[user_registration_my_account]
Capítulo 13 de 21
Parte 13 de 20
A Alma nos Animais · Ernesto Bozzano
Aparições de animais em locais assombrados Não é nada fácil determinar o que representam as aparições de fantasmas animais nas manifestações de assombração. Algumas vezes, o acontecimento coincide com o fato de que animais parecidos com aqueles das aparições tinham vivido naquele lugar. Neste caso, os fantasmas animais poderiam ser explicados quer pela hipótese da sobrevivência da psique animal, quer com a suposição de uma projeção telepática do pensamento de um defunto (tanto mais que, freqüentemente, os animais se manifestam junto a fantasmas de falecidos), quer ainda pela hipótese da revivificação psicométrica de acontecimentos que se passam num determinado lugar anos a fio. Porém, com bastante freqüência, não somente não se constata nenhuma coincidência que permita explicar a aparição animal a partir de uma destas suposições, como também é possível inclusive descartar por completo que os fantasmas animais que aparecem num lugar assombrado correspondam de uma maneira qualquer a outros animais que viveram naquele local. Neste caso, a explicação popular dos fatos é a de que as aparições animais representam espíritos de
defuntos, os quais, tendo sido acusados de erros graves, adquirem, após a morte, formas animais correspondentes à natureza de seus erros. Em meu livro Dei fenomeni d’Infestazione (Capítulo III), citei um caso de aparição de um fantasma de animal; a pessoa que conta esse fato diz que, ao questionar os camponeses sobre o assunto, estes explicaram que “o responsável pelos fatos era Tommy King, um farmacêutico que vivera ali há um século e que tinha se enforcado em uma casa situada nas redondezas; desde então, o Espírito infeliz errava naqueles lugares sob a forma de um animal”. A esse respeito, eu escrevi: “É o folclore popular das aparições de animais nos locais assombrados; embora esta seja nitidamente tradicional e gratuita, não é fácil substituí-la por outra menos gratuita e mais científica. Assim sendo, limitar-me-ei a lembrar que, no livro do doutor Justinus Kerner, A Vidente de Prevorst, lê-se que a vidente, em seu estado de sonambulismo, explicava da mesma maneira as aparições de animais. Assim, no capítulo VI (Caso 4, pág. 177), em relação a um Espírito inferior que aparecia para ela, o doutor Kerner transcreveu: “No meu quarto, a aparição se repetiu sob a forma de um urso”.
Adormecida, ela disse: “Agora vejo o quanto a alma dele deve ser negra, uma vez que ele vem sob formas muito assustadoras: mas é preciso que eu o veja novamente...”. No Caso 5 (pág. 190), a vidente em estado de sonambulismo se dirige a um Espírito perguntando-lhe se ele poderia se manifestar sob uma forma diferente daquela que ele tinha quando vivo, e o Espírito respondeu: “Se vivi como um animal, teria de aparecer como tal. No entanto, não podemos assumir as formas que queremos e temos que aparecer a vocês tal qual nós éramos quando vivos”. E no capítulo IV (pág. 120): “O zombeteiro – aquele que foi vicioso e mau – pode aparecer sob a forma de um animal com o qual ele se identifica pelas condições em que viveu...”. Em contrapartida, lembro que, entre os casos de assombração coletados por mim, existem dois que sugerem uma explicação diferente – o que, aliás, não excluiria a outra.
Eles foram publicados no Journal of the S. P. R. (vol. XIII, págs. 58-62, e vol. XV, págs. 249-252); trata-se da aparição de um cão e de uma gatinha, com a circunstância impressionante de que no local onde eles apareciam tinham morrido um cão e uma gatinha que eram iguais àqueles que se manifestavam.
No que concerne à gatinha, a identificação era mais fácil pelo fato de que o fantasma se mostrava manco, como a gata que, quando viva, tinha sido atacada por um cão e tinha ficado aleijada. Estaríamos, nesse sentido, diante de um caso de identificação autêntica, de modo que é salutar deduzir que se conseguíssemos acumular um número suficiente de casos desse tipo, estes conduziriam à demonstração da sobrevivência da alma animal, possibilidade esta que não deve de forma alguma causar espanto.” Gostaria de acrescentar àquilo que escrevi no livro Dei Fenomeni d’Infestazione que, de fato, consegui reunir certo número de fatos análogos aos que acabo de fazer alusão e os incluirei na oitava categoria. Eles corroboram para provar que conseguiremos um dia demonstrar cientificamente a sobrevivência da psique animal. Por outro lado, isto não impede de forma alguma que as outras hipóteses indicadas há pouco não possam, por sua vez, ser legítimas, e que elas devem, dependendo das circunstâncias, ser levadas em consideração para a explicação de certas modalidades de fantasmas animais. Mais ainda, tudo é propício para demonstrar que as hipóteses expostas acima explicam qualquer um dos casos pertencentes a esta categoria.
