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Capítulo 8 de 21

Os Grandes — parte 5 de 13

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 1

eis o ideal do a todos, generos proteção sentimento de a humilde ser­ hindu, homem. Quanto à mulher a epopéia , com os traços mostra . va dos brâmanes quase sempre a , ,· em orte povos do M da espos fiel. nem os a Nem a Grécia, tão. no­ s, · s tão delicada seus , esposa poemas imaginaram . apaiou a . Sita bres, tão exaltadas como a apaixonada , r . _ xonada Damaianti. , fundo 'mis­ é o pro não revela o que a epopéia hindu das elaboração'. raças, da lenta tério da miscigenação das profundas mu­ resultaram as · idéias religiosas, de que Os .Árias;· con­ da fndia védica. danças na organização de raças: muito pura, viam-se diante quistadores de raça amarelo ou o onde o tipo muito inferiores, misturadas, . fundo negro · de vários sobre um vermelho cruzavam-se assim como for­ A civilização hindu aparece-nos tons. base a raça melan�sia,: nos montanha, tendo na midável mesclados e no vértice os puros flancos vários sangues rigorosa a separação das castas, · arianos. Como não era houve muitas misturas. No d�c9rso na época primitiva rac;a alterou-se cada vez mais a pureza da . dos séculos, conquistadora. Ainda hoje, nota-se a predominância do tipo ariano nas altas classes, e do tipo melanésio .nas . classes inferiores. Ora, dos baixios turvos da . sociedade hindu, sempre se elevou, com· os miasmas das florestas·, misturado ao cheiro das feras, um momo vapor de pai­ xões, misto de langor e de ferocidade. O excesso de sangue rtegro deu ao hindu sua cor especial. Foi um ,que afinou e efeminou sangue o tipo do homem hindu. Admirável é que, apesar dessa mestiçagem,. as idéias características da raça branca mantiveram-se no vértice dessa civilização, através de tantas revoluções. Af stá portanto bem e definida a base étnica da tndia. De uma parte, há o gênio da raça branca, o seu senso moral, as suas subHmes aspirações metafísicas. D o outro lado, vê-se o gênio da raça negra com a sua energia • pas­ sional, a sua força dissolvente. Como se traduz na his­ sa da tória religio fndia ess a dúplice influência? As mais · antigas adições referem-se tr a duas dinastias:· uma solar, outra lunar. Os reis da . dinastia solar· pretendiam des­ cender do sol. Os outros diziam-se filhos da lua. Mas essa linguagem simbólica encobria duas concepções reli­ as opostas, gios significando · que essas uas e d · linhagens d soberanos ligavam-se a dois cultos diferentes. · O culto sola ao deus do universo o sexo masculino. Em r dava torno culto, agrupava-se tudo o que havia de mais desse puro na tradição védica: a ciência do fogo sagrado e da prece, . a noção esotérica do Deus supremo, o respeito à mulher, . culto dos antepassados, a realeza eletiva e o iarcal. O culto lunar atribuia o sexo feminino à dipatr . vindade, sob cujo signo as religiões do ciclo ariano sem�· pre adotaram a natureza cegá, inconsciente, em suas manifestações violentas e terríveis. Esse culto tendia· pára . a idolatria, para a magia negra, favorecendo a po-· ligamia e a tirania apoiadas nas paixões populares. A luta entre os filhos do sol e os filhos da· lua, entre os Pandavas e os Curavas, constitui o motivo da grande epopéia hindu, o Mahabharata, espécie de súmula pano­ râmica da história da lndia ariana,· antes da definitiva constituição do bramanismo. Na luta, hã freqüentes com­ bates violentos, aventuras estranhas e interminâveis. No meio da gigantesca epopéia, são vencedores os Curavas, os reis lunares� Os Pandavas, os nobres filhos do sol, os guardiães dos ritos puros, são destronados e banidos. E, a err ntes, · exilados, ocultam-se nas· florestas, abrigam-se nos eremitérios dos anacoretas, vestidos de cascas de · árvores, empunhando bastões de ascetas. Irão · triunfar os baixos · instintos? Os Devas lum1no­ ­ sàs, . representados .. na 'epopéia hi.ndu pelos negros Rak serão derrotados pelas potências das trev chasas �$? A tirania esmagará sob o seu carro o escol indiano, o ci­ clone das: más paixões derrubará o altar védico, extin­ guirá o fogo sagrado dos ancestrais? Não! A tndia estava ainda n o começo da sua evolução religiosa. Ela irá ex­ panqir o seu gênio metafísico e organizador na institµi­ padres que serviam os chefe do bramanismo. Os s e . ção encarregad purohitas ( os do reis, denominados sacr,i­ os seus conselheiros e mini�tf.O$. , eram já fício do fogo) riquezas,. exerciam conside Possuiam grandes r�yel in­ não teriam conseguido dar à sua fluência. Mas câstà a a posição in�t.acável acima suprema, do pró­ autoridade o �qldl-io de outra classe de poder real, sem homem, prio n� qual se personifica o que há de mais original no es­ · se dos anacore_tas a clas . _pírito da lndia: ·

