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Capítulo 9 de 28
Viajando Pelos Abismos
Confissões de Um Padre Morto · Osvaldo Polidoro
Segundo o programado na véspera, bem ao alvorecer do dia, partimos rumo aos interiores do Planeta sólido. E este globo, aparentemente tão rijo, em nada nos opunha obstáculo. Tudo, verdadeiramente, excessivamente poroso. Assim como se pode ver no homem ao ser essencialmente espiritual, a chispa brilhante, assim também podemos ver a terra transcendente, ou o perispírito da terra. As camadas sedimentares nada mais são que refolhos do seu duplo etéreo, segundo cálculo e dadas as condições como se acham dispostas. Assim como as células do homem repousam nas do seu corpo perispirital, assim acontece entre as gamas sólidas da terra e as suas zonas igualmente perispiritais, as duplicatas fluídicas. E quem quiser dizer em contrário, que o faça. Ninguém está aqui pretendendo catequizar. O tempo e a vida, o que fizeram comigo, por certo que farão com os meus irmãos que ainda relutam, em vista do brutalismo que os tolhe para as penetrações mais interessantes. Porém, de tudo aguarde-se a hora, que ela indeclinavelmente virá. E o fanatismo angusto se derreterá, pois que o meu, de muito não mais existe, graças a Deus! Mas um Deus Todo Presente, de que sou parte e infinitesimal representação. Um Deus que é a profundeza total em tudo e todos, de quem a JUSTIÇA não se faz rastejante, não se curva aos maneios nauseantes de pretensos ministros. Sim, um Deus que é o todo e a parte, porque o que existe será sempre manifestação Sua, seja lá pela razão ou forma que for. Um Deus que não cria e nem descria, por ser em si tudo, em ESSÊNCIA PRIMEIRA. E se digo ESSÊNCIA, é porque não encontro termo outro, que se aproxime sequer, para definir o indefinível, uma vez que o termo ESPÍRITO sofre a pressão do conceito individualístico, do antropomorfismo degradante. Não, pois Deus é impessoal. Singramos, pois, o éter cósmico, numa gama ou tom vibratório que nos facilitava estar acima das contingências ambientais chocantes, aberrantes, tétricas. Vimos vales e montes, planícies e serras, mares e rios, matagais e regatos, desertos áridos e vulcões; tudo enfim, como na crosta se observa, mas em densidades outras, como se fossem, como de fato eram e são, duplicatas grosseiras da própria crosta. Assim, portanto, como para fora vão-se sublimando as gamas ou zonas, assim mesmo para dentro, por assim dizer, vão-se materializando. Há, porém, na profundeza de tudo o IDEAL em ESSÊNCIA, e, com isso, tons infinitos de manifestação. Pois nós fizemos, por determinação superior e faculdades despertas, um como contrato com uma gama ou tom vibratório, pelo que nos pusemos acima das tristes contingências ambientais. Atravessar a terra em todos os sentidos é o que há de mais comum para um espírito que possa e queira. E que há por esses países? Há gente vivendo a seu modo e condição. Rastejando e pior que isso! Civilizações mortais aí vivem ou prosseguem vivendo! Déspotas de toda ordem estabeleceram seus domínios por aí! Mandalhões chicanistas, donos de igrejismos, todas as coortes nefandas do mundo, diríamos, têm nesses países as suas sedes de sustentação! Deus é negado e invocado, comprado e vendido, adorado e blasfemado, tal qual como na crosta e em esferas exteriores próximas. Mas um Deus antropomórfico, um Deus déspota, o mesmo Deus dos religiosos
