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Capítulo 2 de 21

Parte 2 de 20

A Alma nos Animais · Ernesto Bozzano

que, no intuito de demonstrar que ele poderia ser explicado a partir da “criptestesia”,4 não sendo necessário, portanto, supor um fenômeno de telepatia em que o animal teria feito o papel de agente e seu dono o de percipiente. Richet afirma: “É muito mais sensato supor que foi a noção desse fato que acometeu seu espírito, ao invés de admitir que a alma de Fox tivesse ido perturbar o cérebro do senhor Phibbs” (pág. 330). Com a expressão “a noção desse fato”, o senhor Richet remete à sua hipótese de “criptestesia”, segundo a qual as coisas existentes, assim como a ocorrência de qualquer ação nos mundos animado ou inanimado, liberariam vibrações sui generis perceptíveis aos sensitivos, os quais, dessa maneira, estariam teoricamente em condições de conhecer tudo aquilo que se passa, se passou ou se passará no mundo inteiro.

Respondi a essa hipótese num longo artigo publicado na Revue Spirite (1922, pág. 256), no qual contestava essa suposta onisciência das faculdades subconscientes, demonstrando através da análise dos fatos que as faculdades em questão eram, ao contrário, condicionadas – e, portanto, limitadas – pela necessidade absoluta da “relação psíquica”, ou seja, se não existisse previamente algum laço afetivo, ou, em casos mais raros, relações de simples conhecimento entre o agente e o percipiente, as manifestações telepáticas não se poderiam realizar. Em seguida, referindo-me ao caso em questão, eu segui dizendo: “Se ignorarmos que o pensamento do cão, voltado com intensa ansiedade para seu protetor ausente, foi o agente determinante do fenômeno telepático, ou, em outros termos, se ignorarmos que o fato pôde se realizar graças à existência de uma “relação afetiva” entre o cão e seu dono, então não podemos nos impedir de nos indagar: Por que o senhor Phibbs viu, exatamente naquela noite, seu cão padecendo e não viu os outros animais que, ao longo daquela mesma noite, agonizavam um pouco em toda parte?

Impossível responder a essa questão de outra forma que não seja a que reconhece que o senhor Phibbs não viu os animais morrendo no matadouro nem alhures porque nenhuma relação psíquica, qualquer que fosse, existia entre ele e aqueles animais: ele viu, ao contrário, a agonia de seu cão porque existiam laços afetivos entre ele e o animal e porque, naquele instante, o animal agonizante voltava intensamente seu sentimento para seu protetor ausente; circunstância esta que não tem nada de inverossímil e que é, ao contrário, bem provável no caso de um pobre animal morrendo e com uma urgente necessidade de assistência.” Concluo que o fundamento de tais deduções permanece incontestável. De qualquer forma, nossos leitores encontrarão na presente classificação inúmeros exemplos de diferentes tipos, os quais, além de confirmar largamente minha maneira de enxergar, contradizem a hipótese de uma “criptestesia” onisciente.

Caso 3 (Em sonho) Retiro o caso seguinte do livro de Camille Flammarion L’Inconnu et les Problèmes Psychiques, pág. 413; relatado pela senhora R. Lacassagne (nascida Durant), de Castres, França: “Permito-me ainda citar um fato pessoal que se passou e que muito me surpreendeu; porém, como dessa vez trata-se de um cão, talvez não tenha o direito de abusar do tempo dos senhores. Desculpo-me indagando-me em que ponto os problemas terminam. Era ainda uma menina e possuía freqüentemente em sonho uma lucidez surpreendente. Tínhamos uma cachorra de uma inteligência pouco comum; eu era particularmente apegada a ela, embora a acariciasse bem pouco. Numa noite, sonhei que ela morreu e que me olhava com olhos humanos. Ao despertar, disse à minha irmã: “Lionne morreu; eu sonhei; tenho certeza”. Minha irmã riu e não acreditou em mim. Nós chamamos a empregada e pedimos-lhe que chamasse a cadela. Nós a chamamos, mas ela não veio. Nós a procuramos por toda parte e, finalmente, encontramo-la morta num canto. Ora, à véspera, ela não estava de forma alguma doente, e meu sonho não tinha sido provocado por nada.”

