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Capítulo 14 de 29
Parte 14 de 29
Joana D’Arc, Médium · Léon Denis
Alguns minutos depois, em voz estridente, lança à multidão silenciosa, aterrorizada, estas retumbantes palavras: “Sim, minhas vozes vinham do Alto. Minhas vozes não me enganaram. Minhas revelações eram de Deus. Tudo que fiz fi-lo por ordem de 172 Deus!”. Suas vestes incendiadas se tornam uma das centelhas da imensa pira.
Ecoa um grito sufocado, supremo apelo da mártir de Ruão ao mártir do Gólgota: “Jesus!” E nada mais se ouviu, além dos estalidos que o crepitar do fogo produz... Terá Joana sofrido muito? Ela própria nos assegura que não. “Poderosos fluidos – diz-nos – choviam sobre mim. Por outro lado, minha vontade era tão forte que dominava a dor.” * Está morta a virgem da Lorena.
O Espaço todo se ilumina. Ela se eleva e paira acima da Terra, deixando após si um rastro luminoso. Já não é um ser material, mas um puro Espírito, um ser ideal de pureza e de luz. Os Céus se lhe abriram até ao infinito. Legiões de Espíritos radiosos vêm-lhe ao encontro, ou lhe formam cortejo.
E o hino do triunfo, o coro celestial da boa vinda repercute nos espaços siderais: “Salve! Salve! Aquela que o martírio coroou! Salve! Tu que, pelo sacrifício, conquistaste eterna glória!” Joana entrou no seio de Deus, nesse foco inextinguível de energia, de inteligência e de amor, cujas vibrações animam o Universo inteiro.
Muito tempo permaneceu mergulhada nele. Afinal, um dia, saiu de lá mais radiante e mais bela, preparada para missões de outra ordem, das quais adiante falaremos. Deus, em recompensa, lhe deu autoridade sobre suas irmãs do Céu. * Concentremo-nos; saudemos a nobre figura de virgem, a jovem de imenso coração, que, tendo salvado a França, pela França morreu antes dos vinte anos. Sua vida resplandece como celeste raio de luz, na temerosa noite da Idade Média. Com sua fé vigorosa, com sua confiança em Deus, veio trazer aos homens a coragem e a energia necessárias a transpor mil obstáculos; veio trazer à França traída, agonizante, a salvação e o renascimento.
Por paga de tanta abnegação heróica – horror! – só colheu mágoas, humilhações, perfídias e, como coroamento de sua breve, porém maravilhosa carreira, uma paixão e uma morte tão dolorosa, como iguais só houve as do Cristo. 172 J. Fabre – PROCESSO DE REABILITAÇÃO, t. II, pág. 91. Depoimento de frei Martin Ladvenu. O pai de Joana, ferido no coração pela notícia do martírio da filha, morreu subitamente; acompanhou-o de perto ao túmulo o mais velho dos filhos.
A mãe da virgem imolada continuou a viver, tendo por único objetivo neste mundo instar com persistência pela revisão do processo. Em vão, durante muito tempo, deu passos sobre passos, dirigiu petições sobre petições ao rei e ao papa. Em 1449, quando Carlos VII fez sua entrada em Ruão, sorriu-lhe uma esperança; mas, o pontífice Nicolau V lhe respondeu com evasivas e o rei se manteve couraçado na ingratidão. Em 1455, com Calisto III, foi mais bem sucedida, por isso que todo o povo francês lhe apoiava as reclamações. A corte se viu constrangida a dar ouvidos à voz pública.
Fizeram compreender ao rei que sua honra estava manchada pela heresia, que servira de pretexto à morte da heroína. Assim, a reabilitação se efetuou muito mais no interesse da coroa da França, do que em homenagem à memória de Joana. Presentemente, a Igreja se apresta para explorar sua vítima de outros tempos. Em todas as épocas Joana andou sacrificada aos interesses de casta e de partido. Há, porém, milhares de almas obscuras e modestas que a sabem amar com desprendimento e, atravessando o espaço, sobem-lhe os pensamentos que esse amor inspira.
