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Capítulo 11 de 21

Os Grandes — parte 8 de 13

Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 1

lhares de devas vinham acolher-se na irradiação Mi e, como em um da Virgem�Mã foco incandescente. Cris­ na sentiu-se como envolto no olhar de amor de Devac. Então, no coração da mãe radiosa, o seu ser resplande­ ceu através de todos os céus. Ele Filho sentiu que era o a alma divina de todos os seres, a Palavra de vida, o Verbo criador. Superior à vida universal, entretanto, ele penetrava-a pela essência da dor, pelo fogo da prece, pela felicidade de · um divino sacrifício. .. do Criador do Universo, a mãe dos Vedas. Ser eterno, compreen des em tua substância a essência de todas as coisas criadas. Idên­ tica à criação, sacrifício de onde procede tudo que produziu a terra. .lts a: · madeira de que se faz o fogo; Aditi, és a mãe dos deuses e como · Diti és a progenitora dos Datiias seus inimigos. & a luz de onde nasce o dia, a humildade, a mãe da verdadeira sabedoria, a política dos reis, a mãe da ordem, o desejo de que nasçe o amor, a· satisfação de que se deriva a resignação, a inte- . ligência mãe da ciência, a paciência mãe da coragem. O firma­ mento e as estrelas são teus filhos. Tudo quanto existe procede de ti. Desceste à Terra para a salvação do mundo. Tem compai­ xão de nós. Sê favorável ao universo, sentindo-te feliz por traze­ res . em teu ventre o deus que sustenta o mundo". Est!;! trecho prova que os brâmanes identificavam a mãe de Crisna com a substância universal e o principio feminino da natu­ reza. Fizeram dele a segunda pessoa da Trindade . divina, da Tría­ da inicial não manifesta. O Pai, Nara (Eterno-Masculino), a Mãe, Nari (Eterno-Feminino), o Filho, Viradi (Ve�l?o-Criador) tais são as faculdades divinas. Em outros termos: o principio intelectual, o princípio plástico, o principio produtor. Todos três constituem a natura naturans, expressão de Espinoza. O mundo organizado, o universo vivo, natura naturata, é o produto do Verbo criador, por sua vez, manifesto sob três formas: Brahma espírito, correspon­ dendo ao mundo divino; Visnú, alma, correspondente ao mundo humano; Siva, o corpo, correspondente ao mundo natural. Nesses três mundos, o princípio masculino e o principio feminino ( essên­ cia e substância) são igualmente ativos e o Eterno-Feminino ma­ nifesta-se ao mesmo tempo na natureza terrestre, humana e divi­ na. Isis é tríplice. Cibele também. Vemos assim concebida a dupla trindade a de Deus e a do Universo, contendo os princípios e o quadro de uma teodicéia, de uma cosmogonia. :t justo reconhecer que esta idéia matriz saiu da lndia. Todos os templos antigos, todas as grandes religiões, várias filosofias célebres adotaram-na. No tempo dos apóstolos, nos primeiros séculos do cristianismo, os iniciados cristãos reverenciavam o principio feminino da natureza · de Espírito Santo, representado visível e invisível, sob o nome por feminina, em todos os templos uma pomba, sinal da potência da Asia perdeu a chave dos seus e da Europa. A Igreja ocultou e mistérios, está inscrito nos seus sím­ mas o seu significado ainda bolos. 9J Quando Crisna voltou a si, o- trovão ainda rolava pelo céu, a floresta estava sombria e as águas da chuva derramavam-se sobré a cabana. escorria do corpo Uma gazela o sangue, que lambia sublime era apenas traspassado do anacoreta. O velho um cadáver. o. Um abis­ Ma ressuscitad s Crisna levantou como -se mo vãs aparências. Ele separava-o do mundo e das suas entrevira a grande verdade, compreendendo a sua missão. Quanto ao rei Cansa, aterrorizado; fugia em seu carro, perseguido pela tempestade e os seus cavalos em­ · se estivessem sendo fustigados por pinavam-se como mil demônios .. A doutrina dos iniciados es Os anacoretas saudaram Crisna como o sucessor .. perado e predestinado de Vasista. Celebrou-se na flores­ ta sagrada a srada ou ritual fúnebre em memória do santo ancião. Depois de consumado o sacrifício do fogo, na presença de três e�·emitas mais antigos, que sabiam de cor os Vedas, foi entregue a filho de Devac o bastão o de sete nós, emblema do poder. Depois, retirou-se Crisna para o monte Meru, a fim de lá meditar em sua doutrina e na sua missão de sal­ vação dos homens. Suas meditações e penitências dura­ ram sete anos. Sentiu então que dominara sua natureza terrena, sobrepondo-lhe a sua natureza divina e que esta­ va identificado com o sol de Mahadeva, assim merecendo o nome de filho de Deus. Somente nessa ocasião foi que chamou para junto dele os anacoretas, moços e velhos, para lhes revelar sua doutrina. Encontraram Crisna purificado e engrandecido. O herói transformara-se em santo. Não perdera a força do leão, mas adquirira a doçura das pombas. Entre os primeiros que foram ao seu encontro estava Arjuna, ·des­ cendente dos reis solares, um dos Pandavas destrona­ dos pelos Curavas ou reis lunares. O jovem Arjuna, en­ tusiástico, tendia ao desânimo e à dúvida. Dedicou-se, apaixonadamente, a Crisna. Sentados, sob as copas dos cedros do monte Meru, em face do Himavant, Crisna começou a falar das ver­ dades inacessíveis aos homens, dominados . pelos senti­ dos, perante os seus discípulos. Ensinou-lhes a doutrina da alma imortal, dos seus renascimentos, da sua mística união com Deus. O corpo, dizia ele, é o invólucro da alma, que faz nele sua moradia, sendo U,Qta coisa finita. Mas .o que está nele é invisível, imponderável, incorrutível, eter- ,

