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Capítulo 21 de 28

Ao Rés Da Crosta

Confissões de Um Padre Morto · Osvaldo Polidoro

As estultices formais, os supersticiosismos, a crença nos cabalismos, o culto da idolatria, campeiam no plano astral, nas zonas inferiores da vida errática, nos círculos comprimidos pela involução, com muito mais ardor, muito mais sofregamente do que possa parecer ao estudioso superficial das coisas deste lado do véu. E não sei, dada a tremenda radicação do idolatrismo nos recessos concepcionais humanos, até quando isso perdurará. Regiões existem, como já tivemos oportunidade de cogitar, por as termos ido sondar de perto, onde a Religião ainda espera tudo de um religiosismo o mais tredo, o mais rampeiro, o mais caladamente vicioso. Não é possível dar passe de mágica! Mas, para quem se compenetra da necessidade de elaboração interna, para que a luz se faça, e vê e sabe de trilhões de seres que as aplicam em fanatismos doentios o quão supersticiosos e idólatras, a idéia que afronta à mente é a de recorrer a algum possível gesto dessa ordem. E é porque o atraso causa pavor! Quem conhece o que se passa num terreiro, onde o candomblé campeia solto, ou nas macumbas onde os amuletos fazem mais que tudo, ou nas baixezas onde pinga e fumo, pólvora e quejandos outros do mesmo teor se fazem primícias, para que repelentes seres se dêem a pintar nojeiras, por intermédio de faculdades que deveriam ser antes de tudo respeitadas, não faz idéia sequer, do que ocorre por estes planos, de onde surgem os elementos que formam nas dianteiras de tais engodos, daqueles que aí se ocultam por detrás das barreiras que a carne representa, cerceando o melhor alcance dos sentidos. Temos de tudo e de todas as marcas. E dá o que pensar a reforma intelecto-moral do mundo! Quando será a Terra, amigos, um mundo onde não haja dessas imundícies, nem nos quadros da carne, nem nos painéis do aquém túmulo? Difícil, muito difícil é emitir uma opinião. No entanto, para isso é que se trabalha. Reclamam de nós EDUCAÇÃO; e sem ela nada se poderá fazer. Ela é, no entanto, fator que deve começar a ser cuidado nos círculos carnais. Educar em todos os sentidos, para que não venham para cá, mais torvos do que até aqui têm vindo, todos os dias, às dezenas de milhares! Sabeis que deixam a carne, por dia, mais de cem mil irmãos, e que desses, limitadíssimo quociente o faz em condições respeitáveis? Uns são fanáticos pela letra dos textos; outros pelas bugigangas compradas aos cleros; outros pelos negativismos em geral; outros porque decididamente procuraram contatos com os representantes das trevas; outros porque, embora bem intencionados, tangidos pelos decretos de homens, abandonaram o culto da DIVINA PRESENÇA, afastando-se de Deus, cavando em si mesmos profunda vala. Porque tendes de compreender, que o culto de um Deus antropomórfico, exterior, já é falha notável na organização psíquica, já é caminho franco para as idolatrias as mais repelentes. É por essa brecha que entram e fazem morada no caráter do homem, quer as parvalhadas clericais, quer os vícios negregandos, quer as insinuações de agentes maléficos dos baixios astrais. Onde o homem em si não respeita a condição de templo divino, aí mesmo penetra e se radica, a tiririca daninha. O olho interno, como o proclamava o Cristo, deve estar sempre aceso em suas luzes básicas. Que pense para longe o homem, que transmita suas ondas mentais para os confins das gamas etéreas do Planeta, quando pretenda dirigir-se a um irmão qualquer;

