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Capítulo 9 de 21

Os Grandes — parte 6 de 13

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 1

na floresta ramalhuda como se fosse um outro céu . Nas margens, as cegonhas imóveis pareciam estar · sonhando. Uif undia-se no ar uma claridade rósea,· que colo na a superfície do lago, a marg�m do bosque e a morada aos santos richís. Além, erguià-se o cimo branco d? _mon­ te Meru, a dominar o oceano das matas. O murmuno de . um rio invisível animava as plantas e ouvia-se, errante n') ar, como um trovão longinquo, o rumor de uma ca­ choeira distante. Esse rumor parecia · o · som de . uma melodia cariciosa. � Devac viu um bote à margem do lago e junto, de pé, um omem, já idoso, um anacoreta que par,ecia estar h a espera da princesa. Acenou-lhe em silêncio para que entrasse no bote e empunhou . Enquanto o bote os remos desliza nas águas, Devac vê um cisne, que levanta vôo. _ Era um cisne fêmea do qual se aproxima outro cisne. Ambos descem e juntos, batendo as asas, levantam espu­ mas nas águas oo lago. Vendo as duas aves nesse en­ lace, Devac ,estremeceu, profundamente, sem saber por­ que. Mas o bote já tocara na outra margem e a virgem oos olhos de lótus viu-se diante do rei dos anacoretas, Vasista. Sentado sobre um couro de gazela e vestido em uma pele de antíl pe, aquelé eremita pareda mais um deus o do que um homem. Havia 60 anos que se alimentava somente de frutos silvestres. Tinha a cabeleira e a bar­ :. ba brancas como os cim.os do Himavant, a tez transpa rente e um olhar de quem vive ensimesmado, em medi­ taçã . Ao ver a princesa Devac, levantou-se para saudá­ o -la com estas palavras: "Devac, irmã do ilustre Cansa, sede benvinda. Guiada por Mahadeva, o senhor supremo, . deixaste o mun�o das misérias, vindo para o das delícias. Aqui estás, ao lado dos santos richís, senhores dos . seus sentidos, felizes com o seu destino, desejoso de s percorrerem o caminho que conduz ao céu. Estávamos à tua ,espera, havia muito tempo, · assim como a noite aguarda a aurora. Por sermos os olhos dos Devas, aber­ tos para o mundo, vivemos no interior das florestas. Os homens não. nos vêem, mas nós os vemos e acompanha­ suas ações. · Esta é uma idade de tormenta sobre mos em a terra,. idade dos desejos, dos crim,es, do sangue. Mas a nós te escolhemos para a obra de libertação. Os Devas

para nós. No seio de uma mulher, o raio escolheram-te da lu� divina receberâ forma humana." Era o momento em que os richís saíam. do eremi­ tério para a oração da tarde. O velho Vasista ordena­ -lhes que se prosternem diante de Devac. Eles prosterna­ ram-se e o velho explicou-lhes: "Esta serâ mãe de nós todos. Dela nascerã aquele que nos hã de regenerar". E voltou-se ara ela, dizendo-lhe: "Vai, minha filha. Os p richís vão conduzir-te à moradia das irmãs penitentes, à margem do lago próximo. Viverás em companhia delas e os mistérios se cumprirão". Devac vai · viver no eremitério rodeado de lianas, em companhia das mulheres piedosas, que alimentam as gazelas. Faz as -abluções, entrega-se às orações, partici­ pa dos sacrifícios, de acordo com as instruções secretas de uma delas, mais idosa. Todas tinham recebido ordens para vesti-la como se fosse rainha, utilizando tecidos ra­ ros e perfumados, deixando-a ,errar sozinha pela floresta. A moça sentia-se atraída pela mata, onde sentia per­ fumes, ouvia vozes, pressentia mistérios. As vezes, en­ contrava cortejos de anacoretas, regr,essando do rio. s­ E tes, apenas a viam, ajoelhavam-se e depois retomavam seu caminho. Um dia, à margem de uma fonte, rodeada de lótus cor de rosa, ela viu um jovem anacor,eta em oração. O · rapaz olhou-a com uma expressão de tristeza nas pupi­ las e afastou-se silencioso. Desde então, ela sonhava com os velhos eremitas, ouvindo em sonhos o grasnar dos dois cisnes que vira na lagoa, ,e também com o olhar do jovem anacoreta. Junto à fonte dos lótus cor-de-rosa, erguia-se uma árvore milenária. Os santos richís· deno­ mina vam na "árvore da vida". A princesa gostava de -: sentar-se à sombra da copa daquela árvore e algumas vezes adormecia. Visitavam-na então visões estranhas. Ouvia cantos, à distância: "Glória a ti, Devac! Ele virá, coroado de luz, o puro eflúvio da sua alma. As estrelás empalidecerão, diante do seu esplendor. Ele virá! va i de � safiar a morte! Ele rejuvenescerá o sangue de todos os a seres! Será mais doce do que o mel e · ambrósia, mais puro do que· o cordeiro imaculado e os lábios de uma ,..,3 I virgem! A sua vinda, todos os corações estremecerão de

