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Capítulo 1 de 21
Parte 1 de 3
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 1
Contra Capa inicial OS INICIAD GRANDES OS das Reli Secreta a História Iniciação giões
Volume r e explica se conhecer É impossível terra se na do Homem a permanência levou ao que o bem o se conhecer não e as forças material desenvolvimento e místi religiosas psíquicas, espirituais, _ das · a partir que o impulsionaram, cas a sua impor agações sobre ind primeiras rpais _nobres. e suas funções tância especulati�as ou A par das ciências · esse progres·so pela exatas que estudam evolução físi·ca e cultural, não se pode prescindir do estudo de suas pesquisas sobre os segredos do universo, de como surgiram suas crenças nas divindades, surgindo a comunicabilidade com os deuses. A história da s religiões que o . vulgo conhece é apenas exterior. Os Grandes Iniciados, esta obra imor tal de Édouard Schuré, vem nos mos trar a história oculta das religiões, as doutrinas secretás, as mensagens mais profund�s dos iniciados, profetas, re formadores do conhecimento humano pela tradição esotérica. Esta, a doutri na dos mistérios, é «muito difícil de decifrar, porque se passa no fundo dos tem plos, nas confrarias secretas> e é \ tr ansmitida pelos grandes profetas _ e qu ' nao f con · ' •anam · .a qualquer • leigo os seus <ext ases di\'in os• ·. Contra Capa Final Neste volume encontramos o núcleo das doutrinas secretas da raça ariana, através de Rama e na doutrina trinitá ria de Crisna, origem do Bramanismo. Em Hermes ( os mistérjos do Egito), doutrina anterior ao aparecimento da _raça ariana, tomamos contato com a . J . mais profunda sabedoria do antigo Egij to, onde os sacerdotes da Âmon-Rá pro fessavam a alta metafísica. Com Moisés, passamos a conhecer os primórdios . da tradição monoteísta e os ensinamentos do ocuf tismo procedente do Fgito, de onde ele partiu para a li bertação dos judeus, da magia cabalís tica da Caldéia e da Pérsia,. ensinamen tos de que foi repositário e o dtvulga dor, e tomamos conhecimento das inter pretações da linguagem apenas simbóli- . ca contida na Bíblia. A descrição da iniciação de Moisés no Egito de Ram sés II, a travessia do deserto e as ten tações das filhas de Moabe, sacerdotisas de cultos profanos, são páginas que nos fazem compreender melhor a evolução da história religiosa do homem. Além do mergulho que esta obra nos permite dar nas profundezas dos mis térios tão ciosamente resguardados pe los Iniciados, sua leitura é como uma viagem mágica aos · subterrâneos secre tos das iniciações e dos mistérios. E Schuré a escreveu co1úo se se tratasse de um poema sobre o Homem unh·er sal. Os EDITORES OS GRANDES INICIADOS ÉDOUAR.D SCHURÉ OS GRANDES . INICIADOS - Esboço da História Secreta das �eligiões - RAMA - CRISNA - HERMES - ·MOISÉS Volume 1 LIVRARIA· EDITORA CATEDRA Rio de Janeiro
Tradução e Notas de RAUL s. XAVIER Capa: LUIZ FALCÃO Direitos para a I íngua portuguesa reservados à UVllA.RIA EDITORA CÁTEDRA LTDA. Rua Senador Dantas, 20 - salas 806/7 Tel.: 240-1980 -· Rio de Janeiro, RJ - Brasil
Impresso no Brasil Printed in Brazil SUMARIO . . IX . . . Nota da Editora . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . X 1 Bihliografia de &louard Schuré . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Jntrodução sohr� a doutrina esotérica - de Claude Bernard . . . . 1 vro I . 21 U - RAMA - o CICLO ARIANO . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
As raças humanas e as origens da religião ........ - . . A missão de . . . 36 Rama . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . O êxodo e a conquista . . . . . . . . . . . 42 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 O testamento do grande antepassado . . . . . . . . . . . . . . A religião védica . . . . . . . . . . . . . . . . 51 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Ç Livro lI ..-- CRISNA - A ÍNDI E A INICIA ÃO BRAMÂNICA • . 59 A A tndia heróica Os filhos do sol e os filhos da lua . . . . 61 . O rei de Madura . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66 A virgem de Devac . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71 A juventude de Crisna . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 76 . . . . . . . . . . Iniciaçã . o· . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84 . A doutrina dos iniciados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 O . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 98 triunfo e a morte . . O esplendor do Verbo Solar ..... �................... . 109 Livro III - HERMF.S. Os MISTÉRIOS DO' EGITO •........... ,· .
