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Capítulo 17 de 26

Parte 17 de 26

Atendimento a Desencarnados · Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel

—Isso não vem ao caso... é um danado com o qual tenho contas velhas a acertar. Rkp E isso vai ser bom para o senhor? - Não estou interessado. Se tiver que pagar pelo que estou fazendo, assumo... não quero nem saber o depois. - Mas e a responsabilidade? O senhor sabe o que está fazendo? - Sei, sei mesmo e assumo qualquer responsabilidade, castigo, prisão, sei lá o que, desde que o prejudique agora. -E o senhor? - O que é que tem eu? Estou ótimo, muito bem... vivo aqui... aprendo... vejo uma porção de coisas que não conhecia, enquanto espero a hora certa. - Pergunto-lhe pelo senhor porque, nesta história toda, sinto-o, vejo-o como o grande prejudicado. - Eu?

Agora? Não! Prejudicado fui naquele tempo; traído, vilipendiado naqueles dias... hoje não... hoje ele é quem amarga... - Reflita comigo - nós vamos retomar àqueles dias em que o senhor foi ferido, certo? - Certo, isso é vívido na minha cabeça, dia e noite... sempre... - Muito bem. Agora nós vamos caminhar, sair desse momento, acompanhar através das vidas que ele já viveu, o que aconteceu... veja... com lutas, quedas, sofrimentos, recaídas ele é hoje, ainda em lutas, um bom homem, tem família, amigos, pessoas que se preocupam com ele... —E isso não é, por cima de tudo, a maior das injustiças? - Reveja comigo.

Desde aqueles fatos tristes ele seguiu em frente, assumindo a responsabilidade dos atos praticados... daí a intensidade das lutas... esse homem é o que o senhor conheceu e com quem viveu fetos doloridos, mas não é mais aquele homem... —A senhora está complicando... Aonde quer chegar? - Exatamente levá-lo a refletir que, enquanto ele, culpado segundo o senhor, saiu daqueles momentos, lutou, caminhou, mudou, o senhor não fez nada por si... Olhe-se. Está preso - veja bem- preso por si mesmo naquele passado, na dor, na revolta, no crime... o senhor se destrói e não percebe isso...

Olhe-se - peço-lhe - como está sua aparência? Suas vestes? Amigos, familiares, o senhor os tem? -A senhora é dura... - Não. Amorosamente mostro-lhe o tempo que o senhor perdeu... preocupado só com o outro, o senhor nada fez por si... E nosso convite é justamente esse, reconquistá-lo para que se descubra com tantas coisas boas, com tantos aspectos a serem desenvolvidos... que se retome como homem... -Sinto-me fraco... sozinho não conseguirei... - O senhor jamais esteve ou está agora sozinho... preste atenção... participando desta nossa conversa, há muitos que o senhor esqueceu e que estão prontos, querem ajudá-lo a retomar-se... olhe... veja se o senhor enxerga ou conhece alguém...

— Você? .. meu Deus... Análise Se o atendente se dispusesse a trabalhar sozinho, isto é, com seus próprios conhecimentos e maneira infelizmente imediatista de ser, certamente este Espírito teria entrado em discussões nas quais ele marcaria ponto, dada a sua lucidez e firmeza de opiniões. Unindo-se, porém, à equipe espiritual responsável por esse senhor, teve a calma necessária para não se sentir provocado, para não entrar em detalhes que induzissem a discussões. Com sentimento real, foi encaminhando-o para mudar o foco de seus pensamentos, desviando-se do outro e focando-se nele próprio. Daí para frente tudo se encaminhou de forma mais facil. -123- Estudáramos no salão sobre desencarnes coletivos, destacando que os Espíritos, quando reunidos em fatos assim, estão dentro de necessidades próprias, pessoais e que se o desastre fora o mesmo para todos, a morte poderia ter sido diferente para cada um.

