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Capítulo 3 de 21
Parte 3 de 3
Os Grandes Iniciados – Ed. 1980 – Volume 1
pos, matéria que eles denominaram éter, o que é um passo rumo à antiga idéia teosófica de alma do mundo. Quanto à impressionabilidade, à inteligente docilidade dessa matéria, ela resulta de uma recente experiência que prova a transmissão do som pela luz.* De todas as ciências, as que parecem ter mais compromissos com o · espiritualismo são a· zoologia comparada e a antropolo gia. Na realidade foram úteis ao espiritualismo, mostran do a lei e o modo de intervenção do mundo inteligível no mundo animal. Darwin anulou a idéia infantil da criação, segundo a teologia primária. Sob este ponto de ·Vista, ele apenas voltou às idéias da antiga teosofia. Pitágoras já dissera: "o homem é parente do. animal". Darwin mostrou as leis às quais obedece a natureza,. para executar o plano divino, J,eis instrumentais que são: a luta pela vida, a hereditariedade e a seleção natural. Provou a variabilidade das espécies, reduziu-lhes o nú mero, estabeleceu a sua descendência. Mas os seus dis cípulos foram os teóricos do transformismo absoluto. Estes, não contentes com a hipótese de um único ·protó tipo, do qual derivariam todas as espécies, estabelecem que elas surgem das exclusivas influências dos meios. Forçaram os fatos, em favor de uma .concepçã pura o mente externa e materialista da natureza. Não, os me.ias não explicam as espécies, como as leis físicas não expli cam as leis químicas. N,em a química explica o princí pio evolutivo do vegetal, nem este o princípio evolutivo dos animais. Quanto às grandes famílias· de animai's, elns correspondem aos tipos eternos da vida, sinaturas do Espírito, que marcam a escala da consciência. A aparição dos mamíferos, depois dos répteis e dos pássaros, não tem sua razão de ser em uma transforma ção do meio terrestre. Este é apenas uma condição. E�sa aparição supõe uma nova embriogenia, por conseguinte Bell. Deixa-se cair um ri�ncia de raio de Expe luz em uma ( •) placa de selênio, que o tran m.ite à distânc.ia sobr e outra placa � do mesmo metal. Esta comunica com uma pilha galvânica, à qual um telefone. se adapta ciadas por vras pronun trás da As pala primeira placa são mente no telefone, que estã ouvidas distinta próximo da segunda luz serviu de fio telefônico. placa. O raio de As ondas sonoras am-se em ondas luminosas, estas transformar em ondas galvânica� e estas, por sua vez, voltaram a ser ondas sonoras.
uma nova forç a intelect ual ,e an1m1ca, agindo no interior e no fundo da naturez a que nós chamamos Além, rela tivamente à percepçã o sensorial. essa força intelec Sem tual e anímica , não se o apare ex licaria nem mesmo p cimento de uma célul inorgân a orgânica mundo ico. no Enfim o , Hom em que resume e coroa a série dos seres, revela todo pela harmonia o pensa.menta divino, dos órgãos, a p,erf da Alma eição da f arma, efígie · viva .unive rsal, da Inteligê do todas as ncia ativa. Condensan leis da evoluç ele do ão, toda seu corpo, a natureza em mina-a , eleva- consciên .se acima dela, para entrar pela cia e pela Espírito. liberdade no reino infinito do A psicologia experimental, apoiada na fisiologia, que, desde o começo do século, tende a tornar-se uma ciên cia, levou os cientistas contemporâneos até o limiar de um outro mundo, o inundo próprio da alma onde, s,em que cessem as analogias, reinam leis novas. Quero falar do.s estudos e das verificações médicas deste século, sobre o magnetismo animal, o sonambulismo e sobre todos os estados da alma, diferentes da vigília ( desde o sono lúcido, através da dupla vista) até o êxtase. A ciência moderna ainda estâ andando às apalpadelas, nes te domínio onde a ciência nos templos antigos tinha sabido orientar-se, pois ela possuía os princípios e as chaves necessárias. Sem dúvida, ela t·em de.scoberto uma ordem de fa tos que lhe pareceram espantosos, maravilhosos, inex;. licáveis, pois contradizem nitidamente as teorias mate p rialistas, sob o império das quais ela habituou-se a pen sar e a ,experimentar. Nada mais instrutivo do que a incredulidade indignada de alguns cientistas materialis tas, ante todos os fenômenos que tende1n a provar a existência de um mundo invisível e espiritual. Hoje, quem tentar provar a alma escandalizarâ a ortodoxta do ateís al como outrora escandalizava-se a mo, · t ortodoxia da Igreja com a negaçã de Deus. Não se. o arrisca mais a vida, é certo, mas arrisca-se a reputaç.