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Capítulo 19 de 21

Livro Lv — parte 3 de 5

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 1

�seu fun­ pelo explicada é· maç.ão do nosso sistem solar a matéria em te da cionainento atual, deduzida unicamen ainda a . Será movime hipótese nto, o que é uma pura veis as s irrefutá história da Terra, de que são testemunha não igno­ ciência antiga sobrepos A tas camadas do solo. Tinha a visível. rav · a esse desenvolvimento do universo suas mas formulara seu respeito noções menos precisas, leis gerais. Para os sábios da índia e do Egito, isso era apenas o aspecto exterior do mundo, o seu movimento reflexo. Procuravam a explicação em seu aspecto interior, em seu movimento direto e originário. Encontravam-na em outra ordem de leis, que se revelam à nossa inteligência. Para a ciência antiga, o universo sem limites não é matéria morta, regida por leis mecânicas, mas um todo vivo, dotado de inteligência, de alma, de vontade. Esse imenso animal sagrado tinha grandes órgãos, correspon­ dentes às faculdades infinitas. No corpo humano, os mo­ vimentos resultam da alma pensante, da vontade ativa. Pois aos olhos da ciência antiga, a ordem visível do universo era apenas a repercussão de uma ordem invi­ sível. Quer isso dizer que mediante forças cosmogôni­ as, as mônadas espirituais. e todos os demais elementos c estão submetidos à involução e à evolução, em um pro­ cesso denominado vida. A ciência moderna considera apenas a superfície, o aspecto exterior do universo. A ciência dos templos anti­ gos tinha por finalidade revelar o interior, mostrar o ma­ quinismo oculto. Não extraia a inteligência da matéria, mas tirava a matéria da int�ligência. Não fazia o univer­ so sair da dança cega dos átomos, mas gerava os átomos pelas vibrações da . alma universal. Em suma, procedia segundo círculos concêntricos, indo do universal ao par­ ticular, do Invisível ao Visível, do Espírito puro à Subs­ tância organizada, de Deus ao homem. Todas as grandes iniciações da 1ndia, do Egito, da .Judéia, da Grécia, as de Crisna, de Hermes, de Moisés, -de Orfeu, conheceram sob formas diversas essa ordem de princípios, de potências, de almas,· de gerações, que des-

ãvel. A ordem des­ da Causa primeira, do Pai inef cem cendente das encarnações é simultânea à ordem ascen­ dente das vidas. A involução produz e explica a evolução. Na Grécia, somente os templos masculinos e dóri­ cos, os de Júpiter e Apolo, possuiam o segredo da ordem descendente. Os templos jônios ou femininos só a conhe­ ni­ ciam imperfeitamente. Toda a civilização grega era jô ca, disso advindo que a ciência e o conhecimento da ordem descendente foram obnubilados. Os seus· grandes iniciados, heróis e filósofos, de Orfeu a Pitãgoras, de Pi­ tâgoras a Platão, todos pertencentes a essa ordem, reco­ nhecem entretanto Hermes por seu mestre. ---- Mas voltemos ao Gênese. No pensamento de Moisés, outro filho de Hermes, os dez primeiros capítulos do Gê­ nese constituíam uma verdadeira ontologia, segundo a ordem e a filiação dos princípios. Tudo quanto começa deve acabar. O Gênese narra simultaneamente a evolu­ ção no tempo e a criação na eternidade, a única digna de Deus. No livro de PrrAGORAS traçarei um quadro da teo­ smogonia esotérica, abs­ gonia e da co em termos menos tratos do que o d-e Moisés e mais próximos do espírito moderno. Apesar do aspecto politeísta, da extrema di­ versidade dos símbolos, o sentido dessa cosmogonia pita­ górica segundo a iniciação órfica e os santuârios de Apolo, serâ quanto ao fundo, idêntico à do profeta de Israel. Em Pitâgoras, ela estarâ c9mo que esclarecida pe­ lo seu complemento natural: a -doutrina da alma e sua evolução. Era ensinada nos santuârios gregos sob a for­ ma do mito de Perséfona. Denominavam-na : a também histó ia te restre e celes e de Psiqué. Essa história, qUe � � � . no cristianismo se denomina a redenção, falta inteiramen­ e tas conhe­ te no Antigo Testamento. Moisés e os prof ciam-na, mas julgáVam-na muito elevada para ser divul­ gada em um ensino popular e por isso reservavam-na para a tradição oral dos iniciados.. Quanto à cosmogonia de Moisés, há nela a âspera concisão do gênio semítico e a precisão matemática do gênio egípcio. O estilo da narrativa lembra as figuras que

