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Capítulo 27 de 29

Parte 27 de 29

Joana D’Arc, Médium · Léon Denis

Mas, que não esqueçam uma coisa: que seria um ato culposo envolverem o nome da grande inspirada em nossas lutas, em nossas dissensões e, sob o pretexto de lhe rendermos homenagem, nos empenharmos em dividir os franceses, desacreditando, pelas violências, a causa a que julgamos servir. Joana pereceu vítima das paixões políticas e religiosas de seu tempo e vemos que ao presente não falta analogia com o passado, no que lhe diz respeito. Diversas correntes de opinião lhe arrastam a memória para todos os lados. Abandonada pelos republicanos da Câmara, que se dedignaram de sancionar a decisão do Senado, monopolizam-na os realistas, com intuitos muito interesseiros. Exaltada por uns, depreciada pelo espírito de oposição sistemática de outros, darse-á que seu prestígio soçobre nessa tempestade de idéias?

Não, pois a pura e nobre imagem da virgem Lorena está gravada para sempre no coração do povo, que a saberá amar sem pensamentos preconcebidos. Nada conseguirá riscá-la dali! Em meio de nossas discórdias, o nome de Joana d'Arc ainda é o único capaz de congregar todos os franceses para o culto da pátria. O amor da França arrefeceu no coração de seus filhos. Profundos dissídios os separam; os partidos se guerreiam sem tréguas.

As reivindicações violentas de uns, o egoísmo e o ressentimento dos outros, tudo concorre para fragmentar a família francesa. Rareiam os grandes sentimentos; os apetites, as cobiças e as paixões reinam soberanamente. Como no tempo de Joana, a voz dos Espíritos se faz ouvir e nos fala, senão do ponto de vista material, pelo menos do ponto de vista moral, “da grande lástima em que está a terra da França”. Elevemos nossas almas acima das misérias e dos esfacelamentos da hora que passa. Aprendamos, nos exemplos e nas palavras da heroína, a amar a pátria, do modo pelo qual ela a soube amar, a servi-la com desinteresse e ânimo de sacrifício.

Repitamos bem alto que Joana não pertence nem a um partido político, nem a uma Igreja qualquer. Joana pertence à França, a todos os franceses. 269 Ver: J. Fabre, PROCESSO DE REABILITAÇÃO, t. II. A festa nacional de Joana d'Arc. 185 – JOANA D´ARC, MÉDIUM Nenhuma crítica, nenhuma controvérsia logrará manchar a auréola de santidade que a envolve.

Graças a um movimento nacional irresistível, sua prodigiosa figura subirá cada vez mais alto no céu do pensamento calmo, concentrado, liberto de preocupações egoísticas. Ela aparece, não mais como uma personalidade de primeira plana, mas como o ideal realizado da beleza moral. A História enumera brilhantes plêiades de seres geniais, de pensadores e de santos. Só menciona, porém, uma Joana d'Arc! Alma feita de poesia, de paixão patriótica e de fé celestial, ela se destaca fulgurante do conjunto das mais belas vidas humanas.

Mostra-se sem véu ao nosso século de cepticismo e de desencantamento, como pura emanação do mundo superior, fonte de toda a força, de toda a consolação, de toda a luz, desse mundo que tanto temos esquecido e para o qual devem agora voltar-se os nossos olhares. Joana d'Arc volve ao nosso meio, não apenas pela lembrança, mas por uma presença real e por uma ação soberana. Convida-nos a contar com o futuro e com Deus. Sob a sua égide, a comunhão dos dois mundos, unidos em um só pensamento de amor e de fé, pode ainda realizar-se, a bem da regeneração da vida moral que expira, da renovação do pensamento e da consciência da Humanidade! XXI Joana d’Arc no estrangeiro Na Inglaterra, consideramos Joana a maior heroína que o mundo já conheceu; lamentamos quanto com ela fizeram, tudo o que foi muito mal feito. Edward Clarke A vida e a obra de Joana d'Arc suscitaram a admiração de todos os nossos vizinhos.

