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Capítulo 13 de 26
Parte 13 de 26
Atendimento a Desencarnados · Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel
Sanadas essas necessidades, levado, como lhe foi dito que seria, para outro hospital, pouco a pouco ou em outras comunicações entrará a par de sua realidade. -89- Espíríto em desespero. Agita-se, debate-se. Não ouve o que lhe é falado. Repete sem cessar — Quero ele... preciso vê-lo... não tem... não tem perdão... Se não me disser quem procura não poderemos ajudar.
— E ele... o meu nenê... não o quis... expulsei-o de meu corpo mas ele não sai daqui. Oh! daqui da cabeça... preciso explicar... —Agora, nesse desespero, a senhora não tem condição de conversar com ele. E possível que ele também esteja magoado com a senhora, de modo que a conversa, se houvesse, complicaria mais as coisas. O que acha?
— A senhora tem razão, mas eu matei... —Veja... é impossível mudar os fatos, vamos trabalhar dai para frente... — Mas como., o que fazer? — Primeiro a senhora precisa de ajuda... sua cabeça, seu sentimento está em desequilíbrio... é preciso cuidar, tratar... — E depois?
— Depois, conforme a senhora for se fortalecendo, frente às análises que fará, o entendimento surgirá... vai ver que haverá muitos meios para se recuperar dessa sua decisão de abortar... mas isso virá a seu tempo, no qual a senhora estará sempre acompanhada pelos amigos que a trouxeram... — E ele?... e ele?... — Ele também está envolto, dentro de suas necessidades, pela misericórdia de um Pai que é amor... — Irei reencontrá-lo? Poderei explicar-me?
— Se for absolutamente necessário para a senhora ou para ele, é possível que sim... Por ora, tanto para a senhora como para ele, o imprescindível são os cuidados urgentes que ambos necessitam. O que acha? Atendimento A Desencarnados - Na minha loucura não posso continuar.. É duro, é jjficil, mas preciso... por favor ajudem-me... -Tenha certeza de que, quanto mais se ajudar mais estará ajudando-o. -Obrigada...
Análise Um caso delicado de uma consciência que se tortura pelo itocomctido. Insiste sob todas as formas por querer encontrar o Espírito abortado para então, justificar-se. Caso a atendente tivesse se detido para falar-lhe do crime perpetrado, desequilibraria mais ainda a senhora em pauta. Caso «prontificasse ou pensasse em trazer o Espirito abortado, também haveria confusão, uma vez que ambos estão em desespero. Aatendente não se ateve em acusar, procurar detalhes do faio. Trabalhou com situações práticas, reais, iniciais para qualquer reacerto que porventura venha a acontecer. - 90 - -Acudam-me... socorro... sufoco... não posso respirar... tirem-no de cima de mim... suas mãos no meu pescoço... tirem... tirem...
— Isso já está acontecendo... repare... seu pescoço já está livre... procure respirar devagar... sinta o ar frio entrar... assim... respire comigo... lentamente... Após alguns segundos o Espírito para de se debater, se acalma e abatido, prossegue: — Não aguento mais apanhar tanto... dessa vez ele foi longe demais... apertou tanto minha garganta que acho que desmaiei... Felizmente a senhora chegou... Silêncio... — Eu me pergunto — por que ele é assim violento... nada está bom...de tudo reclama e às vezes ainda bebe...
— Que bonita sua preocupação... A senhora já pensou que ele age assim porque é doente... traz em si, tem algum desequilíbrio e nem sabe disso? — E... deve ser... que bom se ele encontrasse alguém que o ajudasse... — Ele encontrará, tenha certeza. Agora, se permitir, precisamos cuidar da senhora.
Está ferida, com o pescoço inchado, confusa, triste... — E verdade... mas senhora... eu não queria mais vê- lo... é possível? —Sem dúvida. Reencontros agora não seriam bons. Confie, cuidaremos da senhora com todo carinho...