A esfinge ... .. .. .... ... .... .. . .......... . . .. .... . . . .. 115 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Hermes . . . . . . . . . . . . . . . . . . 118 Isis. A iniciação As provas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 s ei Osiris A morte e a res urr ção .... ·............ . ...... 130 Herme . . . . . . . . . . . . . .visão de s . . . . . . . . . . A . . . . . . . . . . 134 Lv V - MOISÉS. A MISSÃO OE ISRAEL . . . . . . . . . . . . . i ro I . . . . 143 A tradição monoteísta e os patriarcas do deserto . . . . . . 145 Iniciação de Moisés no Egito. Sua fuga para a casa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . de Jetro . . . . . . . . . . . 151 f Bereschite . . . ........ . er . ........ O Se · ......... _ . . . . 157 o Sinai . . . . . visã . . . do . . . . . . A . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169 O txodo. O deserto. Magia e teurgia . . . . . . . . . . . . . . . . . .
A rte de Moisés . . mo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 178 NOTA DA EbTTORA Édonard Schuré nasceu a 21 de janeiro de 1841, <le fa mília originária da Renânia. Seu pai exercia a medicina em Estrasburgo. e sua mãe era filha do deão da Faculdade de Direito da mesma cidade. Esta, Paulina Bloechel, morreu quando ele tinha cinco anos de idade, tendo-lhe incutido o a1nor pelo f �ancês, idioma que adotou como língua materna. Aos quatorze anos perde o pai e fica sob a tutela do avô ma terno, o professor Bloechel. Nessa fase de preparação para a vida, familiariza-se com a poesia, a música, a filosofia, a história, lendo Tasso, Ossiã e, inclusive, Luís de Camões, e filósofos como Spinosa, Descartes, Kant, Hegel, Fichte, Shel ling. Fausto, de Goethe, exerce grande influência, pela temá tica mística que viria explorar depois. em sua obra. Matri cula-se aos dezoito anos na Faculdade de Direito de Estras burgo, mas seu interesse maior é . pelos estudos literários e fic cionistas e poetas como, dentre outros, Vic.tor Hugo, Musset. O Contato com a poesia alemã o leva a publicar, em 1868� sua primeira obra, História de Lied ou A Canção Popular na Alemanha. Desde cedo vê-se inclinado para a teosofia e o misticismo, principalmente após ter lido uma descrição dos Mistérios de Elêusis. Aos vinte e um anos, independente financeiramen te, vai passar dois anos na Alemanha a fim de escrever seu primeiro livro. Conhece lá · Richard \Vagner e assistiu en1 Munique, . em 1865, ao drama Tristão e Isolda. Entusiasmado com sua obra, procura contato com ele, de que vem resultar sua terceira -obra, publicada em dois· volumes, em 187 5 e 1876, O Drama Musical: I - Richard Wagner, sua obra e suas idéias; II - História do. Drama Musical. Em 1871 ha�· via publicado A Alsácia e as Pretensões Prussianas. Tendo publicado obras de variados gêneros literários, sua maior fama, entretanto, sua universalidade e sua imortalidade, são muito mais devidas a esta obra, Os Grandes Iniciados, pu blicada em 1 • edição em 1889, na França. Fora decisivo na sua carreira o encontro com Margarida Albana Nlignaty, em Florença, em l 872, que o tna iniciar na \'i<la mística, e dessa influência seria criado o clima que lhe foi prop1c10 à elaboração desta obra