ornam o interior dos túmulos dos reis: direitas, secas. serenas, encerrando em sua dura nudez um impenetrável mistério. O conjunto· sugere a idéia de uma construção ciclópica. Aqui e ali, como um jato de lava entre blo­ cos gigantescos, irrompe o pensament com a o de Moisés impetuosidade do fogo iniciático, entre os trêmulos ver­ sículos dos ,tradutores. Antes de deixá-los, em rápido olhar, consideremos alguns dos poderásas hieróglifos compostos pelo profeta do Sinai. Como a porta de um templo . subterrâneo, cada · um abre para uma galeria de verdades ocultas, iluminan­ do com suas lâmpadas imóveis. os mundos e os tempos. Em uma cripta do templo de Jetro, sozinho, sentado a. sobre um sarcófago, Moisés medita. Vêem se nas pare­ des e pilastras hieróglifos;.· representativos de nomes e de figuras de deuses de todos os povos da terra. Mas Moisés nada vê do mundo exterior. Busca em si mesmo o Verbo do seu livro, a figura da sua obra, a Palavra que será ação� Apaga-se a lâmpada. Diante dos olhos da al­ ma, na escuridão da cripta, flamej_a este nome: IÊVÊ. A primeira letra I é branca, tal como a luz. As ou­ tras brilham, variando na intensidade da luz, onde apa­ recem todas as cores do arco-íris. Que vida estranha nes­ ses caracteres! Na letra inicial, Moisés percebe o Princí­ pio masculino: Osíris, espírito criador por excelência; Eva, acuidade de conceber, a Isis · ·celeste que faz parte de a f Osíris. Assim, as faculdades divinas que encerram em potência todos os mundos, expandem-se e ordenam-se no · seio de Deus. Pela sua perfeita união, o Pai e a Mãe inefáveis for­ mam o Filho Verbo vivo, criador do universo. Eis o , o mistério dos mistérios, fechado para os sentidos, mas que fala pelo sinal do Eterno, como o Espírito fala ao Espírito. O tetragrama brilha .com uma luz sempre mais intensa. Moisés vê saírem do tetragrama os três mun­ os da natureza e a ordem sublime das dos, todos os rein :ciências. 16.J Então o seu olhar ardente concentra-se no signo masculino do espírito criador. Ele invoca-o para conhe­ cer a ordem das criações e haurir na vontade soberana, a força para realizar a sua criação própria, depois da cripta contemplação da obra do Eterno. E nas trevas da reluz outro nome divino: (11) ELOlM Para o iniciado este nome significa: Ele, os deu­ ses, o Deus dos Deuses. Não é mais o Ser recolhido nele mesmo e no Absoluto, mas o Senhor dos mundos, cujo pensamento se expande em milhões .de estrelas, esferas móveis de universos flutuantes. "No princípio, Deus criou os céus e a terra". Mas no início, estes céus foram apenas o ·pensamen­ to do tempo e do espaço sem limites, habitados pelo va­ zio e pelo silêncio: "E o espírito de Deus movia-se sobre a face do abismo". Que vai sair antes de tudo do seio do abismo? Um sol? Uma terra? Uma nebulosa? Uma qualquer substân­ cia · do mundo visível? Não! O que primeiro surgiu foi Aôr, a Luz. Não a luz física e sim a luz intelectual, nascida do estremecim-ento da Isis celeste no seio do Infini­ to, ahna universal, luz astral, substância de que são fei­ tas as almas, onde elas flutuam como em fluido etéreo, elemento sutil mediante o· qual o pensamento se trans­ mite a distâncias infinitas, luz divina, anterior e poste­ rior a todos os sóis. No começo, ela expande-se no Infi­ nito, é o poderoso respir de Deus. Depois reflui sobre si mesma, em um movimento de amor, profundo aspir do Eterno. Nas ondas do éter divino, como sob um véu translúcido, palpitam as formas astrais dos mundos e 1:1 Aelo, nome dado ao é o plural de ser supremo Aelohim pelos Hebreus e Caldeus, derivado da raiz AEI, significativa da elevação, da força, da potência expansiva, cuj significado uni­ � versal exprime-se pela palavra Deus, Hod ou seJa Ele, sendo em hebraico, em caldaico, em .siríaco, em etiópico, em árabe, um dos nomes sagrados da divindade. F ABRE D'OLIVET, La Zangue hébrai­ que restituée. 1"65 dos seres. Para o Mago-Vidente, tudo isso se resume nas treva palavras que ele pronuncia e que reluzem nas s em carateres resplandecentes:

