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Capítulo 11 de 21
Parte 11 de 20
A Alma nos Animais · Ernesto Bozzano
Pressentimentos de morte em que animais são percipientes Esta é uma das mais curiosas e misteriosas faculdades da psique animal. Na introdução desta categoria, já tinha dito que ela consistia na possibilidade de os animais domésticos manifestarem às vezes a faculdade de pressentir, a curto termo, a morte de uma pessoa de seu meio, anunciando-a com ganidos e latidos característicos. Acrescentei que esta capacidade de várias espécies animais é bastante conhecida; entre as tradições dos povos, existe também aquela que fala dos “ganidos de morte” dos cães. Tratar-se-ia, portanto, de uma autêntica faculdade “premonitória” dos animais, embora ela pareça mais limitada que a faculdade análoga manifestada esporadicamente no homem. Caso 71 O doutor Gustave Geley, primeiro diretor do Instituto Metapsíquico Internacional de Paris e autor de obras metapsíquicas célebres, hoje clássicas, teve de fazer uma experiência pessoal dessa faculdade paranormal dos animais e a descreve assim eu seu livro De l’Inconscient au Conscient (pág. 192): “... Os “uivos de morte” dos cães não devem ser ignorados jamais, especialmente quando são ouvidos em circunstâncias trágicas.
Numa noite eu cuidava, na qualidade de médico, de uma jovem que, em perfeito estado de saúde, naquele momento foi acometida por um mal agudo e agonizava. A família estava comigo no quarto, silenciosa e amedrontada. A doente se queixava. Era uma hora da manhã (a morte aconteceu no mesmo dia). De repente, no jardim ao redor da casa, ressoaram ganidos de morte vindos de um animal da casa. Eram uivos lamentosos, lúgubres, numa nota só, emitidos primeiramente num tom elevado que em seguida foi decrescendo, até que desapareceu suavemente, bem lentamente. Houve um silêncio por alguns segundos e o queixume infinitamente triste recomeçou, idêntico e monótono. A doente teve um momento de lucidez e nos olhou ansiosa. Ela tinha compreendido. O marido desceu depressa para calar o cão. Ao se aproximar, o cão se escondeu e foi impossível, na escuridão da noite, encontrá-lo. Assim que seu marido subiu novamente, a queixa recomeçou e continuou, durante uma hora, até que o cão foi pego e levado para longe.” O que devemos pensar no caso de manifestações como esta?
O relator deste caso era um homem de ciência digno; a veracidade do fato é incontestável, os ganidos do cão foram evidentemente bastante característicos; o pressentimento de morte se realizou; não poderíamos então evitar a conclusão de que o cão tenha tido realmente a premonição do falecimento de uma pessoa de seu meio, exceto se preferirmos explicar os fatos a partir da hipótese das “coincidências fortuitas”. Nesse caso, restaria explicar porque os cães possuem, em certas circunstâncias, uivos absolutamente característicos e que o relator descreveu com tamanha precisão. Aliás, se a hipótese das “coincidências fortuitas” pode ainda ser sustentada num caso isolado, ela não o poderia mais se as manifestações dessa natureza se realizassem com freqüência.
Caso 72 Este fato foi incluído no livro de Robert Dale Owen, The Debatable Land (pág. 282), onde o autor informa que há mais de trinta anos é amigo íntimo da família em que se produziu o caso exposto por ele; depois, ele prossegue dizendo: “A senhorita Hass, então com vinte anos, tinha um irmãozinho de dois anos que, por sua vez, possuía um cãozinho, fiel companheiro de quem gostava muito e que também gostava muito dele; dir-se-ia que o cão cuidava dele com um cuidado paterno... Um dia, o bebê corria de lá para cá na sala quando tropeçou no tapete e caiu. Sua irmã correu até ele e, tendo-o levantado e lhe feito afagos, conseguiu acalmar seu choro. No entanto, no jantar, os pais notaram que o bebê esticava a mão esquerda, ao invés da direita; constataram então que ele sequer conseguia mover esta última. Fizeram fricções com álcool canforado no braço do doente, sem que a criança se queixasse do que quer que fosse, e o colocaram novamente à mesa.
