[user_registration_my_account]
Capítulo 4 de 28
O Sagrado Livro Da Vida
Confissões de Um Padre Morto · Osvaldo Polidoro
Nos livros dos homens estão incisos os erros e os acertos inerentes aos homens; no SAGRADO LIVRO DA VIDA estão as marcas do próprio Deus. Onde haja natureza há expressão de lei ordenante. E o homem pode estudar e ficar sabendo coisas que muito lhe valerão. Porque as leis naturais, por ínfimas que sejam em grau de expoença, dizem respeito à Harmonia do Todo. Isso mesmo não se dá com o que é de feitura humana, em virtude de o homem só poder agir por força de concepção pessoal, concepção que, muitas vezes, envereda aos abismos. Quando acordei, pois, a primeira coisa que fiz foi sondar na biblioteca uma obra que me interessasse. E vi uma cujo título era: “O MONISMO DIVINO E O HOMEM”. Era um livrinho pequenino, coisa de umas cento e vinte páginas, apenas. E em o tendo folheado às pressas, notei-lhe sentenças fortes, afirmando sempre e não cogitando jamais. Nada de argumentação hipotética; tudo cabalmente afirmado. O que salientava era a necessidade de aprofundagem na matéria, invasão pelos seus campos infindos de ser. Convidava ao saber mais, para mais poder saber, para em mais sabendo tanto mais poder ser útil. Uma sentença dizia: “Todo homem tem em si o céu e o caminho que a ele conduz.” Outra sentença dizia: “Compreender isso, e fazer com que os semelhantes disso tenham conhecimento, e fazer que pelo caminho invadam o próprio céu, eis a Religião.” Ainda dizia uma outra: “O mal das Religiões é distanciar o homem de Deus e do céu interno, para que os seus padres se locupletem.” Perdido no meio de um largo comentário, eis um trecho interessante a que pude ler: “O espírito individualizado é uma força da natureza; a natureza é a parte manifesta de Deus. Logo, por natureza somos manifestação divina e portadores de sagrados dotes íntimos. Como patentear tais dotes? Como despertar tais dons para i-los gozando? Não há outro recurso sem ser o culto mais intensivo das virtudes cristãs. E Jesus Cristo não perdeu tempo com a feitura de atos superficiais, tendo-se antes dedicado ao trabalho de ser útil, humanamente bom, plantando-se ao lado dos chaguentos, dos coxos, dos leprosos, dos cegos, dos comprimidos por espíritos sofredores, dos perseguidos pelos mandões do mundo. O Cristo não acenou jamais a um céu que fosse conquistável por meio de baboseiras formais, de bajulagens rendosas. Para o Cristo, pois, o caminho do céu foi o culto do mais sadio humanismo. Não distraiu a quem quer com idolatrias estultas, com pseudos atos salvacionistas. Sua vida inteira foi um modelo de fidelidade às pungentes necessidades da alma humana. Não foi dizer aos órfãos e às viúvas, ou a qualquer outro sofrido do mundo, que comprando sacramentos ganhariam o céu ou remediariam a situação; o que fez foi dizer que a vitória estava era no conhecimento da VERDADE, pois tudo se dá e passa por questão de CAUSA E EFEITO. Explicava com lógica irrefutável e servia como irmão, metendo a mão nas chagas humanas. No entanto, em nome do Cristo, que fazem os donos de credos? Falam no Cristo, inventam escapulários, vivem à custa da fé do próximo, metendo a mão no suor dos irmãos. E que diremos da
Revelação, da pedra sobre a qual edificou o Senhor o arcabouço doutrinário? Essa foi banida, do quarto século em diante, quando o catolicismo se organizou sob o pálio de Constantino, para que o culto do paganismo pudesse ter curso livre e os seus padres mercado franco. Onde está, em tal Igreja, o culto daqueles dons mediúnicos de que Paulo faz fulgurante comentário, no capítulo doze de sua primeira carta aos Coríntios? E o sistema de reunião, para culto desses dons intermediários, exposto dois capítulos adiante? E que direitos tinham para truncarem assim a doutrina do Cristo em seu curso de espiritualização da humanidade?” Pouco adiante, lia-se também: “Nunca, porém, a treva venceria a luz. A VERDADE jamais seria banida eternamente pela mentira. E o Senhor ordena, no presente, que os seus mensageiros falem aos homens pelo conduto mediúnico, por aqueles dons e processo de reunião citados por Paulo. Para tanto, preposto espírito encarnou, arrastando em após de si legiões de amigos e servos do BEM. Com as suas instruções e o trabalho das legiões do Senhor, a VERDADE revolve ao mundo mental humano, preparando-o para os dias que hão de vir.” Abaixo se lia, ainda: “É sabido que nos céus inferiores da terra, o número elevadíssimo de humanidades palmilha sendas de ignorantismo e dores sem conta. Do mesmo modo, sabe-se que só pelo conhecimento da VERDADE se obterá a libertação de tais irmãos. Compenetrado, pois, do imenso cabedal de recursos que o mediunismo significa, apela o Senhor, pelos Seus arautos, à boa vontade de quantos queiram formar na coluna dos apóstolos da renovação humana. Sem saber do melhor ninguém é mais responsável. É preciso o conhecimento para que a responsabilidade surja espontaneamente. E a finalidade do Consolador restaurado é essa. Fazer conhecer para tornar responsável, e tornar responsável, para que das obras repontem os gozos pela cooperação no serviço de ascensão das almas irmãs.” Rematava o livro estas linhas: “Nenhum ato, pois, é mais religioso do que aquele que deriva de informar aos semelhantes sobre sua divinal origem e gloriosa finalidade, incutindo sempre que é dos recursos internos que a glória deve levantar-se. Todo e qualquer ato dito ou tido como religioso, desde que afastando o espírito de si mesmo, de seus deveres de humanidade, para lembrar-lhe obrigações de ordem externa, formais e idólatras, constitui suborno ao espírito do Evangelho, à Doutrina do Cristo.” Ao por, portanto, os pés para fora da porta, fí-lo advertido sobre questão altamente séria. No fundo, porém, dizia a mim mesmo que havia herdado longos anos de peregrinação pelos sulcos angustos do plano astral, à custa de que, senão do que havia feito e ensinado no mundo? De duas uma – ou os meus feitos eram falhos perante a VERDADE ou a Divina Justiça é que falhava. E não tive dúvidas em optar pelo mais justo.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.