A virgem Lorena, criticada, vilipendiada na França, é, fora de suas fronteiras, objeto de respeito e simpatia universais. Domremy se tornou um lugar de peregrinações internacionais. A 14 de junho de 1909, os jornais de Nanci publicaram a seguinte notícia: “Três trens especiais conduziram quinta-feira a Domremy senhoras italianas, que vieram em piedosa romaria à casa onde nasceu Joana d'Arc.” Do seu lado, os ingleses para lá afluem, quer em grupos, quer isoladamente. Na pequenina aldeia também se encontram americanos, russos, holandeses, belgas, alemães, etc. A Inglaterra inteira se tomou de entusiasmo pela grande inspirada, e seus filhos não perdem ocasião de glorificá-la.

Às festas normandas, que se celebram no mês de maio em Ruão, assistem todos os anos delegações inglesas, que atravessam a Mancha para, com solenidade, prestar culto à memória da Pucela. Em 1904, o Sr. Tree, presidente da municipalidade de Hastings, compareceu com pomposo cerimonial, revestido de seus trajes de gala, precedido pelos dois maceiros tradicionais, para depor um ramo de lírios, de ferro forjado, exatamente no local em que Joana foi supliciada. Em 1909, esse belo gesto se repetiu. Numeroso cortejo de ingleses concorreu às festas de Ruão.

O Sr. Edward Clarke, vice-presidente da União Joana d'Arc de Rouen, e que então desempenhava as funções que em 1904 eram exercidas pelo Sr. Tree, tomara a iniciativa dessa manifestação. Alguns dias antes, escrevia ele ao maire da importante cidade normanda: 187 – JOANA D´ARC, MÉDIUM “Não há neste fato uma lição aos franceses a renderem sincera homenagem a Joana d'Arc. Na Inglaterra, consideramos Joana a maior heroína que o mundo já conheceu; lamentamos quanto com ela fizeram, tudo o que foi muito mal 270 feito”.

A 30 de maio de 1909, Sir Edward Clarke, em nome da delegação inglesa a que presidia, renovava essas tocantes declarações, que provocaram muitos aplausos. Em 1885, tendo um italiano, o conde Balsami, descoberto nos arquivos do Vaticano uma memória do décimo quinto século sobre os “milagres” praticados por Joana, constituiu-se uma comissão a fim de esmerilhar e verificar tal documento. Para chefiá-la foi designado um cardeal inglês, o eminente Howard, de ilustre ascendência, o qual, a propósito desse encargo, se exprimiu de maneira nobilíssima: “Não é com ensangüentadas mãos que vou folhear as páginas desta sublime história; ao virá-las, meus dedos serão movidos pelo arrependimento.” A Inglaterra já repudiara o crime de Bedford, desde o dia em que a rainha Vitória, querendo ter sob os olhos a imagem da nossa Joana, mandou pintar-lhe o retrato. Católica, a Inglaterra não procurara intimidar Roma, quando foi do Processo de reabilitação; já protestante, auxiliou quanto pôde a beatificação. Espetáculo comovedor: o leopardo se estira aos pés da virgem de Domremy e lhe implora o perdão!

Não há neste fato uma lição aos franceses? Um convite a que teçam a mais bela das coroas para a sua heroína e a que, como os nossos vizinhos de Além Mancha, se penitenciem diante daquela para com quem todos os partidos se fizeram criminosos? Certamente que sim, criminosos! Eram católicos franceses os que a condenaram, exatamente quando os realistas a abandonavam à sua cruel sorte, e os livres pensadores não procederam melhor: um de seus chefes, Voltaire, a profanou e ainda hoje é entre eles que se enfileiram os que a detratam. * Indaguemos de que modo a memória de Joana conquistou pouco a pouco a opinião pública na Inglaterra e na Alemanha. Neste exame, inspirar-nos-emos muito especialmente no trabalho do Sr.