Neste caso, a hipótese mais verossímil é também a de que o animal agonizante tenha voltado ansiosamente seu sentimento para sua dona, provocando assim a impressão telepática percebida por ela em sonho. Entretanto, esse episódio é bem menos provável que aquele que o precede; tanto mais porque dessa vez não temos detalhes que permitam eliminar a outra hipótese, ou seja, a de um possível fenômeno de clarividência 5 em sonho. Caso 4 (Impressão) Eu o extraio da revista Light, de Londres, Inglaterra (1921, pág. 187). O narrador é o senhor F. W. Percival, que escreveu: “O senhor Everard Richard Calthrop, importante criador de cavalos puro-sangue, em seu recente livro intitulado The Horse as Comrade and Friend (Edição Hutchinson & Co, 242 págs., 1920), conta que há alguns anos ele possuía uma magnífica égua chamada “Windemers”, à qual ele era profundamente apegado; a égua lhe retribuía tal afeto com um efetivo transporte, o que dá ao presente caso um caráter realmente comovente.

O destino quis que a égua se afogasse num pântano próximo à fazenda do senhor Calthrop, e ele expôs assim as impressões que teve naquele trágico momento: “Às 3:20 da manhã do dia 18 de março de 1913, acordei de um sono profundo num ímpeto, não por causa de algum barulho ou relinchar, mas por causa de um chamado de ajuda que transmitia – não compreendi de que maneira – minha égua “Windemers”. Eu escutei e não se ouvia sequer um som na noite calma; assim que fiquei completamente acordado, senti vibrar em meu cérebro, em meus nervos, o chamado desesperado de minha égua; soube que ela estava diante de um enorme perigo e invocava um auxílio imediato. Vesti um sobretudo, calcei minhas botas, abri a porta e me pus a correr no parque. Não ouvia os relinchares nem as queixas, mas sabia, de uma maneira incompreensível e prodigiosa, de que lado vinha esse sinal de “telégrafo sem fio”, embora o mesmo enfraquecesse rapidamente. Assim que saí, dei-me conta, com espanto, de que o sinal vinha do lado do pântano.

Corria, mas sentia que as ondas vibratórias do “telégrafo sem fio” ressoavam cada vez menos em meu cérebro; quando cheguei à beira do pântano, elas tinham cessado. Ao olhar as águas, percebi que elas estavam ainda sendo remexidas por pequenas ondas concêntricas que vinham até a margem; no meio do pântano notei uma massa negra que se definia de maneira sinistra com a primeira claridade da aurora. Compreendi rapidamente que lá estava o corpo da minha pobre “Windemers” e que, infelizmente, eu tinha respondido muito tarde ao seu chamado: ela estava morta.” O senhor F. W. Percival, ao reproduzir esse relato na Light (1921, pág. 187), ressaltou: “Realmente, em casos como estes, não há o testemunho do agente; porém, isto não impede que as três regras de Fredrich W. H. Myers – elaboradas para distinguir os casos telepá-

ticos daqueles que não o são – sejam, de qualquer forma, aplicáveis ao caso em questão. As três regras são as seguintes: 1) que o agente tenha se encontrado em uma situação excepcional (neste caso, o agente lutava contra a morte); 2) que o receptor tenha sentido/experimentado algo psiquicamente excepcional, inclusive uma sensação de que o agente era conhecido (neste caso, a impressão que revela o agente é manifesta); 3) que os dois incidentes coincidam do ponto de vista temporal (esta condição é também observada).” Poderíamos acrescentar que o impulso telepático foi pontual e intenso o bastante a ponto de despertar o percipiente de um sono profundo, de fazê-lo imediatamente perceber que se tratava de um pedido de socorro de sua égua e de orientar seus passos, sem nenhuma hesitação, em direção ao local onde o drama se passava. Assim sendo, não me parece que seja possível colocar em dúvida o caráter realmente telepático do acontecimento. Caso 5 Encontrei-o no Journal of the S. P.