Muito mais a sensibiliza o culto dessas almas boas, do que as pomposas manifestações organizadas para glorificá-la. Esses pensamentos amorosos é que lhe dão a verdadeira alegria e a mais grata recompensa, conforme no-lo afirmou mais de uma vez, na intimidade das nossas reuniões de estudos. * Por largo tempo Joana esteve desconhecida, incompreendida, e ainda em nossos dias o é por muitos dos que a admiram. Cumpre, entretanto, reconhecer a possibilidade do erro assim praticado. Efetivamente, os que a imolaram – e no meio deles havia um rei –, para ocultarem da posteridade o crime que cometeram, tudo maquinaram com o fito de lhe desnaturarem o papel, amesquinharem a missão, correrem um véu sobre a sua memória. Obedecendo a esse intuito é que destruíram o registro dos inquéritos de Poitiers, que falsificaram, di-lo Quicherat, certos documentos do processo de Ruão, que tomaram os depoimentos prestados no de reabilitação com a preocupação constante de não arranharem altas suscetibilidades.
Nos processos verbais de Ruão se diz que, na manhã do suplício, em o último interrogatório a que a sujeitaram no cárcere, sem notários, sem escrivães, e só muitos dias depois passados a escrito por Cauchon, a virgem renegara suas vozes. É falso. Ela jamais as renegou. Em dado momento, extenuada, exausta, sem forças, submeteu-se à Igreja: nisto unicamente consiste a abjuração de Saint-Ouen. Por efeito de tais perfídias é que a memória de Joana ficou tanto tempo eclipsada.
No começo do décimo nono século, dela tínhamos apenas uma silhueta apagada, uma lenda incompreensível, infiel. Quis, porém, a justiça imanente da História que a verdade abrisse caminho. Das camadas populares surgiram incansáveis trabalhadores: Michelet, Henri Martin, o senador Fabre, Quicherat, sobretudo, diretor da Escola de Chartes, e também alguns padres. Todos esses obreiros conscienciosos escrutaram os pergaminhos amarelecidos, esquadrinharam 99 – JOANA D´ARC, MÉDIUM as bibliotecas poeirentas. Descobriram-se muitos documentos ignorados.
Encontrou-se nas Ordenações reais do tempo, nas crônicas de Saint-Denis, num acervo enorme de arquivos depositados na biblioteca de Chartes, nas contas de despesas das “boas cidades”, a revelação de fatos que realçam a heroína. Tardoulhe a justiça, mas foi-lhe feita refulgente, absoluta, universal. Eis porque à França moderna corre um grande dever: o de reparar, ao menos moralmente, as faltas da França antiga. Todos os olhares devem convergir para a nobre e pura imagem, para o vulto luminoso da virgem Lorena, que é o anjo da pátria. É preciso que todos os filhos da França gravem, no pensamento e no coração, a lembrança da que o Céu nos enviou na hora dos desastres e dos cataclismos.
É necessário que pelos tempos em fora uma eterna homenagem suba àquele Espírito valoroso que amou a França até a ponto de lhe dar a vida, de perdoar sobre a fogueira todos os abandonos, todas as insídias, àquela que se ofereceu em holocausto à salvação de um povo. Imenso alcance teve o sacrifício de Joana d'Arc. Em política – como deixaremos firmados na segunda parte deste volume – produziu a unidade da França. Antes dela, éramos apenas um país desmantelado, esfacelado pelas facções. Depois dela, houve uma França.
Joana entrou resolutamente no braseiro e, expirando, ao mesmo tempo em que sua alma se evolava para o Além, dali saía a unidade nacional. Toda obra de salvação se realiza por meio do sacrifício. Quanto maior é este, mais soberba e imponente a obra. Toda missão redentora tem como coroação e remate o martírio. É a grande lei da História.
