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Capítulo 11 de 26

Parte 11 de 26

Atendimento a Desencarnados · Chico Xavier, pelo espírito Emmanuel

Foi minha mãe que me ensinou. Ela era chapeleira e eu a ajudava. - Que bonito... mas ainda não entendi por que você é calado... sua conversa é tão agradável... - Quando fui para a escola, contei para todos o que gostava de fazer... os meninos não compreenderam, me achavam diferente, puseram-me apelidos e tudo só porque eu fazia chapéus... eles falavam que era coisa de mulher... Ai eu cresci um pouco e larguei a escola: fiquei só em Çasa, trabalhando, trabalhando muito e sem conversar, quieto. Minha mãe morreu e ficamos nós três... minhas duas irmãs e eu... com elas eu converso... Faço os chapéus e elas vendem...

Quando é tempo do frio, então... trabalho muito mais, uma vez que o frio, aqui na minha terra é terrível... - Que história bonita a sua... você me parece tão jovem, pelo tom de voz, pela forma como se expressa... - Tenho vinte anos; sou o do meio; tenho uma imà com dezoito e a outra tem vinte e sete. São elas que conversam com os fregueses. Eu fico escondido, só ouvindo e gosto muito quando elas falam do que as pessoas acham dos meus chapéus... a única coisa ruim, é ter que ficar escondido para que as pessoas não pensem mal de mim... - Muita coisa já mudou a esse respeito... - Eééé... e como não vi? - Justamente porque você fica escondido. Convido-o a fazer conosco um passeio. - Passeio?... de que tipo?... - Primeiro, você vai conhecer, se quiser, é claro, aqui a nossa casa, onde homens e mulheres trabalham... são artesãos... criam... Depois, será levado a visitar núcleos maiores, praças mesmo, onde homens expõem com orgulho os trabalhos que fazem... vendem... explicam como são feitos... vivem da renda do que vendem... -E não têm vergonha?

As pessoas não riem deles? - De forma nenhuma... são considerados artistas... - Moça... quero conhecer sim, isso épossível? - Sem dúvida... essa jovem que se aproxima vai acompanhá-lo... -Obrigado... Análise Alguém podería concluir que este atendimento não atingiu seu escopo, uma vez que o Espírito não foi levado a entender-se desencarnado. Na realidade, sua maior necessidade no momento, não é essa, e sim, libcrtar-se do preconceito do qual foi vítima. Sob esse aspecto, o atendimento atingiu. Quanto ao fato de se saber sem o corpo físico, ou ele tem condições de esclarecer-se junto aos amigos espirituais ou será trazido a outras reuniões em que evidenciar-se-á sua nova necessidade. -71 - Espíríto bravo, vem disposto a tirar satisfações.

— Parem de dizer que me trouxeram aqui porque preciso de ajuda... não quero nada... não preciso de nada... É só a gente começar a agir sobre uma pessoa ou grupo e vocês nos trazem... Parem defazer incursões em nossos domínios... na realidade, o que querem?... — O senhor é que podería me responder... —Eu não... já lhe disse que não preciso de nada...

Chame um seu superior... é com ele que vou conversar... —Agora ele está, veja bem, ocupado. Oportunamente virá... — E enquanto isso... —Podemos conversar... o senhor não quer me contar como vive?

— Muito bem... vivo muito bem... — Mesmo os outros, mandando no senhor, dando ordens... — Ei o que é isso? Ninguém manda em mim não... — E quem manda que aja sobre alguma pessoa?

O senhor, pelo que entendi, não as conhece? — E, isso é verdade... — E o senhor as persegue sem ter nada contra elas? — E um serviço... serviço como outro qualquer... — E o senhor recebe por isso?

— Claro, ninguém trabalha de graça... recebo deles tudo de que preciso... — E as vezes o senhor não sente uma pontinha de remorso por aprontar para quem o senhor nada tem contra? — As vezes isso começa a acontecer, mas aí a gente ganha uma festa, um prêmio bom e logo esquece... — O senhor não gostaria de conhecer outras formas de ocupação, em que não teria que prejudicar ninguém?...Atendimento A Desencarnados -E como vou comer, vestir, me divertir? - Há outras formas de ter suas necessidades satisfeitas sem prejuízo dos outros. Quer conhecer? - Quero... quero só para ter o gostinho de voltar aqui e Jterque não existe, que a senhora está me enganando...