ascetas viviam e m tais Desde tempos imemoriais, à margem dos rios, eremi das florestas, térios no recesso sagrados. Vi­ e , dos lagos m monta nas proximidades nhas sempre unidos no via confrarias, m sós ou reunidos em reis espirituais, os mes os mo. ideal. Eram considerados antigos sá­ verda dos deiro senhores da lndia. Herdeiros s secreta inter­ bios, eles possuíam a dos richís, somente ismo, gênio do ascet pretação dos Vedas. Neles havia o s. Para ob­ da · oderes transcendente ciência oculta, dos P. , fo­ tudo terem ciência, eles enfrentam esse poder, essa pântanos. Vivem de me, frio sol o horror dos , abrasador, cabana feita de prece e indefesos, em sua de meditação, ou afugentam as tábuas. · olhar, chamam Sua voz, seu serpentes, amansam tigres e leões. Feliz queni for aben­ çoado por um deles, pois os Devas serão seus amigos. Desgraçado quem os maltratar ou matar. Dizem os poe­ tas que a . sua maldição perseguirá o culpado até a ter­ ceira encarnação. Os reis tremem, ante as suas ameaças. · Coisa curiosa, esses ascetas amedrontam até os deuses .. No Ramaiana; Visvarnitra, um rei que se fez asceta, gra­ ças à sua austeridade, às suas meditações, adqufre tal poder que os deuses tremem por sua existência. Então, Indra envia-lhe uma das mais sedutoras Apsaras, que vem banhar-se no . lago, defronte da cabana do santo. A ninfa celeste seduz o anacoreta e da união de ambos nasce um herói.· Então a existência do universo está ga­ rantida, durante milênios. Sob tais exageros poéticos, advinha-se o poder real e superior dos anacoretas da raça branca. Por uma intuição· profunda, por uma von­ tade intensa, lá do recesso das suas florestas, eles gover- · , nam a alma tempestuosa da 1ndia. Era daquela. · confraria de anacoretas qúe teria de sair a revolução sacerdotal, que instituiu na 1ndia a mais formidável teocracia. A vitória do poder espiritual sobre o poder temporal, do anacoreta sobre o rei, daí advindo a predominância do bramanismo, realizou-a um ref armador de primeira ordem. Reconciliando os dois gênios em conflito, o da raça branca e o da raça negra, os cultos solar e lunar, esse hom-em divino foi o verda­ deiro criador . da religião nacional da 1ndia. Além disso, pela sua doutrina, esse poderoso espf. rito lançou no mundo uma idéia nova, de imenso alcan-

