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Capítulo 23 de 28

Jasmim Em Cena

Confissões de Um Padre Morto · Osvaldo Polidoro

Conheceis Jasmim, a médium de cor, pela narrativa intitulada ÀS MARGENS DO MAR MORTO. Também já a citei no curso deste relato que vos trago ao conhecimento. É a preta velha, espírito cândido, serva dócil do Senhor, de quem nos temos valido e feito valer, em circunstâncias deveras prementes. Porque, se verdade é que trabalhamos, que podemos trabalhar, que temos ordens a cumprir, não menos real é que, sem médiuns, sem agentes intermediários, que faríamos? Muita gente dita bem intencionada, a respeito do Espiritismo moral, filosófico ou científico, não está ainda aparelhada para julgar do Espiritismo mecânico, da engrenagem ou da ampliação das engrenagens que ele representa e é. O fator mediunidade é um dos máximos fatores com que temos de lidar. É raro um médium bem médium!... Jasmim foi, pois, no mundo, um médium notável. Pela simplicidade, pela nenhuma significação que a si atribuía, pela renúncia de seu personalismo, pela simplicidade que observava em todos os sentidos da vida. Não estranha, pois, que seja uma estrela cintilante em nossa constelação de astros da espiritualidade. É apenas lei, ou por força de lei, que é assim. Também, não quero dizer se tenha ela emplumado em uma encarnação, a ponto de alçar vôo para tão alto. Honrou a muitas encarnações para conseguir o que tem. Viveu e reviveu no seio de quase todas as raças, religiões e povos. Acompanhou os passos seculares de muitos outonos da humanidade. E quando ganhou a glória mundana de santificar-se, tendo de escolher na plataforma das condições humanas, um lugar de preta humilde, para, com isso, curvando a cerviz pretensiosa e egoísta, alcançar re-equilíbrio e paz de espírito. Dessa serva compenetrada de suas necessidades imperiosas de reestruturação moral, muito nos servimos. Foi a ela que ocorreu a um moço de vosso plano encaminhar-se, quando sentiu-se atacado de perturbações de ordem psíquica. E foi por intermédio de tão devotada amiga da VERDADE, que um de nós lhe falara, mais ou menos nos seguintes termos: – És, irmão, um espírito reencarnado, como todos os daí o são. Acresce, porém, que em virtude das leis de causa e efeito, ou do Carma, cada um carrea o montante de responsabilidade que o define perante si mesmo, nas ordens vibratórias, que são, por sua vez, o tom para efeito de relação interplanos. Logo, por tais leis, ninguém deve abusar do direito de pensar e agir como bem queira, sem ponderar no mérito ou demérito moral dos pensamentos ou dos atos. No seu caso, soubemos de melhores obreiros, há que atender, mais para esse sentido da vida e das responsabilidades. Nasceu sob bons auspícios, para servir no campo do avançamento espiritual da humanidade, em virtude de vantagens interiormente conquistadas. Se agora, porém, quiser dar-se a pensar de modo contrário aos verdadeiros fins da encarnação, muito terá que pensar. Leis, porque virtudes o são, ao invés de o colocarem em contato com os bons servidores da Causa da Verdade, colocá-lo-ão justapostamente ao lado daqueles que pensam e agem de outro modo. Em outras palavras mais simples – terá relações obrigatórias com agentes do plano astral; mas se contrariar o propósito da encarnação, tanto pior para si, porque será forçado a ter tratos com os amigos das trevas. Antes de encarnar pediu por sérios deveres e sagrados compromissos. Não tem o direito de trair a Causa da Verdade. Eis do que deve compenetrar-se.

