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Capítulo 26 de 28
Marcante Vinculação Vibratória
Confissões de Um Padre Morto · Osvaldo Polidoro
A prece é um fenômeno que decorre segundo lei profundíssima em gênero, espécie, matiz e tom. Há qualquer coisa de infinitamente moral a embasá-la. E por isso mesmo é ampla ao infinito, na flexão infinita de sua complexidade. Nunca pude sondar bem, nem mesmo mediocremente, a um caso sequer. E dizem os mais conscientizados agentes das esferas superiores, os mais angelizados irmãos, que só o SUPREMO ESPÍRITO, Deus, a ESSÊNCIA DIVINA, poderia dizer de sua possibilidade intensiva, de modo total. Mas se nos deixa o mecanismo do fenômeno, de instante a instante extasiado ante a prodigalidade de seus efeitos de variada ordem, também é de saber que, por isso mesmo, nos tem ele preso pelos laços do mais sublimado penhor de alma. Não sei qual seja toda a força do pensamento como onda vibratória; mas sei que a prece a expõe de pronto em inelutáveis evidências. Gosto profundamente de atender a quem honra o ato de orar; sinto-me melhor ao lado de quem procura, acima de tudo, entrar por ela em relação com o PRINCÍPIO DIVINO. Respeito a nobreza daquelas almas bondosas que oram, sobre tudo, procurando amparar a dor e a miséria; mas, muito mais ainda a prece-trabalho de todos aqueles outros servidores do SENHOR FUNDAMENTAL, que o fazem através o esforço de esclarecimento das legiões humanas. Ensinar o conhecimento da VERDADE PRESENTE é a forma ideal de conduzir as legiões humanas ao estado de celestialização coletiva. O Planeta precisa desses apóstolos; a terra carece dessa semeadura; o homem singelo vive sedento dessa linfa sacratíssima. Sem o pão do espírito, que outro pão não virá a faltar? E que pão será o do espírito, sem ser o verdadeiro auto-conhecimento? Quando o homem se sentir emanação divinal; quando se tiver na conta justa do que é em seus fundamentos; quando puser, por isso mesmo, a brilhar a lâmpada interna, então sim estará vencida a morte na vitória! O reino de Deus, o reino que não poderia jamais vir das mãos de segundos ou terceiros, menos ainda das daqueles que compram e vendem bugigangas sacramentistas, esse reino então exposto, eliminará da face da terra o carrilhão de trevas e lágrimas que a sulca de milênios. Nós vos falamos, irmãos em geral, em nome das leis eternas! O Espiritismo é o complemento da Obra Educadora de Jesus Cristo, o nosso Guia Planetário. No curso dos tempos tem enviado agentes instrutores de toda ordem, para todos os ramos e ângulos do pensamento e das necessidades em geral. Acolhei, pois, com simplicidade, raciocinando de modo elegante, sobre tudo o que se vos disser ou for transmitido. Há necessidade de fraternismo no mundo! Mas vamos ao caso. Passou-se, mais uma vez, naquela casinha pobre que Jasmim transformou em celeiro de bens divinos. Nós, como de costume, fomos convocados à presença por um seu chamado mental, por uma prece que tecia, sempre, com os acordes mais santos de sua alma peregrina. E atendemos com a solicitude que mandam os chefes, sejam atendidos aqueles que se dando ao serviço do próximo, de si olvidam, cumulado ainda o ato atencioso, com o devotamento prazeroso de sempre. Lá estavam, pois, no recinto pobre, sentados em redor de mesinha cujos anos de uso eram testemunhados pelos riscos, tales, desgastes, etc., cinco ou seis pessoas, sendo uma delas, uma senhora de uns trinta e cinco anos, presumíveis, atingida em cheio por impacto feroz de espírito dementado. Não agia de modo a lhe subtrair a inteireza da razão; mas, forçava de modo tal a
organização magnética, que lhe suprimia mais de cinqüenta por cento da personalidade. Notava-se a oposição tremenda que lhe movia o agente oficial, o espírito senhor do organismo, fazendo que, de quando em quando, o intruso se visse compelido a dar descanso. Logo mais, porém, aproximava-se como que movido por estranho poder oculto. E a luta começava de novo, entre ambos os agentes, sibilando projeteis energéticos que se cruzavam, que se colidiam, que se pediam, mormente os da senhora encarnada, que se revelava em estado de exaustão. Nenhuma posse se dá, da parte de agente tenebroso, repentinamente. Há sempre um período preparatório, aquele que constitui o simbiótico, o prelúdio de contato. Pode custar mais ou menos a