Assim foi com Joana, assim com o Cristo. Por isso, sua vida traz o cunho da mão divina. Deus, o soberano artista, se revela nessa vida por traços inconfundíveis e sublimes. O sacrifício de Joana teve ainda um alcance maior: o de ficar sendo um ensinamento e um exemplo para as gerações, para os séculos vindouros. Deus tem determinado propósito quando reserva tais lições à Humanidade.
Para as grandes personalidades dos mártires é que se volverão os pensamentos dos que sofrem, dos que vergam ao peso das provações. São outros tantos focos de energia, de beleza moral, ao calor dos quais virão aquecer-se as almas enregeladas pelo frio da adversidade. Através dos séculos, elas projetam uma cauda luminosa, uma espécie de esteira, que nos atrai e arrasta para as regiões rutilantes. Esses entes passaram pela Terra para nos fazerem adivinhar o outro mundo. Morrendo, deram nascimento à vida e a lembrança que deixaram há sido o reconforto de milhões de criaturas fracas e aflitas. SEGUNDA PARTE As missões De Joana d'Arc 101 – JOANA D´ARC, MÉDIUM xiiI Joana D´Arc E A Idéia De Pátria Glória à nossa França imortal!
Glória aos que por ela morreram, Aos heróis que, de ânimo forte, Do martírio o horror padeceram! Victor Hugo Na primeira parte desta obra, recordamos os fatos principais da vida de Joana d'Arc e procuramos explicá-los com o auxílio dos dados que as ciências psíquicas nos facultam. Relatamos os triunfos e os sofrimentos da heroína e descrevemos o martírio que lhe foi como que coroamento da carreira sublime. Resta-nos pesquisar e pôr em destaque as conseqüências de sua missão no décimo quinto século. Desse ponto de vista, formularemos em primeiro lugar a seguinte questão: Que é o que a França deve a Joana?
Antes de tudo, sabemo-lo, deve-lhe a existência; deve-lhe o ser uma nação, uma pátria. A idéia de pátria é ainda, na época da Pucela, muito vaga, confusa, quase desconhecida. As cidades se entreolham como rivais; as províncias se guerreiam como inimigos. Nenhuma união, nenhum sentimento de solidariedade liga as diferentes partes do país. Os grandes feudos fizeram a partilha da França e os esforços dos senhores feudais tendem a libertá-los de toda e qualquer autoridade.
Quando Joana d'Arc aparece em cena, os Estados de Borgonha, a Picardia e a Flandres são aliados dos ingleses; a Bretanha e a Sabóia se conservam neutras; a Guiena está nas mãos do inimigo. Joana é a primeira que evoca nas almas a santa imagem da pátria comum, da pátria arruinada, mutilada, agonizante. Objetar-nos-ão que o termo tinha então pouca voga. Mas, em falta da palavra, 173 Joana nos deu a própria pátria. Isso é o que devemos ter sempre em memória. 173 Recentes pesquisas demonstraram que João Chartier foi o primeiro a usar da palavra pátria, na seguinte passagem de sua HISTÓRIA DE CARLOS VII, pág. 143: “De acordo com o provérbio, segundo o qual a todos é licito e louvável combater por sua pátria.” João Chartier – que não era, como se acreditou, Irmão do poeta Alain Chartier, que um pretendido beijo da delfina Margarida da Escócia tornou célebre e que se imortalizou por uma página admirável em Do coração de uma mulher, de seu amor, de sua abnegação é que nasceu a noção de pátria.
Em pleno furor da tempestade que sobre ela desabara, através da negra nuvem de luto e de miséria que a cobria, a França viu passar aquela figura luminosa e ficou por assim dizer deslumbrada. Não chegou mesmo a compreender, a sentir toda a extensão do socorro que o céu lhe enviava. Entretanto, apesar de tudo, o sacrifício de Joana lhe infundiu virtudes que até ali desconhecera. Foi no mundo o primeiro país que se tornou uma nação. Selada com o sangue da heroína, sua unidade não pôde mais ser desfeita, ou aniquilada, nem pelas vicissitudes, nem pelos furacões sociais, nem por inúmeros desastres sem exemplo! * Não ignoramos que na atualidade a idéia de pátria experimenta uma espécie de eclipse, ou de decadência.
