Voltar ao livro A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2

Capítulo 2 de 19

Índice — parte 1 de 8

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2

I - Prefácio --------------------72 II - Introdução -----------------72 III - Os que choram ------------76 IV - Justiça e Misericórdia -----80 V - Oração ---------------------84 VI - A Oração do Senhor ------88 VII - Oração respondida -------93 VIII - Batismo ---------------------96 IX - Compensação vicária -----99 X - Venha o Vosso reino -----102 I. PREFÁCIO O espírito comunicante deste livro já tinha, em trabalhos anteriores, feito somente descrições do mundo espiritual e a vida nos planos espirituais de modo g eral e, até então, apenas tocou em temas concernentes à 'fé e mor al'. Neste trabalho ele , abandona as descrições da vida espiritual e, ao invés disso, mostra a atitude do mundo espiritual quanto a certas crenças teológicas com referência a um número de textos do Novo Testamento. Uma experiência comum que tantos de nós passaremos quando formos para o mundo espiritual é a necessidade de reajustar, vários gr em aus, nossos pontos de vista sobre muitas coisas à luz do conhecimento recémadquirido e da posição alcançada. Nosso modo de viver muda drasticamente. Se os laicos encontram esta necessidade de reajustamento das visões depois da 'morte', muito mais deve ser o caso de alguém que foi pastor da Igreja, e que na terra foi compelido (pelo menos exteriormente) a olhar todas as comunicações com o mundo espiritual como sendo 'tratos com o demônio'! Minha amizade com o comunicante deste livro, que foi um padre eminente na vida terrena, começou em 1909 (cinco anos antes de ir para o mundo espiritual), em circunstâncias tão agradáveis que ambos jamais esqueceremos. Seu passamento não signicou o rompimento daquela amizade, mas a sua intensicação, e isto foi realizado na única maneira possível – pela comunicação direta com ele. De fato, desde que ele foi residir no mundo espiritual, tive muitas oportunidades a mais de encontrá-lo, em companhia agradáv el de amigos mútuos, o que jamais seria possível se ele estivesse ainda na terra. Tem sido uma experiência feliz para mim, atuar como seu amanuense terreno ao longo dos escritos anteriores e, neste último, registrar alguns dos detalhes de sua 'teologia revisada'. Anthony Borgia II. INTRODUÇÃO Ao falar mais uma vez com os meus amigos na terra, há uma observação preliminar que eu gostaria de fazer. É esta: O mundo espiritual é um local vasto, e as atividades de seus habitantes estão numa escala gigantesca. A parte do mundo espiritual na qual tenho a grande fortuna de viver representa apenas uma parte innitesimal do todo, mas tentar descrever cada característica daquela região de uma vez e dentro das capas de um só volume seria impossível. O problema é comum para aquele que deseja retornar para a terra, quando a oportunidade aparece, para contar de suas experiências do mundo espiritual. Quando o tema foi escolhido , o que deverá ser transmitido, o que deverá ser omitido? Sendo este o caso, alguns de meus amigos da terra, de alguma forma, caram desapontados porque eu não desenv olvi sucientemente alguns pontos que eram de seu interesse. Por isso lamento muito, e espero que estas poucas palavras preliminares ajudem a deixar a posição clara. Quanto ao tema destes escritos, não conei, em nenhum momento, em meu próprio julgamento, mas fui afortunado em ter sempre ao meu lado conselheiros sábios e dotados, cujas experiências da vida no mundo espiritual e das condições variadas de comunicação com o mundo terreno são vastas. Estes amigos estão dando constantemente o benefício de seus elevados aconselhamentos sobre todas as matérias relativas a estes escritos , e, em todos os casos, eu segui seus conselhos. Até aqui deixamos nossas descrições e discussões restritas ao mundo espiritual e à vida que alguns de nós , seus habitantes, vivemos nestes reinos maravilhosos. Algumas pessoas da terra confessam ter pouco ou nenhum interesse na espécie de vida que é levada por uma grande comunidade nossa, nos planos espirituais. Preferem, dizem eles, algo menos 'material', um pouco menos elevado que as descrições das casas e jardins agradáveis, ou lindas paisagens, ou ocupações deliciosas e recreações gostosas. Acham que estas coisas não estão de acordo com o que deveria ser o destino último na 'vida do além'. eu Mas lhes pediria que devotassem uns momentos silenciosos ao tema, e que perguntassem a si mesmos o que acham que a 'vida no além' deveria ser, se eles tivessem o controle destas coisas.