amo Devac!" ( r! Glória ti, ) ! Glória! Glória a er.iam os anacoretas? Estariam cantando os Devas? S Algumas vezes, tinha a impressão de que uma influên­ cia longínqua, como se fora uma mão invisível, esten­ dia-se sobre ela, forçando-a ao sono. Então ela adorme­ cia. E o sono era profundo, suave, inexplicável. Ao acor­ dar, ela sentia-se confusa e perturbada. Olhava em tor­ no para ver se ali estava alguém. Mas não havia ninguém próximo. Um dia, Devac emergiu em um êxtase profundo. Teve a impressão de ouvir uma harmonia celestial, algo como um oceano . de harpejas e de vozes divinais. De repente, abriu-se o céu em abismos luminosos. Olhavam­ -na milhares de seres esplendentes. Em um clarão fulgu­ rante, em um raio do sol dos sóis, surgiu Mahadeva com forma humana. Envolto o seu corpo pel Espírito dos o mundos, ela desmaiou , alheia ao mundo terreno, sen­ e tindo uma felicidade infinita, ela concebeu o filho di­

vino. ( ) Sete lua descreveram seu círcul mágico em torno s o da floresta sagrada. Então o chefe dos eremitas mandou chamar Devac, a quem declarou: "Cumpriu-se a vontade dos deuses. Tu concebeste, pura de coração, no amor divino. Nós te saudamos, virgem e mãe. Há de nascer

Atarva Veda.

t necessário notar o se ntido simbólico da legenda sobre a verdadeira origem daqueles que na história se denominam Filhos de Deus. Segundo a doutrina secreta da lndia, idêntica à dos iniciados egípcios e gregos, a alma humana é filha do céu. Antes de apare­ cer na terra já viveu várias existências corporais e espirituais. O pai e a mãe geram somente o corpo físico. A alma procede do · Além. Esta lei universal impõe-se a todos. Os maiores prof e tas, mesmo aqueles com os quais falou o Verbo m · divino, não poderia ser exceção. De fato, admitindo-se a pré-existência, será secundária a ques­ tão de saber-se quem é o pai. O que importa é crer que o profeta v m de um mundo divino. E os filhos de Deus provam-no por sua � vida e por sua morte. Mas os iniciados antigos não julgaram ne­ cessário revelar isso ao povo. Alguns que apareceram no mundo como emissários vinos foram filhos de iniciados. Suas mães fre­ di quentaram os templos, a fim de os conceberem. ?4 ti aquele que será o salvador do mundo. Mas teu de irmão, Cansa, anda à tua procura para te matar com o filho que trazes no ventre. l! necessário fugir-lhe. Os nossos irmãos te guiarão até os pastores, que vivem nas faldas do Monte Meru, sob os cedros odoríferos, no ar puro do Himavant. Lá, darás à luz o . teu filho divino. O seu nome será Crisna, o sagrado. Ele não saberá da sua origem e da tua. Nada . lhe revelarás. Agora, vai-te sem temor. Nós velaremos por ti!" E Devac iniciou a viagem para a região dos pasto­ res do Monte Meru. 7!j .. A juventude. de Crisna Aos pés do l\iionte Meru, estendia:-se um fresco vale, recoberto de pastagens. e dominado por vastas florestas de cedros, onde sopravam os ventos frescos do Hima­ vant. Naquele vale, habitava uma tribo de pastores que tinha como ,rei o patriarca Nanda, amigo dos anacore­ tas. Foi aí que Devac achou um refúgio contra as perse­ guições do tirano de Madura. E na residência de Nanda, nasceu o seu filho Crisna. Excetuando-se o velho patriar­ ca, ninguém sabia quem era aquela estrangeira, nem a origem do m,enino. As mulheres da região apenas diziam:

