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Capítulo 24 de 48
Sobre O Tabernáculo
Estudo Da Bíblia
Mais exatamente no vigésimo dia do segundo mês do segundo ano desde o Êxodo, uma nuvem que Deus vinha usando para proteger os israelitas se eleva do tabernáculo e a população inicia a sua jornada partindo do Monte Sinai. O grupo caminha organizado segundo as tribos. São 12 tribos ao todo. Dez delas – Aser, Dã, Neftali, Issacar, Judá, Zabulon, Gad, Rúben, Simeão e Benjamin – são as dos filhos de Jacó. As duas últimas – Manasses e Efraim – são as dos filhos de José. E os descendentes do outro filho de Jacó, Levi, são sacerdotes. As tribos levam o Tabernáculo, que contém a Arca da Aliança. A cada vez que a arca se põe em movimento, Moisés exclama: “Levanta-Te, Senhor, e os inimigos se dispersem. Fujam diante de Ti os que Te odeiam!” Quando os espiões vão até a Terra Prometida para sondar o ambiente, diz o texto que “o que eles realmente fizeram na Terra Prometida foi colher algumas romãs e figos, bem como cortar um ramo com um cacho de uvas, que levaram de volta suspenso por uma vara. Essa imagem de dois homens carregando uvas tornou-se tão famosa como símbolo da Terra Prometida, que o Ministério do Turismo de Israel a usa como logotipo. Depois de 40 dias, os espiões voltam a Cades e fazem seu relatório. “Entramos na terra à qual nos enviastes. De fato, é uma terra onde corre leite e mel”. Isto provavelmente se refere ao leite de cabra e ao mel das abelhas, segundo explica Avner, embora alguns comentaristas bíblicos sugerissem que o mel poderia ser uma referência ao néctar das frutas, como figos e damascos. Uma outra linha de pensamento afirma que a expressão leite e mel é metafórica e significa que o país dispunha de animais em abundância. De qualquer maneira, o primeiro relatório é desfavorável. “O povo que vive nesta terra é muito forte”, dizem os espiões. “As cidades são fortificadas e enormes. Vimos ali descendentes de Enac”, um nome derivado da palavra hebraica que significa “pescoços longos”, durante muito tempo interpretada como “gigantes”. Ainda assim, como em outras incontáveis missões de espionagem através da História, espiões diferentes interpretam a informação de maneiras diversas. Caleb, um dos membros do grupo, se levanta para dar a sua opinião: “Vamos subir e conquistar a terra, pois somos capazes de fazê-lo, diz ele. No entanto, a maioria de seus companheiros discorda, dizendo: “não podemos enfrentar esse povo, porque é mais forte que nós”. Diante de tais notícias, os israelitas passam metade da noite gritando e se lamentando e acabam por se voltar contra Moisés e Aarão: “Não seria melhor voltarmos ao Egito?” Frustrado, Josué e Caleb rasgam suas roupas e imploram à comunidade: “A terra que percorremos e exploramos é uma terra excelente. Se o Senhor nos quer bem, ele nos introduzirá nela e nos dará esta terra, onde corre leite e mel.” Quando a comunidade ameaça apedrejá-los, a “glória do Senhor” aparece diante do povo. Mais uma vez, Deus ameaça destruir o povo, e Moisés o convence a não fazer isso dizendo: “Se, pois, fizeres morrer este povo como se fosse um só homem, as nações que ouvirem tais notícias a teu respeito comentarão: “O Senhor foi incapaz de introduzir o povo na terra que lhes prometeu, por isso os massacrou no deserto”. O Senhor perdoa o povo, mas o castiga: todos os que têm mais de 20 anos morrerão no deserto. “Nenhum de vós entrará na terra na qual jurei fazer-vos habitar”, com exceção de Caleb e Josué, recompensados pelo seu otimismo. Os outros espiões são dizimados por uma praga enviada por Deus. No entanto, os israelitas logo desconsideram o aviso de Deus e vão sozinhos - sem Moisés e sem a Arca – para o alto da Terra Prometida, onde são “destroçados” pelos amalecitas e cananeus, exatamente como os britânicos no mesmo local três mil anos depois.