R. (vol. XII, pág. 21). A senhora Carbery, mulher de Lord Carbery, enviou do castelo de Freke, condado de Cork, o seguinte relato, datado de 23 de julho de 1904: “Ao longo de uma quente tarde de domingo, no verão de 1900, após o almoço me preparava para uma de minhas visitas costumeiras às cocheiras, a fim de distribuir açúcar e cenouras para os cavalos; entre os animais, havia uma égua amedrontada e nervosa chamada Kitty, de quem eu gostava muito. Uma forte simpatia existia entre nós. Montava nela em todas as manhãs antes do almoço, fizesse chuva ou Sol.

Eram passeios tranqüilos e solitários pelas colinas que beiravam o mar, e sempre me parecera que Kitty se divertia, como eu, com esses passeios no frescor da manhã. Na tarde em questão, ao sair da cocheira, fui sozinha ao parque, percorri uns 400 metros e em seguida me sentei à sombra de uma árvore com um livro muito interessante; minha intenção era ficar ali por aproximadamente duas horas. Após vinte minutos, um influxo de sensações terríveis veio se interpor entre mim e minha leitura; ao mesmo tempo, eu tinha certeza de que algo penoso tinha acontecido com minha égua Kitty. Tratei de afastar essa impressão, continuando com minha leitura, mas ela aumentou de tal maneira que fui obrigada a fechar meu livro e me dirigir às cocheiras. Chegando lá, fui rapidamente ao boxe de Kitty; eu a encontrei estendida no chão, agonizando e necessitando de socorro urgente.

Fui imediatamente procurar os cocheiros, que estavam em outra parte afastada do local; eles se apressaram em prestar ao animal os cuidados necessários. Foi grande a surpresa deles ao me ver aparecer na cocheira pela segunda vez, uma circunstância absolutamente insólita.” O cocheiro que prestou os cuidados à jumenta naquela ocasião confirmou assim esse relato: “Na época eu era cocheiro no castelo de Freke e Lady Carbery veio durante a tarde distribuir, como de costume, açúcar e cenouras aos cavalos. Kitty estava solta em seu boxe e completamente saudável. Logo depois, voltei para meus aposentos e os empregados da cocheira subiram para seus quartos. Fiquei surpreso ao ver, meia hora ou quarenta e cinco minutos depois, a senhora voltar e nos pedir para prestar socorro a Kitty, que estava estendida no chão, acometida por uma dor repentina.

Nesse meio tempo, nenhum de nós tinha entrado nas cocheiras.” Edward Nobbs O segundo relato é menos impressionante do que o primeiro: a impressão telepática sentida pela senhora Carbery foi também menos precisa; todavia, tal impressão foi forte o bastante para convencer a percipiente de que as sensações que ela experimentava indicavam que a égua Kitty tinha uma urgente necessidade de socorro e para fazê-la imediatamente ir ao encontro do animal. Ora, estas circunstâncias de natureza excepcional e com uma significação precisa e sugestiva são suficientes para permitir uma conclusão a favor do caráter telepático do caso em questão. Caso 6 (Impressão) Este caso foi publicado na revista Light (1915, pág. 168). O senhor Mildred Duke, conhecido sensitivo e autor de artigos aprofundados sobre assuntos metapsíquicos, narrou o seguinte fato que ocorreu com ele: “Há alguns dias, demorei-me escrevendo até tarde da noite, absorvido pelo assunto do qual tratava, quando fui literalmente invadido pela sensação de que minha gata precisava de mim. Tive que me levantar e ir procurá-la.