— Obrigada... sinto sono... muito sono... — Pode dormir... ao acordar estará mais tranquila... Jesus a abençoe. Atendimento A Desencarnados Análise Um caso de violência doméstica que culmina no desencarne da senhora. Ressalte-se o atendente percebendo o caso, não se atém a ele, mas socorre participando, respirando junto até que a calma se restabeleça. Não acusa o homem, leva-a a entendê-lo como alguém que também precisa de ajuda.
Respeita sua vontade em não querer vê-lo, voltando toda atenção a ela, dando-lhe a segurança da qual chegou tão carente. -91 - O Espírito segura a cabeça, agitando-a de um lado para outro... — Alguém me ajude... tire esse barulho da minha cabeça... não para de bater e dói... dói... — Quando começou? -Acho que faz muito tempo, não sei... Eles me trouxeram aqui para esse lugar bonito mas o que adianta... as marteladas continuam... — Elas vão diminuir... o médico já está aqui... inclusive vai ver este ferimento.
— E... é mesmo... tem um buraco... -Aguarde um pouco... veja se sente alguma melhora... — Que alivio... o que será que aconteceu? — É importante lembrar agora?... -Sim... acho que já sei... olha... estou todo arrepiado... eles entraram na oficina... é ...foi um assalto... Ainda bem tpn vocês chegaram... estou meio tonto... com sono... fraco... — Fique deitado.
Durma se quiser... vamos levá-lo lá para dentro. Análise Um caso de assassinato bárbaro no qual o atendente não desceu a detalhes do fato em si. Trabalhou a necessidade do Espírito conforme ele as evidenciava sem procurar explicar nada. Ofereceu-lhe o primeiro atendimento necessário que eram as pancadas na cabeça-o resto virá pouco a pouco, a seu tempo. -92- Espiríto com as mãos crispadas, bate nos joelhos, aperta a cabeça, agitado, não tem parada... -0 que faz com que esteja desse modo? -0 quê? O que estou fazendo aqui de novo? -Você sabe a resposta. -Não quem... não quem ser ajudada.
Vocêsficam aqui mirando a vida da gente e depois vão com os outros me buscar... chega desta tortura... esqueçam-se de mim... -Na realidade é exatamente porque alguém não se esquece devocê que novamente foi trazida... - Não tenho ninguém... não lembro de ninguém e igualmente ninguém lembra de mim. -Não é assim... todos temos alguém que nos ama... -Pare com isso... amor... isso não existe... ésó engano... traição... Neste ponto da conversa o Espírito já passara da fase agressiva. Estava como que mais introspectivo, mais calmo. -Veja... não é porque alguém um dia nos traiu, nos enganou que podemos nos fechar e rotular a todos e a tudo de traidores. O que você acha? -£... pode ser... mas no meu caso... -No seu caso você lidou com alguém sem princípios que a iludiu, a enganou... o que não quer dizer que outros ou outras pessoas não a amem.. -Se isso é verdade, como nunca vieram até mim? -Estiveram e estão a seu lado. Você não se permitia vê- las, fechada que estava na sua dor. - £ posso vê-las agora? -Tente... olhe aqui próximo a nós, ao nosso redor...
Silêncio... investiga... várias expressões mudam-lhe a Monomia — Meu Deus... tia... tio... José Carlos... Ritinha... Sorri e de repente para. — Por que ele se adianta e me estende as mãos...
E meu vizinho... — Pergunte a ele. Silêncio como quem presta atenção ouvindo algo. — Eu nunca soube... nunca percebi... Sempre tive muita simpatia, mas não sabia...
Vira-se para a atendente e diz: — Ele está dizendo que sempre me amou e. nesse tempo que estive doente, moveu céus e terras para que eu acordasse... acho que a senhora tem razão... posso ir com eles? Análise A dor, a revolta do Espírito passa por fases: extrema revolta, descrença, recusa em receber ajuda, revolta... Quando coloca que não existe amor, etc., deixou à mostra onde estava detida, o que permitiu a atendente encaminhá-la para outros raciocínios. Na calma que se instalou permitiu que refletisse quando coloca—“porque nunca vieram até mim?”—encaminhando-se para um desfecho surpreendente. -93- 0 Espirito se debate. Está aflito, choroso... -Ai meu Deus... o que é isso que estou vendo?... será verdade?... me expliquem... -Oquc está vendo? -Eu estava, estou, não sei, lá... na sala de cirurgia, sendo operada... de repente um médico olhou para o outro, sacudiu a cabeça... saíram...