a divindade como é tríplice no. º) ( O e homem terrestr Se a alma e corpo. ele , alma que reflete: inteligência e a a sabedoria atingirá Satva, unir-se à ia, ela inteligênc ncia e o a inteligê entre· paz. Quando permanece indecisa, e volteia pai ão, í Rajas, a x corpo, fica sob o dom nio de ando e ao -s fatal. Entreg de objet objeto, em rodopio o em e morte ignorância cor cai no Tamas, que é loucura, po, . . . si mesem · observar · pode transitór · ia� Isso cada homem · mo e em tomo dele. · Perguntou Arjuna: morte? Obe­ depois da ·:o da alma· -- Qual é destino dela? livrar-se· decerá sempre à mesma lei ou pode Respondeu Crisna: -Não. se livra jamais, obedece-lhe sempre. Nisso está o mistéri dos renascimentos. Assim como as . pro­ o . fundezas do céu abrem-se à luz das estrelas, assim . as profundezas .da vida iluminam-se ao clarão desta verda­ de. Quando se desfaz o corpo, logo que predomina Satva (a sabedoria), a alma eleva-se até a região dos seres puros, que possuem o conhecimento do Todo Poderoso. Se Rajas ainda· exerce domínio sobre a alma depois da dissolução do· corpo, então ·ela volta a viver entre aque­ les· que estão apegados às coisas terrenas.· Do mesm o mo .. do', se o corpo é destruído enquanto predomina Tamas (a ignorância), a alma·· ainda obscurecida· pela matéria é · outra vez atraída pela . matriz de algum ser irracio�

nal. ) (1 Observa Arjuna: -Isso é justo. Mas, ensina-nos · agora o que acon­ tece no decurso dos séculos àqueles que, tendo sido perfeitos, depois da morte, vão habitar · os mundos divinos? Respondeu-lhe Crisna: · -. Quando surpreendido pela morte, em estado de devoção, o homem, nas regiões superiores pode gozar, . durante séculos, das recompensas devidas às suas virtu-

-0 Bagavad Gita, Liv. I. Esta· doutrina se acha também ex­ posta no diálogo platônico "Da alma".