"É um filho dos gandarvas. ( ) Os �músicos de Indra de­ vem ter patrocinado os. amores dessa mulher, que pare­ ce uma · ninfa celeste, uma Apsara". O maravilhoso filho da mulher· desco cres­ nhecida · ceu . entr:e rebanhos e pastores, sob a vigilância mater­ na. Os pastores chamaram-no "o Radiante" pois basta­ vam os seus grandes olhos, a sua presença, o seu sorri­ so para difundir alegria. Animais, crianças, mulheres, homiens, toda gente o amava e ele parecia amar a toda gente. Estava sempre sorrindo para sua mãe, brincando com a ovelhas e os meninos da sua idade ou conver­ s sando com os velhos. O menino Crisna era destemido, audacioso e praticava atos surpreendentes. Algumas ve­ zes, encontravam-no nas florestas, deitado na relva, abraçando as ,pequenas panteras e abrindo-lhes a boca, · sem que elas ,ousassem mordê-lo. Mas também, de repen­ te, imobilizava-se, sentindo estranhas tristezas, aHena­ ções profundas. Afastava-se então das demais pessoas e com um ar de gravidade, silencioso, contemplava o am­ . biente. Acima de tudo, mais do que a qualquer outra criatura, Crisna adorava sua jovem mãe, que lhe falava do céu dos Devas, de ,cqmbates heróicos, de coisas ma-

Gênios tutelares dos qiatrimônios e músicos na corte de Indra.

ravilhosas que lhe tinham sido narrada_s pelos anacore­ tas. E os pastores, vigiando seus rebanhos sob· os cedros do Monte Meru, diziam: "Quem é esta mãe? Quem é este filho? Apesar de usar das mesmas roupas usadas pelas mulheres de nossa tribo, . ela parece uma rainha. O filho, maravilhoso, educado em companhia dos nossos, é dife­ rente deles. Será um gênio? Será um deus? Quem quer que seja, ele nos trará felicidade." Quando Crisna completou 15. anos, sua mãe Devac foi chamada pelo chefe dos anacoretas. Um dia, ela desa­ pareceu sem despedir-se do filho, que não a vendo foi à procura de Nanda e perguntou-lhe: - Onde está minha mãe? Curvando a cabeça, respondeu Nanda: - Meu filho, não me interrogUes. Tua mãe partiu para uma longa viag.em. Foi para o país de onde · veio e eu não sei quando voltará. Crisna ficou silencioso , mas tão indiferente a tudo e a todo que os outros meninos se afastavam dele, im.:. s pressionados, possuídos de um temor supersticioso. Cris­ na afastou-se dos companheiros, deixou de divertir-se em companhia deles, e absorto em seus pensamentos, foi viver errante no monte Meru. Assim perambulou duran­ te várias semanás. Certa manhã, alcançou um cimo, co­ berto de arvoredo, de onde a vista se estendia sobre as montanhas do Himavant. De repente, à luz matinal, per­ cebeu perto dele um velho de porte alto, vestido de bran­ co, de pé, sob os cedros gigantescos. Parecia ter a idade de 100 anos. ·Havia em sua barba branca e em sua calva indícios de majestade. O menino cheio de vida e o velho olharam-se um ao outro por algum tempo. O velho fita­ va-o. complacente e o menino estava tão admirado que. permaneceu mudo. Embora o viss pela primeira vez, e parecia conhecê-lo. Afinal, perguntou·· o velho: - Quem procuras? - Minha mãe. - Ela não está mais aqui. - Onde irei encontrá-la? · � Junto d' Aquele que não muda jamais. -· E como irei encontrá-lo?