Onde encontrariam a sua felicidade? De que tipo gostariam que fossem os seus arredores? Não se pode imaginar tais pessoas estando contentes por gastarem eras no mundo espiritual, ocupadas com alguma forma de contemplação espiritual, excluídos de todas as outras formas de atividade – se contemplação puder, neste caso, ser considerada uma atividade. Minha experiência mostrou que as pessoas que mais alto clamam por uma forma vida muito espiritualizada no mundo espiritual, são as primeiras, quando chegam no mundo espiritual, a carem profundamente felizes por verem em torno delas tantos exemplos de belezas materiais e grandezas tomando formas exteriores que elas nem podem reconhecer pronta e facilmente, e entender. De fato, a multiplicidade de encantos que podem ser encontrados tem o efeito de tirar de suas cabeças, com rapidez e efetivamente, quaisquer ideias de gastarem seus tempos valiosos em contemplação – exceto a contemplação de sua grande fortuna por poderem encontrar tais coisas, e não aquelas pelas quais advogavam quando estavam encarnados. Muitas coisas são mais agradáveis no abstrato que no concreto: gastar uma vida em contemplação deve ser uma delas. Fui advertido que seria apropriado deixar, por agora, pelo menos, qualquer descrição de nossa vida nestes reinos e, em vez disto, tratar de outros temas de igual importância concernentes aos dois mundos, o seu e o meu. Mas antes que eu faça isto, há uma ou duas considerações que eu gostaria de colocar a vocês, já que elas se ligam diretamente com o nosso tema principal. Vocês devem saber, então, que o mundo espiritual existe por incontáveis milhões de anos na contagem terrestre. O mundo terreno é uma criança titubeante em comparação com a aparentemente incalculável idade do mundo espiritual. Contemporâneas a esta idade do mundo espiritual são as leis que o governam. Estas leis sempre foram constantes, invariáveis, imutáveis e em absoluta continuidade de existência e operação através deste colossal período de tempo. O mundo espiritual, com as grandes hostes de seus habitantes, assistiu a aurora do mundo espiritual, e aquelas mesmas hostes observaram, também, a formação das esferas espirituais que estão dispostas, já lhes expliquei isto em outros escritos, em círculos concêntricos em torno da terra. Não é meu propósito discutir a formação das esferas espirituais, já que não há referência direta ao nosso tema principal. Os seres dos planos elevados observaram a evolução do homem na terra, e deram assistência nesta evolução. Observaram a progressão material e espiritual constante do homem. O homem, como é agora, não foi criado num instante, como a Igreja ensina, à imagem e semelhança de seu Criador. Evoluiu calma e constantemente, desde a mais baixa das ordens das criaturas. A imagem e a semelhança vieram mais tarde. O Paraíso do Éden é a melhor tentativa de explanação sobre a 'criação' do homem que o homem podia pensar naquela época. A história do primeiro homem e da mulher, a quem na terra denominaram Adão e Eva, é um corolário natural à lenda de sua criação. Se a história tivesse terminado com este suposto casal gozando até o m de seus dias na terra os prazeres e delícias de sua habitação ideal, a terra teria economizado uma imensidade de dor e sofrimento, de perseguição, guerras e derramamento de sangue, e uma lista de outras atribulações e calamidades. Mas alguma explicação tinha que ser dada para um porquê deste paraíso terreno não mais vicejar, e assim inventaram a doutrina completamente falsa e totalmente absurda da Queda do Homem, e que desde esta queda toda a humanidade está conspurcada pelo 'pecado original'. As várias Igrejas do plano terrestre de forma alguma são uníssonas sobre o que seja o signicado exato do pecado original. Mas as diferentes interpretações da doutrina têm um ponto em comum: todas estão igual e completamente erradas! Está na crença da Igreja à qual eu pertenci quando estive na terra que Adão e Eva eram imortais em seus corpos terrenos, que o processo conhecido como morte física era, até então, desconhecido. Estes dois indivíduos, portanto, foram constituídos de tal forma que viviam como se fosse em dois mundos de uma vez. Eram, de fato, parte do mundo espiritual e parte do mundo terreno. Foi o pecado destes supostos primeiros pais que levou o Pai do universo a inventar a 'morte' do corpo físico. Ele os retirou do Paraíso, condenou-os à 'morte', e a 'morte' tornou-se transmissível, como uma doença pestilenta, para todas as futuras gerações da humanidade. Toda a construção da história da criação do homem e seu subsequente desastre é um insulto grosseiro à mente Innita. A complexidade das doutrinas e credos da Igreja que têm origem ou base na fábula de nossos primeiros pais é uma tentativa totalmente inadequada de explicar o que os primeiros clérigos eram totalmente incapazes de explicar. A civilização Cristã da terra data o começo de sua história em aproximadamente dois mil anos atrás, em tempo terreno. Dois mil anos: são apenas um grão de areia, um só grão de areia em todo o vasto deserto do tempo. O que estava acontecendo na terra antes que estes dois mil anos começassem? A terra, ensinaram a vocês para que acreditassem, estava em estado de paganismo na maior parte, onde as pessoas adoravam a múltiplos deuses, e mudavam de deuses conforme seus caprichos. O grande Pai, de fato, abandonara, mais ou menos, seus lhos da terra por incontáveis milhões de anos, e Ele, nalmente, considerou enviá-Lo para a terra como 'salvação' só dois mil anos atrás, depois de eras e eras passadas em negligência. Isto, realmente, é o que zeram vocês acreditarem, como nós daqui vemos. O demônio, claro, aparece nesta história do primeiro homem e da primeira mulher. Foi ele que causou as suas quedas. Alguém perguntará: quem é o diabo misterioso que, desde sua primeira grande realização no Jardim do Éden, gastou seu tempo e energias 'vagando pelo mundo pela ruína das almas'? Em uma ocasião anterior, eu falei a vocês sobre este senhor aparentemente onipresente. Depois de escutar tanto sobre ele enquanto estive encarnado, uma das primeiras perguntas que z concernia à sua existência – ou de outra forma – de Satã. Esta personalidade existe realmente? Disseram-me que não havia verdade alguma na história de que em algum lugar nos reinos mais baixos houvesse um Príncipe do Mal, cujo único objetivo era colocar-se em oposição ao Pai de todo o bem, e cuja função era seduzir as almas numa missão de proezas torpes que as cingem à danação eterna. Isto, asseguraram-me, era tolice total. Se alguém atravessasse os reinos trevosos e zesse uma pesquisa abrangente daquelas regiões, deveria achar, depois de cuidadosa investigação, uma ou mais almas que fossem consideravelmente mais baixos na escala de maldade que seus colegas. Concebivelmente, alguém poderia ainda achar que um deles fosse tão degradado que aqueles maldosos se sentiriam inclinados a terem-no como líder em termos de maldade.