estabilizar-se, assim como seja o encarnado mais ou menos avesso ou adesivo aos propósitos e natureza do invisível. Mas, se há um porquê de fato a determinar a junção fatal, quem vence é o invisível, por esgotar as reservas do encarnado. Esgotadas as reservas energéticas, segue-se a simbiose mental e com ela até a perda total, por parte do encarnado, da sua característica pessoal. E o campo, assim, está em franquia para qualquer ordem de desfecho patológico, indo mesmo às deformações monstruosas e à morte. Tudo é questão de saber-se do porquê determinante. Nada haja a tolher intervenção favorável. Porque se esta houver, expiacional será o fim! Todavia, no caso em apreço, não tutelava o fenômeno tentáculo algum comprometedor. E vimos aparecer, em letras ou sinais luminosos, sobre a cabeça da senhora encarnada, coisa no sentido de auxílio imediato. Ora, em tais casos e com ordens de tal teor, tudo se torna fácil ao extremo, por não ter havido ainda invasão de elementos fluídos na organização cerebral do encarnado, por meio do veículo próprio que é a organização eletromagnética. Quando tenha chegado a estabelecer sua entrosagem em grande escala, então o serviço de re-equilíbrio impõe-se, através supressões, substituições e transubstanciações. Nestes casos operam maravilhas os passes, por meio de encarnados, e as águas fluidificadas, também em as quais faz-se salientar, em porcentagem, o fluído captado aos encarnados. O fluído animal humano, eletro-magnetizado, em grau moral superior, é o grande remédio em casos de ação imediata. De resto, uma vez afastados, o agente invisível e envenenador, a vítima pode recuperarse muito bem por si mesma, pensando coisas boas, orando e vigiando. Não só o próprio organismo se torna fábrica de energias salutares, como, ainda pode conseguir com facilidade absorver do elemento cósmico o de que carecer para o re-equilíbrio necessário. Quando o desfecho deve dar-se de modo favorável, porque pressão cármica não esteja a forçar em contrário, meios sem conta podem vir em abono do fim único que é a cura. Caso contrário... Caso contrário, não se reparam grandiosos delitos com simples arrependimentos e pedidos angustiosos de perdão... Melhor fora pudéssemos evitar os erros mais graves. Recebida a ordem pela forma já mencionada, procuramos agir. Um de nós foi em busca de trabalhadores de certa região semi-trevosa, para onde seria cambiado o infeliz dementado. Outro, como de hábito, usou de Jasmim para dizer o necessário por fazer. E outro foi impedir, por meio de vibrações potentes, que o dardejar inconsciente, mas venenoso, prosseguisse atingindo em cheio ao organismo da senhora, pela organização magnética. Porque nenhum espírito poderia atingir a quem quer do plano físico, diretamente. Age de conformidade e por intermédio do instrumento de que dispõe, que é o seu corpo mais denso e os elementos mais quintessenciados com que possa contar. Assim, também, o
ser dono do corpo não domina diretamente, mas sim pelos veículos que são as gamas mais tênues, a organização eletromagnética, o perispírito, os gases orgânicos, os vapores, os líquidos, vindo por aí a dominar tudo. A dominação do que é mais sublime, na escala dos valores, portanto, dá-se sempre por ordem crescente, do mais intenso para o mais denso. O inverso é ressentimento sensorial. Quando aquele trabalhador chegou, acompanhado de mais cinco elementos da falange socorrista de que nos servimos, foi o infeliz malfeitor retirado e imediatamente transportado ao lugar devido. Todavia, a senhora ressentia-se da relativa atrofia já operada pelos elementos fluídicos, pelas partículas sobrecarregadas de magnetismo venenoso. Porque a carga tende a descarregar-se normalmente, por devolução; e a forma pela qual se dá o fenômeno é o esvanecimento, sendo este o grande prejuízo, ou prejudicador, pela contaminação contínua. Cumpre, pois, depois da retirada do agente malfeitor, procurar sanear o campo. E a melhor forma é eliminar a base, o foco, o que de fluído venoso tenha sido infiltrado. Existem zonas alojantes mais próprias, como sejam a massa encefálica, o plexo, os vapores de sangue e o sistema liquoso. O cérebro, por via do imenso concentrado de correntes magnéticas, verdadeira turbina a captar e retransmitir a seu modo ou características próprias; o plexo, por ser o pólo armazenante do