(...) Ao avançarem para reivindicar seu destino sem a Arca da Aliança, os israelitas aprendem uma lição ainda mais importante. A Aliança consiste em uma relação triangular entre o povo, a terra e Deus. Sem Deus, o povo não merece a terra e não pode conquistá-la. Sem a Arca – e os Mandamentos dentro dela – o povo está indefeso. E isso, enfim compreendi, apontava para a maior lição da primeira metade de Números e para o que eu vinha escutando em minhas conversas com Ramadan, com Ofer, com Rami: o deserto é um caldeirão onde os israelitas precisam se fundir. O deserto não apenas purifica, mas também constrói. No Êxodo, o deserto é um vasto mar de areia, onde os israelitas se livram de seu passado acorrentado e recebem a lei escrita de Deus. Números conta a história mais complicada. Os israelitas iniciam a jornada rumo à Terra Prometida, mas a cada passo do caminho relutam em depositar a sua fé em Deus. Afinal, depois do incidente provocado pelos espiões, Deus fica tão zangado que demonstra a sua fúria. E qual a punição que aplica? Não os mata. Não os manda de volta para o Egito. Sequer retira sua promessa de dar-lhes a terra. Em vez disso, condena-os a passar “quatro décadas no deserto”. Só depois de viverem esse tempo adicional no deserto terão expurgado inteiramente seu passado para ser uma nação de Deus. E merecer seu lado do triângulo. As rebeliões constituem, portanto, uma reviravolta importante no Pentateuco, a crise que assinala o fim do segundo ato. O último terço da história, que inclui o final de Números e todo o livro do Deuteronômio, será dedicado a contar como os israelitas finalmente se transformam em um povo. O deserto, que deu vida aos israelitas, deverá agora lhes tirar a vida para fazer nascer uma nova geração. É o ciclo mais antigo da Bíblia: criação, destruição, recriação. E são esses papéis que aparentemente se bifurcam, que refletem diretamente uma função dupla de Deus, que Ben-Gurion parece ter entendido no que se refere ao deserto: por fazer exigências, é um lugar que forja o caráter; por ser destrutivo, cria interdependência; por ser isolado, forma o senso de comunidade. Por ser o deserto, constrói nações.
1- c Levítico Regula o culto religioso da época (são os levitas que formam o clero consagrado ao serviço do santuário). 1- d Números Recenseamento do povo e fatos acontecidos nos 40 anos da caminhada no deserto. 1- e Deuteronômio Segunda Lei, Moisés retoma a legislação e adapta para a vida sedentária que teriam ao adentrar na Palestina. Moisés não adentrou na Terra Prometida (por ter desobedecido a ordem divina de ordenar que a fonte vertesse água... ele bateu com a vara nas pedras fazendo a água verter, mas não cumpriu corretamente o que lhe fora mandado), sendo Josué o escolhido para tanto. Este livro relata os maravilhosos acontecimentos da conquista.
SOBRE O PENTATEUCO, trecho do livro “Pelos caminhos da Bíblia” A maioria dos estudiosos acredita que o Deuteronômio é um acréscimo feito em ocasião posterior, aposto quando os outros quatro livros já estavam prontos. De acordo com este ponto de vista, a Tora era originalmente o Tetrateuco, e só se tornou o Pentateuco com a adição do quinto livro. Como escreveu o estudioso William Hallo: “O Deuteronômio ocupa uma posição única na Bíblia hebraica. Talvez mais do que qualquer outro livro bíblico, pode reivindicar o fato de ter sido um livro avulso antes de ser incorporado ao cânone.” Se isso for verdade – e a maioria dos estudiosos acredita que sim -, por que o livro foi acrescentado? Por que não parar em Números, com os israelitas tendo terminado a jornada pela região e prestes a atravessar o Jordão? Essas questões dividem os estudiosos. Alguns vêem os discursos do Deuteronômio como um sermão a respeito de responsabilidade coletiva, outros como uma elaborada renovação da aliança, outros ainda como uma previsão profética dos problemas que os israelitas enfrentariam no futuro. O ponto sobre o qual os estudiosos estão de acordo é que o objetivo central do texto é unir os israelitas em seu compromisso com Deus. Como indica o nome hebraico do livro, mishne tora, o Deuteronômio é uma cópia da Tora, uma repetição da lei. Assim, Moisés recorda a jornada dos israelitas de suas responsabilidades com povo. Na verdade, Moisés lidera uma reeducação pública de seu povo, um seminário coletivo no deserto. Esse colóquio é necessário porque a população dos israelitas que se prepara para entrar na Terra Prometida não conhece sua própria história, ou conhece muito pouco. Ninguém – com exceção de Josué e Caleb – estava presente durante o Êxodo. Toda a população morreu, como Deus determinara depois da rebelião por causa dos espiões. Moisés tem diante de si um bando de tribos disparatadas, cada uma delas formada exclusivamente por pessoas nascidas no deserto.
