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Capítulo 20 de 21
Livro Lv — parte 4 de 5
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 1
· O Êxodo. O deserto. Magia e, teu rgia O plano de Moisés era um dos mais extraordinârios, um dos mais audaciosos já concebidos. por um homem. Libertar um povo do jugo de uma nação poderosa como o Egito levá-lo à conquista de uma terra já povoada de , gente · inimiga, melhor armada, conduzi-lo através do deserto, durante dez, vinte ou quarenta anos, sedento e faminto, fustigá-lo como a um cavalo puro-sangue sob as flechas dos Hititas e Amalecitas,. dispostos a esquar tejá-lo. Deveria isolá-lo éom o tabernáculo do Eterno, entre nações idólatras," impor-lhe o monoteísmo com uma vara de fogo, inspirar-lhe tal temor, tal veneração a esse Deus único, de modo que se entranhasse em sua carne, se transformasse· em seu símbolo nacional, o obje tivo de todas as suas aspirações e sua razão de ser. O êxodo foi planejado com antecedência pelo profe ta, os principais chefes israelitas e J etro. Para executar seu plano, Moisés aproveitou-se de uma ocasião em que Méneftá, seu antigo companheiro de estudos, já feito fa raó, tinha de repelir a temível invasão de Mermaiú, rei dos líbios .. Todo o exército egípcio estava em operações na região Oeste, de· modo que a emigração· ·em massa dos __ israelitas processou-se sem obstáculos.· Os Beni-Israel iniciaram a marcha. No início, conta vam apenas alguns milhares de homens,· com as tendas no costado dos camelos., contornando o mar Vermelho. Mais tarde, a caravana será aumentada de C'toda espécie gente", segundo de· a Bíblia, Cananeus, Edomitas, Arabes, Sen1itas, atraídos, fascinados pelo profeta. O núcleo, en tretanto, será constituído pelos Beni-Israel, 'homens leais, porém duros, obstinados, rebeldes, aos quais os chefes, os hags, tinham ensinado o culto do Deus único. No entanto, uma ou outra vez foram arrastados por suas más paixõ-es, relembrando o politeísmo, a feitiçaria, as práticas idólatras das populações vizinhas_ :do Egito e da Fenícia, que Moisés combaterá com leis draconianas.
do seu povo, hã do profeta, comandante Em torno , seu irmão grup s, presididos por Aarão um o de sacerdote Maria, representante em em , e pela profetisa iniciação Alérri desse grupo sacerdo Israel da iniciação feminina. ou iniciados leigos, aos tal, exist os chefes escolhldos em uma parte dos seus quais o profeta de Javé transmitirá suas inspirações e poderes, associando-os a algumas de visões. a arca de ouro, cuja / Por esse grupo, era conduzida forma nos templos do Egito servia foi sugerida pela que _ isés ela de arcano rgicos, embora Mo para os livros teú borasse um novo modelo. A arca de Israel tem nos flan ro esfin cos quatro querubins de ouro, lembrando quat ) ges, semelhantes aos quatro animais simbólicos da visão
de Ezequiel. Um tem a cabeça do leão, outro a do boi, o terceiro possui a cabeça da águia e o quarto apresenta uma cabeça de homem. Personificam .os quatro elementos universais: a terra, a água, o ar e o fogo, os quatro munl d s representados pelas quatro letras do tetragrama di- ? vino. - A· arca servirá de instrumento para os fenômenos elétricos e luminosos, produzidos pela magia do padre de Osíris. Esses f enõmenos serão exagerados pelas nar rativas bíblicas. A arca encerra o Séf er Bereschite, o li vró de cosmogonia, redigido por Moisés em hieróglifos egípcios e a varinha mágica do profeta que a Bíblia chama vara. Também está guardado nela o Livro de Aliança ou a Lei do Sinai. Moisés chama-a trono de Eloim, porque nela rep.ousa a tradição sagrada, a - missão de Israel, a idéia de Iavé. A constituição política do povo israelita, elaborada por Moisés, está subordinada ao princípio da hegemonia sa.cerdotal, da tirania teocrática, segundo se depreende da leitura do capítulo XVIII, 13-24 do 16). �xodo � Na constituição de Israel, estabelecida por Moisés, o poder executivo era tido por emanação do poder judi ciário, posto sob a vigilância da autoridade sacerdotal. Foi esse o sistema de g9verno legado por Moisés aos
A importância deste trecho, sob o ponto · de vista da constitui ção social de Israel, foi justamente assinalada por SAINT-YVES no seu livro La Mission des Julfs.