magistral em que, se gundo ele próprio, tenta unir a Religião e a Ciência: «A .arte de criar e de formar almas se perdeu, e não será reencontrada senão quando a Ciência e a Religião, irmanadas em uma força· viva, aplicarem-se a isso juntas e por um· comum acordo, para o bem e a salvação da humani_dade. Para isso, a ciência não precisa mudar de método, mas sim estender seu d�ínio, nem o Cristianismo precisa mudar de tradição, mas reunir nela as o_rigens, o espi rito e o alcance». Três idéias centrais dominam Os Gra.ndes Iniciados: 1� - l ym conceito cosmogúnico: a _concordância do ma crocosmo e llo microcosmo, pela constituição trinitária da di vindade, do universo e do homem (lei da trindade nos três mundos e sua manifestação por analogias diferenciadas); 2• - Um conceito psicológico; a. evolução das almas pela pluralidade das existências (lei da reencarnação); 3, - Cm conceito histórico; a evolução- da humanidade pela combinação da liberdade humana e de um influxo divino (lei. do progresso e da continuidade da inspiração na histó ria).* . Schuré penetra, numa· linguagem e numa visão muitas yezes mais poéticas que científicas, em descrições detalhadas de fatos e cenas dos Mistérios de Elêusis, de Delfos, de Dio nísios, como se ele. próprio os estivesse vivendo� e descreve personalidades como de _Crisna, Hermes, f sis, Orfeu, O siris, Moisés, Cristo, Platão, como se com eles houvesse convivido. Traduzido em quase todos os idiomas, Os Grandes. Ini ciados tem exercido ·influência marcante. entre ·pensadores, teó logos, filósofos, sacerdotes, ficcionistas e poetas,. pelo painel mágico que nos apresenta desde os tempos das primeiras ci vil�zações, em que surgiram os primeiros Iniciados. Édouard Schuré morreu em Paris a 7 de abril de 1929, consagrado· como ficcionista) poeta, . historiador, ensaísta, tea trólogo, e o grande pensador da Teologia, com estes Os Gran des lnic·iados. • Cf. Mácio Lobo Leal, em prefácio .à ed.· de Os Grandes Iniciados, di( ·Elos Editora, Rio, sd. BIBLIOGRAFIA DE f:DOUARD SCHUR� -HISTOIRE OU LIED OU CJ-IANSON POPULAIRE EN ALLF.MAGNE, .1 a edição, 1868. Nova · edição, precedida de . um estudo sobr des e o pertar da poesia popular ·na França, 1903 (Liv. Perrin). -L'ALSACE ET LEs PRÉTEN1t0Ns PRUSSIENNES, 187 f (Liv. Richard, Genebra). LE DRAMI:. MUSICAL: I. Richard Wagner, son <Euvre et son idée, 1 � edição, 187 5 (Liv. Fischbacher), 2� edição tecompo�ta, 1885 (liv. Perrin), 3� edição, 1895 (Liv. Perrin), 6� edição, aumentada com .os Souvenirs sur Richard Wagner (Liv. Perrin):' 1910 - II. Histoire du Drame Musical, 1� edição, 1876 (Liv. Fischbacher), 2� edição (Liv. Perrin), 1885. -LEs Cl-IANTS DE LA MoNTAGNE� poesias, 1877 (Liv. Fischbacher). -MELIDONA, romance, 1880 (Liv. Calmann-Lévy). -LA LÉGENDE DE L'ALSACE, poemas. 1884 (Liv. Charpentier). -LEs GRANDs lNITIÉ.S, esquiss.: de l'Histoire secrete des Religions,
� edição, I 8 89 (Liv . Perrin) . -LEs GRANDES LÉGENDEs DE FRANCE, 1 � ed�ção� 1891 (Liv. Perrin). -LA VIE MYSTIQUE, poemas, 1894 < Liv. Perrin). -L'ANGE ET LA SPHINGE, romance, 1897 (Liv. Pcrrin). -SANCTUAIREs v'ORIENT: Egypte, Grece, Pal�stinc, P edição, 1898 ( Liv. Perrin) . - LE DoUBLE, romance, 1899 (Liv. Perrin).
