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Capítulo 19 de 28
Visão Do Senhor
Confissões de Um Padre Morto · Osvaldo Polidoro
Basta se tenha um corpo com necessidade de repouso, para que implicitamente se possa ter a certeza de que o espírito o possa deixar, por momentos. Nossos organismos estão em relação direta com nossas hierarquias psíquicas; mas são corpos materiais! Assim como em qualquer plano de vida a densidade da matéria corresponde ao padrão hierárquico espiritual, às possibilidades e necessidades dos seus habitantes, assim se dá com os corpos – estão na proporção direta às necessidades dos indivíduos. Temos, na nossa zona, o que importa dizer na nossa condição evolutiva, necessidade de dormir. Podemos sonhar, temos que sonhar, portanto. E como nesse campo as coisas vão entre a fantasia e a realidade, temos fantasias e realidades ao nosso dispor. Nem sempre um sonho é apenas um sonho, assim mesmo como, nem sempre é mais que fantasia, isto é, devolução das impressões e imagens recalcadas nas células cerebrais. Também, não é difícil ouvir a alguém dizer, com acerto, que teve um sonho que não fora apenas um sonho. Isso, também se dá conosco. E é o que vou relatar, chamando a atenção do leitor para este particular interessante – Gaspar tivera o mesmo sonho, na mesma noite. Fomos procurados por minha mãe, que viera em companhia de Moandas, convidar-nos para um retiro espiritual. E partimos para lugar nunca antes visto. As belezas de nosso plano estavam ali muito superadas. O casario espraiavase pelos confins horizontais, todo ele matizado em coloridos deslumbrantes. A matéria parecia feita de bênçãos celestiais, o ar tinha a natureza dos néctares, o céu deixava se vissem os mundos, enormíssimos, como se postos ao alcance do mais potente telescópio imaginável. Ou nossos poderes de ubiqüidade estavam altamente despertos, ou um poder qualquer da energia cósmica nos estava facilitando aquele espetáculo. Era apenas um sonho? Talvez. Mas eu sabia que estava sonhando, então. E Gaspar também me falou da consciência do estado, quando relatou ocorrido, horas depois. No centro daquela cidade de milhões de quilômetros, toda ela edificada entre flores e rios de colorações e aromas inexplicáveis, havia uma praça. Foi para o centro dela, que por sua vez ficava no centro de imenso e lindíssimo lago que refletia as radiações dos enormes mundos à vista, com seus tons variadíssimos, que nos encaminhamos. Não sei como entramos; mas sei que em dado momento, lá dentro nos achamos. Seus habitantes, comparados conosco, eram como verdadeiros anjos. As roupagens eram tecidas de luz! O esplendor pessoal atingia às raias do inimaginável! – Venham. – disse-nos minha mãe, em tom meigo – Estamos contando com uma graça do Senhor, da qual todos teremos de aproveitar alguma coisa, em nossas futuras romagens pela carne. E meu pensamento volveu-se para aquela conversa de Moandas, repentinamente. A questão-motivo devia ser a futura reencarnação. Procurei ver e ouvir, entender e sentir, do melhor modo. Queira aproveitar a lição, queria sorver o máximo possível daquela graça em sentido ilustrativo, daquela imersão no sublime. Quando demos entrada em vastíssima sala, já nos tínhamos frente ao Planeta Terra, visto como ao natural, em não sei que jogo de imagens refletidas,
ou inculcadas por algum projetor, no imenso cristal que cobria a parede posterior do imenso salão. Ali estava a Terra do presente, que se foi dando em marcha-àré evolutiva. Regrediu, aos poucos, até quase ao estado de nebulosa, onde já se via forçando a pruridos de movimentos. Depois, como que para deixar em nós a idéia da UNIDADE CÓSMICA, sumiu-se por entre o coágulo de mundos em movimentação pelo infinito. Foi um espetáculo indizível! E em seguida foi reaparecendo, reaparecendo, como a Terra das geleiras, que não eram totais. Seus dias eram séculos, porque nos atínhamos ao fator evolução. Humanidade é que nos convinha! E a humanidade apareceu muito mais tarde, mesmo sendo na condição rudíssima, como manadas de seres fauciosos, broncos, a lutar continuamente uns contra outros e todos contra o meio, a fauna animal medonhamente desmesurada. Aos poucos, deram-se as primeiras divisões. Repartiram-se em como manadas. E foram aparecendo, também muito lentamente, as características raciais. A terra chegou a ser quase totalmente habitada por aqueles clãs primitivos, porque o nomadismo os tangia a tanto. Meteram-se mares e rios a dentro, em armaduras de madeira, vindo a ser comidos por animais aquáticos e anfíbios, que os assaltavam. Mas alguns atravessavam, varavam dificuldades, penetravam sempre. A configuração dos continentes era muito outra, embora as águas constituíssem quase tudo. Na Terra de hoje, muita água deixou de ser. Depois de certo tempo, milhões de anos, talvez, de vida primitiva, nômade ao extremo, apareceu no mapa demográfico planetário, qualquer coisa diferente e marcantemente significativa. Foram aparecendo os caracteres identificadores de uma influenciação superior. Os dias seculares apresentavam reações evolutivas consideráveis, embora a relatividade dos movimentos. Deve ter sido a influência adamita, o efeito das legiões reencarnantes no seio do evismo, da raça primitiva. Com o rodar do globo imenso, mondava na mente dos seus habitantes, divididos e subdividos em clãs e subclãs, o fervilhar das guerras e dos assaltos! Os homens nunca foram mais que animais inteligentizados, igualmente carnívoros, capazes de execrados feitos! Até hoje, que são, como vivem? Não faz o homem o seu preparo bélico, apenas mais inteligente, com relação ao animal inferior? Pois jamais deixou de ser assim, embora o atraso de outros tempos. Nunca viveu em paz e pouco por isso se deu a fazer, abstração de alguns missionários, de alguns lanços consideráveis, mas isolados, força dos por certos vultos a isso prepostos. E vimos o aparecimento da era cristã. Isto tudo foi muito mais particularizado. A caminhada do Cristo por entre a humanidade, o que deixou de marcas na parte sólida e nas zonas astrais, isso nos foi muito mais detalhado. Jamais poderia morrer uma tal semeadura, dadas as condições em que fora feita. Quem com tanto amor e com tanta dedicação serviu, quem com tanta lucidez encarou o problema da civilização, dos destinos humanos, só poderia vir a ser triunfante! Para que o Cristianismo fenecesse, como tantas centenas de teorias feneceram, seria preciso que a própria Terra deixasse de ser! Quando a Terra do presente sumiu do imenso cristal, a figura de Jesus Cristo apareceu em grande esplendor de glória, rodeada de nuvens de seres altamente divinizados. Sons invadiam os espaços. E Ele se fez bem próximo, para dizer com extremos de inteligência e bondade:
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.