seu conselho de Jetro. Per s sucessores, segundo o sábio maneceu o mesmo, de Josué a Samuel, até a usurpaç o ã de ·saul. Sob o poder dos reis sacerdócio deprimido , o começou a perder a verdadeira tradição de Moisés, que sobreviveu apenas com os profet s. a Moisés não foi um patriota, mas um domador de po vo s que tinha intei em vista humanidade os destinos da ra i o . Para sendo a relig ã ele Israel era apenas um meio, universal a sua finalidade. Moisés conduziu, primeira mente, as tribos de Israel ao Sinai, no deserto árido, em frente à montanha consagrada a Eloim por todos os· Se mitas, onde ele obtivera a revelação. A elite das tribos acampou no planalto de Farã, à entrada da garganta sel vagem que leva aos rochedos de Serbal. O cimo do Si nai domina esse terreno pedregoso, convulso, vulcânico. Então, diante de toda aquela gente, Moisé anuncia, so� s Ienemente, que subirá à montanha para consultar Eloim. Ao. voltar, trará a lei escrita em uma tábua de pedra. Or dena ao povo que o aguarde, velando, jejuando, m cas e tidade e oração. Entrega à guarda dos setenta anciãos a arca, desaparece na garganta, levando consigo apenas o fiel discípulo Josué. Passam-se os dias e Moisés não. regressa. O povo já se mostra inquieto e em seguida expande-se em queixas. Por que levá-los ao deserto, aos ataques dos Amelecitas? Moisés prometeu a terra de Canaã, onde corren1 o leite e o mel, e no entanto eles estão no deserto, morrendo de f orne. A servidão no Egito era melhor do que aquela vida miserável. Se o Deus. de Moisés é o verdadeiro Deus, então que desse provas disso, vencendo os inimigos do povo e fazendo que este entrasse logo na Terra da Pro missão. As queixas aumentam e o povo e os chefes amo tinam-se. Aparecem então as Moabitas, mulheres de pele ne gra, corpos esbeltos, belas formas, concubinas ou servas alguns chefes edomitas, associados a Israel. L de embram -se de terem sido sacerdotisas de Astarote e terem cele brado as orgias da deusa, nas florestas sagradas da terra natal. Enfeitadas de ouro, vestidas de panos de cores bri lhantes, surgem sorridentes, parecendo serpentes que sur gissem do solo. Introduzem-se entre os rebeldes e enla çando-os com braços ornados de anéis tintilantes de bron-
Egito? Quem do sacerdote ze, perguntam: "Que1n é esse s atiraram-no é seu Os Refain Deus? Ele morreu no Sinai. filhos de Canaã. Os no abisn10. Ele levará as tribos a não r·, As Belfego Israel devem os deuses de ·Moab: invocar deuses que tarote vistos, são . São deuses que podem ser " de Canaã! realizam país n1ilagres. Ele os levará ao . deuses que Aarão: "Dá-nos Os amotinados gritam a Egito até os do marche à trouxe-n m nossa frente! Moisés Aarão aqui lhe aconteceu." e agora não sabemos o que de Moab esforça-se por turba. As mulheres acalmar a Es cham uma caravana. am padres egípcios, vindos em e de madeira, tes trazem uma estátua de Astarote, feita Os amotinados, erguem- de pedra. na sobre um pedestal mandar fundir ameaçando Aarão de morte, obrigam-no a uma - Sacrificam-se tou estátua de ouro de um bezerro. ros e bodes aos deuses estrangeiros, bebem, comem, exe cutam danças luxuriosas, sob a orientação das moabitas. Os setenta anciãos, escolhidos por Moisés para a guarda da arca, em vão tentam acalmar os insubordina ·dos. Sentam-se ém volta da arca, cobrindo a cabeça com u1n saco cheio de cinza. Ouvem os gritos selvagens, vêem o povo em desordem, revoltado · contra o seu D·eus. Que será da Arca, do Livro, de Israel, se Moisés não voltar? Mas ele regressa, depois do seu longo· retiro no -mon te de Eloim. Traz a Lei escrita em · duas tábuas de pe
dra ( <J). Entrando no campo, vê ás danças, a bacanal do povo, diante dos ídolos de Astarote e de Belfegor. A vis ta do sacerdote de Osíris, interrompem-se os bailados, os padres estrangeiros fogem, os rebeldes hesitam. A cólera con10 fogo devorador acende-se no íntimo de Moisés. Quebra as duas tábuas e sente-se que ele arrebentaria aquela gente; se pudesse. Israel treme, mas os olhares dissimulam ódio sob a aparência de medo. Invocando Eloim-Iavé, O Espírito Másculo, o Prin grita Moisés: cípio-Fogo, rn N ,Antiguidade, as palavras _gravadas na pedra eram con a siderada,s as mais sagradas. O hierofante de Eleusis lia aos inicia - dos· frases gravadas em placas de pedra. Estes juravam · não trans.;. mltirt;)rn a· ninguém aquelas frases,_ que·. não estavam escritas �m nenhum outro luear. _ .114 -Venham os setenta! Tomem a arca e subam