ce: a do verbo divino ou da divindade encarnada e mani­ festa no homem. Esse primeiro messias esse primogê- , .. nito entre os filhos de Deus, foi Crisna. Sua legenda tem o grande valor de resumir toda a . doutrin bramânica, dramatizando-a. Somente ela perma­ a nece flutuante e difusa na tradição, pela seguinte razão: o gênio hindu carece inteiramente de energia plástica. A confusa e mítica narrativa do Visnu-Purana encerra, porém, dados históricos sobre Crisna, apresentando-o co­ mo um caráter individualista· e definido. Por outro lado, o Bhagavad-Gita, maravilhoso episódio incluído no gran­ de poema Mahabharata, que os brâmanes consideram um dos seus mais sagrados livros, contém em toda a sua pureza, a doutrina que lhe é atribuída. A leitura desses dois livros, a figura do grande ini­ ciador religioso da tndia apareceu-me com a força per­ suasiva dos seres vivos. Narrarei pois a história de Cris­ na, colhendo elementos nessas duas fontes, uma das quais representa a tradição popular e a outra a tradição dos iniciados. O rei de Madura No início do Cali-Iuga, cerca do ano 3�000 antes da nossa Erà (segundo a cronologia dos brâmanes), a . se­ de do ouro e do poder invadira o mundo. Dizem os an­ tigos sábios, que, durante muitos séculos, Agni, o fogo . celeste formador do corpo glorioso dos devas, purifica­ dor da alma dos homens, espalhou sobre a terra os seus eflúvios etéreos. Mas o sopro ardente de Cali, a deusa do Desejo e da Morte, que irrompe do solo como um bafo abrasador, passava então sobre todos os corações. A justiça reinara com os nobres filhos de Pandu, os reis solares obedientes à voz dos sábios. Vencedores, perdoavam aos vencidos e tratavam-nos como iguais. ·Mas OS· filhos do sol tinham sido extermi­ nados ou expulsos dos seus tronos. Os seus raros des­ cendentes ocultavam-se nas cabanas dos anacoretas. Pre­ dominavam então a injustiça, a ambição e o ódio. Mutá­ veis e falsos como o astro noturno, que era o seu sím­ bolo, os reis lunares guerreavam-se sem tréguas. Um, · entretanto, mediante o terror e singulares feitiçarias, con­ seguira dominar os demais. No norte da fndia. à margem de um largo rio, er­ guia-se uma cidade poderosa. Havia lá doze pagodes, dez palácios, cem portas flanqueadas de torres. Sobre os seus altos· muros,· estandartes multicores flutuavam co­ mo serpentes aladas. Era a altiva Madura, impenetrável como a fortaleza de Indra. Lá reinava Cansa, homem de coração tortuoso e de alma insaciável. Só admitia junto a si escravos, somente admitindo a posse daquilo que ele tivesse conquistado. E o que ele possuia ainda lhe . parecia pouco diante do que lhe restava conquistar. Já lhe haviam prestado homenagem todo& os re\s fiéis aos cultos lunares. Mas ele pensava em submeter· toda a tndia, desde Lanca até o Himavat. A fim de executar os seus planos, Cansa aliou-se a Calaieni, senhor dos montes Vindia, po-

deroso rei dos lavanas, dos homens de face ama.rela. Sectário da deusa Cali, esse rei dedicara-se· às tenebro­ sas artes da magia negra. Chamavam-no amigo dos Rakchasas - demônios notívagos, rei das serpentes, pois ele se utilizava desses répteis para aterrorizar o seu po-