De repente, o cãozinho se aproximou da cadeira do bebê e começou a se queixar e a latir de maneira deferente. Trataram de afastá-lo, mas ele continuou a ganir no cômodo ao lado. Foi então que o fizeram sair para o jardim; ele se colocou sob a janela da criança, retomando seus lamentos, com curtos intervalos de trégua, e continuou assim durante toda a noite, apesar das tentativas para espantá-lo dali. Na noite do mesmo dia, o garotinho adoeceu gravemente após a queda e morreu a uma hora da manhã. Enquanto ele ainda estava vivo, os ganidos indescritivelmente tristes do cão se repetiram em pequenos intervalos; assim que o bebê faleceu, o cão silenciou, para não mais continuar, nem na hora, nem depois.” No primeiro caso o pressentimento de morte envolvia alguém que agonizava; seus familiares sequer se iludiam com o desaparecimento iminente da doença.
Neste segundo exemplo, pelo contrário, o presságio de morte envolve uma criança que parece saudável e cuja atitude não permite entrever as conseqüências fatais da queda ocorrida algumas horas antes, de modo que a família não tinha nenhuma preocupação sobre isto. Segue daí que a premonição de morte manifestada pelo cão parece, nesta circunstância, ainda mais impressionante que no caso precedente. No primeiro caso, poderíamos talvez objetar que o cão tinha tido, por telepatia, a influência do pensamento dos familiares da pessoa em agonia; no segundo caso tal objeção é completamente excluída. Casos 73, 74 e 75 A senhora Carita Borderieux, atualmente diretora da revista Psychica, publicou na Revue Scientifique et Morale du Spiritisme (1918, pág. 136) um artigo sobre os pressentimentos de morte nos animais e do qual extraio estes três casos reunidos pela própria autora: “Primeiro caso: Uma de minhas amigas morava em Neuilly-sur-Seine, onde morreu de tuberculose. Sua agonia foi perturbada pelos sinistros ganidos de um cão das vizinhanças.
Os pais da doente, desesperados por não poderem silenciar o animal, normalmente calmo, deram ordem para que levassem até ele um pedaço de carneiro que tinham acabado de preparar. Tentativa inútil: o cão desprezou o suculento pedaço e continuou a “gritar para a morte”. Segundo caso: O senhor Marcel Mangin, famoso pintor e psiquista, morto em 1915, tinha um cão dotado da faculdade de pressentir a morte das pessoas da família. Antes mesmo que o doente pudesse causar preocupações às pessoas que estavam a sua volta, o animal se punha a ganir de maneira estranha, tanto que acabavam notando as previsões e se assustando com elas. O senhor Marcel Mangin teve morte súbita por embolia. Ora, no dia anterior, enquanto nada fazia prever uma morte tão próxima, o cão se pôs a ganir de maneira significativa. – Que quer dizer este cão vil? – perguntaram-se o senhor e a senhora Mangin. No dia seguinte, o pintor estava morto... Assustada e injusta, é preciso admitir, a senhora Mangin sacrificou o animal.
Terceiro caso: A senhora Camille, célebre vidente de Nancy, contou-me que tinha tido uma cachorrinha dada a exteriorizar pressentimentos de morte. O marido da senhora Camille estava doente há muito tempo, mas, embora seu estado não apresentasse nenhum agravamento, o animalzinho se meteu subitamente embaixo da poltrona onde ele se descansava e se pôs a emitir um uivo lamentoso. – Que tem esse animal? – disse o doente. – Dir-se-ia que ele anuncia minha morte... Acalmaram o doente e afastaram o animal. No dia seguinte, o marido da senhora Camille faleceu.” Dos três casos citados pela senhora Borderieux, o que envolve o falecimento do senhor Marcel Mangin, psiquista bastante conhecido, é o mais impressionante; primeiramente, porque envolve uma circunstância análoga àquela do caso precedente, ou seja, o cão começou a “ganir para a morte” quando seu dono ainda gozava de excelente saúde e nada podia fazer prever a iminência de seu fim; em segundo lugar, porque soubemos através desse relato que o mesmo cão já tinha, noutras ocasiões e da mesma maneira, anunciado acontecimentos iminentes de morte na família.