-Procura-O. -E tu, eu te verei outra vez? -Sim.· Quando a filha da Serpel)te impelir o filho do Touro ao crime, tu me verás outra vez, envolto em uma aurora purpurina. Então, tu degolarás o Touro ·e esmagarás a cabeça da Serpente. Filho de Mahadeva, fica desde já sabendo que tu e eu somos apenas um com Ele! Procura-O! Procura! Procura, sempre! O velho estendeu as mãos como se estivesse aben­ çoando. Depois voltou-se, deu alguns passos na direção do Himavant. De repente, Crisna teve a impressão de que aquela figura majestosa tornava-se transparente, es­ vanecendo-se, afinal desaparecendo sob as ramagens cintilantes de traços luminosos. (4) Quando . Crisna desceu do Monte Meru, parecia transformado. Irradiava do seu corpo uma nova energia. Reúne os companheiros para dizer-lhes: "Vamos lutar contra os touros, vamos lutar contra as serpentes, defen­ dendo os bons, esmagando os maus!" . Com o arco nas mãos e a espada na cinta, Crisna e os companheiros, filhos de pastores, transformados em guerreiros, penetram pelas florestas, lutando com as fe­ ras.· No recesso dos bosques, ouviam-se os uivos das hie­ nas, dos chacais, dos tigres, abatidos pelos moços entre alaridos de triunfo. Crisna matou e subjugou leões, guerreou vários reis, libertou tribos oprimidas. No entanto, no fundo do seu coração permanecia a tristeza. Nesse coração, palpitava somente um desejo intenso, misterioso, secreto: · encon­ trar sua mãe, rever o estranho e sublime velho que lhe falara no alto do monte, à luz da manhã. Não esquecia suas palavras, dizendo consigo: "Não me prometeu ele que o veria outra vez, quando esmagasse a cabeça da serpente? Não me disse que eu encontraria minha mãe, junto d' Aquele que é imutável?" entanto, lutara, ven­ No · cera, matara, e nem sua mãe, nem o velho lhe haviam apa­ recido. � Na tndia, acredita-se que os grandes ascetas aparecem à distância a outras pessoas, enquanto o seu corpo f(sico está em sono catalético. ·

Ora, um dia ele ouviu falar de Calaieni. O rei das serpentes. Foi então pedir-lhe que o deixasse lutar com terrível dos seus répteis ferozes, na presença do o mais rei feiticeiro. Diziam que esse animal, adestrado por Ca­ laieni, j.á engolira centenas de homens. O olhar do réptil aterrorizava e gelava de terror os indivíduos mais cora­ josos. Afinal, ao chamado de Calaieni, Crisna viu sair do fundo do tenebroso templo de Cali, uma enorme ser­ pente de cor azul esverdeada. Lentamente, o réptil er­ gueu o seu longo e grosso tronco, intumesceu o pescoço e os seus olhos acenderam-se quase chamejantes, na cabeça recoberta de escamas luzidias. Calaieni observou a Crisna: -Esta serpente sabe muitas coisas. É um demônio poderoso. Mas só as revelará a quem matá-la. Ela mata aqueles aos quais ela domina. Está te olhando. Estás sob o seu domínio. Ou adoras a serpente ou morrerás em uma luta insensata. Ouvindo tais palavras, Crisna irritou-se, pois ele sen� tia_ que o seu coração era como a ponta do raio. ·olhou a serpente e atirou-se sobre o réptil, agarrando-o pelo pes­ coço. O homem e a serpente rolaram pelos degraus da entrada do templo. Antes. que o animal o enrolasse em seus anéis, Crisna decepou-lhe a cabeça com um único golpe de espada. E, afastando-se do corpo que ainda estrebuchava, o jovem vencedor ergueu a cabeça da co­ bra com a mão esquerda, em um gesto de triunfo. Mas a cabeça ainda vivia e olhando para Crisna, perguntou: -Por que me mataste, filho de Mahadeva? Supões encontrar a verdade, matando os vivos? Insensato, so­ mente a ,encontrarás, quando estiveres agonizante. A morte está na vida, a vida está na morte. Teme a filha da serpente e o sangue derramado! Cautela! Cautela! A serpente morreu. Crisna deixou a cabeça cair da sua mão e horrorizado foi-se embora. Calaieni então de­ clarou: ada esse homem. -N posso fazer contra Somente Cali poderia dominá-lo mediante. uma feitiçaria. Só depois lavagens nas águas do de um mês de Ganges e de preces . à margem daquele rio sagrado, só depois de purificado na luz do sol, no pensamento de