DE LAME: 1� série: Les Enfants ele TuÉATRE Lucífer (drame _ LE antique) em cinco atos; La S<Eur Gardienne (drame moderno), em quatr.o atos, 1900 (Liv. Perrin). - 2� série: La Rous.wlka (repre seQtada, por Lugné Poe, no teatro de J'CEuvre, em març de 1902) o (Liv. . Perrin) . - L' A n�e · et la Sphinge (légende drama tique) (Liv. Perrin). URS ET RÉVOL!És, 1� �dição, 1904 (Liv. PRÉCURSE Perrin). 'AME, 3� série: Léonard TRE DE L de· Vinci, pr _ LE THÉA ecedido do Eleusinien a Taormina, dram& e.m cinco Rêve atos, 1905 (Liv Perrin). ESSE. o'Is1s, légende de Pompéi, 1 � edição, 1907 PRÊTR (Liv. - LA Perrin). FEMMES INSPIRATRICES ET Po.ETEC, · ANNONCIATEURS, �909 (Liv · Peuin). (Liv. Perrin). L'AME DES TEMP NoVVEAUX, poemas, 1909 S Pe in), 1912 (Liv. rr Ou SPHINX AU CHRIST, -L'EvoLUTION· DIVINE: E, SA VIE i LE CORREG - Ensaio o o· so Albana, n bi gráfic bre Margarid a ET SON OEUVRE, de Marguerite Albana ( 1881 ) . olf de Rud UES, -LE MYSTE ÜIRÉTIEN ET LES .MYSTERES ANTÍQ RE dução. uma intro Stemer Traduzid do alemão e precedido de . o -LA alma DRUIDESSE, precedido de um estudo sobre Despertar da o céJtic a (I 914) ( Liv. Penin) . - L'ALSACE FRANÇAISE, Rêves et Combats, 1916 (Liv. Perrin). a - LEs PROPHETES DE LA RENAISSANCE, Dante, l.éonard de Vinci, R · phael, Michel-Ange, le Correge, 1919 (Liv. Perrin) . T -L'AMF CELTIQUE E LE ÜÉNIE DE LA FRANCE A TRAVERS LES AGES, 1921 · (Liv. Perrin). -LÉGENDEs o'ORIENT ET o'OccmENT,· 1922 (Liv. Nilson). - LE RÊvE o'uNt VJE, 19:!8 (Liv. Perrin). [Interessante autobiografia]. -LEs ÜR,\NDS JNITIÉs foram traduzidos em italiano por Arnaldo Ccrvesato ( Bari. 1906); em inglês por Rothwell (Wellby, Londres)� em alemão pela Sta. Mari Sivers, com um prefáci do Dr. a de· o Rudolf Steiner . ( Alt man n. Leipzig, 1907) ;· em russo pela senhora Ana Kaminski; · em hofandês por . Philçphotos (A.msterdão, 1911); em português por Do . Guimarães, l � edição, 1903, Pôrto mingos ( Biblioteca de Educação Intelectual); 3� edição. 1936; uma edição revista por Rodrigues de Meréje, · Cultura Moderna, S. Paulo, s/d., em três volumes. Par dos capítulos que corripõe,m algumas de te suas �bras aparece.ram em várias revistas, · sobretudo na Re-vue des Deux-Mondt'.,·. na L 'A rt el la Vie,. na Revue Blêue. Dos LEs GR,,NDES lN!TIÉs o · A Bibli teca Nacional o Rio _d Janeiro possui 2 exemplares d e 1 � edição francesa (1889), 1 exemplar da 6� edição fra sa da nce (1902), l dito de uma edição francesa de 1907. A Bibliotec:a Ce n tral d Educação ( B . C. E. possui um exemplar d 80� dição e ) a e Perrin et Cie. ) . A Bibliot ne francesa ( 1924, eca do Gabi te Portu guês de Leitura possui um exemplar ( em 2 volumes) . edição da 3� ( sic) da tradução portuguesa de Domingos Guimarães. Aliás essa 3� edição ( 1936) é uma reprodução pura e· simples da J, (1903), tendo sido conservada até a ortografia. A memória de MARGHERITA ALBANA MIGNATY Sem ti, ó grande alma bem amada, este livro não teria visto a luz do dia. Fecundaste-o com a poderosa chama do teu espírito, nutriste-o com a .:. tua <lor, abençoaste o com uma divina esperança. Tinhas a lntdigência que vê a Beleza e a Ver dade eterna acima das realidades efêmeras; tinhas a Fé que levanta as montanhas; tinhas o Amor que desperta e cria as almas; o teu entusiasmo abrasava como um fogo resplandecente. E morreste! e desaparecest� ! A asa sombria da Morte levou-te para o Desconhecido. . . Mas, ainda que os meus olhos não possam alcançar-te, eu sei-te, ó Morta bem amada, mais viva do que nunca! Liberta das cadeias terrenas, do seio da luz celeste, onde te extasias, tu não deixaste de seguir a minha obra e senti sempre O· teu fiel es pírito velar sobre a sua eclosão predestinada. onde todas as vidas passam, Se, neste mundo, a luz, outras pesadas como a como umas ligeiras deve sobrevive ·· coisa de mim r en algmna sombra, quisera