No primeiro dos três casos citados, não podemos deixar de achar característico o incidente do cão que recusa um pedaço de carne suculento, preferindo não interromper seu misterioso mandato de “uivar para a morte”. Diríamos que nestas ocorrências os animais se encontram em condições de semisonambulismo, em que o automatismo subconsciente, ao comandar o campo de consciência deles, torna-os insensíveis a algumas tentações dos sentidos que seriam irresistíveis numa situação normal. Caso 76 O senhor William Ford, residente em Reading (Inglaterra), escreveu na revista Light o seguinte (1921, pág. 569): “Durante minha juventude, eu possuía um cão pastor de raça cruzada e com rabo curto, adestrado por mim para reunir e guiar carneiros e bois. Passamos juntos muitos dias felizes na fazenda de meu pai; mas chegou o dia em que os negócios me obrigaram a deixar a casa e meu cão foi dado a um velho fazendeiro residente perto de Maidstone. Logo esse velho e o cão tornaram-se companheiros inseparáveis: onde quer que o homem fosse o animal o seguia, e essa amizade afetuosa continuou assim por três anos.
Numa manhã, o velho fazendeiro não se levantou na hora costumeira e seu filho foi ver o que poderia significar esta infração dos hábitos paternos. O genitor, com a maior calma, anunciou que sua hora tinha chegado e pediu que lhe trouxessem o cão, pois ele queria vê-lo mais uma vez antes de morrer. O filho tentou dissuadir o pai, dizendo que aquelas afirmações eram nada mais que produto de uma lúgubre fantasia; porém, como sua insistência contrariava o velho, ele foi procurar pelo cão e o trouxe até ele. Assim que o animal entrou no quarto, saltou sobre a cama e consolou seu dono; depois se meteu num canto e começou a ganir lastimosamente. Levaram-no dali e o acariciaram; nada podia reconfortá-lo ou fazê-lo calar. Ele acabou se metendo em seu canil, entregue a um abatimento tão profundo e tão desesperado que acabou morrendo às 20:30. Seu velho dono o seguiu ao outro lado às 22 horas. Dez anos depois, eu estava sentado num círculo experimental particular. Num determinado momento, o médium teve um sobressalto.
Perguntaram-lhe o que ele via e ele respondeu: “Parecia-me que via um urso, mas era só um cão. Ele pulou no círculo de repente, apoiou as patas da frente nos joelhos do senhor Ford e o lambeu”. Em seguida, uma descrição minuciosa do cão que tinha lhe aparecido correspondia exatamente àquela de meu cão pastor. O médium concluiu dizendo: “Ele tinha um focinho que parecia sorrir”. Este detalhe também se adaptava bastante a meu cão. Quanto a mim, não duvido em nenhum momento da identidade do animal que apareceu.” Neste fato, a premonição de morte pelo animal é menos interessante que nos casos precedentes, visto que ela se produziu apenas 12 horas antes do falecimento, no momento em que o velho já sabia que estava morrendo. Estas circunstâncias não impedem, no entanto, que haja, exatamente como nos outros casos, uma percepção de morte iminente do cão; há, além disso, o emocionante episódio do falecimento do animal após uma profunda dor.
O último incidente da aparição do cão ao longo da sessão mediúnica, dez anos depois de sua morte, transforma este relato num caso de transição entre a presente categoria e a seguinte, onde trataremos dos casos de aparições identificadas de fantasmas de animais. Na minha coletânea dos fatos não encontramos outros exemplos de premonições de morte pelos animais, o que não significa de forma alguma que as manifestações desse tipo sejam raras, mas somente que esquecemos até então de coletá-las. O que contribui para mostrar isto é que, quando fazemos alusões aos fatos desse tipo nos meios populares, têm-se quase sempre relatos análogos de manifestações.