vo e os inimigos. No fundo de uma floresta espessa estava o templo , da deusa Cali, cavado· no dorso de uma montanha, imen­ sa caverna negra, com o fundo desconhecido, a entrada guardada por estátuas colossais, de cabeças de animaís talhadas na rocha. Conduziam-se até lá os indivíduos que quisessem homenagear Calaieni, para obter algum po­ der oculto. Calaieni aparecia então, à entrada do tem­ plo, tendo serpentes monstruosas enrodilhadas em seu corpo e que se erguiam quando ele manejava o cetro. Os seus tributários prosternavam-se diante daqueles répteis, cujas cabeças se enrodilhavam em torno da ca­ beça de seu senhor. Ao mesmo tempo, ele murmurava uma fórmula misteriosa. Aqueles que participassem do rito, segundo se dizia, adorando as serpentes, obtinham favores imensos e tudo quanto desejassem. Mas, irre­ vogavelmente, ficavam sob o poderio de Calaieni. Pró­ ximos ou afastados permaneciam seus escravos. Basta­ , va pensarem em lhe serem desobedientes para terem a impressão de que lhes aparecia Calaieni, o terrível mago, rodeado das suas serpentes, sibilando, e paralisando-os com olhares terríveis. Cansa pediu a Calaiéni sua alian­ ça. O rei dos Iavanas prometeu-lhe o império da terra, sob a condição dele casar-se com sua, filha. Era altiva como um antílope, flexível como uma ser­ pente, a filha do rei feiticeiro, a bela Nisumba de seios da cor do ébano e enfeitada de pingentes de ouro .. A sua fronte assemelhava-se a uma nuvem sombria com refle­ xos azulados de luar. O brilho dos seus olhos pareciam dois relâmpagos, sendo a boca· semelhante à polpa de um fruto vermelho com pevides brancas. Dir-se-ia ser ela a própria deusa do Desejo: Cali. Não demorou que ela se apoderasse do coração de Cansa, reinando nele como a amante· que insufla todas as paixões, todas as chamas de um braseiro ardente. Cansa possuia um palácio cheio de mulheres de todas as cores, mas só ouvia a Nisumba.

Que - ro ter um filho de ti para fazê-lo meu her­ , deiro - dizia-lhe Cansa. Então serei o senhor da terra . e não temerei mais ninguém · não concebia filho e �seu co­ . No entanto, ·Nisumba ração irritava-se. Invejava· as outras mulheres de Cansa, .. Induzia o pai a mul­ cujos amores tinham sido fecundos tiplicar os sacrifícios à deusa Cali, continuando, porém, estéril como a areia de um solo tórrido. Então o rei de Madura ordenou que, diante de todo o povo da cidade, fosse executado o sacrifício do fogo ,e se invocassem to­ dos os Devas. As mulheres de Cansa e todo o povo em ernados grande pompa assistiram ao sacrifício. Prost diante do fogo, os padres entoando cânticos invocaram o grande Varuna, Indra, os Asvins, os Marutes. A rainha Nisumba aproximou-se· e em gesto de de­ safio atirou um punhado de perfumes sobre as chamas, pronunciando uma fórmula mágica em um idioma des­ co,nhecido. A fumaça tomou-se espes�a, as chamas tor­ ceram-se e espantados os padres exclamaram: ­ -� ,rainha, não foram os Devas e sim os Rakcha . sas que passaram sobre o fogo! O teu ventre continuará estéril! Po vez, Cansa perto do fogo perguntou ao r sua padre: de qual das minhas mulheres nas­ -Diz-me então,, cerá o imperador do mundo? Nesse mome�o, aproxima-se do fogo Devac, a ir­ mã do rei. Era uma virgem de coração singelo e puro. Ela passara a infância a fiar, a tecer, e vivia como em um sonho. O corpo estava na terra , mas a alma parecia pairar no céu. Devac ajoelhou-se, humilde mente, . supli­ cando aos Devas que dessem um filho ao seu irmão e à bela Nisumba. O padre olha para a chama e para a virgem e, pasmado, declara: - ô rei de Madura, nenhum dos teus filhos será rador impe do mundo! Ele nascerá no ventre da tua irmã, que tu vês aqui! Ouvindo tais palavras, Cansa ficou desconsolado e Nisumba encolerizou-se. Quando ela e o rei estavam sós, Nisumba disse ao marido: -Devac tem de morrer, imediatamente!

