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Capítulo 26 de 48

Sobre Ezequiel

Estudo Da Bíblia

O momento histórico é difícil para o povo judaico: Jerusalém, sitiada por Nabucodonosor, resiste e se ilude achando que com a chegada dos egípcios, seus novos aliados, poderá ficar livre... Isso não acontece porque “Iaweh quebrou o braço do faraó” para que não mais manejasse a espada. No mês de junho de 586 aC, os caldeus conseguiram abrir uma brecha nos muros da cidade, e foi a derrocada. A maior parte do povo judeu foi levada em cativeiro na Babilônia e o Templo foi destruído. As demais 11 tribos já tinham sido praticamente aniquiladas um século antes (722 aC) pelos assírios, ao norte. Essa dispersão repercute na maneira pela qual se mantém a tradição, e nesta comunidade cativa destacar-se-á Ezequiel, para que a chama mantenha-se acesa. O corpo da Doutrina fica no Torah, que significa lei, ensinamento, direção. Ezequiel era de estirpe sacerdotal - seu pai era sacerdote - sabe-se pouco de sua juventude. Teve esposa, mas ela desencarnou antes da queda da Babilônia. Foi deportado em 597 e começou seu ministério em 592, aos 30 anos. Há teses que mostram que há duas fases em seu trabalho: De 592 a 586, em Jerusalém, onde recebe instruções de Deus. Nesta fase ele é duro em suas pregações contra a hipocrisia. Contesta o sentimento geral do povo, que pensava estarem pagando pelo pecado de seus pais. Anuncia a queda de Jerusalém Já na Babilônia, de 585 a 571 aC, obedece à determinação divina que vem nestes termos: “Tu lhes dirás:’Assim diz o senhor Deus’ -, quer ouçam, quer não”. Traz consolo aos exilados, fala da ressurreição ao povo de Israel através da visão dos ossos secos (Ez 37). Transmite sua visão da glória de Deus na volta ao templo na Nova Jerusalém (Ez 43), o mesmo templo que em Ez,10, 18 é mencionado que fora deixado pelos erros do povo. O povo restaurado, tendo voltado do exílio, terá que ser defendido para evitar que invasores (tanto entendendo-se materialmente falando, como também doutrinariamente). Esse livro do Velho Testamento contém muitos testemunhos e relatos de manifestações divinas. Quase um terço dele trata das descrições das vidências e clarividências do profeta. Bastante simbólico, encontramos neste livro referências que tem muita afinidade com as futuras visões de João Evangelista, que estão contidas no livro Apocalipse. A princípio, a maioria do povo incrédulo não dava crédito ao que ouvia nas profecias de Ezequiel. Deus tornou-o mudo até que a cidade fosse tomada. Foram 3 anos nos quais o profeta fez as cabeças duras de Israel entenderem os fatos através de símbolos. Ele havia visto que estavam adorando ídolos; a culpa vinha de seguirem um sincretismo religioso, voltando as costas para o Deus único... a destruição é inevitável, a reconstrução necessária, mas “um resto será salvo”. É desta época a história de Jó; são contemporâneos Isaías e Jeremias. Na reconstrução, impressionado com a prostração nos rostos, Ezequiel: “Tenho sido para eles um santuário”. Deus avisa-o “Eles virão até vós, para que vejais a sua conduta e as suas obras”. Ezequiel com tenacidade organiza os grupos entre as colônias de deportados fazendo visitas pessoais, mantém contato com compatriotas que permaneceram na Palestina, incita à observância de todos os preceitos, as grandes festas (como a Páscoa) passam a ser respeitadas. Segundo Ricciotti, em ‘História de Israel’: “A tenacidade na observância de todas essas práticas é da máxima importância, pois ela demonstra uma dupla reação contra os que os deportavam; mas também a outra, bem mais profunda e sutil, contra si mesmos. Era substancialmente a penitência, isto é, aquele estado de ânimo que em hebraico é denominado shubh, retorno”. O profeta enfático se transforma e se torna o organizador metódico, o legista minucioso, o primeiro dos escribas de Iahweh. São os capítulos de 40 ao 48, onde são anotadas todas as disposições que o senhor lhe confiou para a reconstrução de Israel. Na sua visão, o Palácio deve estar a serviço do Templo, e o Templo é reconstruído respeitando plenamente seu enorme valor sagrado. Em relação à legislação imposta pelo Deuteronômio, Ezequiel impõe uma guinada rigorista, a ponto de levantar polêmicas entre rabinos. Um grande estudioso concluiu que “Ezequiel não renega a legislação, mas sobrepõe a ela um outro plano de engenharia mais elaborada”. “Com efeito, ele quer que a nova nação seja garantida mais rigorosamente pela nova legislação”, escreve Ricciotti. No ano de 537, Babilônia foi libertada pelo rei Ciro, da Pérsia, e uma caravana de israelitas pôs-se a caminho para voltar à terra de Canaã. Termina o exílio, mas Ezequiel já havia desencarnado. O Senhor confirma àquele pequeno resto a promessa que fizera: “Eles se esquecerão da humilhação sofrida e de todas as apostasias que praticaram contra Mim, quando moravam em sua terra em segurança e não havia quem lhes incutisse medo... “ (Ez 39)

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.