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Capítulo 18 de 21
Parte 18 de 20
A Alma nos Animais · Ernesto Bozzano
Certamente esta conclusão pareceria bastante forçada se não conhecêssemos nenhum exemplo de visões de fantasmas por animais;29 porém, já que estes exemplos são, ao contrário, freqüentes e cientificamente observados, não podemos nos impedir de explicar da mesma maneira, através da lei das analogias, o fato contado pelo senhor James Coates. Caso 127 (Auditivo-coletivo) Ele está presente em um artigo publicado na revista Light (1915, pág. 215), pelo Rev. Charles L. Tweedale, autor de diferentes livros muito interessantes sobre metapsíquica. Entre outros casos de aparições de animais, ele conta: “Há aproximadamente dois anos – anotei o acontecimento em minha agenda –, minha mulher e a empregada estavam sentadas, numa noite, e conversavam num pequeno quarto do vicariato.
De repente, elas ouviram o ronronar ruidoso de um gato próximo da senhora Tweedale. Ambas localizaram o barulho num lugar preciso, tocando na saia de minha esposa. Ele durou certo tempo; em seguida parou e elas começaram a ouvir nitidamente, nesse momento, o som delicado e característico da língua de um gato quando ele bebe o leite. Sem saber o que pensar, a senhora Tweedale chamou sua gata, que não apareceu; em seguida, com a ajuda da empregada, ela esquadrinhou meticulosamente o cômodo, mas inutilmente. Elas se recompuseram e retomaram a conversa; então, quase que imediatamente, o som ruidoso do gato invisível recomeçou, ao qual se sucedeu ainda o outro som de uma língua de gato que bebe um líquido.
Elas vistoriaram pela segunda vez o quarto, mas a atitude foi novamente em vão. É preciso lembrar que, dias antes, nossa gata tinha desaparecido. Quando a minha esposa e a empregada vieram me contar o que tinha acontecido, eu lhes disse: “Isto significa que não reveremos mais nossa gata viva”. E foi exatamente assim: o pobre animal teve um fim como grande número dos gatos em nosso país, os quais são mortos cruelmente.” Neste acontecimento, a manifestação paranormal foi totalmente auditiva, o que não invalida o valor teórico do fenômeno, incidente este que é impressionante por causa de seu caráter coletivo. De fato, a circunstância de que duas pessoas perceberam ao mesmo tempo as impressões auditivas, localizando-as exatamente no mesmo ponto, é uma garantia da autenticidade paranormal do fato.
Por outro lado, é difícil duvidar da relação entre causa e efeito, ou seja, entre o desaparecimento e a morte da gata da casa e a manifestação paranormal que aconteceu na casa do Rev. Tweedale. Nós podemos nos perguntar se o caso deve ser considerado uma manifestação espiritual-telepática – ou seja, post-mortem –, ou então um caso telepático no instante da morte, dúvida esta que é legítima devido à falta de informações sobre o momento em que a gata foi morta. No entanto, como a gata já tinha deixado a casa fazia alguns dias e é provável que tenha sido morta no primeiro dia de seu desaparecimento, isto tornaria mais verossímil a explicação espiritual-telepática do caso. Caso 128 (Visual-coletivo) Eu o retiro do Journal of the S.
P. R. (vol. XV, pág. 249); trata-se de um caso rigorosamente documentado e enviado para a publicação ao longo da semana em que ocorreu. A senhorita B. J.
Green conta: “Minha irmã H. L. Green criava uma gata da qual ela gostava muito, da raça persa puro-sangue, pelagem cinzaazulada característica, pequena, cujo nome era Smoky. Não havia na cidade outra gata da mesma raça ou que ao menos se parecesse com ela. Ao longo da primavera ela adoeceu, morrendo em meados de junho de 1909.
O jardineiro a enterrou num canto do jardim, onde foi plantada uma dália. Algum tempo antes de seu falecimento, a gata tinha sido atacada violentamente por um cão, que tinha quebrado algumas de suas costelas. Por causa desse acidente, ela andava mancando, com o corpo curvado de um lado. Seu falecimento foi em conseqüência das lesões que ela tinha sofrido Na terça-feira, 6 de julho de 1909, estava à mesa com minha irmã tomando o café da manhã e lendo em voz alta uma carta. Virei de costas para a janela, que estava à direita de minha irmã.
