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Capítulo 2 de 48

A Leitura Esotérica Da Bíblia

Estudo Da Bíblia

Diz-nos Henri Durville, “A Ciência Secreta”, a partir do primeiro Pentecostes:

(“O Senhor respondeu a Moisés: Juntai-me 70 homens, sábios de Israel, que souberdes mais instruídos, e conduzi-los-á à entrada do Tabernáculo da Aliança, onde os fareis permanecer convosco. Eu descerei aí para vos falar: tomarei o Espírito que está em vós, e inspirar-lhes-ei.” (Num, 11, 16 e 17).

“Então o senhor, tendo descido na nuvem, fala a Moisés, toma o Espírito que estava nele e o infunde a esses 70 homens. O Espírito, apenas penetrado em cada um, tornou-os Profetas e continuaram sempre assim”). A tradição oral, confiada primeiramente aos 70 discípulos continuou muito tempo assim, sem a intervenção de qualquer escrito. Não foi senão depois que estes ensinamentos secretos foram conhecidos em várias obras, das quais as mais importantes são o Sepher Jezirah (ou o Livro da Criação) e o Zohar (Livro dos Princípios). A leitura destas obras é árdua e pesada, porque tudo é mistério, mesmo as explicações que se esforçam a elucidar esta linguagem infinitamente abstrata. Haveria, entretanto, uma chave para esses mistérios e todos os ocultistas são de acordo em dizer que havia um sentido esotérico da maior beleza e de grande alcance filosófico. Desgraçadamente, o conhecimento deste sentido místico não pode ser obtido senão depois de longo trabalho que não é fácil de ser empreendido por toda a gente. Um mestre do pensamento esotérico moderno, Edouard Schuré, diz em relação ao sentido esotérico de Gênesis: “Nem uma dúvida, dada a educação de Moisés, existe que ele escreveu o Gênese em hieróglifos egípcios em três sentidos. Confiou a chave e a explicação oral aos seus sucessores. Quando, no tempo de Salomão, traduziu-se a Gênese em caracteres fenícios, quando depois do cativeiro da Babilônia, Esdras a redigiu em caracteres aranianos caldaicos, o sacerdócio judeu não manejava as chaves senão imperfeitamente. Quando vieram, finalmente. Os tradutores gregos da Bíblia, estes não tinham senão uma fraca ideia do sentido esotérico dos textos.

Jerônimo, apesar de suas sérias intenções e seu grande espírito, quando fez a sua tradição latina segundo o exto hebreu, não pôde penetrar até o sentido primitivo e, tendo-o conseguido, teria de calar. Então, enquanto lemos a Gênese nas nossas traduções, não temos senão o sentido primário e inferior. Apesar da boa vontade, os exegetas e os teólogos mesmo, ortodoxos e livres-pensadores, não viam o texto hebraico senão através da Vulgata. O sentido comparativo e superlativo, que é o sentido profundo e verdadeiro, escapalhes. Não fica menos misteriosamente oculto no texto hebreu que mergulha, por suas raízes, até a língua sagrada, por suas raízes, até a língua sagrada dos templos, refundida por Moisés, língua ou cada vogal, cada consoante tinha um sentido universal, em relação ao valor acústico da letra e o brilho da alma do homem que a produz. Para os intuitivos, este sentido profundo salta algumas vezes como uma centelha, do texto: para os videntes, reluz na estrutura fonética das palavras adotadas ou criadas por Moisés: sílabas mágicas em que o iniciado de Osíris vasa seu pensamento como um metal sonoro em um molde perfeito. Pelo estudo deste fonetismo que leva a marca da língua sagrada dos templos antigos, pelos chefes que nos fornecem a Cabala e de que alguns vão até Moisés, enfim, pelo esoterismo comparado, é-nos permitido hoje entrever e reconstruir a Gênese verdadeira. Assim, o pensamento de Moisés sairá brilhante com o ouro da fornalha dos séculos, das escorias de uma teologia primária e das cinzas da crítica negativa (Os Grandes Iniciados)

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.