Quem vai ter condição de tentar me iludir? -Não é ilusão... jamais o enganaríamos. Veja... o senhor quese aproxima, chame-o... é com ele que o senhor está sendo convidado a esse novo conhecer... Análise A atendente nota, pelas colocações do Espírito, ser ele altamente cioso de si, não admitindo que mandem nele. Quando a conversa é encaminhada nessa direção, ele justifica-se, dizendo que recebe ali o de que precisa para sua manutenção. Essa foi a deixa a que a atendente se ateve para despertar-lhe o desejo de conhecer. - 72 - —Minha prancheta... vamos... devolvam minha prancheta...

— Desculpe... mas, do que está falando? — Não entendem — minha prancheta — faço parte de um grupo que se dispõe a acabar com vocês... eu ficava aqui de olheiro e anotava tudo... ai... não sei se perdi ou me tiraram a prancheta... quando voltei sem ela, apanhei muito, fiquei preso... pedi então, que me soltassem que viria aqui buscá-la. Entende agora?! Não posso voltar sem ela... o chefe é terrível... tenho muito medo... olhe como fiquei... — Realmente o senhor está bem machucado...

Proponho- lhe o seguinte: deixe a gente, o medico cuidar, fazer os curativos no senhor... enquanto isso, vamos procurar sua prancheta... o que acha? — Era bom, porque, olha, dói tanto... acho que está quebrado... — Vamos levá-lo então... tudo bem? — Ai... dói tanto... me ajude... Análise Um Espírito simples a mando de outros.

Envolto em inúmeras necessidades, o medo não deixa que tenha consciência de si. O atendente, habilmente, aproveita a deixa — “olhe como fiquei” — para convidá-lo a se tratar. - 73 - Várias gargalhadas... ri... ri e depois: - Não adianta... deixe aqueles bobos rezar... pedir... covardes... Não vou sair de lá... é a minha hora agora... não preciso fazer nada... veja bem... nada... - Então por que o senhor fica lá se não faz nada? - Não precisa... eu fico só lá... quanto mais perto eu chego, mais doida ela fica... e ri. ri muito... - Por que o senhor se aproxima dela? Ela é importante para o senhor? - Importante... importante... aquilo é uma sem- vergonha... sabe o que ela fez?... Tirou-me tudo... a miséria foi pouco para mim...

Agora e a vez dela sofrer... Não vou deixá- la - Por que será que ela lhe tirou tudo? O senhor agia bem corneia? - Não importa... não quero nenhuma explicação... só que ela pague pelo que fez... -Veja... talvez o seu comportamento para com ela, a sua forma de agir, não justifica as ações dela, mas talvez ela assim tenha agido quase que para se proteger do senhor. O que acha? - Não acho e nem quero achar nada... -Haveria alguém que poderia mostrar-lhe porquês, analisar imparcialmente, sem justificar o senhor ou ela... os fatos, os acontecimentos... as reações que cada um teve... haveria alguém? —Eu só confiaria num amigo meu. o Rubens... ele é juiz eédeuma honestidade total... sempre confiei nele... - Façamos assim: vamos procurar esse senhor.

Enquanto isso acontece, fique conosco. Reúna todos os fatos para que ele possa estudá-los... Que lhe parece? - Parece-me justo... estou cansado... muito cansado. Análise Pelas características, o Espírito não aceitaria a presença ou a atuação de um amigo espiritual, alguém tão desconhecido como o próprio entrevistador. Quando o atendente pergunta se haveria alguém, e ele diz que sim, o atendimento praticamente se encena.