Após ter inutilmente revirado a casa, fui até o jardim e, como a escuridão me impedia de ver, pus-me a chamá-la. Percebi enfim um fraco miado a distância; cada vez que repetia meu chamado, o miado me respondia, mas a gata não vinha. Então, entrei para pegar uma lanterna; em seguida atravessei a horta e fui até o campo, de onde me parecia que os miados vinham; após algumas buscas, encontrei minha gata numa cerca, presa em uma armadilha feita para coelhos, com o nó corrediço apertando-lhe o pescoço. Se ela tivesse se esforçado em retirá-lo para se libertar, certamente seria estrangulada; felizmente, ela foi inteligente o bastante para não se mexer e também para enviar a mim uma mensagem de pedido de socorro pelo “telégrafo sem fio”. Essa é uma gata à qual sou bastante apegado; não foi a primeira vez que uma relação telepática se estabeleceu entre nós.

Há alguns dias, acreditávamos que ela tinha fugido, uma vez que não a encontrávamos em lugar nenhum e em vão a chamávamos por todo o jardim. De repente, por uma espécie de fotografia mental, eu a vi presa em uma pequena peça vazia sob os telhados da casa, cômodo este que sempre ficava fechado. A visão era verídica: a gata, não se sabe como, tinha se prendido ali. Teria ela então me enviado, também desta vez, uma mensagem telepática para me prevenir de sua prisão? Neste caso também é impossível duvidar da gênese telepática das duas impressões sensoriais pressentidas pelo autor do relato.

Caso 7 (Impressões) Eu o encontro no Journal of the S. P. R. (vol. XI, pág. 323). O senhor J.

F. Young comunica o incidente que segue e que lhe é pessoal: “New Road, Lanelly, 13 de novembro de 1904. Possuo um cão fox-terrier de cinco anos e que eu mesmo vi crescer. Sempre gostei muito dos animais, principalmente dos cães. Este de quem falo retribui enormemente meu afeto, tanto que não posso ir a lugar nenhum, nem sequer deixar meu quarto, sem que ele me siga constantemente.

É um tremendo caçador de ratos; como a despensa é às vezes freqüentada por esses roedores, coloquei ali uma caminha, bastante confortável, para Fido. No mesmo cômodo havia uma fornalha, onde foi incorporado um forno para assar pães, assim como uma caldeira para a roupa, munida de um tubo que desemboca na chaminé. À noite, nunca deixei de acompanhar o cachorro até sua cama antes de me deitar. Eu já tinha me trocado e ia dormir, quando, de repente, fui invadido pela inexplicável sensação de um perigo iminente. Não podia pensar em outra coisa que não fosse fogo, e a impressão foi tão forte que acabei por me entregar a ela.

Eu me vesti novamente, desci e me pus a vasculhar cada cômodo do apartamento, a fim de me assegurar de que tudo estava bem e em ordem. Ao chegar à cozinha, não vi Fido; supondo que ele poderia ter saído dali para ir ao andar superior, eu o chamei em vão. Fui imediatamente à casa de minha cunhada para saber se ela tinha alguma novidade; porém, ela não sabia de nada. Comecei a me preocupar. Voltei imediatamente para a despensa e chamei inúmeras vezes o cão, embora inutilmente como sempre.

Não conseguia imaginar o que podia ter acontecido. De repente, dei-me conta de que, se tinha algo que faria o cão responder, era com certeza a frase “Vamos passear, Fido!”, convite que o fazia vibrar de felicidade. Eu então a pronunciei e uma queixa contida, como que atenuada pela distância, chegou dessa vez até meus ouvidos. Eu recomecei e ouvi distintamente a queixa de um cão em apuros. Tive tempo para me certificar de que o barulho vinha de dentro do tubo que ligava a caldeira à chaminé.

Não sabia como fazer para retirar o cão dali; os minutos eram preciosos e sua vida estava em perigo. Peguei uma enxada e comecei a romper a muralha naquele ponto. Finalmente consegui, com bastante dificuldade, tirar Fido dali, meio sufocado, aturdido pelos esforços de vômito, com a língua e o corpo completamente pretos de fuligem. Se tivesse demorado alguns minutos a mais, meu querido cão estaria morto; e como utilizávamos raramente a caldeira, provavelmente não teria conhecido o desfecho de sua história. Minha cunhada foi atraída pelo barulho; juntos, descobrimos um ninho de ratos dentro da fornalha, ao lado do tubo.