O amparo haveria para todos, porém, nem todos abririam ou teriam construído em si, campo mental, disposições no bem que lhes permitissem perceber e serem retirados dali. Tão logo iniciou-se, após o estudo evangélico, a sessão prática, comunica-se uma senhora: - Estive lá no salão durante o estudo e aquela afirmação que fizeram de que ninguém fica ao desamparo - e eu também acreditava nela -porque fui espírita, não procede, é enganosa. - Por que a senhora diz isso? - Sempre fui assídua trabalhadora do Centro Espírita que frequentava. Sei lá por que, e lá no salão disseram que há necessidade nesses casos. Muito bem — até agora não sei qual é - desencarnei com outras pessoas num acidente de carro e até agora não apareceu ninguém, nenhum dirigente ou o patrono do Centro recebeu-me. E eu estou aqui, ó!

Ao Deus dará... espero... espero e ninguém aparece... Sinceramente, hoje arrependo-me de ter sido espírita... - Minha irmã - posso chamá-la assim? Em nenhum momento a senhora esteve sem ajuda... se a senhora é espírita, recorde que os Diretores espirituais do seu Centro não podiam ir buscá-la, recebê-la... - Como?! Por que não?... Eu sou ou era conhecida deles... - Eles não poderiam recebê-la porque não tinham condições, capacidade para fazê-lo... - Como não?!

Absurdo! Eles não são os dirigentes. Espíritos Superiores, enfim? -Não. Eles não poderiam... para esse tipo de atendimento, há equipes especiais, com colaboradores rigorosamente treinados, com preparo psíquico, sensibilidade para avaliar o que cada um traz dentro de si e qual a modalidade de socorro a ser aplicada... Os dirigentes de seu Centro, com todo mérito que possuem, não têm condições para esse trabalho... a função deles é outra. - Eu então fico aqui, assim, desse jeito? - Não... vamos retomar, vendo nesta tela a sua situação no instante dos acontecimentos.

A senhora teve noção do que se passava, aceitou e imediatamente ligou-se aos dirigentes do Centro... -E... e o que isso tem de errado? - Não é essa a questão... veja... enquanto a senhora se fechou fixada em quem queria que a recebesse, não se deixou atender pela equipe que ali estava... veja... - Meu Deus... e veja só... aquela senhora procura, a pedido dos amigos lá do Centro, por mim... ela me chama e eu sou até grosseira com ela... meu Deus, meu Deus... que fazer agora? -Nada... apenas acompanhe-a... ela continua a seu lado... - Que vergonha! Será que a senhora pode desculpar-me?... Análise Enfatiza-se, neste caso, mais uma vez, a necessidade do conhecimento doutrinário. Se a atendente não soubesse que, para assistência nesses casos, não é qualquer Espírito que pode agir; que há equipes com preparo especial para tal, certamente, dada a revolta da senhora contra os amigos espirituais, esse atendimento ter-se-ia comprometido. -124- O Espírito se apresenta parecendo estar se espreguiçando. Retorce-se para cá, para lá, olha tudo. - Que se passa?

Silêncio. - Estou falando com você... o que se passa?... Precisa de algo?... - Não... não... só estou com preguiça... uma preguiça gostooosa... - Mas podemos conversar, apesar dela? —Não... não... não quero falar nada... Deixe-me aqui... —Uma conversa, às vezes faz bem!

Vamos tentar? - Não acho que vale a pena... dá uma olhada aqui... estou jogado esperando aqueles tais malandros que ficaram de voltar para levar-me... - E quem são eles? -Dois caras, amigos meus lá do bar... Eles aprontaram da boa lá e de repente, saíram correndo e eu não sei como, vim junto... mas eu não tive nada a ver com a confusão... - E como vieram pra cá? —Não sei... era noite... estava tudo escuro... —E onde eles estão agora? -Não sei... - Enquanto eles aqui estavam, aconteceu mais alguma coisa? - Eles falavam que era eu e não fui eu que aprontei... -E daí? - Eu e o Pau Ião discutimos bastante. - Ficou só na discussão? - Não... foi no tiro mesmo... e veja... preciso dar um jeito nisso aqui, veja a sangueira... - E, se não se cuidar você pode morrer, olha a sujeira... - Não vem com essa não. Sou jovem, não vou morrer. - Mesmo assim, põe uma coisa na sua cabeça... se acontecer de você morrer é só seu corpo que desaparece... você mesmo não morre, é um Espírito. - Conversinha idiota, hem dona? - Não.

