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Capítulo 8 de 26
Parte 8 de 26
Atendimento a Desencarnados · Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel
Quando a atendente o convida a estudar os efeitos dessas ações, ele se assusta pois não quer se enfrentar. A atendente o tranquiliza e desperta-lhe a curiosidade ao falar que estudariam o fato... quando diz que precisa pensar, não insiste; dá tempo e oferece-lhe inclusive a hospedagem para que possa pensar melhor. -43- O Espirito apresenta-se incomodado, torcendo as mãos, abrindo-as e fechando. - Está preocupado?... desconfortável?... - E um misto de tudo... eu odeio... odeio... odeio... e não quero perdoar, mas, tive conhecimento de fatos... que me colocam nessa indecisão... - Esses fatos não foram bons para o senhor? - Veja... tiraram os guardas e deixaram-me entrar... Fiquei lá uma semana e pude ver, sentir que ele a ama de verdade... —E isso foi ruim para o senhor? -Eu o odeio, entenda, odeio... elefoi carrasco com ela... aprontou de tudo e ela era linda, minhafilhinha linda e agora, dentro desse ódio, constatei que ele a ama sem nenhum interesse, é amor, amor de verdade, como o meu de pai... - E dentro dessas constatações... - O que é mais duro... ela é um vegetalzinho... não pensa... não fala... está deste tamanho assim e ele cuida, ele não deixa faltar nada, ele a ama, ama de verdade, a senhora entende? - Entendo, senhor. Entendo o mundo de,emoções contraditórias que o senhor está vivendo.
Ajudaria, se por acaso, o senhor tivesse conhecimento dos vínculos que unem vocês três? 0 senhor gostaria de conhecer mais? - Sim, claro... gostaria muito... aliás preciso de ajuda... não dá mais para viver nesse dilema que não sei resolver... E possível, isso? - Aí estão os amigos que ficarão com o senhor. Vá em paz... Análise Um caso complexo que, se a atendente tivesse sido curiosa, querendo conhecer detalhes da trama, estenderia e correria o risco de não chegar a bom termo. Voltando-se totalmente para o senhor, ouviu, não procurou resolver nada, convidando-o a conhecer o porque, onde ou que espécie de ligação une os três. - 44 - Espirito imponente na postura, empertigado, olhando, examinando tudo.
— Precisa ou procura algo? Agressivo responde: — Não preciso nem quero nada. Não vê: sou um justiceiro; defendo o que é certo. — Exatamente o que o senhor faz? — Cobro de quem faz o mal.
Se uma pessoa faz alguma coisa que considero má, vou até ela, cobro e puno. Ensino com a mesma moeda. -Antes do senhor se tomar justiceiro, o senhor nunca errou? —Ah! Errei, errei muitas vezes. — E o senhor gostaria que alguém o punisse?
— Claro que não. Não gostaria; tive sorte: não havia ninguém para cobrar-me. — Sabe, senhor, todos nós cometemos atitudes menos dignas, erramos e a nossa consciência avalia, deixa claro para cada um o que é certo ou não. O Espírito, que até então respondia de forma agressiva, pareceu acalmar-se, meio sonolento. Ainda assim, continuou: —Há muitos bandidos, muita gente cometendo crimes e essa consciência de que a senhora fala, não os incomoda.
—Cada um tem um momento... o década um deles chegará e despertarão, queiram ou não, para analisar o que fazem. — A senhora acha que estou errado em ser justiceiro? Não tenho como errar; estou corrigindo o mal nas pessoas... —Sinceramente... o que o senhor acha? — Estou com sono... acho que não quero mais falar...
—Tudo bem. Convido-o a que descanse. O companheiro que se aproxima pode levá-lo a seu quarto; depois, se quiser, continuaremos nossa conversa. O senhor aceita? -Aceito sim e pela atitude da senhora estou percebendo que na forma como ajo há algum mal que não percebi... acho que não e só o sentimento de justiça... sinto prazer em cobrar pessoas... - Vamos deixar isso para depois quando o senhor estiver descansado. Vá em paz.