da terra. O Deus VIDA, AMOR E JUSTIÇA, fundamento em base de VIRTUDES, esse Deus não é conhecido e nem cultivado. Seres horripilantes dominam legiões. Bilhões de infelizes seguem a orientação de tétricos caracteres. E não vêm à tona da crosta porque não podem vencer as intensidades vibratórias. O especifismo vibratório é parede; é barreira instransponível! No entanto, para a terra viver o seu drama oculto, o drama pungente dos desencarnados em procissão pelas vielas do mediocrismo intelecto-moral, não é preciso que subam outros mais infelizes ainda, de suas moradas infernais. Basta o que fazem os religiosismos do mundo, afastando o homem da RELIGIÃO, do conhecimento da VERDADE que livra, na expressão augusta de Jesus Cristo. Sim, pois sem o conhecimento do Deus AMOR, do Deus CIÊNCIA, em resumo todo VERDADE, como poderá o homem em si mesmo libertar-se do jugo do que em si mesmo é retrógrado? Apelando para um Deus exterior, como compreender a grandeza das virtudes internas por despertar? Os igrejismos formalísticos, faranduleiros, botequineiros do mundo, nada mais fazem que separar o homem de si mesmo, para o poderem separar de Deus e tornarem- No, assim, material de exploração fácil. Não sou contra religião alguma! Sou contra a corrupção que lavra o mundo, em nome da religião. As religiões não ensinam a compreender e a amar a Deus; o que fazem, cada qual faz, é inventar modo próprio de compra e venda. Quando isso não faz um credo, então, em lugar de fazer entender ser o homem a imagem e semelhança de Deus, em ESSÊNCIA, procura incutir o inverso, fazendo de Deus, aquilo que o seu ignorantismo queira. Por que, pensando o homem rasteiramente, simiescamente, pretende impor a Deus esta ou aquela condição? E onde se conhece a insensatez do homem? No angustismo sectário, nos exclusivismos em geral, nas particularizações da VERDADE a seu modo e caprichos fanáticos. Basta isto – que o homem ainda serve para ser fanático! E quem serve para isso, distingue-se pelo inferiorismo hierárquico. E quem na terra é inferior, sendo a terra um país cósmico de ordem medíocre, como pode classificar o que é em si mesmo INFINITO? Quanto menos universal o homem for, tanto mais tacanho! Eis a regra básica. No universalismo, porém, também há lugar para os estrabismos. O taradismo campeia por todas as séries de tons fenomênicos. Há o universalismo dos tarados, sem espírito monístico, sem DEUS e sem ORDEM, sem JUSTIÇA, sem compreensão e sem HARMONIA. É o universalismo do homem animal, cuja configuração cosmogênica se reduz à anatomia do seu bolso, do seu estomago e dos seus instintos inferiores. Existem dois universalismos extremos, e, entre eles, tons ou matizes infindos. É preciso cautela. Despertar-se para os melhores conhecimentos, para poder-se aplicar de modo cada vez mais humanitário, mais decente, eis a prova que não falha. Por isso mesmo que, ao findar o Cristo a Sua carreira na vida da carne, como chave de ouro, usou a máxima suprema, sem a qual nada vale crer ou saber sobre Deus – “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS”. E como instrumento discernidor, pois sem compreensão não há responsabilidade, lembrou o seguinte raciocínio, simples, fácil, ao alcance de qualquer mente – “NÃO FAÇAIS AOS OUTROS, AQUILO QUE NÃO QUERERÍEIS VOS FIZESSEM”. Porque não haverá jamais dispositivo judiciário algum no mundo, que suplante a esse, a essa regra natural de soberana moralidade social.
Que vimos, pois, nos tredos países subcrostianos? Vimos os inimigos da regra supra citada! Nada mais. Quem ama se sublima, assim mesmo como quem deseja o que é inferior se entorpece, se brutaliza. O amor infunde angelitude; o ódio fabrica monstros! O amor projeta aos céus etéreos; o ódio chumba aos lodaçais, aos abrazadores países da subcrosta. Os que muito amam brilham em fulgurações argentinas indefiníveis, sendo que os que odeiam e desejam más coisas, revolvem em si as formas já vividas nos reinos inferiores, tornando-se monstros horripilantes, fauciosos e sádicos.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.