2 – HISTÓRICOS: Josué, Juízes, Rute, Samuel (I e II), Reis (I e II), relatam a história do povo de Israel desde a conquista da Palestina até o exílio na Babilônia (586 aC). Temos ainda Crônicas, Esdras, Neemias, Tobias, Judite, Ester, Macabeus
Reis: Samuel deve conservar o Povo Eleito unido. O povo pede um rei e Samuel profetiza: será Saul (1020 aC). Honrou-o e ungiu-o (I Samuel, 10, 27); porém por duas vezes foi desobediente: desobedeceu Samuel e foi, então, avisado de que não mais seria de sua família o trono. Desobedeceu a Deus quando não destruiu completamente os invasores amalequitas. Samuel unge, então, Davi (Reis 16, 14; este futuro rei acalmava Saul nas perseguições espirituais que sofria. Davi mata Golias e enche Saul de inveja. Davi foge (Livro de Rute) Perdendo na perseguição que fez, deseja falar com Samuel (já desencarnado). Vai a En-Dor, e a pitonisa (uma vida de Mãe Maria) promove por fenômeno mediúnico o diálogo entre Saul e Samuel. Samuel reitera que Israel será derrotada pelos filisteus e ele, Saul, com seus filhos, serão mortos no dia seguinte. Davi faz uma longa lamentação pelo desencarne de Jônatas, seu amigo (II Samuel, 1, 17). Em 1000 aC, Davi sobe ao trono (Salmos, 78, 70) e ergue novo Tabernáculo em Jerusalém. Já velho, aparecem Adonias e Salomão para a sucessão. Salomão toma posse de uma Israel em paz, no ano de 961 aC (Reis 4, 25). Em 950 aC consagra a Casa de Deus (que será destruída por Nabucodonosor em 586 aC) . Salomão ativou empreendimentos comerciais, constrói estaleiro, fundição. Há grande esplendor em sua corte de 700 esposas e 300 concubinas. Como construía templos aos deuses de suas mulheres pagãs (I Reis, 14, 9), Deus fica indignado. Salomão desencarna mais jovem que seu pai. A pesada carga de impostos pesa muito nas costas do povo. Roboão, seu filho, apesar de néscio e frívolo, é o único que aparece para reclamar o trono do pai. Jeroboão também o deseja (havia sido profetizado como futuro rei e Salomão manda matá-lo)
Cisma (Dt, 17, 14) Vários são os governantes nas duas partes em que se divide o reino (Judá e Israel), mas o quinto governante de Israel faz aliança de seu filho Acabe para um casamento com Jezabel, moabita, adoradora de Baal. Aparece então Elias*, o tisbita. Em Reis 17, 1 há o caso em que ele é alimentado pelos corvos em época de seca. Elias prediz que
Acabe terá seu sangue lambido por cães. Em II Reis 9, 10 lemos que Jezabel foi pisoteada e morta pelos cavalos, tendo sua carne comida por cães. Elias é levado ao céu (novamente desencarna sem deixar corpo) por uma carruagem de fogo, deixando Eliseu **, profeta que não escreveu, mas que tem os assuntos em que se envolveu descritos em 4 capítulos da Bíblia.
As Crônicas e Esdras-Neemias retomam estas mesmas histórias sob pontos de vista particulares, desde o reino de Davi até a formação da sociedade judaica depois do retorno do exílio (em torno de 430 aC).
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.