Caso 90 (Visual-coletivo) Hereward Carrington, um dos metapsiquistas mais credenciados dos EUA e autor de livros conhecidos por todos aqueles que estão envolvidos com nossas pesquisas, relata no American Journal of the S. P. R. (1908, pág. 188) o seguinte fato que ele mesmo investigou: “O caso bastante interessante que vou expor foi retirado de uma experiência pessoal; ele aconteceu no verão passado e é, a meu ver, muito sugestivo ou até mesmo conclusivo... Quando estava em Lilly Dale, tinha feito amizade com três pessoas que foram protagonistas do caso em análise e que se interessavam, assim como eu, pelas pesquisas metapsíquicas. Soube do fato através das três pessoas envolvidas no hall do hotel onde elas estavam hospedadas, alguns minutos depois que o acontecimento tinha se realizado...
Eis aqui do que se trata: As três pessoas em questão – duas damas e um cavalheiro – passeavam por um caminho um pouco distante da cidade, conversando sobre diversos assuntos, quando uma das mulheres, que possui faculdades clarividentes, percebeu diante dela um cãozinho correndo pelo caminho. O Sol estava no ocaso, mas a luz do dia ainda era forte; no entanto, os outros não viam nada, porque na realidade o cão não existia. O terreno era aberto, nu e plano; assim sendo, não se poderia dizer que existiam obstáculos naturais para o campo de visão. A dama afirmava que o cãozinho corria na frente, a cerca de dez metros de distância dela, mantendo-se no meio do caminho, completamente perceptível; ela acrescentava que ele parecia ter as dimensões de um fox-terrier, de pelo amarelo, com focinho alongado e rabo pequeno e enrolado. Enquanto as três pessoas discutiam entre elas sobre este caso estranho, um gato saiu tranqüilamente de uma casa situada a poucos metros de onde estavam e se pôs na direção do caminho para atravessá-lo; mas assim que conseguiu chegar, ele curvou as costas assoprando e arranhando o ar, exatamente no lugar onde se encontrava o fantasma do cão, como se um animal de carne e osso tivesse subitamente aparecido diante do gato.
Insisto no fato de que este último tinha chegado até a trilha com uma atitude absolutamente tranqüila e indiferente, para, de repente, tomar uma atitude de luta. Logo depois, o gato se virou num ímpeto e voltou, correndo, para a casa de onde ele tinha saído. Durante aquela cena, a mulher vidente continuava a perceber o cão; em seguida, ela desviou por um instante o olhar para acompanhar a fuga do gato; quando ela olhou novamente na direção do cão, este tinha desaparecido. Ela declarou que este animal não tinha dado a mínima importância ao gato; inclusive no momento em que ele parecia querer arranhá-lo, o cão continuou tranqüilamente seu caminho. É evidente que se o gato tinha se comportado daquela maneira é porque ele tinha acreditado perceber diante de si um cão autêntico que aparecia de surpresa.
E, no entanto, este cão não existia! Estes são os fatos e, sobre a autenticidade do relato, dou minha garantia; porém, deixo a cargo dos leitores as explicações que melhor lhes aprouverem.” Neste relato, não é indicado se o local tinha a reputação de ser assombrado e se um cão análogo tinha vivido naquelas redondezas; assim sendo, não é possível chegar a nenhuma conclusão teórica sobre a gênese dos fatos. Mas não restam dúvidas de que o incidente, por si só claro e indubitável, envolve uma aparição de fantasma de cão que foi vista coletivamente por uma mulher e por um gato. Caso 91 (Visual-coletivo) Este caso foi publicado pela revista Light (1915, pág. 215); ele é análogo ao precedente. O Rev.
Charles L. Tweedale escreve: “Por volta das 22:30, minha mulher subiu até o quarto e, ao ajeitar os travesseiros, ela espiou o pé da cama. Percebeu ali um grande cão, de pé sobre suas patas, o qual ela pôde descrever em detalhes. Quase no mesmo momento, nosso gato, que tinha seguido sua dona pelas escadas, entrou no quarto e vendo, por sua vez, o cão, deu um pulo, arqueando as costas, eriçando o rabo, arquejando e arranhando o ar. Ele saltou em seguida em cima da pia, situada num canto do quarto, e se refugiou atrás do espelho do móvel.