que fosse este li irmãos, -- meus tre os e . duma fé conquistada partilhada vro testen1unho ' Elêusis, enfeitado de negro facho de Como um de narciso, voto-o à Alma estrelado e cipreste conduziu até ao fundo dos que me daquela alada propague o fogo sagrado que ele para Mistérios, da grande Luz! o Advento e anuncie Sobre a doutrina esotérica Estou convencido de que virá o dia iló em que o fisiologista, o poeta e o f sof o falarão a mesma língua e se entenderão. CLAUDE BERNARD O maior mal do nosso tempo está em que a Ciência e a Religião nos aparecem como duas forças inimigas, irredutíveis. :É um mal intelectual tanto mais pernicioso por vir do alto, infiltrando�se em silêncio, mas com segurança, em todos os espíritos, como veneno sutil que se respira no ar. Ora, todo mal da inteligência atinge a alma e transforma-se conseqüentemente em .mal social. Enquanto o cristianismo apenas afirmou, ingenua mente, a fé cristã na Europa ainda mei bárbara, durante o a Idade Média, foi ele a maior força moral. F armou a alma do homem moderno. Enquanto a dência experimental, publicamente recons tituída no século XVI, apenas reivindicou os direitos legí timos da razão e sua liberdade ilimitada, foi a maior for ça intelectual. Renovou a face do mundo, libertou o homem de cadeias. seculares, deu bases indestrutíveis à inteligência humana. Mas desde então, a Igreja, não podendo mais pro var seu dogma 'primário ante as objeções da ciência, en o e casa sem janelas, rrou-se nele com m opondo a fé à ce
razão, como indiscutível e absoluto mandamento. Tam bém a Ciência, embriagada com suas descobertas no mundo físico, fazendo abstração do mundo psíquico e intelectual, tornou-se agnóstica no método e materialis ta nos princípios e na finalidade. Por outro lado, a Filo sofia, desorientada, impotente entre as duas, de algum n1odo abdicou dos seus direitos para resvalar em um ceticismo transcendente, operando-se uma cisão profun da na alma da sociedade como na dos ndivíduos . i . . O conflito, inicialmente necessário e útil, por haver · estabelecido os· direitos da Razão e da Ciência, acabou sendo causa de impotência e de esterilidade. A Religião atende às necessidades do coração, daí advindo sua rnq. g1a eterna. A Ciência satisfaz às exigências do intelecto e disso decorre sua força invencível. Mas, desde muito teinpo, estas duas potências não se entendem. A Reli gião sem provas e a Ciência se1n esperanças defrontam -se, desafiam uma à outra, sem poderem vencer. Daí a contradição profunda, a guerra oculta, não somente entre o Estado e a Igreja como também no cír culo da própria Ciência, no seio de todas as igrejas, e até na consciência de todos os homens que pensam. De quem quer que sejamos, a qualquer escola filosó fato, a que pertençamos, temos em nós fica, estética, social irreconciliáveis, oriun esses dois mundos, aparentemente humanas:· a cien dos de duas indestrutíveis necessidades · mais de cem . dura há tífica e a religiosa. Essa .situação facul as nossas anos e tem contribuído para desenvolver poesia e em e artísticas. · Ela suscitou dades espirituais hoje, a. Mas grandeza estranh música, notas patéticas e de efeito con superaguda produziu essa prolongada tensão · sucede à prostração Assim como no doente a trário. em tédio, smo, ela se transformou em mara febre, assim em impotência. mate-. A Ciência ocupa-se soment físico e e do mundo . rial. A filosofia moral não dirige mais as inteligências. , A Religião ainda gov,erna, até certo ponto, as massas mas não reina mais nas esferas altas da sociedade. Sem pre grande pela caridade, já não resplandece pela fé. Os guias intelectuais do nosso tempo ou são incrédulos ou céticos, embora perfeitamente sinceros e leais. Mas duvi dam da sua arte e sorriem quando se olham à maneira ,
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.