Morrer todo mundo vai. Quando acontecer lembre- se dessa nossa conversa, tá? Ninguém morre. - Tem gente diferente aqui. - É o pessoal que veio retirá-lo daqui e levá-lo ao hospital, ao médico. Eles lhe falam alguma coisa? - Pedem pra eu me acalmar e para olhar que estou em lugar diferente... Silêncio. -Aqui é tudo limpinho... - Está bem agora? -E... nem tanto né... entre essa gente estranha tem um cara ali... sei lá... parece com meu avô... mas, isso é coisa da minha cabeça uma vez que ele já morreu... deixa pra lá... 0 moço, a minha perna vai ficar boa?

Análise O Espírito retrata o momento, de certa forma habitual para aqueles que não pensam na morte. Tudo lhe é contrário, mas continua crendo estar vivo à espera dos rapazes, no caso, que ficaram de vir buscá-lo. Sutilmente, a atendente fala-lhe de morte. Percebendo a resistência, não insiste. As colocações que faz, certamente ser-lhe- ão úteis no futuro.

Descreve a presença de pessoas que qualifica de estranhas, nota o lugar diferente, identifica alguém que conhece e foge, procurando preocupar-se com a perna. Apesar de nada, nesse momento, ter sido definido, o atendimento alcançou sucesso uma vez que já saiu do mundo de drama mental em que se detinha; nota que as “pessoas” são diferentes. A presença do avô, certamente, se encarregará do resto. -125- O Espírito apresenta-se cabisbaixo, com a fisionomia entristecida. - Posso ajudá-lo? O que se passa? - Estou triste, muito triste mesmo. - Pode dizer-me por quê? -Ninguém fala comigo... minha família me ignora. Hoje é dia do meu aniversário... estou aqui sentado no sofá e eles simplesmente nem me olham, e eu gosto tanto dos meus filhos, dos netos... - É a primeira vez que isso acontece? - Não.

Assisto à televisão com eles. De vez em quando faço alguma observação. Eles não respondem e eu deixo para lá. Hoje, porém, é demais... ninguém me cumprimentou e estão a fazer verdadeiro pouco caso, e isso para mim é muito triste... - Há alguém que se lembra do senhor, do dia de hoje? Preste atenção. - Minha filha... mas é estranho... ela queria que eu estivesse lá... eu estou lá, no sofá, vendo tv... - Há alguma foto do senhor na casa? - Há.

Tem uma no móvel ao lado da tv. E grande e antes da senhora perguntar não tinha visto... não me recordo dela... -Há, por exemplo, flores ao lado? -Não... flores não... há velas acesas... -Velas acesas? O que significariam? - Pode ser... pode ser que eu esteja morto, não é? A gente acende vela pra alma de quem já morreu, não é isso? - Junte isso ao fato deles não o verem. O que conclui? - Só posso ter morrido. - E se isso fosse verdade, como o senhor reagiria? ^KÊÈá^teoria feliz,... de uns tempos para cá. à idade juntou-se a doença... tenho sofrido muito e quantas, quantas vezes pedi a morte... - Na realidade é isso mesmo que acontece.

A gente morre e nem percebe que morreu. A grande alegria é que encontramos nossos parentes, amigos e eles nos ajudam... —Dona... dona... meu pai... meu pai está me chamando para conversar... é ele... ópai, me ajude... Posso ir, posso? Análise Um caso temo, triste, no qual a atendente não precipitou nada.

Conforme os relatos se sucediam, procurava o ângulo mais próximo do real, e o explorava. O Espírito, de pensar coerente, tirava conclusões que facilitavam os encaminhamentos que culminaram com a possibilidade de ver o pai. -126- O Espírito, presente já há algum tempo, mantém-se quieto. Vez ou outra, passa a mão no braço, no rosto, como se quisesse tirar algo. - Quer conversar? Com a cabeça faz que não. - Não precisa de nada? —Banho. -Ah!