éter, do prana ou da energia cósmica; o sistema vaporoso, por ser todo e qualquer líquido um grande veículo, por natureza. E por fim, teremos a organização magnética alterada em favor da influência estranha, isto é, impondo a sujeição em geral. E cumpre salientar que estamos frisando o superficial, pois os detalhes são profundamente infinitos em matizes, assim mesmo como cada um de nós é, como caso psicológico por excelência, um tom de matiz formando na vastidão infinita das espécies, que por sua vez, não passam de departamentos múltiplos da composição geral. Os tons hierárquicos são incalculáveis, para qualquer efeito; o que vale é que, sendo o gênero um só, e uma só a Suprema Lei, e também uma só a força do AMOR, havendo ordem de cura, de reparo, fazemos uso da Lei em sentido próprio, vindo a atingir o fim desejado. Perdem-se, é claro, por dispersão, por falta de precisão de cálculo, energias aplicáveis. Vão-se, naturalmente, sem ter operado o devido e possível, por terem sido potentes de mais ou de menos, ultras ou infras; mas, o que se acerta em grau ótimo basta para realizar a eliminação desejada, para operar a limpeza necessária. Milagres e mistérios não existem; como o Cristo expeliu maus elementos, e curou suas vítimas, sem entrar em detalhes, ficou considerado que aqueles fatores estariam a servi-lo. É preciso se acabe com a falsa interpretação, espontânea ou proposital que seja. Os cleros possuem no falso a fonte de rendas de que necessitam para sobreviver; e como locupletam-se através da ignorância das gentes, cumpre compreender que o problema só será resolvido pelo boa instrução, pela melhor educação. Há que atender, também, para a caudal de leviandades daqueles que, sabendo-se errados, que abusando do nefasto direito de duplicidade, de fingimento, atendem aos pseudo recursos absolvicionistas, aos infectos perdões humanos em face de crimes perpetrados contra a MORAL DIVINA, que de dentro está agindo por auto-cominação, e para com que lesões nada vale recurso algum interposto por quem quer, sem ser a purgação pessoal e devida. Não creiais que Jesus Cristo tenha dito tudo o que está ao alcance de vossas leituras; Jesus Cristo não veio ao mundo para ensinar a quem quer a subversão da ORDEM DIVINA. Agravos contra o princípio de equilíbrio interno,
meus amigos, não são perdoáveis! São reparáveis, mas pelo mesmo agravante; isto é, o pecado só será desfeito pela ação recuperadora do próprio pecador! O resto é falsidade, falsidade que atinge o livro dos homens, mas que não poderia jamais conspurcar o SAGRADO LIVRO DA VIDA! Posso falar, dos erros clericais, com inteiro conhecimento-de-causa; bem como poderia estender-me muito sobre o que de hipocrisias medram pelo mundo, em crentes falsos, fingidos, que só se valem das farsas idólatras ou igrejisticas, para servirem de couto às suas mazelas e dobrezas. Cumpre, sim, ensinar o mais certo e grave, para que os contumazes do vício se forrem cada vez mais de responsabilidades, vindo de si mesmos, por esforços de consciência, a guerrear de frente contra o lastro terrivelmente embalador. E nada digo contra o padre, seja de que credo ou seita for, pelas suas ações como homem civil; nada tenho contra ele, em matéria de ações que não sejam as doutrinárias. Não respondo por quem quer. Repito que me detenho no painel doutrinário, porque o que fazem é errado, é falso, ensinando o que foi organizado por homens, em estatutos, em dogmas, nada procurando fazer, menos ainda ensinar, daquilo que Jesus Cristo fez e ensinou. Naturalmente, pensareis, esqueci-me da senhora atacada, pois não? Não é o caso. Uma vez tendo-a livrado do opressor, cumpria iniciar processo terapeuta conveniente. E um de nós falou, por Jasmim: – Ponham sobre a mesa um litro contendo água bem limpa. Em seguida ao ato, depois de o litro cheio ter sido posto sobre a mesa pedida foi uma prece, com a condição de que cada um colocasse a mão espalmada sobre a mesa. Não sei se já é do conhecimento de quem me lê, sobre ser cada dedo emissor de uma espécie de fluído, ou de uma coloração própria. Também não sei se já sabem que cada matiz de qualidade, e de cor, aplica-se para efeitos diferentes, para atuação em ângulos precisos de atividade vibratória. Pois assim como cada pessoa, pertencendo a um matiz em hierarquia e coloração, tem oportunidade de agir