James Darmesteter: NOUVELLES ÉTUDES ANGLAISES e na interessante brochura do Sr. Jorge Goyau: JEANE D'ARC DEVANT L'OPINION ALLEMANDE. Antes de tudo, no que concerne à opinião inglesa, citemos Darmesteter: “Na Inglaterra, a vida de Joana d'Arc, a partir de sua morte até nossos dias, se divide em três períodos: feiticeira, heroína, santa; primeiramente, dois séculos de insultos e de ódio; depois, um século de justiça humana; finalmente, em 1793, uma era se abre de adoração e de apoteose!” 270 Ver LE JOURNAL, de 31 de maio de 1909. Pertencem ao primeiro período as crônicas de Caxton e Holinshed e o HENRIQUE VI, atribuído a Shakespeare. Aí pára a onda de rancor e de calúnia, que a obra de Joana d'Arc levantou. Em 1679, o Dr.

Howell já reconhece que “a famosa pastora Joana de Lorena fez bem grandes coisas”. Em 1747, o historiógrafo Conservador William Guthrie escreve, a propósito do julgamento da Pucela: “Como o ouro, ela saiu mais pura de cada prova.” Pouco depois, John Wesley, comentando a narração de Guthrie, acrescenta: “Ela certamente não merecia aquela sorte, fosse uma entusiasta convencida, ou uma pessoa que aprouvera a Deus fazer nascer para a libertação de seu país.” Em 1796, aparece a célebre obra de Southey: “JOAN OF ARE”, poema épico cheio de lacunas e de erros, mas impregnado de um sentimento generoso. Destacaremos algumas de suas passagens. Joana, a caminho de Chinon, conta aos companheiros de viagem, entre os quais o autor coloca Dunois, as impressões de sua meninice e como se inteirou da missão que lhe fora confiada. Os seus não a estimam; ela reside em casa de um tio e apascenta o rebanho do pai nas margens do Mosa.

A beleza da paisagem e a solidão dos bosques pouco a pouco lhe atuam na alma contemplativa; a morte de uma amiga lhe abre o coração aos sofrimentos humanos; uma conversação entusiástica a abala e exalta. Diz ela: “Idéias guerreiras assediam-me o espírito, a ponto de me não ser possível adormecer, senão quando raia a alvorada. O sono, porém, não me acalmou o espírito sobreexcitado, pois que surgiram visões, mandadas, estou crente, pelo Altíssimo! Vi uma cidade fortificada por todos os lados, guarnecida de altas torres e cercada pelo inimigo. A fome a espreitava com olhos chamejantes e, pousado perto de um monte de esqueletos, um corvo devorava despojos sangrentos.

Voltei-me então para o campo dos sitiados e notei que lá havia festa; gargalhadas grosseiras ressoavam estrepitosamente aos meus ouvidos e admirei aqueles chefes, que até durante os festins concertavam planos de morticínio. “Confrangeu-me o coração e imenso desgosto me invadiu a alma. Pareceume, depois, que de uma nuvem, tão negra como as que geram a tempestade, um braço gigantesco surgiu e deixou cair uma espada, que riscou, qual relâmpago, as trevas da noite. Escutei então uma voz que de novo ressoará na hora de terrível júbilo em que, exânime, o inimigo desmaiará diante da minha cólera. Desde essa noite, senti minha alma cheia de cuidados, a palpitar sob a ação da força divina que se infiltrava no meu ser.

Pus-me a cismar, pensando nos dias vindouros, sem ver o que se passava à volta de mim e sem me preocupar com coisa alguma, mergulhada nessa modorra da alma em que todos os sentidos corporais ficam como que entorpecidos e em que só o Espírito se mantém vigilante. Ouvi desconhecidas vozes, no sibilar do vento à tarde; formas estranhas, mal distinguíveis, povoavam, em multidão, o espaço, à hora do crepúsculo. Espantaram-se os que me tinham conhecido outrora jovial e descuidosa.” (Livro I, versos 440 e seguintes.) “Sim, capitão – diz ela a Dunois –, o mundo, cedo, acreditará na minha missão, porque o Senhor fará com que a indignação se avolume e derramará sua 189 – JOANA D´ARC, MÉDIUM cólera sobre os que oprimem e eles perecerão.” (Livro I, os quatro últimos versos.) O autor não pinta Joana como uma devota: ela declara, aos teólogos que a interrogam, que, na contemplação da Natureza e não nas práticas exteriores da piedade, é que agora se lhe depara o conforto e a comunhão divina. (Livro III, versos 400 e seguintes.)