Deseja um banho? —Ee trocar essa roupa... o lugar é sujinho, muito sujo... - E por que está ou foi aí? -Ele... aquele fedorento me arrastou até lá... e não posso falar mais nada, nem contar quem ele é, senão já falou que vou me arrepender... - Isso tudo já passou... agora está aqui comigo, nada mais de mal vai lhe acontecer... sinto-a tão só... posso dar-lhe um abraço? — Não... de jeito nenhum... iria se sujar toda... -Isso não é importante... venha... deixe-me abraçá-la como uma mãe faz a uma filha... Chora baixinho... - Não há motivo para chorar... Agora já está conosco, vamos cuidar de você com todo o carinho... há roupas, um quartinho para repousar enquanto eles tratarão de você... - Não é a senhora que vai tratar de mim? -Não, querida. - Por quê?

Por quê? - Porque eu só atendo, trabalho nesta parte aqui. A senhora que se responsabilizará por você é uma graça... Veja se consegue vê-la... - E, ela parece legal... a senhora não pode mesmo? -Não, mas se for possível, certamente irei visitá-la. - Certo. Ela me chama... muito obrigada, viu? Análise Ressalte-se a delicadeza da atendente em não querer saber o que aconteceu quando foi levada para o tal lugar e nem insistir em conhecer o homem.

Trabalhou com a situação presente necessidade de se limpar. Com o sentimento aflorado, tratou-a como a uma filha, o que, captando-lhe a confiança, estabeleceu clima para a ajuda. -127- - Tolos... tolos todos vocês... chega de dar trabalho para agente... -A que o senhor se refere? - Faço parte, sou um dos chefes de um grupo de resistência e venho libertar alguns tolos que ficaram aqui... - E por que ficaram? - Vocês falaram de liberdade, de sair do jugo... que liberdade que nada... eles não sabem o que fazer com ela... têm medo dela... precisam, sim, de quem os conduza; de quem mande... de quem diga o que devem fazer... como fazer... Nosso jugo é necessário a eles... são escravos dóceis... liberdade... - E no senhor, ninguém manda? — Estou avisando: - parem de incomodar. - Repito: - quem manda, quem dirige o senhor? - Eu não. Ninguém me fala o que fazer... ninguém me dirige... - Estão mostrando algo para o senhor?

Preste atenção. Silêncio com trejeitos de rancor. - Como? Como isso é possível? ... Que sem- vergonhice... Tirem, tirem... - Do que o senhor esta falando? - Eu disse que seríamos chefes em igualdade de condições... e veja só as rédeas que colocaram em mim...

Bandido... Salafrário... Veja... não consigo desaferroar... - O senhor gostaria ou o senhor permitiria que o ajudássemos? - De ajuda eu preciso e se vocês podem me ajudar, então fico aqui... preciso pensar numa porção de coisas... Análise A forma, o modo de exteriorizar-se, expressar-se é característico dos chefes que vêm em busca de seus subordinados. Á mudança toda se estabelece a partir do momento em que lhe é perguntado quem manda nele.

Ver as rédeas, possibilitou-lhe enxergar o que não via e a desejar ajuda para soltar-se, abrindo nessa oportunidade campos outros de acesso ao Espírito não perceptíveis nesse momento. -128- O Espírito se contorce, faz gestos de quem quer se esconder, se proteger... - Estou aqui... de alguma forma posso servir? - Saia daqui... vá embora... como, como você me encontrou? - O que importa é que não está bem e talvez possa ajudar. - Estar bem... estar bem... não está vendo que estou morta? -Vejo-a viva, sofrendo... -Droga de morte que faz sofrer mais... - Por que a senhora fala assim? - Olhe o buraco onde vivo... sinta o cheiro de lama, os bichos... isso é revoltante... - Por que será que a senhora está aí? - Porque foi o único lugar que encontrei e no qual ninguém me acha. - Mas por que se esconde? . —Antes de morrer, procurando viver bem, passei muita gente para trás; uns eu até maltratei mesmo. Era esperta. Depois que morri, certa de que ia dormir tranquila, encontrei uma porção de gente me esperando. Cobravam, cobravam e como não podia devolver-lhes nada, me bateram, me prenderam.