Um pouco depois, o fantasma do cão se esvaecia; minha mulher, querendo se certificar de que o gato não era, por sua vez, de natureza fantasmagórica, aproximou-se da penteadeira, olhando por detrás do espelho; ela viu exatamente nosso gato autêntico num estado de excitação frenética e com o pelo completamente eriçado. Quando ela se viu obrigada a tirá-lo de seu abrigo, o felino se arqueou e a arranhou, ainda dominado pelo medo do cão.” Neste caso ainda, como no caso precedente, não vemos nenhuma informação que possa nos orientar na direção das causas do acontecimento, o que não o impede de ser, por sua vez, bastante característico e sugestivo. De fato, nos dois casos, observamos a combinação das duas modalidades de manifestações paranormais em questão, a saber: uma em que os animais percebem coletivamente com os homens as manifestações de assombração e outra em que as manifestações de assombração são constituídas por fantasmas de animais percebidos por homens e animais.
Caso 92 (Visual, com impressões coletivas) A senhora I. Toye Warner Staples envia à revista Light (1921, pág. 553) o relato aqui reproduzido e que fala de um caso pessoal: “Espero que a minha contribuição sobre a sobrevivência da psique animal esteja em condições de superar as exigências impostas pela Society for Psychical Research; todavia, o fato que vou expor é escrupulosamente autêntico e merece confiança, qualquer que seja a explicação.
Minha infância se passou na parte ocidental da Irlanda, e desde os quatro até os seis anos, vivi numa velha e grande casa, às margens do rio Shannon. Minha família era inglesa e por isso não dava importância aos relatos das pessoas do lugar, as quais afirmavam que nossa habitação era assombrada. Ora, foi ali que tive a primeira experiência daquilo que podemos chamar de “o fantasma de um animal”. Durante a noite, no verão, em plena luz do dia, às vezes ao longo de vários dias consecutivos, outras vezes com um intervalo de vários meses, era aterrorizada pela aparição bastante nítida e natural de um cãozinho branco da raça pomerânia que se manifestava para mim na cabeceira de minha cama. Ele me olhava, com a boca aberta e com a língua para foram, como se estivesse ofegante, e se comportava como se me visse e como se a atitude adotada por ele fosse a de pular em minha cama.
Então eu me assustava terrivelmente, certa de que não se tratava de forma alguma de um cão de carne e osso (pois, neste caso, eu o teria acolhido com imenso prazer, pois sempre gostei muito de animais). Às vezes, no momento em que o animal se mostrava ao lado da janela, eu percebia os móveis do quarto através de seu corpo branco e me punha a gritar, chamando minha mãe e dizendo: “Leve-o daqui! Faça-o ir embora!”. Assim que mamãe entrava no quarto, ele a seguia: quando ela saía, ele saía com ela. Então me pegavam, levavam-me para baixo e, após vários afagos, faziam-me esquecer o medo que tinha sentido.
O mais curioso é que, enquanto eu era a única a perceber o fantasma canino, quatro pessoas o pressentiam. Em plena luz das manhãs de verão, dois membros de minha família – mulheres – e uma dama e um senhor que tinham morado na casa antes de nós percebiam freqüentemente algo constituído por um corpo sólido com as dimensões e com o peso de um cão pequeno e que parecia saltar na cama deles, ao lado dos pés, para em seguida passar lentamente sobre seus corpos, chegar aos ombros e descer no chão pelo outro lado. Naquelas ocasiões, os percipientes se sentiam como que paralisados e não eram capazes de se mover; mas, logo em seguida, pulavam da cama e examinavam minuciosamente o quarto, sem nada descobrir... Por razões fáceis de compreender, abstenho-me de publicar o endereço da casa; mas eu o confiarei ao professor Horace Leaf, caso este relato seja suscetível de lhe interessar.” É por demais complicado formular uma teoria capaz de explicar de forma satisfatória fatos como este que acabamos de relatar; aliás, talvez melhor seria evitar discuti-los.
Se tentássemos nos orientar procedendo por eliminação, deveríamos dizer que, no caso em questão, não poderia se tratar de percepção psicométrica de acontecimentos passados, pois a circunstância do pequeno cão que olhava de frente a percipiente, dispondo-se a pular na cama, a seguir os passos das pessoas presentes e a sair com elas, assim como a outra circunstância das impressões táteis sentidas por quatro pessoas, evocando um animal que passaria sobre seus corpos, indicam uma ação no presente e não uma reprodução automática de ações que aconteceram no passado, como acontece no caso das percepções psicométricas.19 Pelo mesmo motivo, deveríamos excluir a hipótese de uma projeção telepática de um defunto, uma vez que uma projeção dessa natureza provocaria a percepção alucinatória de um fantasma animal plasticamente inerte ou que se deslocaria automaticamente, mas nunca de um fantasma animal consciente do meio em que ele se encontra.