ão. De qualquer modo, o que ressalta do mais simples fenômeno de sugestão mental, à distância, e pelo pensa mento puro, (fenômeno mil vezes verificàdo no! anais magnetismo é um modo de ação do e.spírito e da do ) • ( *) Ver a obra de M. OcH0Row1rz sobre a sugestão mental. vontade, à margem das leis físicas e do mundo invisível. Está portanto aberta a porta do Invisível. Nos altos fenô menos do sonambulismo, ess.e mundo abre-se inteira mente. Mas detenho-me naquilo que �stá verificado pela ciência oficial. Se passarmos da psicologia experimental e objetiva à atual psicologia íntima e subj,etiva, expressa na poesia, na música, na literatura, vemo-las impregnadas de um imenso sopro de esoterismo inconsciente. Jamais foi mais séria e mais real a aspiração à vida espiritual, ao mundo invisível, reprimida pelas teorias mat,erialistas dos cien tistas e pela opinião mundana. Vislumbramos essa aspiração nas lembranças, nas dúvidas, nas melancolias negras e até nas blasfêmias dos . romancistas naturalistas nossos e dos nossos poetas de-: cadentes. Jamais a alma humana teve um s,entimento , mais profundo da insuficiência da miséria, da irreali dàde da sua vida presente ela aspirou mais ar , jamais dentemente ao Além. invisível, sem acreditar nel,e, entre tanto. Algumas vezes sua intuição consegue formular verdades transcendentes, que não fazem parte do siste ma admitido p,el.a sua razão, que contradizem suas opi niões superficiais, e que são involuntários lampejos da consciência oculta. um trecho da autori� de um prova, citarei Como todo o amargor e toda pensador, qu,e experimentou raro atual. Diz FREDERICO AMIEL: moral da época a solidão tende a uma esfera mais elevada, da esfera do ser "Cada e pressentimentos. O ideal, revelacões sob qual já possui , é a ant,ecipação, a visão formas profétic a todas suas superior à sua, à qual aspira cada existência ser. dessa Essa existência .superior, pela dignidade, é mais interior seja, mais espiritu ou al. Como por sua natureza, os vul do interio segredos r do nos trazem os globo cões , o en explosões passag smo, ·o êxtase, são eiras tusia do mun A vida humana rior da alma. é ape do inte nas a prepa ra advento dessa vida espiritual. São o inumer ção, âveis os Assim, discf da iniciação. pulo da vida, graus sê vigilan és a crisálida· que de um anjo, te, tu esforça-te por tua o. A odisséi eclosã a divina é somente futura uma série amorfoses, cada vez de met mais etéreas, resultad o das dentes, condição das prece subseqüentes. A vida divina
espírit quais o o nas é uma se ne de mortes sucessivas, cedendo à atra rejeit símbolos, a suas imperfeições, seus el do sol da ão inefáv ção crescent gravítaç e do centro de inteligência e· do amor." . . . . muito 1nteh Via hegeliano de regra, AMIEL era um em que es No dia gente e . mais um moralista superior e te profunda ele foi !ll ? creve u. essas linhas inspiradas, mais im maneira teósofo. de Não se poderia exprimir da verdade a essênci pressiona e própria nte luminosa a esotérica. rar demonst para Essas es s bastam citaçõ resumida se, sem preparamque o espíri modernos to e a ciência ção da reconstitui que o saibam querer, para uma , sem ·e em ba precisos antiga teosofia, instrumentos mais com humanidade é um se mais LAMARTINE a sólida. Segundo pelo avesso. tecelão que na trama dos tempos, trabalha lado do tecido, Virá o dia, quando passando para o outro grandioso, que ela ela contemplará o painel ·magnífico e próprias mãos, sem elaborou durante séculos com suas perceber nada mais do que fios embaraçados. saudará a Providênc�a manifesta nela Nesse dia, ela mesma. Então serão confirmadas as palavras de um tex to hermético, contemporâneo, as quais não parecerão muito ambiciosas àqueles que já penetraram� profunda mente, nas tradições ocultas para perceber sua maravilhosa .unidade. . "A doutrina esotérica não é somente uma ciência, uma filosofia, uma moral, uma religião. Ela é . ci ciência, a filosofia, a moral e a religião, de que as outras todas nada mais são do qu e preparação, degenerescên cias, expressões parciais ou falseadas, conforme cami nham para ela ou dela se afastam".• Longe de mim a vã pretensão de ter apresentad o uma emonstra ão completa � . dessa ciência ç das ciências. . Para isso haveria nece ssidade de estudá-la . mais profun ment , reconst1t da uf-l em seu quadro � � hierárquico e uzá-la orga:� no espírito re do esoterismo. Mas· espero ter e provad dout o 9� a· na dos Mistérios . � está na base da nossa c1v ação. ihz Criou as grandes religiões , arianas . e · semíticas. Pelo seu fu ndo esotérico, . o Cristianismo con .. ( The perfe •) t way of finding � Christ · ( O Caminho perfeito para encontrar o Cnsto) ANA KINGSFORD e MAITLAND, Londres, 1882.