Análise A atendente podería ter comprometido o desenrolar do encontro se entrasse, por exemplo, a perguntar-lhe - o que é certo? Em que o senhor se baseia para julgar um ato como bom ou não? etc. etc. Deixou que a conversa fluísse, virando o rumo do diálogo para ele - o senhor nunca errou? - Conforme as afirmações que fazia, principalmente quando abordou a consciência, o Espírito começou a perceber que nele despertava uma avaliação, antes desconhecida e que vai culminar no ponto em que ele reconhece que não só punia para ensinar o bem, mas sim, que sentia prazer nisso. Durante toda a entrevista, desenvolveu-se a simplicidade de atender ao que o Espírito manifestava e não à pregação, por exemplo, sobre bem e mal, justiça etc. etc. -45- Penso que a senhora está a perder seu tempo. Já participei de outras reuniões... em todas elas me falaram que devo perdoar, perdoar... mas, não consigo, ou melhor, não quero... não vou deixá-los em paz... esquecer tudo... ninguém muda assim... -Concordo plenamente... nada muda de repente... não irei pedir ao senhor que os abandone e esqueça... - Interessante... e o que a senhora pensa em falar? - Apenas exteriorizar pensamentos de busca de paz, felicidade... eles jamais serão consequências de ódios... estes vitalizam e perpetuam dor...
—A senhora explica bem — vou dizer-lhe quem sou: sou um religioso enganado; cai nas armadilhas preparadas pelos próprios companheiros de fé. Acabei trancafiado em calabouço destinado aos hereges. A partir desse momento ou ao me dar conta do acontecido, rompi com a fé, detesto qualquer explicação que represente um templo e ao alcançá-los busco vingar-me... - O senhor se lembra quando estudava Jesus... as traições, os abandonos que sofreu... no entanto, continua até hoje à frente do Evangelho... É a Ele que devemos nos vincular. Os outros, as pessoas, muitos companheiros são falíveis.
Só em Jesus, nos seus ensinamentos é que encontraremos paz. Silencia... parece pensar... —A senhora pode ter razão... mas, olhe, veja... está aqui, um companheiro que também foi enganado por eles... mas ele não está igual a mim... está bem, alegre... Senhora, ele me reconheceu e me chama. Posso acompanhá-lo?
Análise Se a alcndente tivesse insistido na necessidade do perdão, certamente aconteceria o que houve das outras vezes em que foi trazido. Concordando que é impossível mudança brusca, captou a atenção do Espírito, que de alguma forma se sentiu apoiado. E ele questiona: “então do que a senhora vai falar”?? Prudentemente ela o faz, expondo seu coração, como se falasse para si. Cria isso para ele, um clima, como que de confiança no qual se dispõe a falar de si.
Delicadamente fala-lhe de Jesus como único modelo sem acusar os homens que haviam, segundo ele, destruído sua fé. Toda essa firme delicadeza Ieva-o a pensar e culmina quando vê alguém que com ele estivera preso, mas que se apresenta diferente do estado em que ele se detém. -46- O Espírito chega grunhindo... mão torta, caída como se estivesse quebrada... investe, faz menção de avançar como se quisesse morder. Permanece assim por algum tempo, após o que a atendente inicia o diálogo: - Não precisa investir... não vamos machucá-lo... — Capeta... sai daqui, capeta... Estou com a pata quebrada mas sou um cão feroz e vou sim em cima de você...
A atendente não se atemoriza e com carinho, pausadamente, mas firme, diz-lhe: —Ninguém vai maltratá-lo... todos queremos auxiliá-lo, ajudá-lo... chega de sofrer... — Tenho medo... quando os outros me pegarem, outra vez, vão apertar minha cabeça, colocar espinhos nela, bater, colocar-me no escuro... tenho medo... medo... A atendente volta a acalmá-lo... -Aqui eles não o acharão. Olhe quantas pessoas estão à sua volta. Dê-me sua mão... olhe o rosto de cada um... sinta se eles querem machucá-lo...