mas que se sinta templo de DEUS ESPÍRITO E VERDADE, quando tenha de pensar em Deus! E é mil vezes mais decente, que viva em ESTADO DE PRECE, pelo perene sentir em si a SOBERANIA DIVINA, e o culto do AMOR, do que andar repetindo fórmulas viciadas, cabalísticas, supersticiosas, intelectualmente idólatras! As emissões mentais, que são ondas de força transcendente, não devem ser feitas sob o pálio nefando de supersticiosidade alguma. Sendo Deus presente, a válvula progressiva a reencarnação, os instrumentos de progresso o culto do AMOR e da CIÊNCIA, a Religião com “R” maiúsculo é FRATERNIDADE ESCLARECIDA! E é isso o de que precisamos, para saneamento dos baixios carnais e astrais. Só com esse material é que conseguiremos transfundir a lameira que enfeia o nosso belo mundinho, pois que ele é maravilhoso em dádivas. O Senhor nos conferiu três qualidades fundamentais – individualidade, valores divinos em potencial e direito de iniciativa própria. Cumpre-nos, pois, alertar-nos e a quantos possamos, nesse sentido. Não durmamos, que a força tremendamente coerciva dos movimentos cíclicos, está a nos bater às portas d’alma, bradando por renovo inadiável. É hora de tresmalho ou de reunir! De duas uma, para milhões de milhões de seres. A lei migratória é lei como outra qualquer; comporta em si tudo para executar o que lhe compete. Todavia, poupar a milhões o desprazer de romagem por mundos onde a civilização é ultraembrionária, constitui ação digna. Nem foi para menos do que isso, que muitos enfrentaram cruzes de variantes tons e modalidades. Saibamos, pois, honrar a tais instrutores, começando por nos respeitar como a emanações divinais, onde a DIVINA PRESENÇA deve ser, sempre e para todos os efeitos, a LUZ PERENE, na conscientização de nossa personalidade. O sentido lato de Religião é religação consciente, é entrosamento perene, é movimentação sintonizada, é participação franca na obra universal. Ninguém será jamais religioso, sem que tome em si a consciência de que é cooperador na ordem manifesta, que é ao que se diz Criação. O Cristo veio à carne para ensinar que o PAI está no FILHO; isto é, o CRIADOR na CRIAÇÃO e vice-versa. Veio para ensinar, do alto de Sua Cátedra, a lição sublime do DIVINO MONISMO, contra a qual rocha viva se hão de rebentar, mais cedo ou mais tarde, todos os ídolos do mundo, espirituais, morais, mentais, intelectuais ou materiais! Confrontem, pois, amigos, a essa doutrina, com tudo ou quase tudo que campeia pelo mundo, dando-se a chamar religião. Passem para esta banda da vida e mergulhem vossos ideais de espiritualidade pura, pelos antros abismais, pelo corre-corre de milhões de vagamundos desencarnados, que ao lado dos encarnados rondam, em adejos malsãos, a tudo quanto é inferior! E sem Jeremiadas, de fronte erguida, respondam, se isso haveria, se tivessem cultivado esses escalões das trevas, ao que Jesus-Cristo ensinara, desde que ao mundo enviara emissários, desde os Vedas, os Budas, os Krisnas, os Ramas, os Hermes, os Zoroastros, etc. Porque tais reveladores da VERDADE, sempre o fizerem à luz do mediunismo melhor cultivado; e se quereis duvidar desses arautos do Diretor Planetário, contemplai de vosso próprio palanque experimentado, o arcabouço que Ele mesmo levantou no mundo, à base de contato entre os dois planos da vida, pelo mediunismo mais santamente posto a funcionar.

