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Capítulo 9 de 19

Índice — parte 8 de 8

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2

Suas orações deveriam ser a roupagem de seus pensamentos em palavras, já que é natural a vocês na terra transformar seus pensamentos mentalmente em palavras. A oração mais curta, consistindo apenas de poucas palavras sinceramente empregadas, com o pensamento completamente concentrado e poderosamente dirigido, está longe, bem longe da maior e a mais retórica das que algum dia foi proferida, se esta última fosse meramente um punhado de palavras com quase nenhum signicado, sem intenções, e sem força diretiva por trás dela. 'Oração' como esta, de fato, é simples perda de tempo. Algumas das mais nas orações também são as mais simples e as mais curtas. Não são muitas as pessoas na terra que podem sustentar um esforço prolongado de pensamento dirigido numa oração. Com qualquer coisa acontecendo, suas mentes começam a vagar, mais cedo ou mais tarde, e a oração logo se torna não-existente. Com o poder motivador retirado, nunca atingirá sua elevada destinação, nem, de fato, destinação alguma! A oração mais ecaz é a que dela é eliminado qualquer recital de lisonjas aos atributos do Grande Pai. É a pura sobrevivência do paganismo e da superstição, e é completamente sem valor. Isto fede a bajulação. Sugere que primeiramente devemos adular o Pai do universo, como uma forma de nos aproximarmos, antes de fazermos um pedido a Ele, e julgando o tamanho habitual dos preâmbulos que compõem a abertura para tantas orações formais da terra, quanto mais lisonjas, maiores as chances de ter a prece atendida! Muitas pessoas da terra param de ser verdadeiros quando tentam orar. Parecem pensar que um livro de orações é essencial porque, presumidamente aos olhos dos compiladores destes livros de orações, eles são completamente incapazes de se expressarem sobre qualquer assunto. Acreditam que um pedido sincero de ajuda ou de orientação deve ser colocado em palavras, em longos períodos, mais formais, grandiosos e pesados que o documento mais pertinente dos tempos antigos! Resumindo, suas orações deveriam ser tão caseiras, simples e informais em suas construções quanto as suas conversas entre amigos, sinceras e cordiais, e podadas das afetações que não são naturais a vocês. E eu acrescentaria, permitam que elas sejam breves! Vocês estarão mais propensos a terem sucesso com a brevidade. Claro, vocês vão lembrar que nós não estamos aqui considerando quando as circunstâncias os colocam em problemas terríveis e, então, o único alívio e esperança de suas mentes residem na exposição demorada de seus problemas ao Grande Pai. Em tais casos, as circunstâncias são totalmente diferentes. Numa oração de sucesso, seja feita por vocês na terra ou por nós, aqui no mundo espiritual, o resultado é uma ligação perfeita com o Pai do universo e conosco. A resposta será a mesma, estejamos na igreja ou fora dela. Mas a oração tem campo mais amplo do que aquele contido nos limites com os quais as pessoas da terra usualmente a circunscrevem. A oração, em seu sentido mais amplo, pode emanar de nossas mentes espontaneamente, causada pelas condições ou circunstâncias do momento. As glórias do universo estão sempre sobre nós aqui no mundo espiritual. Eu já lhes contei sobre algumas delas. A alegria, por exemplo, que o observar as lindas ores nos traz, transforma-se em nossas mentes num Te Deum de agradecimento que enviamos ao Criador de todas estas maravilhas. Não emitimos estes pensamentos em qualquer tipo formal, não nos expressamos em tantas palavras pensadas. Mas sabemos bem que somos gratos para sempre por aquilo que nos está dando esta grande alegria, e isto também é oração. Você logo pode imaginar como a estes reinos é acrescentada ainda mais beleza por causa da cachoeira de luz que desce sobre nós incessantemente, em resposta a nossos pensamentos de alegria e gratidão. Não precisamos elaborar nenhum ritual ou cerimonial para comunicar nossa gratidão ao pai do universo pelos prêmios que Ele tão prodigamente despeja sobre nós. Não temos as línguas atadas e não somos obrigados a recorrer às palavras impressas dos livros de oração. Não precisamos assumir a mais inibidora das posições – ajoelhar - quando desejamos enviar ao alto os nossos desejos. Nós apenas transmitimos nossos pensamentos do momento, onde quer que estejamos, e não importa o que estejamos fazendo. Nosso prazer pelas muitas belezas destes reinos e a felicidade que cada simples elemento nos traz são, por eles mesmos, uma oração a Ele que nos oferta tudo isto. Não importa o motivo pelo qual nos alegremos, de acordo com nossos gostos particulares e predileções, esta alegria é uma prece não pronunciada, mas uma prece real, nada menos. O estado de alegria, no qual estes reinos vivem, é contínuo. Nunca perde seu sabor pela presença constante. Nossa felicidade nunca se torna envelhecida, se é que posso me expressar assim. É uma emoção à qual estamos sempre atentos, e muito conscientes de que nossa alegria é transformada em uma oração não pronunciada. Apesar de não ser expressa em muitas palavras, é poderosa, e o Grande Despenseiro destas delícias recebe e responde as nossas preces não ditas. Por uma ultrajante perversão da verdade, a Igreja da terra ensina que Deus exige, como direito Seu, que todas as boas pessoas adorem-No, e exaltem-No, e agradeçam-Lhe por aquilo que Ele tenha feito por elas. Se esta cção chocante fosse remotamente verdadeira, quantas pessoas da terra possivelmente fariam qualquer coisa destas, se o quadro do Pai do Céu, da forma que foi pintado para vocês pela Igreja, é uma caricatura tão grosseira? O Pai do Céu não exige nada de Seus lhos, estejam eles na terra ou no mundo espiritual. Ele não exige 'adoração', ou oração, ou agradecimentos. Ele nem mesmo pede estas coisas. As belezas destes reinos do mundo espiritual são coisas vivas. Elas respondem ao nosso amor por elas, e assim tornam-se ainda mais belas. Mas o poder por trás de toda esta beleza vem apenas do Ser Único, e estamos sempre cônscios disto. Estando desta forma conscientes, nossos sentimentos de gratidão estão sempre conosco. Estes sentimentos de gratidão são traduzidos pelos pensamentos de agradecimento, e em nossas mentes gloricamos o Despenseiro, livremente, sem nos dizerem que devemos fazer isto. Nós magnicamos o Nome do Despenseiro livremente, sem nos dizerem que Ele cará colérico se não observarmos o que Ele exige de nós. A 'adoração' que prestamos a Ele, é uma 'adoração' de afeição verdadeira, e não uma inclinação diante do Deus Desconhecido, a quem a terra foi ensinada a temer, e Que exige 'adoração' de Seus lhos como direito Seu. Se a terra não tivesse vivido em cegueira espiritual por tantas centenas de anos, os habitantes dela saberiam agora alguma coisa dos rudimentos de rezar. Eles saberiam de seu uso sem se chocar com as falsas doutrinas, com sentimentos religiosos doentios, com carolice. Eles saberiam que a verdadeira oração não é coisa para clérigo entoar com voz empostada, nem é tagarelar sobre longos extratos dos antigos escritores. Conhecendo o método apropriado de pronunciar as orações, toda a terra seria beneciada. O fato de a oração ser encarada por tantos na terra como uma prática piedosa dos que são inclinados a uma 'religião' foi ocasionado pelas paródias, pelas quais muitas passam por verdadeiras. A oração pode ser – e é – completamente separada de qualquer coisa, mesmo remota, que se aproxime de religião organizada. É assim que usamos as orações no mundo espiritual. A terra poderia fazer precisamente o mesmo se optar desta forma.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.