Surge, porém, uma questão: e se o senhorjuizn Soestá desencarnado? Como a entrevista se processará? Pela emancipação da alma, durante o sono físico, sem dúvida, o auxílio, a ajuda acontecerá. Se o Espírito foi trazido, se lhe foi permitido comunicar- se é porque o atendimento às suas necessidades, ou melhor, o prosseguimento desse atender já está mais ou menos alinhavado. -74- -E aqui que curam as pessoas? -Aqui há sim uma ala hospitalar... precisa do quê? - Preciso de ajuda... não sei o que se passa comigo... é estranho... vejo meus braços... mas da cintura para baixo não vejo nada... não sinto minhas pernas... como pode isso acontecer? -Não sei explicar-lhe com detalhes... às vezes, alguma doença... um acidente... é possível que a gente perca a sensibilidade que, após tratamentos, quase sempre volta... - Me ajude... posso ficar aqui? -Sem dúvida... o doutor já vai começar a cuidar... vamos... Análise Não caberia aqui entrar em detalhes sobre as possíveis causas. 0 Espirito, aflito, só queria ajuda médica.

Tudo o mais virá a seu tempo. -75- Por que vocês estudam? — Para aprender, refletir... você não estuda? — Eu não... para que estudar... rezar... isto tudobobagem... — E o que não é bobagem? — Curtir a vida... cantar... dançar... beber... fazer arruaça com a turma... isso é bom... bom mesmo...

— Mas isso também acaba... — Acaba... como acaba? — Sei lá... um dia a morte chega e... — Que morte nada... sou moça... forte... — E quem lhe garante que gente moça não morre?!

— Que conversa sem graça, hem?! — Ora, você não conhece ou não viu pessoas jovens morrerem? — O pior é que vi sim... era um amigo superlegal... de repente ó...foi embora... — E você acha que ele se acabou...desapareceu? —Sei lá... um dia nós estávamos bebendo, nos divertindo e viram-no morto, mas vivo, lá no meio de nós...

—E aí? — Ai que todo mundo debandou. Eu queria tê-lo visto. — O que você faria? — Sei lá... se passasse o medo acho que iria perguntar o que aconteceu, por que ele estava ali, se precisava de alguma coisa... se tinha morrido mesmo ou se era sonho...

— Não era sonho não. Quem morre só deixa o corpo, mas continua a viver num outro corpo igualzinho ao que deixou... Muitas pessoas podem ver... — E... é... e... é... acho legal isso... Eu poderia ver meu amigo? - Penso que sim.

Vê se tem mais alguém perto de nós? - Tem... é uma moça e um moço... eles me chamam Jaendo que vão levar-me lá... posso ir?... Análise 0 atendente não se ateve em querer provar para o Espírito aimportância do estudo, prece, etc. Trabalha com a realidade do Espírito que considerava esses aspectos bobagens, conseguindo saber o que era importante ou real para ele. Daí para frente, nesse mesmo respeito, tudo se encaminhou. -76- O Espírito apresenta-se inquieto, olhando para os lados, torcendo as mãos. —Por que essa aflição?

— Todo dia, todo dia sou obrigado a fazer o que não quero, o que não gosto... estou cansado e não tenho como sair fora... — Por que o senhor coloca sua vida, sua situação dessa forma? — Porque é assim que é. Todo dia recebo ordem para maltratar esse ou aquele, pessoas que nem conheço, não sã quem são... e se não fizer muito bem feito... E eu já fiz /anta coisa errada...

—O que acontece? — Se eu não fizer da melhor maneira possível, de maltratam meu filho... —Como? — Meu filho está vivo... eles vão lá ou mandam outros_ ele os vê... fica assustado... não dorme... chora... não come.» —Como o senhor os encontrou? — Eles me acharam quando vim pra cá e disseram que tenho para com eles uma divida muito grande e agora é a hora de pagar... mas... não lembro de nada, eles também não dizem... só que tenho que pagar... pagar... se eles me virem aqui...

—Não tenha medo. Eles não o pegarão. Não pense mais neles... aqui o senhor está sob nossa proteção... — Mas, e se eles vierem? —Nosso orientador irá ter com eles.

Não tenha medo... ninguém vai pegá-lo. Confie... — Mas... e meu filho?... — Veja... seu filho é uma individualidade. Ele tem necessidades próprias e certamente tem a ver com o que lhe está acontecendo...