co migo à montanha! Quanto a esta gente, espere. Vou tra zer-lhe a sentença de Eloim! Os levitas, carregando a arca, acompanham Moisés. l obra as ten Enquanto isso, metade d acampamento d o das sela os camelos e prepara-se para fugir. De repente, , a atmosfera escurece. O céu torna-se negro. A ventania espalha nuvens. de areia, os relâmpagos · as nu rasgam vens que se derramam em torrentes de chuva. E logo ou vem-se trovões e raios atravessarem o ambiente. O povo não duvida de que seja a cólera de Eloim, ·evocad por o Moisés. Aproximando-se a noite, acalma-se a tempestade. E não tarda que Moisés reapareça à frente dos setenta, ordenando: - Aproximem-se aqueles que são fiéis ao Eterno! Três quartos dos chefes de Israel enfileiram-se ao lado de Moisés. Os rebeldes escondem-se sob as tendas. Então o profeta ordena que sejam passados a fio de es pada os instigadores do motim e as sacerdotisas de Asta rote, para que Israel sempre temente a Eloim não esque ça a lei do Sinai e seu primeiro mandamento: "Eu sou o Eterno, teu Deus, que · te tirei do país do Egito, da casa da servidão. Diante de mim, não terás outro Deus. Não talharás imagens semelhantes a coisas que estão lã em cima nós céus, ou nas águas, ou na terra". Por esse misto· de terror e de mistério, Moisés im pôs sua lei e seu culto ao seu povo. Era necessário im primir a idéia de. !avé em letras d.e fogo na alma daquela gente. Sem aquelas medidas implacáveis, o morioteísino jamais teria triunfado sobre o politeísmo que vinha da Fenícia. e de Babilônia. Mas que tinham visto os Setenta no monte Sinai? o Deuteronômio (XXXIII, 2) refere-se a uma colossal visão com milhares de santos no meio da tempestade. Seriam os sábios do antigo ciclo, os primeiros iniciados dos Arias, da fndia, da Pérsia, do Egito, todos os nobres fi lhos da Asia, da terra de Deus, que vieram auxiliar Moi sés em sua obra,· exercendo . pressão decisiva �a cons ciência dos seus associados? De qualquer modo, Moisés transmitiu aos setenta o · fogo divino e a energia da sua própria vontade. /!: ,..,
' ,) Pelas cenas do Sinai, pela execução em massa · dos rebeldes Moisés firmou sua autoridade sobre os nôma des, ferro qu� ele agora continha com sua mão de- . No decurso da marcha, rumo a- Canaã, ele teve de lutar con tra a tibieza, as calúnias, as Conspirações, orientadas por chefes ambiciosos como Coré e Datã. Segundo o Penta teuco, Moisés vence todos os obstáculos por meio de milagres mais do que inverossímeis. Concebido como Deus pessoal, Jeová está S·empre à sua disposição, apa recendo sobre o tabernáculo como nuvem luminosa, cha mada a glória do Senhor. Somente Moisés pode entrar no tabernáculo. Os profanos que se aproximarem serão. feridos de morte. O tabernáculo de assinação, onde se abriga a arca, é uma espécie d� gigantesca bateria elé trica. Uma vez carregada do fogo de Jeová, fulmina massas humanas. Os filho . de Aarão, os duzentos e cin s qüenta partidários de Coré e de Datã, em suma, quator ze mil indivíduos; homens do povo, São fulminados, ins tantaneamente. Além disso, Moisés, em hora marcada, provoca um terremoto, em que são engolidos pela terra os três chefes revoltados com suas famílias. Há nessa façanha algo de·· terrivelmente poético e grandioso. Todavia, essas narrativas de prodígios colossais podem ser tomadas por interpretações de fenômenos pro duzidos pela arte mágica de Moisés, análogos aliás, aos a que se refere a tradição dos templos antigos. Agora é possível uma interpretação daqueles pretensos milagres, executados pelo profeta, segundo o ponto de vista de uma teosofia racional. A produção de fenômenos elétricos, sob diversas formas, pela vontade de poderosos iniciados, não é exclusiva de Moisés, segundo a tradição. Os caldeus · atribuiam-na aos magos, aos gregos, aos romanos e a
certos sacerdotes de Apolo e de Júpiter. (1 ) Trata-se,
Nas mesmas circunstâncias, foi repelido duas vezes um assalto ao templo de Delfos. Em 480 a.e., atacaram-no as tropas de Xerxes, que recuaram apavoradas ante uma tempestade acom panhada de chamas, que saiam do solo e da queda de grandes ., blocos fie pedra (Heródoto). Em 279 a.e., . o templo foi nova mente, atacado por uma invasão de Gauleses e de Qui�ris o, templo estava· defendido por um pequeno grupo de Focianos · Os bárbaros investiram. Quando iam penetrar no templo, reb�ntou . uma tempestade. Os foc1anos derrotaram os Gauleses (Vide a narrativa na Histoire des Gaulois de AMEDtE THIERRY).