Desde alguns anos vem sendo, em nosso país, criticada e mesmo combatida. Uma classe inteira de escritores e de pensadores se aplica em lhe revelar os abusos, os excessos, em destruir nos corações o princípio que lhe serve de base, o culto de que é objeto. Antes do mais, no debate travado, conviria definir bem e precisar essa idéia. Debaixo de dois aspectos ela se oferece ao pensamento. Ora abstrata, entre certos espíritos, constitui uma entidade moral e representa a aquisição dos séculos, o gênio de um povo sob todas as faces e em todas as manifestações: literatura, arte, tradições, a soma de seus esforços no tempo e no espaço, suas glórias, seus reveses, suas ações memoráveis; numa palavra: – a obra completa de paciência, de sofrimento, de beleza, que herdamos ao nascer, obra em que ainda vibra e palpita a alma das gerações que se foram.
Para outros, a pátria se afigura uma coisa concreta. Será a expressão geográfica; o território com as fronteiras delimitadas. Mas, para ser verdadeiramente bela e completa, a idéia de pátria deverá revestir as duas formas e reuni-las numa síntese superior. Considerada sob um só honra de Joana d'Arc – João Chartier ocupava, em 1449, o emprego de “cronista da França”. Por outra, era o historiógrafo oficial da corte.
Escrevia sob a inspiração direta do soberano e desempenhou suas funções literárias de modo tão agradável ao rei, que recebeu deste ordem de acompanhá-lo nas guerras contra os ingleses. Michaud, da Academia Francesa, e Poujoulat Bazin, Champollion-Figeac, etc., na obra que publicaram com o título de NOUVELLE COLLECTION DES MÉMOIRES RELATIFS À 1'HISTOIRE DE FRANCE, inseriram alguns trechos de João Chartier, notadamente este, que é muito significativo: “Em o dito ano de 1429, no começo do mês de junho, o rei levantou um grande exército por persuasão da Pucela, a qual dizia que era vontade de Deus que o rei fosse a Remos para aí ser sagrado e coroado; e apesar de certas dificuldades e dúvidas que o rei e seu conselho opuseram, concluiu-se, por indução da dita Pucela, que o rei mandaria a gente que pudesse reunir para empreender a viagem de sua coroação em Remos.”
A CRÔNICA DE CARLOS VII, REI DA FRANÇA, redigida em latim e traduzida para o francês por João Chartier, foi publicada em três volumes na BIBLIOTECA ELZEVIRIANA dos Srs. Plon, Nourrit & Cª, por Vallet de Viriville, o sábio professor da Escola de Chartes, a quem se deve, além disso, uma edição do PROCESSO DE CONDENAÇÃO DE JOANA D'ARC, chamada A PUCELA DE ORLEÃES, traduzido do latim e publicado integralmente em francês, a primeira vez, por Firmin-Didot & Cª, livreiros-impressores do Instituto. 103 – JOANA D´ARC, MÉDIUM daqueles aspectos, não passaria de motivo de alarde, ou melhor – de uma abstração vaga, imprecisa. Ainda aqui a idéia se apresenta em sua dupla constituição: o espírito e a letra. Conforme o ponto de vista adotado, uns buscarão a grandeza moral e intelectual da pátria; outros visarão a seu poder material, e o estandarte, para estes, simbolizará aquele poder.