Mahadeva, Crisna regressou à terra natal, para a com­ panhia dos pastores do Monte Meru. Sobre os bosques de cedro, erguia-se o globo res­ plandec nte da lua. O ar da noite embalsamava se do � : perfume dos lírios silvestres, em torno dos quais, du­ rante o dia, zumben1 as abelhas. Sentado à sombra de um grande cedro, à margem de uma clareira, Crisna, de­ siludido · dos vãos combates na terra, pensava em sua mãe radiosa e no velho sublime. Quanto mais desprezí­ veis lh · aventuras infantis, mais vida assu­ e pareciam as mian1 em seu ·espírito as coisas do céu. Sentia-se envolto e1n urrl encanto consolador, em uma divina nostalgia. Então nasceu-lhe no coração um hino de gratidão a M�hadeva, que lhe aflorou nos lábi como se fosse me­ os lodia suave e divi�a. Atraídas por esse canto maravilho­ so, as .gopi.s, (5) as filhas e mulheres dos pastores, vêm às portas das casas. As primeiras, vendo na estrada os homens das suas famílias, fingiram que estavam colhen­ do flores e logo voltaram para casa. Algumas andaram um pouco adiante e gritaram:: "Crisna! Crisna!" para logo recuarem tímidas. Mas, afi'nal, foram se aproximan­ do em grupos, como gazelas c�utelosas, cu;riosas, encan­ tadas por aquelas melodias. Mas ele:, embevecido em seu devaneio divino, não percebia que elas o rodeavam. Exci­ tadas por aquelas canções, as Gopis começaram a se n1ostrar impacientes por não serem notadas. Nichidali, a filha d0 Nanda , extasiada, deitara-se sobre a relva. Sua irmã, Snrnsvati mais ousada, aproximou-se, levemente, , do filho de Devac e bem próximo dele, com voz acari­ ciante. diz-lhe: -Não estás vendo, Crisna, que te escutamos e de hoj� em dfo.nte. não poderemos dormir em nossas casas? Herói adorável. tuas melodias encantam-nos. Estamos aqui, presas à tua voz. Não podemos nos afastar. -Oh, canta mais . . Ensina-nos a cantar, diz outra jovem . Pede uma mulher: -Ensina-nos a dançar.

Gopis, pastoras, são personagens nos enredos das lendas dos deuses, inclusiv e de Visnú, Crisna e outros.

a si, desperto as Voltando do sonho, Crisna envolve um olhar benevolente. do­ is em Dirige-lhes .palavras gop es as mãos, convida-a sobre a ces, toma-lh s a sentarem relva, debaixo dos grandes cedros, ao luar fulgurante. Conta-lhes então o que ele viu dentro de si: a história dos deuses e dos heróis, as guerras de Indra, as façanhas am, ar do divino Rama. As mulhere as moças escutav ­ s e rebatadas,· aquelas narrativas, que se prolongaram até nascer o dia. Quando a luz rósea da alvorada subia por trás do monte Meru, os coquilas começavam a chilrear sob os cedros, as mulheres e as filhas dos gopas voltaram, fur­ tivamente, para suas casas. Mas, no dia seguinte, mal er­ guia-se no céu a foice de prata da lua, elas estavam lá outra v�z, mais ávidas ainda de ouvirem aquele canto. Crisna, vendo que· elas se exaltavam quando o ouviam, ensina-lhes canto e mímica, para que elas representem com os. próprios gestos as sublimes ações dos deuses e

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