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Capítulo 18 de 21
Livro Lv — parte 2 de 5
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 1
- E para isso, que pretendes fazer? - Esperar e obedecer. Essas respostas transmitidas a· Ramsés II aument � . ram-lhe a desconfiança. Receiando que Hosars1fe ambi cionasse o faraonato, em detrimento do filho Meneftá, . ordenou que o sobrinho exercesse a função de escriba, no templo de Osíris. Função importante, porém simbó· lica, e que o afastava do trono. Sua função compreendia a cosmografia e a astronomia. Hosars o tem ife era orgulhoso, realmente. Durante po em ba fo que função de escri i estava exercendo a eus, hebr mandado executar uma inspeção no Delta. Os tributários do Egito, habitantes do vale de Gochen, esta· vam submetidos a rudes trabalhos. Ramsés II estava construindo fortalezas desde Pelusium até Heliópolis. To das as províncias do Egito estavam obrigadas a fornecer um contingente de operários para aqueles trabalhos. Mas os Beni-Israel estavam incumbidos dos serviços mais ·pe sados. Talhavam pedra e faziam tijolos. Independentes, altivos, não se submetiam tão facilmente como os indí genas, às pauladas dos soldados egípcios. O sacerdote de Osíris não se eximiu de secreta· simpatia por esses intra táveis de "pescoço duro", cujos anciãos, fiéis à tradição abrãmica, adoravam o Deus único somente, respeitavam g os chefes, os seus ha s, os seus zakens, resistindo à ser-· v idão, protestando contra a injustiça. Um dia, ele viu um soldado egípcio espancar um hebreu indefeso. Indignado, toma a arma do soldado e mata-o. Esse ato, cometido num impulso de generosa indignação, decidiu da sua vida. Os padres . de Os íris que cometiam um assassina to, eram severamente julgados pelo colégio sacerdotal. o. faraó suspeitava-o da intenção de usurpar o trono ao príncipe, seu filho. A vida do escriba estava por um fio. Assim, ele preferiu exilar-se, impondo-se a si mes1no a expiação do seu crime. Sentia-se impelido à solidão do deserto. Além de um pressentimento, ouvia uma voz mis teriosa, irresistível que lhe dizia:· "Vai! t teu destino!" Além do mar Vermelho e da península sinãitica, no país de Madiã, erguia-se um templo que não dependia do sacerdócio egípcio. As suas terras estendiam-se como .uu faixa verde entre o golfo elemitico e o deserto da Ará· bia. Ao longe, além do braço de mar, percebiam-se as . massas sombrias do Sinai e seu píncaro · escalvado. Si tuado entre o deserto e o mar Vermelho, sob a proteção de um maciço vulcânico, este país isolado estava ao-· abrigo das invasões. O templo estava consagrado a Osf sis, mas também adorava-se aí o Deus soberano, sob o nome de Eloím. Sendo um santuário de origem etiópica, servia de centro religioso aos árabes, aos semitas, aos homens de raça negra que procuravam a iniciação. Foi nesse lugar que se refugiou Hosarsife. O grão-sacerdote de Madiã, o Raguel (vigia de Deus), chamava-se então Jetro (:E:xodo, III, 1). Era um homem de pele negra, (�) do mais puro tipo da raça etió· pica reinante no Egito quatro ou cinco mil anos antes de Ramsés. As suas tradições remontavam às mais an tigas raças do globo. Embora não fosse inspirado nem · homem de ação, Jetro era um sâbio. Era o protetor 'dos homens d ·deserto, líbios, árabes, semitas· nômades. Je o tro era o pai espiritual desses insubmissos, errantes, li vres. Conhecia-lhes a alma, p-ressentia-lhes o destino. Por isso, quando Hosarsife pediu-lhe asilo em nome de Osi ris, ele recebeu o de. braços abertos. -:- Hosarsif e quis submeter-se logo às expiações, que os iniciados impunham aos assassinos. Depois de demo rado jejum deram-lhe a beber alguns líquidos que provo caram um sono letárgico. Depuseram-no em um sepul cro, onde os penitentes passavam dias, às vezes semanas
inteiras adormecidos. ( ) Durante esse tempo, ele iria viajar no Além, no };:re bo ou na região de Amenti, onde flutuam as almas dos mortos ainda não livres da atmosfera terrestre. Lá teria de procurar a sua vitima, participar das suas angústias,
Mais tarde ( Nllmeros III, , 1) depois do êxodo Aarão e Maria, i rmão e irmã de Mo isés, segundo a Bfulia, re p�ovaram o casamento dele com uma mulher da Etiópia; Jetro pai de Séfora ' ' era portanto dessa raça.