Têm-na por herética e querem submetê-la ao julgamento de Deus; mas, eis que Joana exclama, apontando para um túmulo próximo: “A espada de Deus está aqui; a tumba vai falar para prová-lo. Ouvis? Lá estão as armas que espalharão o terror no exército inimigo; empunha-las-ei na presença do nosso rei e do povo reunido; tira-las-ei deste túmulo onde se acham enterradas a longo tempo, incorruptíveis, ocultas, destinadas a mim, a enviada do céu!” Não sem dificuldade Joana consegue pôr-se a caminho, para ir ao encontro do exército.

Enverga o arnês no santuário de Santa Catarina. Vai partir desassombradamente, não obstante saber de que maneira morrerá: “Corria a última noite que passei em Domremy; sentara-me perto do regato, com a alma transbordante do espírito divino. Divisei então uma tropa de bandidos, cercando uma fogueira; no poste, estava amarrada uma mulher; os ferros lhe magoavam o peito e em torno de seus membros o fogo lançava ardentes labaredas. Observei-lhe os traços e me reconheci.” (Livro IV, linhas 310 e seguintes) A obra de Southey acentuou a reviravolta da opinião em prol de Joana. Certos críticos ingleses, entretanto, a consideraram insuficiente.

Thomas de Quincey, um dos mais eruditos escritores daquele tempo, censura o poeta, por haver posto termo à carreira da heroína na sagração de Remos e por se ter esquivado de tratar da sua paixão. Diz a esse respeito: “Tudo o que lhe cumpria fazer estava feito; restava-lhe sofrer. Jamais, desde que os primeiros fundamentos da Terra foram lançados, houve processo comparável ao seu, se pudéssemos desdobrá-lo em toda a sublimidade da defesa produzida, em todo o horror infernal dos ataques suportados. Oh! Filha da França, pastora, camponesa calcada aos pés por todos os que te cercam!” Há um século a Inglaterra não cessa de render à memória de Joana as mais calorosas homenagens.

Richard Green a considera como “a figura toda pureza que se destaca do seio da avidez, da luxúria, do egoísmo, da incredulidade do tempo.” Multiplicam-se as biografias, as apologias da heroína. Citemos também estas palavras de Carlyle: “Joana d'Arc deve ter sido uma criatura de sonhos cheios de sombras profundas e de intensa luz, de sentimentos indizíveis, de pensamentos que erravam pela eternidade. Quem pode descrever as provações e os triunfos, as esplendências e os terrores que tiveram por palco aquele Espírito simples?” Há sessenta anos, o jovem pastor e poeta John Stirling celebrava, a seu turno, a nossa libertadora e nela via e “a personagem talvez mais maravilhosa, mais delicada, mais completa de toda a história do mundo”.

E acrescenta: “Muito alto, entre os mortos que dão melhor vida aos que vivem, vede brilhar, vestindo a sua sagrada couraça, a jovem camponesa que o Senhor da paz e da guerra enviou, qual carro chamejante, bem longe do aprisco materno.” 271 A obra recentíssima do escritor escocês Andrew Lang, sobre Joana d'Arc, veio completar esse acervo de trabalhos e constitui magnífica defesa da heroína, cuja causa o autor sustenta com chiste e sagacidade, contra os ataques dissimulados de Anatole France. Desde que, pelo meado do século XVIII, diz ele, David Hume, graças aos cronistas escoceses, pôde convencer-se da iniqüidade que presidiu à condenação de Joana, toda a gente na Inglaterra ficou esclarecida a respeito desse acontecimento histórico.