Finalmente, inclusive a hipótese alucinatória, considerada segundo a significação psicológica desse termo, não poderia ser sustentada, já que quatro pessoas tinham, inúmeras vezes, experimentado impressões táteis, correspondentes às percepções visuais da pessoa, o que demonstra certamente que na origem dos fatos deve existir um agente único que devia ser obrigatoriamente inteligente e estranho aos percipientes. Restaria então, para o pesquisador, duas hipóteses: primeiramente a tradicional e popular, segundo a qual os fantasmas de animais que aparecem nos locais assombrados representam o simulacro simbólico de um espírito humano de ordem baixa e corrupta; em seguida, aquela que supõe que a psique animal sobrevive à morte do corpo, chegando, às vezes, a se manifestar aos vivos. Depois de expor estas observações a fim de cumprir meu dever de relator, abstenho-me de toda e qualquer conclusão, uma vez que a ausência de dados necessários não permite de forma alguma chegar a um consenso. Limito-me a lembrar que as duas hipóteses que acabo de citar podem explicar os fatos através da intervenção de Entidades espirituais desencarnadas: para a primeira tratar-se-ia de entidades humanas, enquanto que, para as segundas, tratar-se-ia de entidades animais. Caso 93 (Visual-coletivo, com diversidade de “impressões” sensoriais) Extraio este caso do Journal of the S.
P. R. (vol. XIII, págs. 52-64). Ele faz parte de um extenso relatório sobre uma casa assombrada onde apareciam os fantasmas de uma mulher vestida de preto, de um homem pendurado num galho de árvore e de um cãozinho branco, percebidos geralmente por diversos percipientes. No relatório, encontram-se sublinhadas 14 aparições do cãozinho, mas limitar-me-ei aqui a transcrever somente a primeira.
Eis o que conta a senhora Fletcher, que morava na casa assombrada: “O pequeno cão branco apareceu pela primeira vez no mês de janeiro de 1900. Numa tarde, meu marido saiu da biblioteca, onde ele se encontrava sozinho, e me disse: “Vi um cão branco na biblioteca”. Respondi sorrindo: “Nada mais natural, nossos dois cães não fazem outra coisa a não ser passar de um cômodo a outro”. Mas meu marido, sério, disse-me: “Não falo de nossos cães. Enquanto escrevia, vi um cãozinho branco girar em volta da escrivaninha e ir até a porta que estava fechada.
Pensando que era Nippers, levantei-me para abrir a porta, mas o cãozinho tinha desaparecido”. Depois desse primeiro incidente, as aparições do cãozinho branco tornaram-se freqüentes; nós todos pudemos ver, inclusive nossos empregados, nossos hóspedes, a senhorita Plumtre (de quem os senhores encontrarão o relato em anexo) e seu irmão.” É preciso chamar a atenção dos leitores sobre o fato de que, no momento em que o cão resvalava em alguma parte do corpo dos percipientes, eles sentiam imediatamente uma sensação de calor no ponto em que a pressão alucinatório-verídica do corpo do cão fantasma tinha tocado. Um pouco adiante, a senhora Fletcher observa: “Num local de minha perna, embaixo do joelho, que o cão tinha resvalado ao passar, percebi, durante várias horas, uma sensação de queimação bastante forte, tal qual a de uma ligeira queimadura.
Minha filha Eglantine não estava presente no momento em que falei sobre isto; no entanto, pouco depois ela observou espontaneamente: “Mamãe, no lugar da minha perna onde o nariz do cão encostou sinto como que uma sensação de queimadura”.20 Não consigo encontrar nenhum incidente do passado que tenha relação com a aparição do cãozinho branco, exceto que, há treze anos, eu tinha um cão terrier de pelo branco que tinha sido meu grande favorito e era absolutamente igual àquele que se manifestava.” Esta última observação da senhora Fletcher deixaria supor que, neste caso, tratar-se-ia de antemão de um exemplo de identificação de um fantasma animal. Mas esta observação é vaga por demais para ser levada em consideração.
Somente quando a relacionarmos com casos análogos que citarei na oitava categoria será possível atribuir-lhe um certo valor comprobatório. De qualquer forma, não saberíamos ligar o fato da aparição verídica de um cão falecido alguns anos antes ao das aparições de fantasmas de homem e de mulher, exceto se quisermos retirar desta coincidência o fato de que as condições de saturação fluídica inerente a um meio assombrado tenham dado condições ao cão para se manifestar. Caso 94 (Visual-coletivo, com anterioridade do animal em relação ao homem) Eu o destaco de um artigo já citado da senhora E. d’Espérance, que saiu no número de outubro de 1904 da revista Light. Tendo em vista que o fato em questão foi contado por uma dama respeitável e universalmente conhecida na área dos estudos psíquicos, e que por ter sido ela a principal protagonista deste acontecimento temos a garantia das afirmações, parece-me que este relato merece uma séria consideração. Eis as passagens que nos importam mais estritamente: “A localidade onde os fatos aconteceram não é muito distante de minha casa; eu própria fui testemunha ocular.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.