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Capítulo 22 de 28
Na Trilha Bendita
Confissões de Um Padre Morto · Osvaldo Polidoro
Por certo que haveis de indagar sobre aquele cruel perseguidor. É simples de vos por à altura do acontecido. Ele, o perseguidor, julgava-se a cavaleiro, na sua tremenda perturbação. Tinha os sentidos tão atrofiados, que não conseguia entender o que se passava, uma vez que gente de nossa esfera trabalhava para que o encarnado vencesse a sua dura prova, suportando-o por mais um pouco. O perseguidor não via e nem ouvia a quem quer, muito menos se dando do que se passava além de suas toscas vistas, onde seres superiorizados lhe neutralizavam a nefanda atuação, em virtude da fé que o encarnado mantinha ativa, produtiva, pensando cada vez do melhor modo, orando inteligentemente, tomando água fluidificada, assistindo sessões bem orientadas, pondo amor no trato diuturno para com a irmandade humana em geral. E o perseguidor? Foi retirado e conduzido a lugar tremendamente expiatório, onde a ninguém poderia molestar, com a sustentação de seus infernais propósitos. Julgava-se forte? Sim e muito forte, como em geral o fazem os grandes criminosos, que tanto mais fracos são, porque crime nunca será fortaleza. Crime é vibração inferior. Treva, por densa que seja, cede ao império do menor raio de luz. Posto, pelos obreiros do bem, pelos soldados da Justiça Suprema, a penar num abismo onde todas as coisas tristes somadas seriam poucas, muita ocupação teria consigo mesma, para que pudesse vir a pensar em querer infestar o pensamento de alguém, com suas odiosidades detestáveis. E quando se teve cansado de si mesmo, pedindo o amparo superior, sinceramente, gente preposta foi-lhe ao encalço. Eis um pouco de mecanismo da vida, eis a naturalidade da vida que se processa por estas paragens, onde de favor nada se obtém, onde milagres e mistérios nunca houve. Outro caso interessante. Lembro-me de quando era sacerdote, que muitas vezes indagavam-me sobre aqueles espíritos a quem Jesus expelia, e daqueles de que trata Paulo, infestarem os ares. É uma realidade muito grande, muito mais eloqüente do que se possa imaginar ao primeiro lance mental. Como, então, existem paralelamente ao homem tantos espíritos, e tão grande parte da humanidade não é abordada? Dizia serem demônios, fugindo à etimologia, dando guarida à corrupção do termo, pois demônio é palavra grega e quer apenas dizer espírito. Dizia serem espíritos prepostos ao mal e aos infernos, e que só Deus poderia saber o porquê de tantos milhões de seres encarnados não virem de ser atacados. Pois são apenas irmãos em origens, plano e destinos, sendo que podemos saber, porque o quer Deus, que ninguém será fustigado, sem que uma causa superior o determine. O homem não está na terra e Deus no céu, localmente falando; o homem está onde Deus está, que onipresentes são entre si, Deus e o homem. A atmosfera da terra é um burburinho de vida e movimentação de seres encarnados e desencarnados. Enquanto, mais ou menos, uma metade da humanidade dorme, a outra vive acordada. A metade que dorme vagueia, cada qual procurando meios e amizades próprias, ou sendo por eles procurada. Afora isso, há que contar ainda os desencarnados, que se dividem entre elementais, os espíritos que agem na natureza, os espíritos endurecidos e chumbados ao
solo, e os diferentes trabalhadores do bem, sejam os familiares ou prepostos a isso. E ninguém será abordado, sem que motivo justificável haja e determine. Como proceder para evitar as aproximações maléficas? É simples e complexo o problema, ao mesmo tempo. Há quem o seja por via de motivos bem velhos, por causa de atrações que devem ser eliminadas. E há casos diferentes. Existem casos profundamente importantes, em que famílias de espíritos entre si adotam sistemas de interinfluenciação. Cuidam uns dos outros, influindo educativamente, sem que os encarnados o saibam, enquanto estão na terra. Não é permitido pela Suprema Justiça, que se suprima a relativa liberdade e responsabilidade; mas, essa técnica falha, também, como falham outras quaisquer, uma vez que o encarnado tenda para o que não deva, o que muito se dá. De qualquer forma, pois, o ambiente dos encarnados é mais dos desencarnados que os cercam. E não só cumpre que se poupe o homem de certas opressões, como é necessário faça o que possa, pelo progresso de todos. Isso é muito possível, pelo pensar, pelo falar, pelo agir. Os pensamentos humanos povoam os espaços de formas-pensadas, na maior parte grosseiras; é imperioso que isso se modifique, de vez que essas variações perniciosas, constituídas que são de material energético, servem de alimento às falanges menos recomendáveis. Outrotanto se dá com as emanações superiores, sendo que pelas qualidades, estimulam ao bem, constituindo barreira contra propósitos malsãos. É pela aura pessoal que o encarnado atrai ou repele a agentes tais e tais do mundo invisível. Cumpre a cada um que tenha em boa guarda sua própria residência. Que se revista de luz, de radiações poderosas. Um trabalho que fomos executar, junto de irmão encarnado recéminfluenciado por maldoso agente de nosso lado, faz-nos compreender o que pode o bom pensamento.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.