Bagavad Gita, Liv. XIV.

des. · Voltará, entretanto, à terra para estar em um corpo, no meio de uma família santa e respeitável. É, porém, muito difícil obter esta espécie de regeneração, nesta vida. O homem assim renascido possui o mesmo grau de adiantamento e de entendimento, que possuia, em seu cor anterior. Mas vai recomeçar trabalho de aper­ po o

1 ) ( . feiçoamento da devoção E observa Arjuna: - Quer isso dizer que até mesmo os bons são for­ çados a renascer e a recomeçar a existência corporal. Mas, diz-nos, ó senhor da vida, se não terminam os re- , nascimentos perpétuos para quem possui a sabedoria ... Diz-lhe então Crisna: -Ouçam este enorme profundíssimo segredo. e O mistério soberano, sublime e puro. Para alcan"çar a per­ feição, faz-se necessária a conquista da ciência da uni­ dnde, superior à sabedoria. Devemos elevar-nos até o . ser divino, acima da alma, acima da inteligência Ora, esse divino ser, esse amigo sublime, estã dentro de cada um de nós. Deus reside no interior de cada homem, no entanto poucos sabem encontrá-lo. "Eis o caminho da salvação. Quando tiveres perce­ bido o ser perfeito, acima do mundo mas dentro de ti, decide-te a abandonar o inimigo, que assume a forma do desejo. Dominai vos·sas paixões. Os gozos dos senti­ dos são a origem dos desgostos futuros. Não basta a prática do bem, é necessário também ser bom. O motivo da bondade deve estar no ato e não nos frutos. Renun­ ciai ao fruto das vossas ·ações, cada uma das quais. en­ tretanto, hã de ser uma oferta ao Ser supremo. Quem fizer o sacrifício das suas ações e dos seus desejos ao ser do qua provêm os princípios de todas as coisas, l por quem foi formado o universo, obtém mediante esse sacrifício a perfeição. Espiritualmente unido a ele, esse homem atinge a sabedoria espiritual, superior ao culto das ofertas, e sente uma felicidade divina. Pois quem acha em si mesmo a . sua felicidade, a sua alegria, a sua luz, é uno com Deus. Ora, saibam, a alma que achou

Bagavad Gita, liv. V. Deus, está livre do morte, da velhice renascimento e da

e da dor, . pois bebe da água da imortalidade" ( ) s. discípulo Assin1 explicava Crisna sua doutrina aos pouco os, elevava- Mediante interna, ele a contemplação reve­ lhe tinham a que se p·ouco à , s verdades sublimes, f lav ele Quando lado, sob o da sua vis�o. � o relâmpag � feições graves, suas de Mahadeva voz assumia tons , sua iluminavam-se. Um dia, Arjuna, em impulso de coragem e de audá­ cia, pediu: -Mostra-nos Mahadeva em sua forma divina. Nos­ sos olhos não podem contemplá-lo? Crisna ergueu-se e começou a falar do ser que res­ pira em todas as criaturas, o ser de cem mi . formas, de l olhos inúmeros, de faces para todos os lados, que os ul­ trapassa a todos mesmo que tivessem a altura do infi­ nito. O seu corpo imóvel e sem limites encerra o uni­ verso instável com todas as suas divisões. E Crisna acen­ tuou: -Se surgisse nos céus, o esplendor de mil sóis, esse esplendor apenas seria parecido ao do Todo-Poderoso único. Enquanto Crisna falava, jorrou dos seus olhos um fulgor tal que os discípulos não lhe suportaram o brilho e prosternaram-se aos seus pés. Os cabelos de Arjuna eriçaram-se. Curvando-se, disse o jovem anacoreta, jun­ tando as ·mãos: -Mestre, tuas palavras espantam-nos! Não pode­ mos suportar a visão do grande Ser, que evocas diante

de nós. Essa visão é fulminante! C1' ) Crisna replicou: -Ouçam, o que ele vos diz pela minha boca: eu e todos vós, tivemos vários nascimentos. Os meus nasci­ mentos, somente eu sei qua.is foram. Mas vós ignorais os vossos. Embora, por minha natureza, eu não esteja

Amrita - ambrósia dos deuses, licor que conferia a imor­ talidade a quem o bebesse. Termo que se aplicava nos tempos védicos ao suco do Soma.