Fido, logicamente, tinha perseguido um rato dentro do tubo, de tal maneira que não pôde se virar e sair de lá de dentro. Tudo isto se passou há alguns meses e foi, então, publicado na imprensa local. Mas jamais teria pensado em comunicar o fato a esta Sociedade se não tivesse se produzido, ente estes fatos, o caso do senhor Henry Rider Haggard.” J. F. Young A senhorita E.

Bennett, cunhada do signatário, confirmou o relato de seu parente. Para outras informações sobre este episódio, remeto o leitor ao Journal of the S. P. R., vol. XI, pág. 323.

Este caso de telepatia por “impressão” difere sensivelmente daqueles que o precedem e onde o traço característico essencial de impulso telepático consistia na percepção exata de um chamado emanado de um animal em apuros e da localização intuitiva do local onde o animal se encontrava. Aqui, ao contrário, a impressão que acomete o receptor lhe sugere a idéia de um perigo iminente relacionado ao fogo. Entretanto, a impressão é forte o bastante para levá-lo a se vestir com toda pressa e ir inspecionar a casa; de modo que, ao chegar à cozinha e perceber a ausência do cão, ele o chama, procura por ele e o salva. Segue daí que, neste caso, a mensagem telepática se realiza de maneira imperfeita, adquirindo uma forma simbólica – o que não diminui em nada seu valor intrínseco, posto que esta circunstância não constitui de forma alguma uma dificuldade teórica. Sabe-se que as manifestações telepáticas, na sua passagem do subconsciente para o consciente, seguem “a via de menor resistência”, condicionada pelas idiossincrasias específicas do receptor.

Elas consistem principalmente no “tipo sensorial” do percipiente (visual, auditivo, motor, etc.) e, em seguida, nas condições dos meios em que ele vive (hábitos, repetição dos mesmos incidentes na vida cotidiana). Resulta disso que, quando o impulso telepático não consegue se realizar na forma mais direta, ele se transforma numa modalidade de percepção indireta ou simbólica que traduz com maior ou menor fidelidade o pensamento do agente telepatizante, mas permanecendo como sempre relacionado com o pensamento do agente em questão. Assim sendo, deveríamos dizer que, no caso que examinamos, o chamado ansioso do cão em apuros tinha certamente conseguido impressionar o subconsciente do percipiente, mas, para atingir seu consciente, ele deve ter perdido grande parte de sua nitidez, transformando-se numa vaga impressão de perigo iminente relacionado com o fogo, o que correspondia, mais uma vez à realidade, posto que o animal se encontrava efetivamente preso e em risco de morte por asfixia no tubo da fornalha. Caso 8 (Auditivo) O professor Emilio Magnin comunica aos Annales des Sciences Psychiques (1912, pág. 347) o caso seguinte: “Acabo de ler com grande interesse o relato que o senhor fez nos Annales sobre o cachorro Bobby. Um caso mais ou menos parecido me foi confiado, há alguns anos, pelo senhor P.

M., advogado de enorme talento e muito solicitado em Paris... Eu lhe ofereço este breve relato, convencido de que, por causa de sua analogia com o caso Bobby, ele interessará aos seus leitores. O senhor P. M., advogado do Tribunal de Segunda Instância, possuía uma cachorra espanhola chamada Creola. Ele ficava com ela em Paris e ela dormia na galeria, atrás da porta de seu quarto.

Todas as manhãs, ao primeiro movimento de seu dono, ela arranhava a porta e latia até ele a abrir para ela. Durante uma temporada de caça, o senhor P. M. deixou sua cachorra Creola aos cuidados de um guarda de caça em Rambouillet. Num sábado pela manhã, bem cedo, o senhor P. M. ouviu alguém arranhar e ganir na porta; bastante surpreso em ouvir sua cachorra, ele se levantou prontamente, convencido de que seu guarda de caça tinha vindo a Paris para dar uma notícia urgente.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.