Aos poucos vai se acalmando. Chora baixinho dizendo: — Me ajudem... - Eles vão levá-lo ao quarto para que descanse... confie... - Não tenho mais forças... a senhora segura minha mão até que eu durma? -Fique tranquilo... durma em paz... Análise Não houve em nenhum momento, a ideia de convencê-lo de que não era um animal, mesmo porque ele se sentia como um, ele “era” um. A atendente percebe a intensidade da dor, exteriorizada na agressão e, com carinho, faz com que ele sinta que será acolhido e ajudado. Estabelecida essa impressão tudo o mais prossegue tranquilamente. -47- O Espírito apresenta-se duro, hirto, não se mexe.
Movimenta só os olhos. - Estou a seu lado para ver do que precisa. - Quero morrer... estou paralisado... consigo mexer só a ponta dos dedos da mão esquerda... para que viver assim... preciso, quero morrer... —O senhor... - Não, não venha me falar de religião. 0 atendente, sentindo sua dor, decepção, envolve-o carinhosamente. - Como dizia, o senhor está sendo cuidado. Observe... olhe ao seu redor... note os cuidados que recebe. Há silêncio no qual parece estar atento à movimentação dos amigos espirituais. - Senhor, ouça-me... devagar... procure mexer esta mão._ tente... devagar... isso... agora, a outra... lentamente, a cabeça... olhe para mim... isso... sinta seus pés... Cada situação desta é proposta com segurança, firmezae certeza, lentamente, dando tempo ao Espírito para acionar sua mente.
Todos os movimentos são executados com grande dificuldade. Após algum tempo, o atendente pergunta: - Então, sente alguma melhora? -Não sei como explicar, mas sinto que estou começando a sair da paralisia... - Está sim, senhor. Os tratamentos vão prosseguir e logo seus movimentos voltarão. Tenha certeza disso. — Obrigado, vou prosseguir, fazer o tratamento, tudo o que eles mandarem.
Obrigado. Atendimento A Desencarnados Análise Encontramos um senhor que deseja morrer e que não admite que se fale em religião. Sua dor concentra-se no fato de não poder se movimentar. O atendente capta que essa é sua necessidade - desconsidera as outras duas colocações - morte e religião. Se as tivesse abordado, haveria discussão, revolta e não atenderia ao objetivo.
Desperta-o sim, para que observe o trabalho que se realiza ao seu redor, nele. Adentra ao campo mental com exercícios, paciência, levando-o a sentir que era possível sentir-se novamente. Daí para frente tudo caminha para seu restabelecimento. -48- 0 Espírito está inquieto. Dá-lhe a impressão de que nãose localiza. Aatendente tranquiliza-o: —Não se aflija... está entre amigos... ninguém aqui vai lhe fazer mal...
Precisa de alguma coisa? - Não. Não preciso de nada... acompanhava algumas pessoas e de repente, sumiram... parece-me que entraram aqui... não sei... - Essas pessoas são conhecidos, familiares? - Não, não... são uns malandros que me enganaram... Quando descobri isso, procurei, achei-os e vivo ao lado deles. Envolvo-os e perturbo mesmo... - O engano delas em relação ao senhor... — Isso mesmo... nada daquilo que me ensinaram aconteceu...
Estou até hoje esperando o julgamento... - Mas senhor, veja... - Preciso ficar com eles para que mudem, parem de ensinar coisas erradas. Cadê Deus? Cadê Jesus? Onde estão que não me ajudam, nem ligam pra mim... mentiras... só mentiras... Quer saber... estou cansado... muito cansado... - E nós estamos aqui, justamente para auxiliá-lo.
Sua decepção é justa, mas precisamos ir além, avançar para entendere solucionar dificuldades, enganos, mal-entendidos... O senhor já pensou, por exemplo, que há possibilidade de que aqueles que lhe ensinaram não tinham intenção de enganá-lo, que aquilo era a verdade para eles? —A senhora quer dizer que eles também estão enganados sem perceber? - Não sei... mas é possível... Se o senhor quiser conhecer mais a respeito, refletir sobre possíveis equívocos com ou sem má fé, eu o convido a ficar com estes amigos que lhe apresento agora. —Sim, sim senhor... gostaria muito... e voltando-se para aatendente: - Desejo a companhia da senhora.