Alusã à transfiguração o de Crisna no Bagavad Gita liv. XI. Cristo, transfigura o no monte T;\bor, tornou-se também' res-

plandecente.

sujeito nem a nascer, nem a ·morrer, sendo o senhor de todas as criaturas, domino a 1ninha natureza e torno-me visível pelo meu próprio poder. Quando a virtude decli­ no mundo, subjugada pelo vício e pela injustiça, eu na me apresento na terra, de idade em idade, para salvar o justo, destruir o malvado, restabelecer a virtude. Quem conhecer, verdadeiramente, minha natureza e minhas 1 5 obras divinas, jamais renascerá e une-se a mim. ( ) Falando assim, Crisna olha os seus discípulos com doçura e benevolência. Arjuna então exclamou: -Senhor! l!s o nosso soberano, és o filho de Maha­ deva! Vejo-o em tua bondade, em teu encanto inefável, mais · ainda em teu fulgor terrível. Não é · nos abismos do infinito que os devas te procuram e desejam, mas, sim sob a forma humana, é que eles te amam e adoram. Nem a penitência, nem as esmolas, nem os Vedas, nem o sa­ crifício valem um só dos teus olhares. J! a verdade. Con­ duz-nos à luta, ao combate, à morte, nós te seguiremos! Sorridentes e animados, os discípulos comprimiam-se à roda de Crisna, dizendo: -Como é que não o tínhamos visto antes? Maha­ deva fala em ti. Crisna explicou-lhes: -Os vossos olhos não estavam abertos. Entreguei- -vos o grande segredo. Transmitam-no apenas a quem puder entendê-lo. Vós, escolhidos por mim, vedes o fim. A multidão vê apenas um trecho do caminho. Agora, vamos pregar ao povo o caminho da salvação.

i:5 Bagavad Gita, liv. IV. 9'1 O triunfo e a morte , no monte discípulos aos Depois de suas instruções às margens deles, dirigiu-se Meru, Crisna, em companhia da conver­ de tratar a fim rio e do Ganges, do Jamuna nas demorava-se cabanas, são do povo. Entrava nas redor dele, em agrupava-se cidades. A tarde, a multidão que ele do mais, o os. Antes nas cercanias dos povoad que causar­ "Os males pregava povo era a caridade. ao ele -, perseguir-nos-ão ao -dizia mos nosso próximo " " A . s h nosso corpo mbra acompan a o como a nossa so ações que têm por princípio o amor ao nosso semelhan­ te devem ser as preferidas pelo justo, pois são as que mais valem na balança celeste. Na companhia dos bons, teus exemplos serão inúteis. Convive com os mau para s levá-los ao bem. O homem virtuoso assemelha-se ao cas­ tanheiro gigantesco de sombra benfazeja às plantas que o rodeiam, dando-lhes a frescur·a da vida." Crisna, cuja alma exalava um perfume de amor, fa­ lava de abnegação e de sacrifício, usando de imagens se­ dutoras, num tom de voz sedutor. "Devemos retribuir o mal com · o bem, assim como a terra suporta os que a pisam e os que lhe ferem o seio, na lavratura do solo. O homem honesto, ao ser abatido pelos malvados, há de ser como a árvore do sândalo que perfuma a lâmina do machado que a .corta". Quando os meio-sábios, os incré­ dulos, os orgulhosos, pediam-lhe que explicass·e a natu­ reza de Deus, éle respondia-lhes com frases como estas: "A ciência humana é apenas vaidade. Todas as suas boas ações são ilusórias, quando ele não as oferece a Deus. Deus ama o humilde de coração e espírito. Somente o infinito e o espaço podem entender o infinito. Somente Deus pode compreender Deus." Ele entusiasmava, atraía a gente, não só pelo que havia de novidade em suas palavras como também pelas palavras relativas ao Deüs vivo, a Visnú. Segundo ele ensinava, o senhor do universo já se encarnara diversas 9B ezes. Estivera, sucessivamente, na terra sob a forma v voltaria pessoal dos sete richís, de Viasa, de Vasista. E ainda. Mas, segundo Crisna, Visnú algumas vezes falava pela boca dos humildes, de um mendigo, de uma peca­ dora arrependida, de um menino. Narrava a parábola do pobre pescador Durga, que encontrara um menino a morrer de fome sob urria tamareira. Durga, paupérrimo, com muitos filhos, sentiu pena do garoto e levou-o para casa. O sol desaparecera, o luar espelhava-se no Gan­ ges, a família jâ dissera a prece vespertina quando o me­ nino murmurou: "O fruto do Cataca purifica a âgua, as­ sim como as boas ações purificam a alma. Toma as tuas redes, Durga, e leva a tua barca ao meio do Ganges." Durga lançou as redes, que saíram das águas carregadas de peixe. O menino desaparecera. E dizia Crisna: "Quan­ do o homem esquece a sua própria miséria para cuidar da de outrem, manifesta-se Visnú para fazer-lhe o cora­ ção feliz." Mediante esses exemplos, Crisna pregava o culto de Visnú. Quando falava o filho de Devac, todos ficavam maravilhados por terem Deus tão próximo do coração. Difundiu-se na fndia a fama do profeta do monte Meru. Os pastores que o tinham visto crescer, acompa­ nhando-o em suas primeiras façanhas não acreditavam fosse aquele santo homem, o adolescente impetuoso que eles tinham conhecido. O velho N anda falecera, mas ainda viviam as suas duas filhas amadas de Crisna. Fora diferente o destino de ambas. Irritada pelo afastamento de Crisna, · Sarasva­ ti procurará esquecê-lo, casando-se. Contraira matrimô­ om um nobre, seduzido pela beleza da moça. Mas nio c depois· repudiata-a, vendendo-a a um vaichiia ou nego­ ciante. Tempos depois, Sarasvati, desprezando esse ho­ mem, abandonara-o para a vida dissoluta. Mas, certo dia, heia de remorso e de desgosto, regressou à sua c terra e, secretamente, procurou a irmã, Nisdali. Esta, · pensando sempre em Crisna, não se casara, vivia com um irmão, como servente. Nisdali disse-lhe: .:__ Eu perdôo-te, mas meu irmão não te perdoará ja­ mais·. Soment Crisna pode salvar-te. e Animou-se o olhar de Sarasvati, que exclamou: -Crisna!