Consegui, um dia, num descuido deles, fugir. Corri, corri, achei esse buraco e me joguei nele... Não saio com medo de que me encontrem... acho que ninguém mais se lembra de mim... assim, esse é meu fim... essa sujeira toda... -Não penso da mesma forma que a senhora. —Não?! E como você pensa? - Penso que se a senhora, ao invés de ficar remoendo o que fez de errado, se lembrasse das pessoas que lesou e que a perseguem, poderia olhar para frente. - E ver o quê?

Não tem nada diferente disso para ver. - O passado já foi... que tal, por exemplo, sairmos daqui, aproveitar a experiência que seus erros deixaram e começar vida nova... - Eles não vão deixar... querem justiça... devolução... -No tempo certo, tudo isso poderá ser acertado. Nós não estamos sozinhas. Olhe, veja se consegue enxergar algo mais além da senhora, eu e o buraco. Silêncio até que meio longo. - Não falei... é impossível sair daqui. Agora eles mandaram soldados...

Vieram me prender novamente. - Não senhora. Esses moços vieram comigo para que a senhora fosse protegida caso aceitasse sair daqui. —Eééé... — É, sim senhora. E então vamos? - Para onde?

O que vão fazer comigo? -Vamos, estaremos num posto de auxílio. A senhora será cuidada, tratada, alimentada até que fique boa. Depois, amigos estudarão com a senhora o que lhe será melhor. - Ninguém vai me bater e fazer aquelas coisas feias? -Não. Ninguém. -A senhora garante? - - Sim, eu garanto. -Então me leve... Análise O Espírito detido na consciência das impropriedades praticadas, cria no “buraco” uma “proteção” na qual se enclausura.

Sabe-se desencarnada mas não tem opções, caminhos, a não ser se esconder. Note-se que a atendente não lhe faz sermão sobre atos passados; não quer saber o que fez, mas deixa-a falar, exteriorizar seu mundo mental em chamas para depois conversar sobre possibilidades diferentes. - 129 - O atendente nota que o Espírito já está ali mas nada exterioriza. -Estou aqui... podemos conversar? A médium volta-se para a atendente e esclarece que esse Espírito não consegue falar. Apresenta-se como uma massa disforme... A atendente diz à médium, que continue concentrada, oferecendo o melhor de si e aguardando. - Estamos juntos hoje, para trazer-lhe nossas melhores energias.

Que elas atinjam, penetrem sua estrutura lembrando que somos todos filhos de um Pai de amor, que a ninguém esquece ou desampara. Sinta o carinho, o desejo de que tenha alguma paz... Há um halo de amor a nos envolver, mostrando que há novos horizontes para todos... Sinta... sinta.... -Não quero... deixe-me como estou... escondido... * - E por que se esconde? - Porque prefiro assim. - E essa fuga é boa? - Nesse momento é. - Embora isso lhe pareça, agora, a Misericórdia de Deus o envolve, justamente para que pare de fugir. - Que Deus nada... jáfiz muita maldade. Ele não gosta de mim, não sou seu filho... - E sim, senhor.

Deus, como pai de amor que é, debruça- se sobre seus filhos e continuamente os acolhe em seus braços... - Sou um fidalgo... tenho dinheiro, poder e com eles fiz ou faço, não sei, muito mal... - Isso é passado senhor... hoje nada mais disso conta... veja... olhe ao seu redor... tudo é diferente... tudo está mudado... — E tudo diferente mesmo... olha a roupa de vocês... olha a minha... Vestido de fidalgo, parece que vou a um baile a fantasias... -Temos roupas atuais, quer trocar-se? -Não. Sou fidalgo. - O senhor teve títulos de nobreza, viveu de rendimentos sem trabalhar, andava bem trajado, situações que hoje não mais existem. - Com ousa dizer isso? - Basta que o senhor olhe para si mesmo. Desse tempo em que o senhor está detido até hoje, quantos séculos se passaram.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.