duz a essa doutrina o gênero humano. Pelo rumo da sua a marcha, a ciência moderna demonstra uma tendência essa doutrina. Nela se encontrarão Religião e Ciência, en'l utna grande síntese. Pode-se dizer que onde se encontrar um fragmento qualquer da doutrina esotérica, ela não deixará de estar aí, virtualmente, em seu todo. Cada uma das suas par tes pressupõe ou engendra as outras. Os grandes sábios, os profetas, todos a possuiram e os do futuro também a possuirão como os do passado. A luz pode ser mais ou menos intensa, mas é sempre luz. A forma, ás detalhes, as aplicações podem variar ao infinito. O fundo, os prin cípios, jamais. Nem por isso se deixará de encontrar nes te livro uma espécie de desenvolvimento gradual, de re v,elação diversas partes. sucessiva da doutrina, em suas Isso, através dos grandes iniciados, representante cada um deles das grandes religiões que contribuíram para a constituição da humanidade atual e cuja série marca a linha de evolução descrita, no presente ciclo, desde o Egito antigo e os primeiros tempos arianos. Nós a vere mos surgir não de uma. exposição escolástica, abstrata, mas da alma em fusão desses grandes inspirados e do drama vivo da história. Nesta série, Rama apresenta só os aspectos exter nos do templo. Crisna e Hermes fornecem a chave. Moi sés, Orfeu e Pitágoras revelam-nos o seu interior. Jesus Cristo representa . o santuário. nasceu de uma sede ardente Todo este livro da ver eterna, sem a qual as verdade superior, total, s pa dade r vão além do embuste. Serei compreendido ciais não da eu, têm a consciência de que ·que, como o mo queles mento presente da história, com suas riquezas materiais,· reduz-se a um triste deserto, do ponto de vista da alma e das suas imortais aspirações. A hora é das mais graves ias extremas do agnosticis conseqüênc mo e as começa m pela -desorganizaçã fazer sentir o social a se . Para a no s para a Europa, trata-s França como e de ser sa ou não Trata-se de assentar sobr.e as ser. suas bases indestru ti-. verdades centrais, orgânicas, veis as ou de despenha r definitivamente, no abismo -se, do materialis mo e da anarquia.
A Ciência e a Religião, as guardiãs da civilização, perderam uma e outra seu dom supremo, sua magia, a da grande e forte educação. Os templos da índia e do . Egito produziram os maiores sábios da terra. Os tem pl s gregos moldaram heróis e poetas. Os ·apóstolos do � Cnsto foram mártires sublimes e criaram à sua imagem milhares de mártires. A Igreja da Idade Média, apesar da sua eiros, teolo cavalh gia primár santos e ia, criou pois ela tinha fé e porque nela em impulsos intermiten- · tes estremecia o espírito do Cristo. Atualmente, nem a Igreja aprisionada em seu dogma, nem a Ciência encer rada na matéria, conseguem formar hom,ens completos. Está perdidà a arte de formar-se e criar-se almas e ela só será redescoberta quando a Ciência e a Religião, refundidas em uma força viva aplicar.em-se juntas nessa tarefa, pelo bem e salvação da humanidade. Para isso, á Ciência não somente teria de mudar de método mas também estender o seu domínio, e o Cristianismo trata ria de compr,eender as origens, o espírito e o alcance do esoterismo. Temos certeza de que virão esses tempos de regene ração intelectual e de transformação social. Jâ se anun ciam alguns presságios. Quando a Ciência souber e a Religião puder, o Homem agirá com nova energia. A Arte da vida e todas as artes só poderão renascer por mútuo acordo. Para aqueles que a perderam irremediave lmente, e são muitos, pois o exemplo veio de cima, a estrada é fácil de percorrer e já está traçada. Siga-se a corrente o-se dia, submetend ao século, em v,ez de do lutar con resignando-se à dúvida ou à negaç tra ele, ão. É canso- . lar-se com todas as misérias humanas, manifestar des com os próximos cataclismas para , e com dém um sor riso, disfarçar o profundo nada das coisas. Quanto a nós, pobres crianças perdidas, que acre� ditamos seja o Ideal a única R�alidade, a única Verdade, em um mundo mutável e fugitivo; nós, que acreditamos na confirmação e na realização das suas promessas, tan to na história da humanidade como na vida futura; nós, que sa,pemos que esta sanção é necessária, que ela é a recompensa da fraternidade humana, como a razão do
universo é a lógica de Deus; para nós, que temos esta convicção, só há uma atitude a assumir: Afirmarmos, sem temor, tão alto quanto possível, essa verdade. Lançarmo-nos com ela e por ela na arena do combate ,e, acima desse embate tumultuário, tratar mos de penetrar, pela meditação e pela iniciação indivi dual, no Templo das Idéias Imutáveis, para adquirirmos as armas que são os princípios infrangíveis. Foi isso que tentei fazer neste livro, ,esperando que outros virão depois, realizando algo melhor do que eu. EDOUARD SCHURÉ.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.