RUAH ELOIM AôR e ) "Que a luz seja feita, e foi feita a luz!" O sopro de Deus é a luz. otam os s Do seio dessa primitiva luz imaterial br is � primeiros dias da Criação, isto é, as sementes, os prin­ cípios, as formas, as almas de vida de todas as coisas. É o Universo potencial, antes da. palavra, segundo o Es­ pírito. E qual é a última palavra da Criação, a· fórmula que resume o Ser em ato, o Verbo vivo em que aparece o pensamento primeiro e último do Ser absoluto? . ADÃO E EVA O Homem-Mulher. Este símbolo não representa de modo nenhum o primeir o par human9 · em nossa terra, como se ensina nas nossas igrejas e segundo acreditam nossos exegetas, mas Deus em ato no universo e o gêne­ ro humano tipificado, a Humanidade universal em todos os céus. "Deus criou o bom-em à. sua imagem. Criou-o macho e fêmea". Esse par divino é o verbo universal, mediante o qual Iavé manifesta · sua própria natureza· a·l R sopro de Deus, indica figurativamente, um uah Eloím, o movimento expansivo, a dilatação. Em sentido hieroglífico, é a for­ ça oposta à das trevas. Se o vocábulo obscuridade caracteriza uma potência compressiva, o termo ruah caracteriza uma potência ex­ pansiva. Em um e em outro, encontraremos o eterno sistema de duas forças opostas. Os sábios e cientistas em todos os séculos, desde Parmênides e Pitágoras até Descartes e Newton, perceberam essa dualidade na natureza, assinalando-a com denominações dife­ rentes. FABRE D'OLIVET, Langue hébraique restituée. Sopro - Eloim - Luz. Estes três nomes são o resumo hieglífico do s�gundo e do terc . Eis em eiro versiculo do "Gênese" . - .

letras francesas, o texto hebraico do 3 versículo: - Wa - iaô­ mer Aelohim iéhi-aour, wa iêhi-aour. FABR� D'OLIVET traduz: "E Ele diz, Ele o Ser dos seres, será feita a luz; e foi feita a ( elementização inteligível). A palavra r luz" uah, significativa de

sopro, encontra-se no 2' versículo. Note-se que a palavra aór significativa de luz, é a palavra ruah :•.wertida. O sopro divino, voltando sobre si mesmo, cria a luz inteligente.

através dos mundos. A esfera onde ele habita, que Moisés alcançou com seu pensamento poderoso, não é o jardim do Éden, legendário paraíso terrestre, n1as a esfera tem­ o poral, sem li1nites, de Zoroastro, a terra superior de Pla­ tão, o reino celeste universal, Heden, Hadama, substân­ cia de todas as terras. Qual serâ a evolução da Humanidade, no ten1po e · · no espaço?Moisés percebe-a sob forma resumida na his .. tória da queda. No Gênese, Psiqué - a alma humana -,

chama-se Aichâ, outro nome de Eva. (1 ) Sua pátria é Chamaim, o céu. Lã, ela vive feliz, inconsciente dela mes­ ma. Goza o céu sem entendê-lo. Para compreendê-lo, serâ necessário esquecê-lo, depois recordá-lo. Para amá-lo, é necessário perdê-lo e reconquistá-lo. Atraída para o te· nebroso abismo, pelo desejo do conhecim�nto, Aichâ deixa-se cair. Deixa de ser alma pura, revestida de éter. Envolve-se de matéria e entra no círculo das gerações. Aichá vive no par despido, indefeso, em terra selva­ gem, sob um céu inimigo, onde ruge a tempestade. E o paraíso perdid0? Adiante e atrás estende-se a imensidade do céu velado. Moisés vê as gerações de Adão, no Universo. (H) Considera os destinos terrestres do homem, vê os ciclos passados e o presente. Na Aichá terrena, reluzira outro­ ra a consciência divina com o fogo de Agni, no país de. Cuche, nas vertentes .do Himalaia. Mas está prestes a extinguir-se na idolatria, sob as paixões infernais, entre povos 'inimigos, e deuses que se entredevoram. Moisés jura a si mesmo acordá-la pela instituição do culto de Eloím. O homem individual e a humanidade coletiva deviam ser a imagem de Iavé. Onde encontrar o povo em que se encarnará Iavé e que há de ser o Verbo vivo da huma­ nidade?

Gênese II, 23 - Aishá, a alma assimilada aqui à he Mul r é a esposa de Aish, o intelecto, comparado ao homem. Extrafd� dele, a mulher constitui sua metade inseparável, sua f acuidade volitiva. A mesma relação existe entre Dionisos e Perséfon a nos mistérios órficos. 14 N versão a samaritana da Bíblia, ao nome de Aclão r ac es­ centa-se o epíteto de universal, infinito. Trata-se portanto do g� nero humano, do reino hominal em todos os céus.