Sinto-me mais seguro. - Minha presença não se faz necessária. Esta senhora da equipe se encarregará de tudo quanto precisar. Tenha confiança. Vá com eles. Análise Ao colocar que procurava pessoas, isto não se constituía como necessidade achá-las, daí porque a atendente não se ateve em querer saber quem eram etc. etc.
Por trás da procura, havia um motivo e este é que se devería buscar, fazer vir à luz. Quando expõe esses porquês, ficou tranq Qilo para a atendente oferecer encaminhamento para posteriores entendimentos. Ao pedir que a atendente o acompanhe, pois sentia nesta sinceridade e possibilidade de ajuda, prudentemente, fala-lhe que seu trabalho se encerrava ali e que dali para frente, outros mais competentes é que se ocupariam dele. Apresenta-lhe uma senhora, no intuito de que ele transfira a ela, o vínculo estabelecido com a atendente. -49- O Espírito apresenta-se inquieto, fala sem cessar, repete, repete: - Sair daqui... sair daqui... ninguém, ninguém vai me tirar daqui... sai... sai... preciso achar o assassino... esse lugar é meu... não foi aqui que ele me matou?... então, o lugar é meu... você não tem o direito de me tirar daqui... ah! ah! ah! ela... ela precisa me ver... precisa ser assassinada também... quero vingança... toda justiça será feita... - O senhor tem razão... toda justiça será feita... - Que... quem é você... quem te deu o direito de falar comigo... - É que estamos sabendo dessa sua sede de justiça e viemos convidá-lo a estudar esse caso com uma equipe competente a fim de que realmente se faça justiça... —A equipe são essas pessoas com esses livros nas mãos?... - Sim, são elas... -Olhe... aqueleali, aquele livro traz o nome dela...
Quem sim, quero ir com eles... mas... estou sentindo sono... sono... - É natural... durma primeiro. Descansado o senhor terá mais condições para participar... durma... Análise O atendente ouve... dá tempo para o Espírito revelar seu estado íntimo, sua confusão mental e não deixa perder o gancho que o próprio Espírito fornece - a sede de justiça. Ao falar que ele tem razão e que a justiça sempre acontece, tira-o da fixação mental, possibilitando campo para que o encaminhamento seja feito. Quando os amigos espirituais mostram o livro com o nome dela, fecha-se o atendimento do lado dos encarnados. -50- O Espírito se apresenta rindo, com descaso, critica, debocha para em seguida dizer: -Já vai começar a ladainha, quer ver?
E a mesma coisa sempre... o mesmo chavão... não podeficar lá... sai de lá... Estou cansado de saber... já estive aqui outras vezes... - E hoje não pode ser diferente? -Diferente... qual nada... ofatoé o mesmo—não quero sair de lá - estou muito bem onde estou. Sinto-me bem. Você já ouviu falar em prazer?... Pois é isso que tenho lá... tenho tudo oquequero...
Digo-lhe mais... ela também se sente muito bem- faço bem a ela... Toda vez que o atendente ameaçava intervir, ele não dava chance, falando, falando, até que em determinado instante o atendente firmemente lhe diz: - Escutei-o até agora e são justas suas alegações... O Espírito como que leva um choque: —O quê? Você me dá razão? Não me obriga a sair de lá? - Não.
Só peço que me escute um pouquinho. Não precisa nem me responder, caso não queira. I — Escuto... escuto sim... pode falar... O atendente fala de prazeres que se perpetuam, que não são efêmeros, cujas energias e vibrações acompanham o ser... da saúde que acarreta... a paz... a amizade... a confiança... os valores morais que identificam um homem... o ambiente bom que gera, etc... - Se tudo isso acontece e presunto que este ambiente em que estamos, pelo que você diz, seja bom, por que me sinto mal? - Você está recebendo tratamento... está havendo, como que trocas energéticas. Há uma grande equipe aqui, que se interessa por você, deseja vê-lo melhor e procurando fazer tudo quanto possa ser do seu interesse... - Estou tão fraco... sem forcas... com sono... cansado... cansado...
