam-lhe engenho e valor. Cuida de ganhar a Escócia ou Castela, renunciando ao trono, ao qual pensa não ter talvez direito, pois que o assaltam dúvidas sobre a legitimidade do seu nascimento.
E não se ouve senão a queixa lamentosa, o grito de agonia de um povo, cujos vencedores se aprestam para enterrá-lo num sepulcro. A França se sente perdida, ferida no coração. Ainda alguns reveses, e mergulhará no grande silêncio da morte. Que socorro se poderia, com efeito, esperar? Nenhum poder da Terra é capaz de realizar esse prodígio: a ressurreição de um povo que se abandona.
Há, porém, outro poder, invisível, que vela pelo destino das nações. No momento em que tudo parece abismar-se, ele fará surgir do seio das multidões a assistência redentora. Certos presságios parecem anunciar-lhe a vinda. Já, entre outros sinais, uma visionária, Maria d'Avignon, se apresentara ao rei; vira em seus êxtases, dizia, 2 uma armadura que o céu reservava para uma jovem destinada a salvar o reino. Por toda parte se falava da antiga profecia de Merlin, anunciando uma virgem 3 libertadora, que sairia de Bois Chesnu.
E como um raio de luz, vindo do alto, em meio dessa noite de luto e de miséria, apareceu Joana. Escutai, escutai! Do extremo dos campos e das florestas da Lorena ressoou o galope de seu cavalo. Ela acorre; vai reanimar este povo desesperado, reerguer-lhe a coragem abatida, dirigir a resistência, salvar da morte a França. 2 J. Fabre – PROCESSO DE REABILITAÇÃO DE JOANA D'ARC – Depoimento de Jean Barbin, advogado do rei, t.
I, págs. 157158. 3 Ibidem, t. I, págs. 123. 162, 202 e 366. 19 – JOANA D´ARC, MÉDIUM III Infância de Joana d’Arc Ao som plangente do Ave-Maria, Vibra a memória sua e do Céu irradia! Saint-Yves d’Alveydre Ao pé das colinas que bordam o Mosa, algumas choupanas se grupam em volta de modesta igreja; para cima e para baixo, verdes campinas se estendem, que o riozinho de límpidas águas rega. Ao longo das vertentes, sucedem-se plantações e vinhedos, até a floresta profunda, que se eleva qual muralha em frente dos outeiros, floresta cheia de murmúrios misteriosos e de gorjeios de pássaros, donde surgem por vezes, de improviso, os lobos, terror dos rebanhos, ou os homens de guerra, saqueando e devastando, mais perigosos que as feras. É Domremy, aldeia ignorada até então, mas que, pela criança a cujo nascimento assistiu em 1412, se vai tornar célebre no mundo inteiro.
Lembrar a história dessa criança, dessa donzela, constitui ainda o melhor meio de refutar os argumentos de seus detratores. É o que, antes de tudo, faremos, apegando-nos de preferência às circunstâncias, aos fatos que hão permanecido na obscuridade, alguns dos quais nos foram revelados por via mediúnica. Numerosas obras, primores da ciência e de erudição, se têm escrito sobre a virgem de Lorena. Longe de mim a pretensão de igualá-las. Este livro se distingue de tais obras por um traço característico; ilumina-o, aqui e ali, o pensamento da heroína.
Graças às mensagens obtidas dela, em condições satisfatórias de autenticidade, mensagens que se encontram sobretudo na segunda parte do volume, ele se torna como que um eco de sua própria voz e das vozes do Espaço. É por semelhante título que se recomenda a atenção do leitor. * Joana não descendia de alta linhagem; filha de pobres lavradores, fiava a lã junto de sua mãe, ou guardava o seu rebanho nas veigas do Mosa, quando não 4 acompanhava o pai na charrua. 4 J. Fabre – PROCESSO DE REABILITAÇÃO, t. I, págs. 80, 106, etc. 5 Não sabia ler nem escrever; ignorava todas as coisas da guerra. Era uma boa e meiga criança, amada por todos, especialmente pelos pobres, pelos desgraçados, aos quais nunca deixava de socorrer e consolar.
Contam-se, a esse respeito, anedotas tocantes. Cedia de boamente a cama a qualquer peregrino fatigado e passava a noite sobre um feixe de palha, a fim de proporcionar descanso a anciães extenuados por longas caminhadas. Cuidava dos enfermos, como por exemplo do pequeno Simon Musnier, seu vizinho, que ardia em febre; instalando-se-lhe à cabeceira, velava-lhe o sono. Cismadora, gostava, à noite, de contemplar o céu rutilante de estrelas, ou, então, de acompanhar, de dia, as gradações da luz e das sombras. O sussurrar do vento nas ramagens ou nos arbustos, o rumorejo das fontes, todas as harmonias da Natureza a encantavam.
Mas, a tudo isso, preferia o toque dos sinos. Era-lhe como que uma saudação do Céu à Terra. E qualquer que fosse o acidente do terreno onde seu rebanho se abrigasse, lá lhes ela ouvia as notas argentinas, as vibrações calmas e lentas, anunciando o momento do regresso, e mergulhava numa espécie de êxtase, numa longa prece, em que punha toda a sua alma, ávida das coisas divinas. Mau grado à pobreza, achava meio de dar ao sineiro da aldeia alguma gratificação para que prolongasse, além dos limites habituais, a canção de seus sinos. Penetrada da intuição de que sua vinda ao mundo tivera um fim elevado, afundava-se, pelo pensamento, nas profundezas do Invisível, para discernir o caminho por onde deveria enveredar.
“Ela se buscava a si mesma”, diz Henri 7 Martin. Ao passo que, entre seus companheiros de existência, tantas almas se mantêm fechadas e, por assim dizer, extintas na prisão carnal, todo o seu ser se abre às altas influências. Durante o sono, seu Espírito, liberto dos laços materiais, se libra no espaço etéreo; percebe-lhe as intensas claridades, retempera-se nas possantes correntes de vida e de amor que aí reinam, e, ao despertar, conserva a intuição das coisas entrevistas. Assim, pouco a pouco, por meio desses exercícios, suas faculdades psíquicas despertam e crescem. Bem cedo vão entrar em ação.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.