Tendo idealizado o seu livro, imaginado sua Obra, tendo sondado as trevas da alma humana, Moisés decla­ ra guerra à Eva terrestre, à natureza fraca e corrompida. Para esse combate, em que a levántará, evoca o Espírito, o Fogo originário todo poderoso, Javé, sentindo-se abra­ sado em seus eflúvios, que lhe conferem uma têmpera de aço. Jã não se chama Moisés. Seu nome é Vontade. No fundo silêncio da cripta negra, Moisés ouve uma voz, saindo das profundezas da sua consciência, vibrando co­ mo. a luz e que lh diz: "Vai à montanha de Deus! Vai e ao Horebe!" :168 A visão do Sinai Sombria massa granítica, nua, metãlica sob o esplen­ dor solar, como se ·tivesse sido esculpida pelo raio, esse é o aspecto do Sinai, o trono de Eloim. A sua frente, es­ tão os rochedos de Serbal, também abrutos e selvagens. Entre as duas montanhas; um vale negro, que os Ára­ bes chamam o Horebe, o Érebo da lenda semítica, deso­ lado, lúgubre, mais lúgubre ainda à. noite, quando se adensam nuvens· sobre montanha percorrida por cla­ a rões sinistros. Dizem que nesse vale, Eloim derruba aqueles que pretendem lutar com ele. Segundo os Madia­ nitas, por lã andam errantes as sombras malfeitoras dos gigantes Refaim, os quais empurram do alto, rochedos sobre os audaciosos que tentam a escalada da montanha. A verdade é que somente os mais audaciosos, entre os iniciados de Jetro, ousavam subir à caverna do Ser­ bal, a fim de estarem lã alguns dias, consagrados ao je­ jum e à oração. Lã tinham sido inspirados os sãbios da Iduméia. Desde épocas imemoriais·, era um local consa .. grado tls visões sobrenaturais, aos Eloim ou espíritos lu� . Nenhum pastor, nenhum caçador jamais ousara minosos levar algum peregrino até lã. . Moisés subira sem medo as ravinas do Horebe. In­ trépido, atravessara o vale da morte, o seu caos de ro­ chedos. Entretanto, como em outros esforços humanos, 0 da iniciação tem suas· fases de humildade e de orgulho. Escalando a montanha santa, Moisés sentira-se orgulhoso ao atingir o pináculo do poder humano. Tinha a iµ1pres­ são de sentir-:-se unido ao Ser supre�o. Jâ se aproxima­ vam as sombras do crepúsculo, quando Moisés chegou perto de um gruta, cuja entrada estava protegida por a uma reles vegetação de terebintos. Ia entrar, quando uma luz o envolveu, subitamente, ofuscando-lhe a vista. Moi­ sés tombou com a face no chão. Abatera-se o seu orgu-

lho. -Lá estava à sua frente, uma aparição fulgurante, empunhando um glâdio. Ele sentiu que aquele ser ia exi· gir. �ele · coisas terríveis. E ouviu que lhe gritavam o nome : -Moisés! Moisés! Ele respondeu: -Aqui estou! sapatos. Esos teus -Não. Descalça te aproximes. tás em solo sagrado. Moisés escondeu o rosto nas mãos, tinha medo de ver outra vez o Anjo. Este lhe disse: . diante - que tremes Estás à procura de Eloim. Por de mim? -Quem és tu? -Um raio de Eloim, um anjo solar, um mensageiro do Ser que é e que será. -Que ordenas? -Dirás aos filhos de Israel: o Eterno, o Deus dos vossos pais, o Deus de Abraão, Deus de Isaque, o Deus o Jacó ·enviou-me até vós; para arrancar-vos do país da de º - ' d s.erv1 ao. -Mas quem sou eu para retirar do Egito os filhos de Israel? -Vai - disse o Anjo. Estarei contigo� Acenderei em teu coração o ·fogo de Eloim, o seu verbo em teus lábios. Há quarenta anos que tu o evocas. Tua voz alcan­ çou-o! Tomo-te em seu nome. Filho de Eloim, tu me per­ tences para sempre. Moisés ousou dizer: -Mostra-me Eloim. Quero ver . · seu fog vivo! o o levantou a cabeça. Esvanecera-se o mar de cha.:. . E mas, o Anjo desaparecera como um relâmpago. O sol descera sobre os vulcões extintos do Sinai, um silêncio de morte estendia-se por todo. o vale do Horebe. Mas, parecia que uma voz se ouvia no espaço: "Eu sou aquele que Sou". Moisés sentiu-se . como que aniquilado, parecendo-lhe que o corpo fora consumido pelo fogo do Éter. Ma o s seu espírito era mais forte do que o corpo. Descendo ru­ mo a Jetro, estava disposto a cumprir sua missão. Sua idéia ia à frente como se fosse um anjo a empunhar uma ada de o esp fog .

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