,, . Como irei matar minha irmã? observou o - monarca. Se ela estiver sob a proteção dos devas, sua vingança recairá sobre· mim. -Então - declarou N isuinba enfurecida - venha tua irmã o reinar dê mund em vez de mim. Que ela ao o filho o que t� fará te. Eu nã m9rrer, vergonhosamen que ro mais ser covarde que tem rainha, espos� de um· medo dos devas. Voltarei meu Ca­ para casa do pai a laieni. . Viam-se no olhar de Nisumba cintilações sinistras Os berloques tremiam no seu colo negr · e luzidio. Ro­ o lando pelo chão, o seu corpo retorcia-se como o de uma serpente enfurecida. Na iminência de perdê-la, dominado por uma terrível luxúria, Cansa amedrontado, sob o do­ mínio do desejo, declara:· -Está bem, Devac morrerá! Mas não me deixes! Brilhou nos olhos de Nisumba um relâmpago de triunfo, uma onda de sangue enrubesce a sua face. Er­ gue-se de um pulo e enlaça o tirano, dominado pelos flexuosos braços da rainha. Depois, roçando-lhe o busto com o bico dos seios da cor de ébano, rescendentes de perfumes capitosos, diz-lhe -em voz baixa: -Nós ofereceremos um sacrifício à deusa do De­ sejo e da Morte, Cali, e ela nos dará um· filho que será o senhor do mundo. Mas naquela mesma noite, o Purohita, chefe do sa­ · crifício, viu em sonho o rei Cansa desembainhar a espa­ da para matar a sua irmã. Imediatâ'.mente, correu ao aposento da virgem Devac,. avisou-a de que estava sob a ameaça de um perigo de morte e ordenoÚ-lhe que, sem demora, fosse refugiar-se entre os anacoretas. Assim ávisada pelo sacerdote, Devac, disfarçada em penitente, sai do palácio de Cansa, afasta-se da cidade de Madura, sem ser vista· por ninguém. Muito cedo, pe­ la manhã, os soldados vão buscá-la para tirar-lhe a vida, mas encontraram o aposento vazio. O rei submeteu a in­ terrogatório os guardas da cidade, que lhe responderam que as portas da cidade permaneceram fechadas, duran­ te toda a noite. Mas o fato é que tinham visto em sonho uma fenda aberta por um raio · de luz na muralha escu­ ra da fortaleza e uma mulher sair da cidade, seguindo

aquele raio. Cansa compreendeu que um poder invisível protegia Devac. Desde então apoderou-se da sua alma um medo que se transformou em ódio mortal à irmã. ·

A · virgem Devac Envolta em uma veste feita de · casca de árvores, ocultando a beleza do corpo, Devac entrou na solidão da floresta enorme. Cansada, faminta, ela já andava cam­ baleante. Mas, depoi de comer as mangas e beber a s ·água ·fresca de uma fonte, logo se reanimou como a flor ·que apenas tivesse emurchecido. Passou sob vastas ,abó­ badas formadas pelos ran1os de ãrvores · que desciam da copa para penetrarem no chão, assim se formando mui­ tas arcadas. Caminhou, durante algum tempo, ao abrigo do sol, como se estivesse andando dentro de um pago� de sombrio e sem saida. Enquanto andava, ia ouvindo o zumbido das abelhas, o grito dos pavões amorosos,· o canto dos coquilas e de mil outros pãssaros. Entretan­ to, quanto mais caminhava, mais espessa tornava-se a floresta. Juntavam-se troncos, desciam ramos enlaçados. i:>evac · pisava a folhagem no chão, nos corredores ver­ de.s� onde entravam jatos de luz solar. De quando em quando, seus passos encontravam troncos abatidos, du­ rante tempestades. E ·à sombra de uma ou_ de outra man­ gueira, ela sentava-se nesses troncos, sentindo-se envol­ ta em lianas que desciam das c·opas das árvores, sob _uma chuva de flores que se desprendiam dos galhos. ·Gamos e panteras pulavam pelos relvados, pelas clarei­ ras, búfalos faziam ramos estalarem, bandos de macacos pulavam aos gritos pela ramagem. Andou assim o dia inteiro. A tarde, viu aparecer por cima de uma touceira de bambus a cabeça imóvel de um elefante. O animal olhou-a, dirigindo-lhe um olhar inte­ ligente, parecendo protetor e levantou a tromba como se estivesse a cumprimentã-la. Então alumia-se a floresta e Devac viu ante seu olhar abrir-se uma paisagem em que havia uma profunda paz, encantadora, paradisíaca. A sua frente estendia-se um lago, semeado de lótus e de ninféias azuis. Aquela superfície azulada abria�se

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