com a precisão que outra de outro tom não teria, assim também os dedos, ou cada dedo, possui a sua característica emissiva, e conforme o caso, ou assim como julgarmos os pontos lesados, assim ocupamos mais uns e menos outros, os fluídos pelos dedos emitidos. Já disse que o problema é complexo. Jesus Cristo ensinou a impor as mãos e a curar, como qualquer pode e deve ler, mas sem entrar em detalhes; e eu digo que, como espírito estudioso da questão, depois de dois mil anos, ainda não poderia detalhadamente falar, explicar, por ser tal mecanismo extremamente profundo. Uma coisa posso falar, porém; é que um pensar divinizado pelo desejo puro de servir, de ser simplesmente útil, bom relativamente, supera muitas ou quase todas as deficiências. Que força é o AMOR? Com as mãos espalmadas sobre a mesa, e as mentes vibrando como só gente educada espiritualmente pode e consegue vibrar, tínhamos ao dispor turbinas de força fluídica a valer. Um de nós, captando fluído de um dos presentes, de espécie diferente, que era expelido pelas narinas, materializou o que pode daqueles que se vasaram pelas pontas dos dedos, tendo introduzido na água do litro. O borbulhar da água impressionava; e isso mesmo era muito interessante, junto ao ânimo da senhora por restaurar. O sugestivo não deixa de ser meia cura, por facilitar a auto-aplicação de poderes energéticos. Cada um de
nós vive a captar e a elaborar, caracteristicamente, o fluído cósmico. Modificar o modo de pensar é modificar o sentido da caracterização, podendo passar do curativo ao venenoso e vice-versa. E quantas vezes a cura, a recuperação, não parte de onde se não cogita! Faz-se um cálculo, recomenda-se uma atitude, um medicamento; no entanto, lá pelo que vive na mente do individuo, a reação se processa por outras razões, por razões não computadas. Tremendo arcano de poderes é o espírito! Pudera! Pois não é emanação do SUPREMO ESPÍRITO? Não é partícula da DIVINA ESSÊNCIA? Não é departamento da FORÇA TOTAL? Não está em relação contínua com as potências energéticas do infinito? A mulher, pois, saiu dali sorridente e feliz. Levava debaixo do braço um litro que valia por uma benção de Deus. Em caminho, vieram-lhe ao encontro um homem e três pequerruchos. Em vendo-a feliz, recuperada, apta às funções de esposa e mãe, o homem pôs-se a chorar de alegrias. As crianças, também, sem compreenderem aquele estado d’alma místico-patético, deram-se a choramingar. E os pais, e mais aquela gente que fora acompanhar a senhora ao paupérrimo recinto de Jasmim, passaram a sorrir. Os semblantes dos inocentes tornaram-se felizes como as imagens dos céus. E lá se foram, caminhos em fora, imensamente agradecidos, sem cismarem sequer, que muitos de seus parentes, habitantes dos países da morte, em suas companhias também caminhavam, dando graças ao Supremo Senhor. Como são felizes os momentos que passamos ao lado dos encarnados, quando sabem transformar seus corações em templos de adoração a Deus, a Suas Leis, em Espírito e Verdade, fugindo ao máximo das perniciosidades formais e idólatras! Como é soberanamente belo o senso de Religião, de apego ao SAGRADO FUNDAMENTO, uma vez desenvolvido à base de respeito em face do mecanismo da VIDA! Como é sublime o Caminho do Senhor, por ser avesso a todo e qualquer tisne, seja o supersticioso, seja o exclusivista, seja o rotineiro, seja o mercantilista! Como é divinizante o Cristianismo, por não conter máculas estatucionais, sectárias, e sim por convidar a todos no sentido de em simplicidade de conduta, sem pretender títulos religiosistas, mais dar para poder mais ter! Como é doce aos supremos anseios da alma o poder lembrar, que os ensinos do Cristo foram à luz das necessidades vitais do homem, sem curvações nojentas, sem atitudes nauseantes, sem viciosidades que só podem interessar aos inconscientes da realidade extra-corpórea! Vindo de poder falar à mesma coluna humana de todos os milênios, a quem foram apresentadas todas as Revelações, desde a Védica, quero a todos lembrar que Deus reside, antes de mais nada, nos fundamentos de tudo e todos. E que não existe modo outro de se O atingir melhor, sem ser pelos escaninhos do AMOR e da CIÊNCIA. O homem, pois, que busque o SAGRADO em si mesmo, que essa foi a recomendação máxima de Jesus Cristo.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.