Eis do que vos falo, eu que fiz da fé um meio de vida; eis do que trato, ao poder confabular convosco, por sentir muito o tempo perdido, o tempo empregado em propagar o desvirtuamento do Cristianismo! Voltai, pois, para aquele sublime mecanismo de que é modelo inatacável o feito do Pentecostes. E tomai por medida a lição de Paulo, nos capítulos doze, treze e quatorze de sua Primeira Epístola aos Coríntios. Enveredai depois pelos séculos, e defrontareis com a restauração apresentada, à custa de missionários do estofo de Joana D’arc, Wicliff, Huss, Lutero, Giordano Bruno, Kardec, etc.; e compreendereis a lição sublime, que bem ensina não vir o reino do céu com mostras exteriores, mas pelos canais humanos, em esforços pela conquista das virtudes internas, da iluminação pessoal. Quando, portanto, Ambrósio abordou a um irmão que vinha atormentando a um encarnado, de maneira ultra-perversa, este lhe dissera, procurando no crime a razão da desforra: – Eu sei que sou um desencarnado. Sei também que já fui doutrinado numa sessão de Espiritismo. Sei que sou responsável pelo que faço; mas quero vingarme, quero metê-lo num hospício! Quero torná-lo um perdido, quem sabe um assassino, assim mesmo como ele fez comigo, vai para mais de duzentos e cinqüenta anos! Eis a lógica da falta de educação, no sentido correto da expressão. Este espírito estava perdendo, já, a sua forma anatômica humana, ingressando, pelo revolvimento, nas gamas inferiores da animalidade, a começar pelos pés e pelas mãos, que se apresentavam com garras e peludos ao extremo, como se fossem os de um urso ou os de um leopardo. Ele estava fazendo que o outro purgasse, enquanto que ele mesmo chafurdava em abismos em si cavados! Os abismos e os gloriosos planos existem! Tais abismos como não podemos descrever, tais gloriosos planos como nem ainda podemos conceber! Mas há uma ponte ou uma escada que alguma coisa facilite passar de um pólo a outro? Esse móvel seria espiritual, moral, mental, intelectual, material? Existe, sim, o fator esse. Será da essência que bem quisermos. Em compreensão e amor, boa vontade e trabalho, renúncia, perdão, tolerância, etc., quem se der a sair da treva, do abismo de si mesmo, que é quem o projeta aos abismos exteriores, por certo que sairá. A escada é feita de degraus, chamandose cada um deles reencarnação, programa redentor, eficiência, fé, renúncia, etc. Mas, para de tais virtudes usar, de que precisa o espírito? De educação! Eis, pois, que vos imploro, ó irmãos que tendes nas mãos a orientação das legiões humanas! Que faciliteis aprendizados sérios, que indiqueis santos caminhos às almas! Que lhes mostreis a seara interna, fora da qual toda e qualquer semeadura será perder tempo e esforços! E lembrar-vos-ei, com acuidade paternal, o cuidado que deveis sustentar, dentro dos círculos consoladores, nos arraiais espiritistas, para com os inimigos do melhor conhecimento. Cuidado com aqueles, encarnados ou desencarnados, que vos convidam ao afastamento das obras instrutivas, dos livros que possam vos por a par dos mais racionais princípios. Estes tais, bem o sabemos, ou comportam em si nefandos lastros peçonhetos do passado, ou temem por algum falso mestrismo de que se julgam senhores. E não sejais conhecedores de uma doutrina e nem de meia dúzia de pontos doutrinários; buscai o conhecimento de muitas coisas e sede leitores de muitos livros. Sei o que fiz no mundo, enclausurando mentes e retardando conquistas sublimes. Cuidado com os que

se julgam donos de credos e da própria VERDADE! Escancarai a mente para o complexo das manifestações divinais. A igreja de Deus é toda a Sua manifestação, é aquilo tudo a que chamais Criação, e do que não podeis falar com perfeito conhecimento de causa, porque sois mínimos em alcance mental, porque a visão do macrocosmo vos é por demais limitada. Procurai ter olhos de ver, mente de entender, sentimento elevado para poder sentir. Se de fato viveis com amor, com inteligência, quem poderá contra vós? Não existe o diabo, sem ser como viciosidade humana! Se vos libertardes no interior, quem poderá convosco no exterior? Hão de poder contra a carne; mas o agente moral, que sois vós, permanecerá incólume!

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.