De repente, vi que ela olhava do lado de fora com uma expressão de espanto misturada com medo. Eu perguntei: “O que foi?”. Ela respondeu: “Vejo Smoky andando no meio da grama!”. Nós nos precipitamos até a janela e percebemos efetivamente Smoky, aparentemente bastante doente, com o pelo eriçado e os olhos ariscos; ela mancava por cima do canteiro em frente à janela, a três ou quatro metros de nós. Minha irmã a chamou: como a gata parecia não escutar, ela correu em sua direção e continuou a chamála.
Eu fiquei na janela e vi a gata se enfiar num caminho que dava para os fundos do jardim. Minha irmã a seguiu, sempre a chamando; mas, para sua grande surpresa, Smoky não se virava nunca, como se não escutasse nada; num determinado momento, ela se enfiou numa moita e minha irmã não a viu mais. Após dez minutos, minha irmã e uma amiga, que passava alguns dias em nossa casa, viram novamente Smoky andando na cerca em frente à janela. Minha irmã saiu para ir ao seu encontro, mas não a viu mais. Após meia hora, ela apareceu no corredor que leva até a cozinha e foi vista pela empregada, que pegou uma tigela de leite e a levou até ela; mas a gata continuou seu caminho, saindo no jardim e desaparecendo diante da mulher.
Perguntamos aos vizinhos se eles não tinham visto uma gata parecida com nossa Smoky: ninguém tinha visto nada. Perguntaram-nos se não tinha havido um equívoco a respeito da morte da gata, embora nossa amiga, o jardineiro e uma jovem empregada tivessem visto o cadáver. O jardineiro ficou inclusive indignado com a nossa suposição de que ele não tivesse enterrado a gata, e foi até o local desenraizar a dália e exumar o cadáver de Smoky. Não sabíamos o que pensar daquele acontecimento, que teve quatro testemunhas: Senhorita B. J.
Green, senhorita H. L. Green, senhorita Smith e Kathleen B. (a empregada). Minha irmã disse que, quando seguiu a gata pela primeira vez, ela andava rapidamente, manca de um lado, assim como ela fazia antes de morrer.” B. J.
Green (Numa carta posterior, a senhorita B. J. Green, referindose à segunda vez em que sua irmã seguiu a gata, escreveu: “A gata não pulou a cerca, ela desapareceu quando estava perto dela”.) O caso acima mencionado é bastante interessante e significativo, primeiro por causa da natureza inquestionável do fato; depois, porque o fantasma foi visto por quatro pessoas em momentos diferentes, o que elimina a hipótese de alucinação pura e simples. Tendo em vista este fato, apenas duas hipóteses podem explicar o caso: a primeira consistiria na suposição de que se tratava da visão de uma gata viva que teria sido confundida com a gata falecida; a segunda seria a hipótese espiritual-telepática. Refiro-me à primeira explicação pelo simples dever de relator, pois nossos leitores já terão percebido que esta suposição não se sustenta perante a análise das circunstâncias.
Primeiramente porque, no caso em análise, tratava-se de uma gata exótica única do seu tipo no local onde o acontecimento se passou e caracterizada por uma pelagem típica dos gatos persas, circunstâncias estas que tornariam absurdo pressupor que quatro pessoas, em plena luz do dia, tivessem podido se equivocar na identificação. Em seguida, porque observamos que a gata apareceu mancando, exatamente como o animal morto. Em terceiro lugar, porque a gata-fantasma não apresentou sinais em nenhum momento de que ouvia as pessoas chamarem-na – o que teria sido inverossímil caso se tratasse de uma gata viva, e que, em contrapartida, constitui um traço característico da maior parte dos fantasmas telepáticos e espiritual-telepáticos, que não possuem a consciência do meio em que se encontram. Finalmente, não devemos esquecer que o pequeno fantasma desapareceu inúmeras vezes diante dos percipientes de uma maneira sutil e inexplicável. Sem nada a acrescentar, o que acabo de afirmar é suficiente para demonstrar que a hipótese da visão de uma gata viva, vista por quatro pessoas que a confundiram com a gata falecida, não se sustenta diante do exame dos fatos.
Somos obrigados a concluir que o episódio em questão é certamente um exemplo autêntico de aparição do fantasma de um animal defunto. Caso 129 (Visual-auditivo-coletivo) Mais um caso publicado na revista Light (1911, pág. 101). O Rev. Charles L. Tweedale, de quem já tivemos a ocasião de reproduzir um relato, comunica este outro fato interessante que, assim como o anterior, aconteceu com ele.