Ninguém sofre o que não merece... - Estou pensando... é possível que aqueles que me prenderam soubessem disso? -E... é possível, e eles podem ter usado desse conhecimento para pressioná-lo a obedecer-lhes... -E agora? -0 senhor é convidado a ficar aqui. Vai ser ajudado em tudo o que precisar, tratado, tomar conhecimento dos porquês de todos esses fatos, estudar... confiar... orar... - E poderei ajudar meu filho? - Seu filho nunca esteve ao desamparo e a partir do momento em que o senhor aqui chegou, ele já está incluído nos cuidados e tratamentos que a casa oferece... sem dúvida, o senhor pode ajudar e muito... Nesse momento, precisamos cuidar do senhor desde já, porém o senhor pode orar... pouco apouco todos ficarão bem... - Obrigado... vou com eles. Análise Gssa história ressalta alguns aspectos muito importantes: 1° - O senhor conserva a consciência pesada de atitudes que porventura tenha tomado, sem recompô-las - “eu já fiz tanta coisa errada”... o 2 - Essa consciência se exteriorizando oferece campo para que Espíritos ajam sobre ele. 3° | “você tem dívidas a pagar” - ele não sabe quais são, as atribui às atitudes menos felizes que tenha praticado. Com essa adesão da mente, submete-se. o 4 -usam o filho como aval, sabedores de que o menino estava envolto em necessidades próprias.

Esses detalhes são-lhe esclarecidos com alguns cuidados, pois são conhecimentos que pouco a pouco assimilará fazendo-o entrever possibilidades. Ressalte-se sua necessidade de ficar bem para ajudar o filho, é objetivo que em muito contribuirá para seu tratamento. -77- — Não estou bem... — O que está sentindo? — Não sei... é tudo tão estranho... — O que é estranho?

— Não sei... ai... agora não consigo respirar direito... que aflição... — Não faça força para respirar... o doutor já trouxe uma máscara que vai ajudar... respire ientamente... assim... devagarinho., logo vai estar melhor... Quando aparenta alguma calma, o atendente retoma: —Mais confortável? — Ah! minha cabeça... como dói... Leva a mão e, em pranto, com medo e horror, exclama: — Ê sangue... veja... está saindo sangue... peça para o médico ver... olhe... escorre sangue...

—Confie, abaixe sua mão... deixe o médico cuidar... elevai enfaixar... vai ficar bem... Chora baixinho... e... — Foi o ônibus... estava no ponto de ônibus... acho que cai... é... é isso... devo ter batido a cabeça... —O pior já passou... deixe o médico cuidar de você... — Acharam meus documentos?

Minha família foi avisada? — Sim, todos já estão a par... — Eu gostaria de dormir... estou tão cansada... seria possível? — Vamos ouvir o que o doutor diz. O Espírito foi se aquietando, pendeu a cabeça sobre o peito, situações estas indicativas do término, por ora, deste atendimento.

Análise A todos os questionamentos ou necessidades do Espírito, oatendente, mesmo percebendo o que havia acontecido, atendeu uma a uma sem nada precipitar. Ela, o Espírito, lembra-se até do momento em que algo houve envolvendo um ônibus. O atendente não a força a lembrar, uma vez que já estava bastante aturdida com o sangue, a cabeça, etc. Quando diz estar cansada e desejar dormir, prudentemente -“vamos ouvir o que o doutor diz". Notou o atendente que, na sua aflição, o Espírito agora não estava pronto para conhecer-se desencarnado.

Ainda, caso os Espíritos amigos dissessem que seria melhor não dormir, então, estender-se-ia o encaminhamento da convetsa naquela direção. -78- — Socorro... socorro... alguém me tire daqui... olhe... minhas pernas estão presas... o carro está em cima... me ajudem... — Já está chegando ajuda... olha os homens ali... já vão levantar o carro... daqui a pouco estará livre... — Não quero ver... vai doer... não quero ver... — Encoste sua cabeça aqui em meu ombro... assim... vou segurar sua cabeça com força... assim... sinta meus braços em volta do seu corpo... pronto... suas pernas estão livres... — Elas doem... veja... estão machucadas...