Viajantes em nosso tempo têm visto faquires hindus serem enterrados a dormeci os em � sono catalético, sendo posteriormente desenterracios i em da marcado, Um deles, após três semanas de · · sepultamento, foi desenterrado são e salvo.
obter seu perdão, ajudá-la a· encontrar o caminho da luz. Somente depois· dessa prova, considerava-se seu crime expiado seu corpo astral lavado d�s manchas negras , deixadas pelo hálito envenenado e pelas imprecações da vítima. Mas havia a possibilidade do penitente não re gressar dessa viagem, real ou imaginária. Muitas vezes, quando os padres iam despertar o penitente da sua letar gia, encontravam apenas um cadáver. Hosarsife (ª) não hesitou em submeter-se a tal pro va, ou outras mais. Sob a impressão do homicídio que ele cometera, compreendera o caráter imutável de certas leis de ordem moral e a profunda perturbação produzida na alma pela infração dessa lei. Assim, movido por um sentimento de inteira abnegação, ele ofereceu o seu ser · em holocausto a Osíris. E quando saiu daquele terrível sono, no subterrâneo do templo, sentiu-se um homem transformado. Seu passado tinha-se afastado, o Egito dei xara d.e ser sua pátria, e diante dele estendia-se a imensi dade do deserto com seus nômades, um novo campo de ação. Olhou a montanha de Eloím, ao longe, no horizon te. E pela primeira vez perpassou em seu espírito a idéia de formar com aquelas tribos nômades um povo comba tente, que propugnasse pela lei do Deus supremo, entre a idolatria dos cultos e a anarquia das nações. E, naquele dia, para marcar o início da nova Era, Hosarsife adotou o nome de Moisés, que quer dizer: o Salvo. • As sete filhas de J etro, mencionadas na Blblta - !xodo, II, 16 a 20 - têm um significado slmbôlico, o que ocorre com toda narrativa popularizada e legendária. ·lt inverosslmil que o sa .. cerdote de um grande templo mande suas filhas pastorear reba .. nhos e faça pastor um padre egípcio. As sete filhas de Jetro simbolizam sete virtudes que o 1n1 .. clado tinha de conquistar para abrir o poço da verdade. Na estó· ria de Agar e Ismael, esse poço denomina-se o poço ç!o Vtvente que me vi. 1$6 O Sefer Bereschite Moisés casou-se com Séfora, filha de Jetro. Durante muitos anos esteve ao lado do sábio de M'.adiã. Entrando em contato com os dados referentes às tradições etió picas e caldaicas, arquivados no templo, ele pôde com pletar e até mesmo corrigir alguns ensinamentos obtidos nos templos egípcios. Em casa de Jetro, ele encontrou dois livros de cosmogonia, citados no Gênese: As guer• ras de Jeová e As gerações de Adão. Dedicou-se ao estu do de ambos. Mas, quantas dificuldades, quantos esforços a se vencerem para a realização da obra, em que ele medita vai Rama, Crisna, Hermes, Zoroastro, Fo-Hi tinham cria do religiões para os seus povos. Moisés planejava criar um povo para uma religião. Havia pois necessidade de uma base sólida. Moisés escreveu portanto o seu Sefer Bereschite, síntese da ciência antiga e quadro da ciên cia futura, chave dos mistérios, facho dos iniciados, tex to para a união de toda a nação. Esforcemo-nos por ver o que foi o Gênese no cére bro de Moisés. Sem dl1vida, para à futuro guia do povo de Deus, · o Gênese irradiava luz diferente, mais forte, incluia mundos muito mai,s vastos do que o mundo inf an ti! e a terra pequena que nos mostram as traduções dos Setenta e a de S. Jerônimo. A exegese bíblica do século atual difunde a idéia de que o Gênese não foi escrito por Moisés, . que bem poderia ter deixado de existir, sendo um personagem legendário, inventado quatro ou cinco séculos mais tarde pelo sacerdócio judaico para estabe lecer uma origem divina à sua religião. · A critica moderna. fundamenta a sua opinião na cir cunstancia de que o Gênese se compõe de fragmentos diversos, ,alinhavados uns com os outros, alegando tam� 1.57 bém que a atual redação é posterior, pelo menos quatro centos anos, à época do êxodo de Israel do Egito. Mas dai não se conclui que tenham sido .eles os inventores do Gênese e que não tenham trabalhado sobre um do cumento anterior, talvez mal compreendido. O fato do Pentateuco nos dar uma narrativa lendária da vida de Moisés não quer dizer que nada contenha . verdadeiro. de Explica-se· a missão do profeta, quando situada em seu n1eio nativo, o templo solar de Mênfis. Ademais, o que há de profundo no Gênese somente se esclarece ao cla rão dos princfpios extraídos da iniciação de Isis e de Osíris. Uma religião não se institui sem um iniciador. Os Juízes, os Profetas, toda a história de Israel, provam a existência de Moisés. O próprio Jesus não se concebe sem ele. Israel gravita em torno de Moisés, tão segura� mente, tão fatalmente, quanto a Terra gira em volta do sol. Outra coisa, no