sem dúvida, de fenômenos elétricos. Mas a eletricidade da atmosfera terrestre seria movimentada por uma força mais sutil, mais universal, que os grandes adeptos se limitariam a atrair e a concentrar. Os brâmanes denomi · nam-na akasha, os magos da Caldéia princípio-fogo, os cabalistas medievais chamavam-na o grande agente má po gico. Do nto de vista da ciência moderna, poderia de nominar-s o ante e f rça eterizada. Era utilizada, ou m�di ação direta · ou por intermédio de agentes invisíveis, , conscientes ou semiconscientes de que a atmosfera estâ repleta e que podem ser submetidos à vontade dos ma gos. Essa hipótese, em vez de contrariar uma concepção racional do universo, é ela própria indispensável à expli cação de inúmeros fenômenos que de outro modo seriam incompreensíveis. Acrescente-se que tais fenômenos são regidos por leis imutáveis, sempre proporcionais à força intelectual, moral e magnética do adepto. Anti-racional e anti-filosófico seria a movimentação da causa primeira, de Deus, por um ser qualquer, ou en tão a imediata ação por um agente, sem fator interme diário, que seria a unificação desse agente com Deus. A ação de Deus no universo só se exerce, indiretamente, hierarquicamente, mediante leis universais. e imutáveis, que exprimem Seu pensamento, u atravé dos membros o s da humanidade terrestre e divina, que. O representam, parcial e proporcionalmente, no infinito do espaço e do tempo. estas premissas, julgamos perfeitamente pos Aceitas sível que Moisés, apoiado em potencias espirituais suas protetoras, manejando com ciência consumada a força eterizada, tenha podido utilizar-se da arcà como de uma espécie de receptáculo, de concentrador atrativo, para a produção de fenômenos elétr�cos fulminantes. Para obter enos, Moisés e seus sacerdotes e confidentes tais fenôm isola_vam-se usando vestuários de linho e perfumes, os , quais serviam de defesa contra as descargas de fogo ete rizado. Entretanto, a lenda sacerdotal deve ter exagera o dess fogo teria de ser rara. do, pois produçã e Bastou a Moisé ferir, mortalmente, alguns chefes rebeldes ou le s vitas desobedientes com uma certa projeção desse fluido , etérico, · para aterrori�r e - dominar todo o povo.
A morte de Moisés Quando Moisés conduziu o seu povo até a fronteira de Canaã, sentiu que estava terminada sua missão. Que era Iavé-Eloim para o Vidente do Sinai? A ordem divina de alto a baixo, através de todas as esferas do universo, realizada · na terra visível, à imagem das hierarquias ce lestes e da verdade eterna. Não fora em vão gue ele con templara a face do Eterno, refletida em todos os mun dos. O Livro estava na Arca. A Arca era defendida por um povo forte, a Arca templo vivo do Senhor.· Institui ra-se, portanto, na Terra o culto do Deus único. O nome de Iavé brilhava em letras flamejantes na· consciência de Israel. As vagas do tempo poderiam rolar sobre a al ma mutável da humanidade. Mas elas jamais apagariam o nome do Eterno. Tendo entendido isso, Moisés invocou o Anjo da l\1orte: Impôs as mãos sobre a cabeça do seu sucessor, Josué, diante do tabernáculo, a fim de que o Espírito de Deus descesse sobre ele. Depois, abençoou toda a huma nidade, representada. pelas doze tribos de Israel. Afinal, acompanhado somente de Josué e de dois levitas, subiu ao monte Nebo. Antes dele, Aarão voltara aos antepas sados. A profetisa Maria tomara o mesmo caminho. Ago ra, chegara a vez de Moisés. Quais teriam sido os pen samentos do profeta centenário, quando viu desaparecer o acampan1ento de Israel e subiu à grande solidão de Eloim? Que teria sentido ele, ao passar pela última vez os o1hos pela Terra Prometida, desde Galaade até Jeri có, a cidade dos palmares? Pintando magistralmente esse estado d'alma, um v�rdadeiro poeta, Alfredo de Vigni, fé-lo soltar este brado: ó Senhor, vivi poderoso, s9litário, Deixai que . eu adormeça do sono da terra!
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