—Os médicos sabem como cuidar... confie... — Ai. mas e minha cabeça... olha... há sombras... elas dizem que eu lhes fiz muito mal... que as deformei... mas eu não queria... mande-as embora... não sou fofoqueira... vão embora..., saiam... Não sou malvada... eu precisava fazer aquilo... vão embora... vão... Me ajude... elas não me deixam... Foi por isso que bati o carro... e as vozes na minha cabeça... essas sombras escuras... saiam... saiam...

Enquanto falava, tentava expulsá-las, afastá-las comas mãos. — Estou falando com você. Escute-me. Escute... — Uuhm... sim... o que é?...

— Essas sombras vão ser ajudadas, vão ser retiradas daqui de perto de nós... Preste atenção... companheiros nossos estão se ocupando delas... —E eu?... minha cabeça ainda dói e acho que prejudiquei alguém... ai... ai... minha perna — Vamos levá-la lá para dentro... — Não me deem nada para dormir hem? — Por quê? Atendimento A Desencarnados - Porque posso morrer e não perceber... não quero... -Tudo bem, mas, podemos levá-la... -Porfavor... está doendo muito...

Análise Um caso complicado em que muitas coisas ficaram nas entrelinhas. Primeiro a perna - o atendente foi hábil em oferecer- lhe o ombro, envolvê-la para que cia visse as pemas livres. Quando ela fala de sombras que a perseguiam - seria sua própria consciência? -seriam seres prejudicados ou um somatório dos dois? Diz que bateu o carro por causa das vozes e das sombras... De qualquer modo, o atendente não se deteve em questionamentos e tomou providências a cada situação apresentada.

Quando se envolveu no repetir que não era culpada, etc., o atendente usou de energia a fim deque ela ouvisse. Tranquilizou-a ajudando as “sombras” reais ou nioecom a permissão dela encaminhou-a para os tratamentos. Pode-se pensar que o fato de não querer dormir... “pois poderia morrer"... já era para cia uma realidade que procurava esconder. - 79- O Espírito demonstra aflição: torce as mãos, apresentao médium fisionomia triste. — Que foi?...

O que se passa? — E estranho... — O que é estranho? — Não sei... não me sinto bem... — E quando começou?

— Quando acordei. —Esteve dormindo muito tempo? —Não sei... alguma coisa está errada... veja... meu corpo não é mais o mesmo... —Como assim? — Meu corpo... é só uma imagem...

— Na realidade é um corpo de verdade, real, você pode andar, falar, ouvir... — Eu sou moço... — Sim, um jovem... você se recorda de algo antes de começarmos a conversai? Silêncio. Parece pensar...

— Estava doente... tinha, tenho, não sei. leucemia... —O que os médicos diziam? —Tratavam... tratavam... acho que estou ou fui para o hospital... não lembro de mais nada. até agora pouco começar a conversar com a senhora. — E aqui, junto a nós, há alguém que você conheça ou lhe fale algo? Olha atentamente, esboça como que um sorriso e diz: — A senhora está aqui?

Ê bom encontrá-la. Volta-se para a atendente e diz: — Ela era minha enfermeira lá no hospital e veio me acompanhar também neste aqui. Ela está dizendo que já estou bom e preciso ir com ela. Posso? — Claro, vá com ela sim e que Jesus nos abençoe...

Análise Um caso delicado, um jovem lúcido que centraliza sua estranheza no corpo perispiritual. A atendente, ao invés de querer provar e explicar isso ou aquilo, pede-lhe que observe ao redor. Encontra ele a senhora que o acompanhava no hospital, após o desencarne e que o trouxera até ali. Em síntese, a necessidade dele era acordar, levemente identificar ou lembrar de algo para que a senhora pudesse novamente ser vista, para poder encaminhá-lo na nova realidade. -80- -Socorro, acudam minha filha está se afogando,., ajudem... — Está chegando ajuda... vão retirá-la...

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.