Ai começaram a desligar tudo, armar aqueles tubos e olhe, olhe lá... aquela moça puxa o lençol, cobre meu rosto... Faz algum silêncio e depois: - Olha... só se cobre uma pessoa desse modo quando ela morre... será que que morri... mas não morri, estou aqui... - Realmente a senhora continua viva e está tão aflita que não viu que desde a hora em que a cobriram estavam ali pessoas prontas para recebê-la... -£... não vi ninguém... não sei nem como cheguei aqui... -Olhe, ainda dentro da sala de cirurgia... veja... quem mais que estava além dos médicos? -Aquele é meu velho que já se foi... -Então ele estava lá para recebê-la... - Olha... olha, ele está aqui... mas... é tudo muito esquisito... você me explica? Então está bem, vamos. Vira-se para a atendente e diz: - Nunca fui muito boa em entender as coisas. Ele diz que vai continuar me explicando.
Vou com ele, tudo bem? Análise A aflição do Espírito lúcido para fazer deduções: interpreta o olhar dos médicos, observa o desligamento dos aparelhos e para quando estendem o lençol sobre seu rosto, indicativo de morte.- “Mas não morri... estou aqui...’' A atendente foi hábil em voltar com suas lembranças a fim de que identificasse outras presenças além do pessoal técnico... daí para frente tudo se encaminhou. -94- 0 Espírito faz gestos olhando para o chão; gesticula como pi falando com alguém. -Oque se passa? Com quem está falando? -Eesse moleque aí, ó... ele é teimoso... -Porque diz isso? - Olhe, olhe lá... ele está procurando debaixo do banco da praça... é doido... procurando uma coisa que não acha... Dirige-se a esse alguém e... -Ande, vamos embora... Volta-se para a atendente: - Não posso deixá-lo aqui, às vezes ele não fala coisa em coisa e é menor que eu... eu já sou grande... - Mas o que ele procura? - Ê uma bolinha de gude... eu até gosto que ele não xhe... ele só quer brincar e eu já cansei disso. -Vou pedir aos nossos amigos que tragam uma caixinha cheia de bolinhas de gude.
Diga a ele. Silêncio em que parece dirigir-se ao outro. -Agora ele disse que vem... mas eu não vou brincar com você, hem! E virando-se para a atendente; - Eu não quero brincar, hem? -Tudo bem. Diga a ele que há muitas crianças da idade deleequeo estão esperando para brincar. Vocês podem ficar aqui conosco... mudar essas roupas, tomar um belo lanche e depois... - Tem lanche? -Tem sim.
Ele vai ficar porque quer brincar e você? -Eu tomo conta dele, mas ele não para. Toda horafico jatandopara eleficar quieto, escutar... eu gosto de escutar... de estudar... -Mas aqui podemos oferecer-lhe isso. Há muitas classes e sem dúvida você vai achar uma em que fique bem. — A tia está falando para eu ir com ela. — Ótimo.
Seu amigo que só quer brincar ganhou as bolas de gude e você que quer estudar também vai receber um presente — olha, aqui está: um caderno, o estojo... Sorri, faz gestos com a mão, de quem segura algo. —Agora sim, agora pode ir... — Mas, e o lanche?... Análise Uma história bonita, delicada, de alguém que se sente responsável pelo outro de menor idade.
Reflete um amadurecimento em que na realidade participavam dois desencarnados, ambos sendo atendidos simultaneamente pela habilidade ou sensibilidade do atendente que conseguiu levar a um bom desfecho. Apesar disso, só para reflexão, o drama que o aturdia mas que não comentava, talvez porque este fosse o costumeiro seu — sentir fome. Daí o- “mas, e o lanche?”. -95- Na parte referente aos estudos antes da sessão, discutíramos a importância da renovação moral a ser dinamizada como um processo de vida, saindo da teoria e aplicada diutumamente nas reestruturações que se fizerem necessárias. Ao começar a parte prática, apresenta-se um Espírito calmo, tranquilo. Dava a impressão de alguém bem maduro. - Sabe, ouvi o que vocês discutiam... muita coisa não atendi, mas o que pude perceber deixou-me aqui pensando nas minhas dificuldades... melhorar é tão difícil... eu tento, tento, nas tem horas... -Qual é a sua maior dificuldade agora? - É isso... escutando a lição fiquei pensando na dificuldade que é mudar. - Será que é difícil ou é um modo de fugir de nós mesmos? -Pode ser... tá difícil... penso uma porção de coisas e pronto não faço nada.