Estes últimos, infelizmente, são contados de maneira tão vaga ou são passados por tantas bocas que não podemos incluí-las numa classificação científica.15 Segue daí que, embora tudo contribua para provar a realidade das manifestações em questão, seria, todavia, prematuro discuti-las; o exame delas será oportuno somente no momento em que conseguirmos acumular uma quantidade suficiente de materiais brutos dos fatos, de modo que possamos analisá-los, compará-los e classificá-los segundo um método rigorosamente científico. Sexta categoria
Animais e fenômenos de assombração Esta categoria é abundante em exemplos interessantes e esclarecedores. De fato, após uma triagem rigorosa feita em minha coleção, encontrei ainda 39 casos exuberantes à minha disposição, casos estes dos quais limitar-me-ei, obviamente, a relatar somente uma parte, ao mesmo tempo em que indicarei ao leitor as publicações onde estão presentes os demais. Para melhor esclarecer, subdividi os casos em dois subgrupos: no primeiro, examinamos os casos nos quais os animais deram sinais claros de perceber coletivamente com o homem as manifestações de assombração; no segundo, tratamos dos casos de manifestações de fantasmas animais nos lugares assombrados. Primeiro subgrupo
Animais que percebem coletivamente com o homem as manifestações de assombração Resumo, inicialmente, alguns casos que, por serem constituídos por pequenos incidentes distribuídos em longos relatos, não podem, de forma alguma, ser transcritos integralmente; começo por três casos históricos que retiro de um artigo de Alfred Russell Wallace, Étude sur les Apparitions (Annales des Sciences Psychiques, 1891, págs. 351-352). Caso 77 (Auditivo, com anterioridade do animal em relação ao homem) “Em seu relato sobre os fenômenos que aconteceram ao cura de Epworth, o eminente religioso John Wesley (fundador da religião Metodista), após ter descrito barulhos estranhos, parecidos com aqueles que fazem os objetos de ferro e de vidro jogados no chão, acrescentou: “Pouco depois, nosso grande cão buldogue Masheff correu para se proteger entre mim e a senhora Wesley. Enquanto os sons continuavam, ele ladrava e saltava atacando o ar de um lado para o outro e, freqüentemente, antes que alguém no quarto escutasse o que quer que fosse. Porém, dois ou três dias depois, ele tremia e ia embora se arrastando antes que o barulho recomeçasse.
Com esse sinal, a família já sabia o que ia acontecer, e nunca nos enganávamos...” Caso 78 (Auditivo-coletivo) “Quando da ocorrência dos fenômenos no cemitério de Arensburg, na ilha de Oesel, onde caixões foram revirados em sepulturas lacradas, alguns fatos foram devidamente constatados por uma comissão oficial: os cavalos das pessoas que vinham visitar o cemitério ficavam freqüentemente tão assustados e tão excitados que suavam e espumavam; às vezes, eles se jogavam no chão e pareciam agonizar; apesar dos socorros que lhes eram trazidos imediatamente, vários deles morriam ao cabo de um ou dois dias.
Nestes casos, como em vários outros, embora a comissão fizesse uma investigação bastante rigorosa, não conseguiu descobrir nenhuma causa natural.” (R. Dale Owen, Footfalls on the Boundary of another World, pág. 186). Caso 79 (Auditivo-coletivo) “No incrível caso da casa assombrada, contado ao senhor R. Dale Owen pela senhora S. C.
Hall e do qual ela própria foi testemunha dos fatos principais, vemos que o homem assombrado não pôde segurar o cão por muito tempo: não foi possível fazer com que ele ficasse no quarto nem de dia nem de noite. Era aquele que ele tinha quando a senhora S. C. Hall o conheceu no momento em que os fenômenos começaram e que, logo depois que fugiu, desapareceu.” (Footfalls, pág. 326). A estes casos históricos, o senhor Wallace acrescenta estes três outros de data recente: Caso 80 (Visual-coletivo) “No caso relatado pelo senhor Hudgson na revista Arena, em setembro de 1889, quando a “dama de branco” apareceu para o irmão do autor, lemos que na terceira noite ele viu um cão rastejar, permanecer com o olhar vidrado e em seguida agir como se fosse perseguido ao redor do quarto.