entanto, é saber quais as idéias bá sicas do Gênese, o que Moisés pretendeu transmitir à posteridade no testamento secreto do Sefer Bereschite. O problema só se pode resolver, do ponto de vista esotérico. Na qualidade de iniciado egípcio, a intelectua lidade de Moisés devia estar à altura da ciência egípcia. Esta, como a nossa, admitia a imutabilidade das leis do universo, o desenvolvimento dos . mundos por evolução gradual. Além disso, aquela ciência possuia a respeito da alma e da· natureza invisível· noções extensas, precisas, raciocinadas .. Se foi essa a ciência de Moisés, como con ciliá-Ia. com as idéias infantis do Gênese, sobre a criação do mundo, sobre a origem do homem? Essa história da criação que, tomada ao pé da letra, faria sorrir um es tudante dos nossos dias, não tem uma chave para deci frá-la? Qual o seu significado? Onde encontrar a sua chave? A chave se encontra-: 1 ç) no simbolismo egípcio; 29) no simbolismo de todas as religiões do ciclo antigo; 39) na síntese da doutrina dos iniciados, tal como resulta da comparação entre o ensino esotérico, desde a lndia vé ·dica até os iniciados cristãos, nos primeiros séculos do cristianismo. /.18 • do Eg1- que os sacerdotes Dize1n os escritores gregos amento são do pens rês maneiras de expres to utilizava1n t . . : _ si bóhca e figurada, simples; segunda, a A primeira, a a I? / a mesma palasagrada. Assim, a terceira, a hieroglífica, figurado, m um próprio, um / vra tinha três significados: � ' da hntratava-se transcendente. Segundo HERÁCLITO, ABR� (F da ocultante guagem falante, da significante, Verso áureos de Pitágoras). D'OLIVET, s Nas ciências teogônicas e cosmogônicas, os padres egípcios sempre utilizaram a terceira maneira de escre ver. Os seus hieróglifos tinham três significados, sendo que o segundo e o terceiro só poderiam ser interpreta dos mediante uma chave. Essa linguagem enigmática apoiava-se num dogma fundamental da doutrina de Her mes, segundo o qual uma mesma lei rege os três mun dos,. o natural, o humano, o divino. Graças a essa e.scrita, o adepto percebia os três mundos com um só olhar. � Devido à sua educação egípcia, Moisés redigiu o Gê nese em hieróglifos, dando uma explicação verbal aos seus sucessores. No .tempo de Salomão, traduziram a Bí blia em caracteres fenícios. Depois do cativeiro de Ba escreveu-a em caracteres aramaicos cal bilônia, Esdras . daicos, e os sacerdotes judeus utiHzavam-se mal das cha ves. Afinal, vindo ·o·s tradutores gregos, ·estes tinham ape nas uma pálida idéia do sentido esotérico dos textos. São Jerônimo foi um grande espírito, animado de sérias in tenções. Mas ao fazer sua tradução latina,. não pôde , alcançar o significado primitivo. Mesmo que o tivesse alcançado, seria forçado ao silêncio� Assim, quando lemos a Bíblia, só dispomo s. do seu .significado. primário, inferior. Os exegetas, o s teólogos, os ortodoxos, os ,livres-pensadores, só vêem o texto he braico através da Vulgata. Escapa-lhes o significa do com parativo e superlativo. Para os intuitivos, o significado profundo às vezes sai do texto, como fagulh a. Par a 0 vidente, ele reluz na estrutura fonética das pala vras ado tadas ou criadas por Moisés nas sílabas mágica s ond e 0 iniciado de Osíris moldou o seu pensamento , como me tal sonoro em molde perfeito Pelo . estudo desse foneti s mo reman.escente da língua sagrada , dos templo s antigos , pelas chaves que nos são dad.�s na Cabala, e pel o es0-
terisn10 comparado, há agora a possibilidade de se en º trever e reconstituir o verdadeiro Gênese.( ) Dois exemplos permitem esclarecer o que e.ra a lín gua secreta dos templos antigos, como se correspondem os três significados, nos símbolos do Egito e nos do Gê nese. Em muitos monumentos egípcios, vê-se uma Jru!· llJer coroada, segurando em un1a das mãos uma cruz ansea a, símbolo da vida eterna, e empunhando com a outra mão um cetro com a flor de lótus símbolo da ). 1n1ciação. a deusa ISIS. Ora, Isis tem três significados. No sentido próprio, representa a mulher, portanto, o gênero feminino universal. No sentido comparativo, per sonifica o conjunto da natureza terrestre com todas as suas potencialidades conceptivas. No superlativo, sim boliza a natureza celeste, invisível, o elemento próprio das almas e dos espíritos, a luz espiritual e intelectual por si mesma, dispensada somente pela iniciação. O sím bolo correspondente a Isis, no texto do Gênese e na intelectualidade judaico-cristã é EVA, Heva, a mulher eterna. Esta Eva é não somente a mulher de Adão, mas também a esposa de Deus. Constitui as três quartas par tes da sua essência, pois o nome do Eetemo IEVE, do qual nós, impropriamente, fizemos Jeová e Javé, com põe-se do prefixo Iod e do nome de Eva.
