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Capítulo 20 de 28
“Preciso De Verdadeiros Discípulos; De Irmãos Que Saibam
Confissões de Um Padre Morto · Osvaldo Polidoro
AMAR” E acordamos, sem saber como saímos de lá. Ao sairmos do aposento, dei de frente com minha mãe. Por ter estado com ela, pouco antes, naquela visão sublime, não me comoveu tanto a sua presença de fato. Crescido em ânimos, falei-lhe do ocorrido. E ela me disse que Moandas lhe havia falado nessas coisas, dias antes. Quando, ao tomarmos o costumeiro suco matinal, chega Moandas, sorridente e feliz, como de natural. E sua pergunta primeira foi sobre a visão. – Foi uma graça o que nos aconteceu – respondi-lhe. – Os encarnados também são brindados, às vezes, com instruções assim. O que dificulta a compreensão é a tendência ao simbolismo, em virtude dos recalques de imaginação e imagens, próprios aos que vivem em planos muito relativos. Contudo, como um desenho vale por mais de mil lições orais, como já disse alguém, toma-se sempre essa medida. E mesmo quando falhe na interpretação, serve a visão superior de estímulo. Creio que a visão do Mestre lhes terá feito muito bem, pois, não? – Temos por certo que devemos voltar à carne... – comentou Gaspar. – Mas com grande lastro de influências de nosso lado! – confirmou Moandas. – Tínhamos medo... Por isso nos prepararam a visão consoladora... O orbe sob a tutela do Mestre precisa de trabalhadores do progresso. Vimos a Terra desde a sua formação. Vimos o aparecimento do homem sobre a Terra. Vimoslhe a marcha lenta em busca da civilização atual, lidando em si mesmo pelo progresso.Vimos o quanto falta para a colimação prevista no Apocalipse. Vimos a Jesus, por fim, pedindo trabalhadores, muitos trabalhadores. E estamos dispostos a trabalhar... O que pediremos, porém, é para que nos facilitem encarnação em ambiente espiritista para que possamos trabalhar em nós mesmos contra a embalagem clerical que tanto defrauda no espírito a tendência natural aos melhores conhecimentos. Queremos agir como cristãos e não como vendilhões de templos. Queremos reviver feitos mediúnicos, patentear o Consolador, aprender e ensinar a lição que a Revelação tem por obrigação ministrar. Não queremos mais, em nome do Senhor, negar a VERDADE que ele viveu, traficar com coisas inventadas por homens, difundir paganismos embrutecedores! Chega de atraso! A humanidade só não mais devia comportar organizações clericais, idólatras, embrutecedoras do senso de progressividade. Outro pão, mais forte, outras comidas é do que precisa! E teria ido longe, na exaltação de ânimos, não fora a chegada de Ambrósio, que de papelada em punho, convidava a trabalhar. Cada qual procurou seu rumo, tendo ficado combinado que Moandas e minha mãe, à noite, viriam palestrar conosco. – Não será tão cedo que tenham de voltar à carne... Muitos serviços haveis de prestas ainda, e muita coisa por ver e aprender, antes disso se dar. Porque tereis de ir em função de boa envergadura – disse-nos, ao despedir-se, Moandas.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.