As manifestações paranormais impressionantes ocorreram durante mais de um ano. Ele conta: “Nos últimos cinco meses, assistimos a algumas das mais extraordinárias manifestações espontâneas que superam de longe aquelas históricas do presbitério do Rev. Wesley. Temos todos, ultimamente, escutado “uma voz direta” que nos chama pelo nome em pleno dia, e temos assistido várias vezes às aparições de um fantasma feminino, alto, vestido de branco, e que todos os membros da família puderam ver, exceto eu, que pude, nesse meio tempo, ouvir uma voz ressoar perfeitamente nítida, como se jorrasse do ar, e na presença de toda a família. A aparição foi vista concomitantemente por várias pessoas, quase sempre em boas condições de luminosidade e, às vezes, em plena luz do dia.
Por duas vezes a aparição conversou com os assistentes. Há cerca de quinze dias, essas maravilhosas manifestações atingiram seu clímax com a aparição à luz do dia do fantasma vestido de branco, acompanhado por um cão. Numa tarde, eles foram vistos juntos por duas vezes por pessoas diferentes sucessivamente; e ainda, na mesma tarde, o cão foi visto em três ocasiões sozinho; uma vez, quatro pessoas o viram coletivamente; entre elas, minha garotinha de dois anos, que correu atrás do cão-fantasma embaixo da cama, onde ele tinha desaparecido, gritando: “Bouh! Bouh!”; asseguro que tudo isso aconteceu em plena luz do dia. Desde então, esse cão foi visto várias vezes, até bem pouco tempo.
As pessoas que viram concordam com a descrição de um cão terrier branco, alto, com uma mancha preta irregular nas costas, com as orelhas retas e curtas e rabo longo. Observouse, além disto, que ele parecia sacudido por uma forte tremedeira que tomava todo o seu corpo e que sua pelagem era curta e mais luzente do que de costume. Ora, esta descrição corresponde precisamente à de um cão que me pertenceu e que morreu há aproximadamente doze anos; tinha quase esquecido de sua existência. Nenhuma das testemunhas que o viram tinha conhecido o animal vivo e nem sequer sabiam que ele tinha existido. Minha tia – já que é seu fantasma que se manifesta – morreu há seis anos; ela gostava muito do cão que a acompanha.
É preciso lembrar que, como revelei agora há pouco, meu cão possuía uma exuberante vitalidade, a qual se manifestava através de uma intensa agitação que abalava seu corpo sempre que despertávamos sua atenção. Ele apresentava, além disso, uma mancha irregular nas costas, exatamente do lado direito da espinha dorsal. Não nos esqueçamos de que todos esses detalhes reais eram totalmente ignorados por aqueles que viram e descreveram o fantasma do cão. Lembro ainda que, antes de sua manifestação, tínhamos ouvido latidos e coçadelas característicos, que se produziam ao mesmo tempo em que o fantasma feminino aparecia; porém, como nenhum de nós jamais vira fantasmas animais, esses efeitos auditivos eram inexplicáveis, até o momento em que a aparição do cão esclareceu o mistério. O significado teórico deste acontecimento inesquecível surge de uma maneira bastante clara: ele tende a demonstrar o que logicamente deveríamos supor, isto é, que a alma do cão, assim como a de sua dona, pode sobreviver à morte do corpo.” Neste caso é preciso, sobretudo, se ater às circunstâncias seguintes: que o fantasma do cachorro foi visto diversas vezes, quer coletivamente, quer sucessivamente, sempre à luz do dia; que, uma vez, ele foi visto por um bebê de dois anos, que correu atrás dele embaixo da cama, brincando com a ingenuidade própria de sua idade: “Bouh!
Bouh!”; que ele foi descrito por pessoas que não o tinham conhecido vivo; e, por fim, que antes da manifestação do fantasma canino, as pessoas tinham escutado latidos e coçadelas característicos. Todas estas circunstâncias contribuem para excluir a hipótese de alucinação pura e simples e, ao contrário, demonstram a natureza paranormal e extrínseca da aparição. As conclusões do Rev. Tweedale, portanto, são incontestáveis, tanto mais devido ao fato de que a aparição do fantasma do cachorro não pode ser considerada separadamente da aparição do fantasma feminino que o acompanhava durante o período memorável de manifestações espontâneas expostas em um longo relatório pelo Rev. Tweedale.
Assim sendo, é razoável concluir que, se a identificação do fantasma feminino com a tia falecida do religioso em questão deve ser considerada uma boa prova a favor da sobrevivência do Espírito daquela mulher, não podemos concluir outra coisa para o fantasma do cachorro que, por sua vez, foi identificado. Caso 130 (Visual-coletivo) O senhor James Coates, de quem já mencionamos um relatório, enviou à revista Light (1915, pág. 356) a exposição deste episódio, que ocorreu perante sua família: “Ao longo do verão de 1887, encontrava-me em Rothesay com minha família. Meu cunhado, George Anderson, de Glasgow, enviou-me de presente um belo cão, da raça collie. Era um animal bastante esperto e, infelizmente, muito indisciplinado. Não tinha muita paciência para educá-lo e Rover, com suas traquinagens colocava-se e nos colocava em situações embaraçosas.
