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Capítulo 7 de 28

Agildo Faz Um Convite

Confissões de Um Padre Morto · Osvaldo Polidoro

Coisa realmente de estranhar é o que se passa com os planos erráticos, com as inúmeras duplicatas etéreas da terra. Porque filtram a própria vida da crosta, embora variando tenuemente os tons, do muito mais denso ao muito mais sublimado. O que se passa nas zonas ou gamas internas é para ser alcunhado entre horrível e hediondo. E vem ganhando o exterior, alcançando a esfera dos encarnados, atravessando-a, ultrapassando-a, bifurcando-se infinito em fora, numa projeção indizível rumo aos celestes empíreos. Mas, cada zona ou faixa tem suas rígidas condições, é marcantemente o que é. Particularmente, o que há é um especifismo real e inviolável. Em qualquer parte o homem vive como se preparou para viver, colhendo na árvore da vida, assim como sua estatura lhe facilite poder colher. Quando tivemos de abandonar, de ordem superior, aquela região, onde recebi as primeiras instruções sobre a vida espiritual consciente, Égas, por razões de ordem técnica e também efetivas, veio para o círculo da família Agildo, de quem em vida remota fora familiar. Juntos, pois, quase sempre, e à custa de suas experimentadas opiniões, fui formando o meu cabedal de pontos, de conhecimentos. E foi sempre por convites a mim extensivos, por um ou outro deles feitos, que tive de enfrentar a mim mesmo, em assaltos impressionantes que certos dolorosos acontecimentos contra mim, arremetiam, em forma de impressões e psicoses doentias. Criei, pois, em mim, por experiência própria, campo vasto para as mais intensas flutuações de ordem psíquica. Por fim, estava curtindo como convinha. Certo dia, portanto, tive que atender a novo convite. E em face do convite a mim estendido por Agildo, tive que identificar-me com essa realidade, logo nos primeiros momentos de minha entrada para a sua adorável família. Porque fomos encontrar legiões de crentes de toda ordem, enxameando pelos vales inferiores. E por vales, alguns deles bem tétricos. E por que estavam ali? Não eram, em tempos, fregueses certos na banca de comércio dos seus intermediários? Quantos sacramentos haveriam sorvido, nos templos de toda ordem, que medram pelo mundo? Sob quantos nomes não haveriam apelado para o mesmo Deus? Todavia, eles mesmos eram prova de que nas práticas humanas haviam falhado, do mesmo modo como eu fizera. Bem avisou o Mestre, de que gritar “Senhor! Senhor!”, na última hora, de nada valeria. Obras! Obras! Tal é o caminho do céu. – Você habitou por alguns anos em zona astral inferior – disse-me Agildo, em conversa prolongada que tivemos – mas não viu e nem sabe coisas de lugares muitas vezes mais tristes. Nem mesmo sabe de coisas que se passam no céu terrícola, por entre a vida cotidiana dos que palmilham a carne mais densa. Leu, não é verdade, que Jesus passou pelo mundo expelindo maus espíritos? – O Evangelho é eterna prova disso!... – Pois bem, amigo Adão. Vou fazê-lo ver de perto essas coisas. Faremos uma aterrisagem a nosso talante por entre os embutidos na carne. E você irá ver o que é a humanidade encarnada, em número, com relação à desencarnada que

lhe vive de par, disputando um lugar no espaço. Principalmente, quero que entre para dentro de alguns templos religiosos, verificando bem o que ocultam eles, para além dos olhos baços da humanidade que os procura, julgando que Deus ali esteja trancafiado. – Será uma viagem feliz!... De felizes aprendizados... – considerei. – Verdadeiramente – comentou Agildo – tudo o que se deve fazer é aprender e por em execução. E o convite ficou para ser vivido dois dias depois, quando Ema também dele pudesse ser partícipe. Com isso muito mais me alegrei, porque Ema era um espírito de uma perspicuidade notável.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.