Vamos fazer assim: vou ficar aqui porque desejo ver aquilo que é do meu interesse. Tudo bem? -Tudo. Tudo bem. Fique em paz. Análise Com um Espírito que se apresenta nessas condições, praticamentc é impossível estabelecer diálogo.
Deixá-lo falar, exprimir suas queixas e revoltas é um meio para avaliar o estado íntimo, mental em que se detém. Quando o atendente sente que ele vai recomeçar, firmemente entra. Neste caso o choque, ou o que fez o Espirito parar foi a afirmação do atendente de que as alegações dele eram justas. Enquanto o atendente falava dos verdadeiros prazeres, ele, sem o perceber, era tratado. Daí a pergunta - “se o ambiente é bom, por que me sinto mal?” Esclarecido, em outro ponto ele se fixa - oportunidade de entender aquilo que fosse do seu interesse, o que o atendente lhe assegura desejando-lhe paz. -51 - - Não pensem. ..não pensem que ela vaificar aqui para sempre...
Se está aqui épela interferência de vocês... Ao menor vacilo, levo-a de volta... -A permanência dela ao lado do senhor, pela sua aparência, não lhe foi agradável! O senhor já se olhou? - Isso não importa. Ela me fez sofrer muito. - Mas não é por isso que o senhor precisa continuar nessa dor. - Você vem agora querendo me ajudar. Por que não o fez antes, quando ela fez o que fez?
Agora não estou a fim. Meu prazer é vê-la pisar com os pés descalços nos espinhos que ela mesma plantou. - Não podemos e não temos a intenção de afastá-lo de quem quer que seja ou demovê-lo de suas intenções. A única coisa que podemos oferecer-lhe são fatos, arquivos que possam ajudá- lo a entender melhor todo esse processo doloroso. ~E possível isso? —Sim. - Muitas vezes já me perguntei - por quê? Por quê?
Quem é ela, quem sou eu? Interessa-me sua proposta. - Ótimo. Depois dessa busca é possível que o senhor se permita novas escolhas, que possa, enfim, ser feliz. - Gostaria de ficar... mesmo porque, nem que seja por algum tempo, preciso deixar um pouco essa situação... Estou cansado... Diga-me, para onde devo ir? - Fique conosco.
Análise Um Espírito que chegou desafiador e irritado, pela tranquilidade e objetividade do atendente, acalmou-se possibilitando o diálogo. Em nenhum momento recebeu acusações ou conselhos de que deveria fazer isso ou aquilo. Centrou sua conversa, as perguntas nele, nos interesses comuns a toda pessoa que, mesmo sentindo-se injustiçada, questiona-se sobre os porquês. Em nenhum momento, a conversa abordou a moça, querendo saber quem era; o que ela havia feito; qual a relação de ambos. Ele foi trazido; ele é o necessitado em momento próprio para despertar, momento este que dependerá da sensibilidade do atendente. -52- O Espírito se apresenta demonstrando desconforto, como que se ajeitando na cadeira. - Que sensação estranha... -O que se passa? - Não sei.
Sinto-me contido, confuso... - Procure olhar-se... aos poucos as ideias irão voltando... - Parece... parece que estou acordando de um longo sono... -Justamente... as ideias vão se aclarar. Silêncio e depois: -Ainda não entendo bem o que está acontecendo, mas lembro vagamente: - estava na igreja rezando por causa de alguns acontecimentos internos, que não posso lhe contar, quando senti uma pancada na cabeça... É... é isso... dói... veja o buraco... - O doutor já está conosco. Deixe que ele o ajude... -Sim, sim... mas veja... está aqui também o médico que nos servia lá no convento. Será que ele não poderia tratar-me? - Claro, claro que sim.
Ele ficará com o senhor. Acompanhe-o. Análise A paciência do atendente esperando que as coisas acontecessem no tempo do Espirito, sem apressá-lo, sem ansiedade, deu tempo para que aos poucos voltassem as lembranças. Quando afirmou que orava por motivos que não podia contar, não houve insistência, ou curiosidade forçando-o a falar. Foi respeitado.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.