Costumávamos pescar, durante a tarde, na baía de Glemburn. O cãozinho nos acompanhava e, quando subíamos no barquinho, ele aguardava nossa volta brincando livremente na praia. Tudo ocorreu bem durante aproximadamente um mês, mas um dia, o delegado de polícia me procurou informalmente para dizer que um cão igual ao meu tinha assustado um cavalo atrelado a uma carroça, e que esta tinha capotado com a mulher que estava dentro. Por causa disso, o delegado me pediu para livrarmo-nos imediatamente do cão, se não quisesse sofrer as penalidades. Impossível não acatar seu pedido; dei então o cão a um funcionário, ordenando-lhe que o levasse até a baía e afogasse o pobre animal.
Todos ficamos muito tristes com o destino imposto ao pequeno Rover, e meus filhos ficaram arrasados, porque o animal tinha se apegado a eles de maneira muito especial; porém, tivemos que obedecer à lei. Ainda continuamos a pescar todas as tardes. Contudo, no terceiro dia após a morte de Rover, assim que voltamos, a uma pequena distância do portão de casa, todos os três ao mesmo tempo exclamamos: “Olha o Rover! É ele!”. Ele estava lá, de fato, e nos esperava na soleira da casa!
Logicamente, o homem que tinha se encarregado de sacrificar o pobre animal não tinha feito nada. Foi o que pensei de imediato, e era completamente normal acreditar nisso, já que Rover estava diante de nós perto do poço, balançando o rabo e nos olhando com um ar alegre. Então abrimos o portão e fomos até ele; mas, de repente, o cão desapareceu! Não podíamos duvidar de que o tínhamos visto efetivamente. Minha mulher afirma que Rover parecia fosforescente, mas para mim e para minha filha, era simplesmente o nosso Rover e ponto final.
Apesar de corrermos o risco de ser considerados ingênuos, estamos convencidos de ter visto simultaneamente o fantasma de nosso cão Rover; ele parecia tão natural que cheguei a supor que o funcionário a quem tinha dado o cão tivesse desacatado minha ordem... Não tenho explicações válidas para isso; observo somente que o fato de três pessoas terem visto coletivamente o cão que tinha sido afogado três dias antes constitui uma prova de sobrevivência mais convincente que muitas outras que nós, espíritas, aceitamos como suficientes ao longo de nossas sessões.” Como podemos verificar, as conclusões dos percipientes que contaram o fato coincidem entre si, afirmando assim a certeza inabalável de que eles estiveram diante de fantasmas objetivos de animais. Não podemos dizer que eles estão enganados, inclusive sob o ponto de vista rigorosamente científico; principalmente no tocante aos quatro últimos casos, que são de natureza “coletiva”, ou seja, os fantasmas animais foram percebidos por diversas pessoas, e a despeito umas das outras. Todas as circunstâncias servem para eliminar de maneira categórica a explicação alucinatória dos fatos – a única hipótese que podemos opor cientificamente àquela transcendental espiritual-telepática. Conclusões
À espera do veredicto da Ciência Tendo chegado ao fim desta classificação, resta-nos dirigir um olhar retrospectivo ao caminho percorrido, lembrando-nos das principais considerações que os fatos nos sugeriram e, assim, sintetizá-las. No tocante às nossas afirmações a favor da existência real de manifestações telepáticas em que os animais fazem o papel de agente ou de percipiente, assim como no tocante aos fenômenos de assombrações ou de aparições de outra natureza, em que os animais são percipientes juntamente com o homem, não me parece nem um pouco científico levantar ressalvas ou dúvidas, pois os casos expostos nesta classificação são suficientes para fundamentar nossas afirmações. De fato, entre os exemplos relatados, temos as principais formas telepáticas de manifestação, tais como elas se realizam nos homens, assim como as formas principais pelas quais os homens percebem as manifestações de assombração, as aparições e os fenômenos paranormais similares. Ademais, nossas conclusões são controladas de maneira decisiva por alguns dados estatísticos que podemos retirar dos 130 casos analisados neste livro. De fato, resulta da contagem que os fatos em que os animais perceberam manifestações paranormais antes do homem somam um total de 25; aqueles em que os animais pareceram perceber manifestações paranormais não percebidas pelos homens perfazem um total de 17.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.