Acho tanta coisa que deve ser feita e macho umazinha para melhorar ou por onde começar... A senhora desculpe de estar falando assim, mas eu entendo melhor quando falo... - Por favor, fique à vontade... Ouço-o com muito gosto... - Veja... agora nessa nossa conversa, acho que descobri por onde começar: é parar de achar difícil... é... acho que é começar por aí de passinho em passinho... -Mas que coisa bonita... que descoberta importante o senhor fez. Posso contar essa nossa conversa aos companheiros? -Se a senhora acha importante, pode sim. -Obrigada. Diga-me: e se o senhor recebesse ajuda nesses seus esforços? -Ficaria muito feliz.
Eu penso, reflito, mas só consigo entender se falo com alguém. - Convido-o a ficar aqui... há classes, salas, estudos dos mais variados e um vai encantar o senhor, tenho certeza. Foi muito bonita a sua descoberta. — Só foi possível porque a senhora conversou comigo. Obrigado. Análise Pelas características desse Espírito, podemos entender que variadas necessidades se mesclam: não só sofredores, perseguidores ou doentes, mas também Espíritos interessados no próprio crescimento.
Fala da sua própria realidade—achar tudo difícil-epara surpresa da atendente ele mesmo conclui, em meio às conversas, que o trabalho a ser feito deveria iniciar-se por deixar de achar difícil, o que certamente conseguirá. - 96 - 0 Espírito apresenta-se quieto, com a cabeça pendida para frente e assim permanece por algum tempo. - Então o que se passa? Agressivo, responde: -0 que se passa? Intromissão... invasão isso sim... estou cansada, não quero vir, não quero ficar aqui... por que querem macordar? quero dormir... Continuamente bocejava virando a cabeça para o lado. -Depois dormirá... agora seria importante conversarmos... - Moça, eu quero é dormir... Por que não me deixaram u?
Nós não estamos amolando ninguém. -Não quer chamá-los, trazê-los aqui? -Nempensar. Ficamos todos lá no prédio, quietinhos... ninguém incomoda o outro... dormindo... dormindo. Eles, sei kachoque é religião... eu não, éporque quero mesmo dormir... -Ainda assim, não quer chamá-los? -Deforma nenhuma... eles ficariam bravos... Já chega ase ai, o, me chamando... me cutucando... quero dormir... Chega... quando tinha esse corpo ai, lutei, lutei, trabalhei... à noite andava de lá pra cá, não conseguia dormir... - Porque não conseguia dormir? -Ficavapensando no serviço, nas coisas que tinha que fazer... que raiva... não conseguia dormir...
Ai comecei a tomar remédio... era um inferno... vinha para esse lado... tinha pesadelos horríveis... acordava pior. Quando me vi deste lado, -decidi-não quero acordar... só dormir... encontrei esse grupo edeu tudo certo... -Toda essa situação, tanto a de antes de você vir para cá coroo a de agora, não são normais. Precisa de ajuda, de tratamento... por isso foi trazida... -Tratamento... ajuda... não quero... depois virá aquela conversa de trabalhar, fazer isso, fazer aquilo... que tortura... quero... —Suas afirmações são próprias de alguém doente... o doente recusa ajuda... crê não necessitar dela. Quando estiver boa, sadia., um dia, lá na frente, você mesma desejará trabalhar.
— Vou fazer de conta que não ouvi... -Ainda assim... fique conosco... — Mas eu posso voltar pra lá. ninguém me incomoda.. — Mas aqui, o espaço seria só seu... enquanto isso, cuidaríamos de você, velaríamos pelo seu sono... — Vamos fazer assim — vocês têm aqui um local onde eu possa dormir? — Sim, temos um quarto só seu, cama macia.