Em ambos os casos, cumpre se reconheça que uma pátria, para sobreviver e irradiar pelo mundo o crescente fulgor de seu gênio, deve salvaguardar a independência, a liberdade. Na obra imensa de desenvolvimento e evolução das gentes, cada nação concorre com uma nota para o concerto geral; cada povo representa uma das faces do gênio universal, cuja manifestação e embelezamento lhe incumbe operar por meio do labor no curso das idades. Todas as modalidades da obra humana, todos os elementos de ação importam, são necessários ao progredir do planeta. A idéia de pátria, encarnando-os, concretizando-os, aviva entre eles um princípio de emulação e de concorrência, que os estimula, fecunda e eleva à suprema potência. O agrupamento desses modos de atividade criará, no futuro, a síntese ideal, que constituirá o gênio planetário, o apogeu evolutivo das grandes raças da Terra.
Porém, na hora presente, na fase de evolução que percorremos, as competências, as lutas que a idéia de pátria provoca entre os homens ainda têm sua razão de ser, pois, do contrário, o gênio peculiar a cada raça tenderia a tornar-se dessaborido, a amesquinhar-se na posse livre e no bem-estar de uma vida isenta de choques e de perigos. Na época de Joana d'Arc, tal necessidade era forçosamente mais imperiosa. Hoje, o espírito humano, por se haver adiantado, deve empenhar-se em lhes dar feições sempre mais belas e puras, em lhes tirar todo caráter de selvageria e em auferir delas as vantagens que contribuam para enriquecer a herança comum da Humanidade. De tal maneira, essas lutas e competências tomarão o feitio de empreendimentos mais e mais nobres e proveitosos, mediante os quais se edificará o futuro. Então, ao pensamento e à forma se depararão expressões de magnificência e sublimidade sempre e sempre maiores.
Assim se alará um dia, após lenta, confusa e dolorosa incubação, a alma das grandes pátrias. Da reunião destas brotará uma civilização, da qual, na dos tempos que correm, mal podemos divisar um grosseiro esboço. Os conflitos sangrentos do passado terão, nessa era, cedido lugar às lutas mais elevadas da inteligência aplicada à conquista das forças da Natureza e à realização do belo ideal, na arte e no pensamento, à produção de obras em que o lustre da forma se aliará à profundeza da concepção. Assim mais intensos se farão a cultura das almas, o despertar do sentimento, mais rápido o caminhar de todos para os pináculos onde reina a Beleza eterna e perfeita. A Terra vibrará num só sentir e viverá de uma só vida.
Já a Humanidade se busca a si mesma, indecisa. O pensamento procura o pensamento na escuridão; e, por sobre as vias férreas e as imensas superfícies dos mares, os povos se chamam e estendem os braços uns aos outros. O amplexo está para breve: pela conjugação dos esforços começará a obra gigantesca de adaptação da morada humana a uma vida mais ampla, mais encantadora, mais feliz! O novo espiritualismo contribuirá eficazmente para a aproximação dos espíritos, pondo fim ao antagonismo das religiões e dando por base à crença, não mais o ensino e a revelação dogmáticos, porém a ciência experimental e a comunhão com os desaparecidos. Presentemente, já ele acende focos em todos os pontos do globo; sua luminosidade avançará gradativamente, até que os homens de todas as raças estejam unidos por uma única maneira de conceber o destino na Terra e no Além. * Voltemos a Joana d'Arc. Alguns escritores acham que sua intervenção na 174 História foi antes prejudicial do que útil à França e que a reunião de ambos os países sob a coroa da Inglaterra teria dado origem a uma nação poderosa, 175 preponderante da Europa, e à qual estaria reservado grandioso destino.
Falar assim é desconhecer os caracteres e as aptidões dos dois povos, absolutamente dessemelhantes, que nenhum acontecimento, nenhuma conquista lograria fundir inteiramente naquela época. O caráter inglês denota qualidades eminentes, que já tivemos ocasião de 176 reconhecer e proclamar; mas, forma-lhe o fundo um egoísmo que tem chegado por vezes até a ferocidade. A Inglaterra jamais hesitou no emprego de quaisquer meios, para realizar seus propósitos. O francês, ao contrário, de mistura com inúmeros defeitos, revela um sentimento de generosidade quase cavalheiresca. Não menor se afirma a diversidade das aptidões.
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