O moço se foi, inteligente que era, a parafusar mil coisas. Levava, na consciência, perfeito conhecimento do que lhe ia pela esfera de responsabilidades. E tramava por as coisas em ordem, o quanto antes e do melhor modo. E foi notável a reação operada, de ordem psíquica, com influência tal sobre sua aura pessoal, que o vicioso companheiro invisível, imediatamente principiou a sentir-se mal. É interessante o que se passa com as leis vibratórias, ou por causa delas. Uns aos outros, atraem ou afugentam, espontaneamente. As radiações valem por barreiras de tremendo teor magnético! O campo mental, a serviço dos supremos ideais, transforma-se em força que determina os fatores distância e eqüidistância entre os seres. O tom mental determina o aparecimento do radiante, e este seleciona espontaneamente. Quando o moço, portanto, fixou seu poder mental nas coisas da VERDADE, invocando os guias da casa espiritista a que lhe ocorrera procurar, tudo se modificou em sua aura. E por ter de si mesmo dado o justo, demos-lhe um guarda, um defensor, enquanto não nos fosse dado orientar ao seu infeliz perseguidor. Levando ele, para ler, a mais racional prece que conhecemos, que é aquela já inserta em outras mensagens, isso fez. Seu pensamento, sua mente, tornava ao tom ótimo, ao que havia em ele de mais expressivo, pelo que de conquistas havia realizado nas vidas sucessivas. Recuperava-se vibratoriamente. Dias depois, terminado a leitura da prece, adormeceu. E foi então que o transladamos para lugar superior, o quanto podíamos nós e que pudesse ele suportar, para em vendo e ouvindo grandiosas coisas, volver à vida de missionário encarnado, com o propósito de vencer. Porque o plano orientador a ninguém abandona, também não deixa de ser exato que o orientado cultive o melhor sentido de suas obrigações correspondentes. Que lhe fizemos? Fizemo-lo ver, desfilando pelo cristal retrospectivo, a muitos trechos de textos do Evangelho, acompanhados das imagens projetadas em colorido notavelmente deslumbrante. Foi o Evangelho encenado o que lhe mostramos. E por último, quando a figura do Cristo apareceu, nos extremos de pobreza e simplicidade dos últimos dias de Sua vida carnal, foi para dizer-lhe: “Prometi, durante meus dias de peregrinação pela carne, um Consolador aos irmãos em geral. Pairando acima dos angustismos do homem matéria, sua função é unir, por lhe falar a linguagem da mais sublime realidade, que é viver a vida plena, sem divisões, sem egoísmos, sem barreiras levantadas em todos os tempos, em todos os momentos, pela incompreensão. É necessário saber bem sobre as origens, para que em vivendo o plano justo em realizações, possa o espírito deixar a carne, a farda que caracteriza uma obrigação, em condições superiores de ordem científica e moral. Não preguei jamais um céu que pudesse ser conquistado por meio de ziguezagues e malabarismos simbólicos; muito menos ainda, um céu à vista, um céu exterior, um céu sem amor, sem sacrifício dos ímpetos inferiores. O homem não precisa lutar como cego, como aleijão, uma vez querendo dar-se ao conhecimento do Parácleto, do Advogado do Informante prometido e enviado. Luz é o que vive a espargir pelas mentes, doçura é o que vive a esprair pelos continentes da consciência humana, o jorro da História Religiosa do Planeta, no batismo que trouxe então ao mundo, e que se radicou a ele no dia do Pentecostes. Falaram, meus irmãos e amigos, aos homens, a linguagem da vida contínua e triunfante. Maus homens, infelizes inimigos de si mesmos, não

deixaram que uma só palavra ficasse registrada, do que então foi apregoado pelos espíritos emissários. Mas ninguém tirará um só ceitil do relatado, porque em Deus tudo é plenitude e verdade; eis que se repetem, por todos os rincões da terra, os dizeres daquele dia memorável, em que culminei minha mensagem aos irmãos em geral. Não separei em vida carnal, nem o fiz depois, triunfante na realidade. Não separo hoje e jamais separarei, porque minha função é unir; mas unir em Sabedoria e Amor. Todavia, por causa dos que se desviam e fazem por desviar, cumpre sejam enviados à carne espíritos trabalhadores, espíritos que sustentem alto a tocha iluminadora de almas. Sabeis bem, que cada qual admite a VERDADE assim como lhe seja possível, por evolução. E que seria do mundo sem os pregoeiros do Amor, uma vez que sobrem nele os servidores das trevas? Não anelai um céu sem lutas, porque isso não é de meu Evangelho. Acendei para vosoutros, em primeiro lugar, a lâmpada eterna e gloriosa, para depois poderdes falar com autoridade aos irmãos de jornada. Não existe realidade mais bela, nem VERDADE mais digna de respeito, do que aquelas que o ser em si mesmo comporta. É da natureza do homem que se ilumine; mas para isso preciso é que trabalhe, que se esforce. Não vivi uma vida de mistérios, de milagres e nem de favores, como julgam alguns amigos e irmãos, bem intencionados e cultores do bem. Dei provas da verdade simples, que é o poder das virtudes intrínsecas, despertas e postas em função de Amor. Disse-vos e repito, que chegareis a fazer mais do que fiz. Porque usei de poderes latentes tornados patentes. E sendo a lei comum a de evolução, quem vos negaria o justo? Fazei, pois, bom uso de vós mesmos, para que o despertar interno seja lento e seguro; e repetireis os meus feitos, assim como vos disse. Uma é a lei, para todos. Em Nosso Pai não existem divisões, embora as cultivem alguns irmãos menos conscientes. Todavia, é tempo de renovo. Que ninguém se descure desta verdade – é tempo de renovo. Coisas acontecerão, sem dúvida, que virão como vêm a luz do sol ou o clarão das estrelas, contra o que nada pode a vontade humana. Dê-se, pois, o homem, ao entendimento do tempo cíclico-histórico que o Planeta atravessa. Procurando desconhecer, para poder negar, tudo complicará. Negar não é resolver. É preciso conhecer e propor-se ao auxílio do lanço renovador. Eis do que estão encarregados, os emissários da nova era. De mim, hoje como sempre, dada a minha função de orientar e servir, não temei abandono. Não vos abandoneis, porém.” A figura do Mestre, na face de cristal refletida, embora a pobreza da vestimenta, e o fato de estar descalça, revelava imenso potencial em Força- Moral. E a quantos servidores fora dado uma tal visão estimulativa, nenhum perdera mais o rumo, a diretriz mental por observar na vida. Este irmão, pois, volveu ao corpo em estado superior de espiritualização. Acordado, soluçava de contentamento, transportando em si mesmo às penhas de um estado de alma glorioso. Ao dia seguinte, bem cedo, foi contar o ocorrido a Jasmim, a médium de cor. E fizemo-nos ver a ela, falando-lhe no sentido de nada dizer. O moço precisava dar interpretação própria ao caso. E lá se foi, estrada a fora, consciente de que o Senhor a ninguém abandona, servindo sempre a todos, cada um a seu modo, assim como mais convenha aos deveres por executar. E o espírito opressor?

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.