— Então está bem. Eu fico e vê se vocês não vão lá Ioda hora me acordar, tá? Se eu despertar chamo vocês, lá bom assim? — Está combinado. — Então fale pra ele me levar... estou com muito som- Análise Um caso complicado no qual o Espírito não oferece nenhuma chance ao diálogo ou para que se elabore qualquer outra forma de abordagem.
O atendimento transcorreu respeitoso sem infringir os limites que o Espírito estabelecera para si. Quer dormir por quê?-fuga de situações não enfrentadas? Alguma mágoa, decepção que o Ima descrer de tudo? Por que os pesadelos, ainda encarnado quando dormia e “vinha para o lado de cá” - respostas que não temos e que, se a atendente abordasse, certamente, dado a seu caráter agressivo postado na defensiva, geraria situações nas quais o Espírito se evadiria. Do modo como foi conduzido, ficou na casa de boa vontade, foi respeitado no seu desejo de dormir, já agora, sob o cuidado das providências necessárias. Atendimento A Desencarnados -97- Espirito apático, parcec hcbetado, confuso. -Que coisa esquisita... não sei onde estou... nãoconheço ninguém... -Sabe como chegou? - AIão lembro... não estou entendendo nada... - Por acaso esteve doente? - Doente?!... não sei... estou tentando lembrar mas a minha cabeça está como se fosse tudo branco... não consigo lembrar... não tenho lembrança nenhuma.
Dona, quem sou eu? Como é meu nome? O que fazia? - Não fique aflito. Entendo o senhor... é como quando acordam a gente bruscamente e no momento a gente não sabe onde está, o que está acontecendo, não é? -E, é isso. - Da mesma forma que depois a gente se tranquiliza e lembra, o mesmo acontecerá com o senhor. O importante é que o senhor já está acordando e, se permitir, esse senhor que se aproxima de nós, irá ajudá-lo no que necessitar.
Isso lhe parece bom? | Por favor, dona. Desse modo é que não posso ficar. Então, companheiro, estou às ordens. Para onde vamos? Análise Defrontamo-nos com um Espírito que, no desencarne e após ele, permaneceu adormecido, não sabemos se sob efeito de drogas ou pelo próprio processo do desencarne.
Pô-lo, nesse momento, a par de sua real situação, seria alterar-lhe ainda mais a mente, que porfugaou não, mantém-se sem lembranças. Tudo acontece por passos, geralmente pequenos - agora de acordou e já sente necessidade de saber quem é, etc. Aceitando a presença do “companheiro”, de forma tranquila, harmônica, entrará pouco a pouco na posse de sua realidade. -98 - Colérico, com punhos cerrados e batendo-os nas pernas, expressa-se, repetindo: — Eu vou acabar... vou acabar com eles... não me escapam... acabar com eles... eu vou. Agora, tomei a decisão... não me escapam... — E isso vai ser o melhor para o senhor?
— Sem dúvida... vou ter esse gosto... deixaram-me na miséria... até um pedaço de pão tenho que pedir pelo amor de Deus... — O senhor gostaria de contar o que se passa ou o que se passou? — Ê a minha familia... me afrontam... não me obedecem... falo com eles... riem. não me respondem... me ignoram. Mas não tem importância... encontrei uma ajuda... um grupo que me valoriza... e eles agora vão ver se sou palhaço deles... — E isso vai ser bom para o senhor?
— Claro... ao menos aplacará essa raiva... dei-lhes tudo... luxo. conforto e agora... aquela pose desfazendo de mim... Vamos acabar com eles... E sabe... não vamos ter muito trabalho não... de um lado, eu aqui ó, desejo-lhes todo o mal e, como eles têm medo, está caindo, como diz o ditado, a sopa no mel... Antigamente, eu era fraco, acreditava-me uma boa pessoa, e agora pela atitude deles, vejo que fui um bobo, um palhaço deles... — Na realidade as coisas não são assim... olhe aqui nesse quadro...
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.