Daí por diante, glorificaram a mártir de muitas maneiras. Todas as crenças lhe conhecem a história sem paralelo, afirma Andrew Lang. Quaisquer que fossem as dificuldades que se apresentassem, Joana as compreendia imediatamente, resolvia o problema e, conforme as circunstâncias, procedia como um capitão, como um sábio, ou como grande dama (pág. 6). Na virgem, o que, sobretudo, lhe causa admiração é a vontade, a tenacidade (pág. 193). Nada consegue descoroçoála, quando se trata de chegar ao que considera ser em benefício do reino.

Em Ruão, é sublime de coragem e de resolução, quando se nega a prometer sob palavra que não se evadirá, preferido assim suportar a odiosa companhia de “malfeitores”, a sacrificar seu legítimo direito! (Pág. 252.) Quanto às forças de que a Inglaterra lançou mão para invadir a França, afirma o autor, baseado em documentos até agora inéditos, que, para infundir terror ainda nos mais audaciosos corações franceses, a nação inglesa fez preparativos consideráveis e despesas sem conta, aproveitando as últimas invenções da arte militar (pág. 66). Mas, acrescenta, os ingleses não eram em número bastante para conservar a conquista. Andrew Lang se vê forçado a confessar que a Ciência não pode explicar tudo o que se nota na vida de Joana d'Arc. Espera, entretanto, que o consiga um dia (página 14). Sua expectativa não será vã. 272 A América também possui uma “VIDA DE JOANA D'ARC”, muito apreciada e devida à pena de Francis Lowell. * Na Alemanha, os feitos heróicos de Joana d'Arc, diz-nos o Sr.

Jorge 273 Goyau, eram conhecidos e acompanhados dia a dia, do que existem provas escritas; por exemplo – o MEMORIAL de Eberhard de Windecke, historiógrafo do imperador Sigismundo. Um século mais tarde, pelos fins do reinado de Francisco I, na mesma ocasião em que Du Maillan, cronista privilegiado dos Valois, difamava a Pucela e em que Étienne Pasquier testemunhava com dor o descrédito em que sua memória 271 Andrew Lang – THE MAID OF FRANCE. Longmans, Green and Cº, 39, Paternoster Row, London, 1909. 272 F. Lowell – LIFE OF JOAN OF ARC. 273 J. Goyau – JEANNE D'ARC DEVANT L'OPINION ALLEMANDE. 191 – JOANA D´ARC, MÉDIUM caíra em nosso país, um jovem prussiano, Eustáquio de Knobelsdorf, improvisava patético elogio à grande inspirada.

Em 1800, Schiller, que a Convenção honrara com o título de cidadão francês, num poema trágico de belo surto, vingava Joana d'Arc das insânias de Voltaire. Esse poema foi levado à cena e obteve em toda a Alemanha extraordinária aceitação. De 1801 a 1843, representou-se a “Pucela de Orléans” nada menos de 241 vezes, unicamente em Berlim; não se cansavam de aplaudi-la. Assim é que, diz Goyau, graças à obra de Frederico Schiller, a glória da heroína Lorena se confunde com a glória literária da Alemanha. 274 Goethe escrevia a Schiller: “Sua obra é tão boa, tão boa e tão bela, que não vejo o que se lhe possa comparar.” Longe, no entanto, está ela da perfeição. O autor viu em Joana uma alma inflamada pelo patriotismo, mas, em seu 275 drama, deturpou completamente a História.

O poema, não obstante, contém passagens que merecem assinaladas. Aqui está, primeiramente, como Schiller nos apresenta a heroína: “Um campônio traz de Vaucouleurs um capacete, que uma cigana, por assim dizer, lhe impusera. Ao notá-lo, Joana se aproxima e, vendo nesse capacete um sinal do céu, dele se apodera e avidamente escuta a narração do lavrador, que acaba de ser informado da situação angustiosa de Orleães e da desunião dos franceses. Inspirada, ela profetisa a ressurreição da pátria com o auxílio de Deus. Ganha Chinon, onde, imediatamente, a vitória que alcança num combate e a sua clarividência, muitas vezes verificada, lhe granjeiam a benevolência da corte.” A partir daí o drama se transforma em puro romance.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.