O restaurador da cosmogonia de Moisés foi F ABRE D'OLIVET. Homem genial, hoje quase esquecido, cujo trabalho será valorizado quando a ciência esotérica, ciência integral e re ligiosa for restabelecida em bases indestrutíveis. Para aproximar-se· das doutrinas do Oriente, ele aprendeu o chinês, o sânscrito, o árabe e o hebraico. Em 1815, publicou seu livro capital LA · LANGUE H:E:BRAiQUE RESTITUÉE. Outro livro notável é LA MISSION DES JUIFS de M. Saint Yves d'Alveydre ( 1884, Calman-Lévy) . Seu objetivo é duplo: provar que ciência e a religião de � . _ _ Moisés resultaram de movimentos rehg1osos anteriores, na Asia e no Egito. Isso já fora demonstrado por Fabre d'Olivet. Em se guida, demonstrar que o governo ternário e arbitral, com os três poderes - econômico, judiciário e religioso ou científico -, fora sempre, um corolário da doutrina dos iniciados e parte constitutiva das religiões do antigo ciclo, antes da Grécia. Nessa idéia de M. SAINT-YVES, que ele denomina Synarquia ou governo segundo princf pios, ele considera-a como a lei social orgânica, llnica salvação do futuro.
O grão sacerdote de Jerusalém, un1a vez por a,rio, pronunciava o nome divino, enunciando-o letra por le tra, da maneira seguinte: Iod, he, vau, he. A primeira letra exprimia a idéia divina: (a natura naturans de Es PINOZA) e as ciências teogônicas; as três letras do nome · Eva significam as três ordens da natureza, (a natura na turata de ESPINOZA), os três mundos nos quais se rea liza a idéia conseguinte, as ciências cos divina e, por mogônicas, psíquicas e físicas correspondentes. (1'°) O Inefável encerra e1n seu profundo seio o Eterno Mas culino e o Eterno Feminino. Da sua união indissolúvel, advérp seu poder e mistério. Moisés, inimigo indomável de qualquer imagem da divindade, não o revelou ao po vo. Mas consignou-o, figurativamente, na estrutura do nome divino, dando uma explicação aos seus discípulos. Outro exemplo. Um personagem que desempenha. um grande papel na história de Adão e de Eva é a ser pente. No Gênese, o seu nome é Nahache. Ora, para os antigos templos, que significava a �er�n!_e? Nos misté rios da tndia, da Grécia, do Egito, á-serpente em círculo significa a vida universal, cujo agente mágico é a luz astral. Em sentido mais profundo, Nahache quer dizer: a força que move esta vida, a recíproca atração dos co;r pos, na qual Godofredo Saint-Hilaire via a causa da gra vitação universal. Apliquem-se agora estes dois sentidos à história de Adão, de Eva, da Serpente, e veremos que a queda do primeiro par, o famoso pecado original, tor na-se de repente a imensa espiral da natureza divina, universal, com os seus reinos, as suas espécies, no cír culo formidável inevitável da existência. Os gregos da e vam a essa atração universal o nome de Eros, Amor ou Desejo. ciência moderna, a cosmogonia reduz-se Para a a uma cosmografia, com a descrição de uma parte do uni verso visível e um estudo sobre o encadeamento das coi sas e dos efeitos físicos em uma dada esfera� Será por exemplo o sistema do mundo de Laplace, no qual a for- 1-0 F ABRE D'OLIVET assim explica o nome U:Vt. ºEste no me começa pelo signo indicador da vida, duplo, formando a raiz essencialmente viva EE. Esta raiz jamais serve de nome, sendo a única possuidora deste privilégi .. De de sua origem, ela é verbo � � � . dnlco, do qual todos os demais derivam .
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