“Meu irmão não viu nada, mas ouviu uma espécie de assobio; o pobre cão latiu e, em seguida, tentou se esconder e nunca mais quis entrar naquele quarto.” Caso 81 (Auditivo-coletivo) “No impressionante relato da casa assombrada, contado por um membro bastante conhecido da Igreja Anglicana que morou nela por um ano, é preciso considerar a conduta bastante diferente dos cães na presença dos efeitos insólitos reais ou fantasmagóricos. Quando uma tentativa de roubo aconteceu no presbitério, os cães deram o alarme imediatamente e o religioso se levantou com seus latidos infernais. Ao contrário, durante os barulhos misteriosos, embora estes fossem muito mais fortes e preocupantes, eles não ladraram de maneira alguma. Eles foram encontrados enfiados num canto, num estado de pavor lamentável. Eles estavam mais perturbados que qualquer outra pessoa e, se não tivessem sido fechados no andar de baixo, correriam até a porta do nosso quarto e teriam se enfiado ali, rastejando e gemendo, enquanto tivéssemos permitido.” (Proceedings of the S.
P. R., vol. II, pág. 151). Caso 82 (Auditivo-coletivo) “Numa casa assombrada em Hammersmith, onde se ouviam barulhos de todos os tipos, inclusive o eco de passos e o som de lamúrias e gemidos, onde se viam portas se abrirem sem nenhuma causa aparente e onde, finalmente, aparecia um fantasma de mulher que foi sucessivamente vista por três adultos e por uma garotinha de seis anos, o cão da casa percebia, por sua vez, os fenômenos. “Logo – escreveu a senhora R.
– os velhos sons recomeçaram na nossa pequena biblioteca. Eram sons de objetos que caíam, janelas que se agitavam violentamente, solavancos poderosos por toda a casa; enfim, também a janela de meu quarto começou a se agitar ruidosamente. Enquanto isso, o cão latia sem parar, e o barulho dos golpes e das quedas aumentava intensamente... Deixei meu quarto e me refugiei no de Hellen; passei ali o resto da noite. No dia seguinte, o cão mostrava claramente que, ao ver o quarto assombrado, ele ainda se assustava.
Eu o chamei para entrar comigo, mas ele se encolheu no chão, metendo o rabo entre as pernas; via-se que ele temia entrar... Estava em casa com Hellen e a empregada.” (Proceedings of the S. P. R., vol. III, pág. 115-116).
Caso 83 (Auditivo-telecinésico-coletivo) A respeito de uma casa mal-assombrada 16 em Versalhes (Annales des Sciences Psychiques, 1895, pág. 85), o senhor H. de W. se expressa dessa forma numa carta ao doutor Dariex: “Ao fim de aproximadamente dez minutos, enquanto a criada nos contava suas desventuras, uma velha poltrona de rodas, situada no canto esquerdo, pôs-se em movimento e, percorrendo uma linha em ziguezague, veio passar entre mim e o senhor Sherwood; em seguida, rodou em torno de si mesma, a mais ou menos um metro atrás de nós, chocou-se duas ou três vezes contra o armário com seus pés traseiros e tornou em linha reta para o seu canto. Isto se passou em pleno dia e pudemos nos certificar do fato sem conivência nem fraude de nenhuma espécie. A mesma poltrona retomou sua conduta em três ocasiões diferentes, tomando cuidado, estranhamente, para não se chocar contra ninguém. Ao mesmo tempo, golpes violentos se faziam ouvir no outro canto, como se marceneiros trabalhassem no cômodo ao lado, que estava escancarado e completamente deserto. O amigo que tinha nos levado soltou seu cão na direção daquela sala; o animal voltou berrando, obviamente devido a um profundo terror.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.