E perguntou: -Onde está? Que é ele agora? Respondeu-lhe a irmã: - Um santQ. Um grande profeta! Está pregando, às margens do Ganges. -Vamos ao seu encontro! disse Sarasvati. E as duas irmãs iniciaram a caminhada, uma depri­ mida pelas paixões, outra embalsamada em candura, mas ambas consumidas pelo mesmo amor. Crisna continuava expondo sua doutrina. Falava aos brâmanes, aos guerreiros, ao povo. Aos brâmanes, ex­ punha profundas verdades, aos guerreiros falava de vir­ tudes militares e familiares, diante do povo exprimia-se com sinceridade nas expressões, referindo-se à caridade, à resignâção, à esperança. Crisna estava sentado à mesa de um almoço, em casa de um · chefe afamado, quando as duas mulheres pediram para serem apresentadas ao profeta. Deixaram­ -nas entrar, pois estavam vestidas como penitentes. Am­ bas prosternaram-se ante Crisna. Sarasvati, lacrimosa, disse: -Desde que nos deixaste, eu tenho tido uma vida errônea · se quiseres, Crisna, podes e· pecaminosa. Mas, salvar-me! Nisdali acrescentou: -Crisna, quando te vi, outrora, eu sabia que te amaria para sempre! Agora que te vejo em tua glória, sei que tu és o filho de Mahadeva! As duas beijaram-lhe os pés. Mas os rajás presentes observaram: -Por que permites, santo richj, que estas mulhe­ res do povo te insultem com suas palavras? · respondeu-lhes: Crisna -Deixai-as aliviarem os seus corações. Elas valem mais do que nós. Esta possui a fé, aquela tem o amor. Sarasvati já está salva, pois acreditou em mim. Nisdali, com o silêncio, provou amar mais a verdade do que vós todos. Sabei que minha mãe radiante, que vive no sol de Mahadeva, ensinar-lhes-á os mistérios do amor eterno, enquanto permanecereis envoltos nas trevas das vidas inferiores.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.