Que exista um que seja indisputavelmente o Príncipe do Mal – não, este simplesmente não existe. Cada polegada dos reinos trevosos tem sido inspecionada pelos seres dos reinos mais elevados, e não conseguiram descobrir tal personagem. Não que eles tenham ido para este propósito! A sabedoria que todos aqueles seres elevados têm diz-lhes que não há uma pessoa que seja o demônio. Mas no sentido de que todas as pessoas maldosas nos reinos das trevas possam ser chamadas de diabos, então há muitos diabos. Supõe-se que o diabo tome para si muitos disfarces. Na história do jardim do Éden, ele se tornou uma serpente. Nos dias atuais da terra, a Igreja clama que o diabo se manifesta mascarado de 'anjo de luz' nas 'sessões espíritas', onde ele ecientemente leva a cabo seu trabalho decadente de seduzir as almas para a ruína. Nestes casos, então, o diabo até mesmo clama, de vez em quando, ter sido um anterior padre da Igreja! Podemos nos permitir dar risada desta estupidez, mas também camos muito tristes por isto. Morando no mundo espiritual, como eu, com todas as belezas e maravilhas, toda a alegria, delícias e oportunidades celestes de praticar o bem, e o trabalho útil sempre em torno de nós, podemos ver a escuridão profunda em muito daquilo que chamávamos de pensamento religioso quando vivíamos na terra. Podemos nos lembrar de como éramos ativos quando sustentávamos uma doutrina ou outra como sendo vitalmente importante para a 'salvação' da alma, somente para descobrir, quando viemos viver para sempre no mundo espiritual, que estas doutrinas não valem de nada, literalmente nada. Ela se mostra o que é realmente – completamente sem sentido. Ela ca completamente desintegrada pelas grandes verdades que surgem diante de nós aqui. Isto, por exemplo, logo se descobre na história de nossos supostos primeiros pais e a doutrina do pecado original. É tão impossível achar Adão e Eva, ou seus equivalentes, no mundo espiritual, quanto é impossível achar o diabo, pela mesma razão. Eles simplesmente não existem. Pode ser possível averiguar-se quem esteve entre os primeiros habitantes da terra a mostrar os primeiros sinais de inteligência incipiente, mas quem seria o melhor para esta descoberta? Toda a grande organização da terra foi um processo lento de evolução e progresso. O homem não surgiu repentinamente diante da palavra do Pai do Universo, digamos, da noite para o dia. Todo o procedimento levou milhares de anos do tempo da terra, e ainda continua, apesar das aparências ao contrário! A terra e seus habitantes, homens ou bestas, são corruptíveis. Mas a contraparte etérica do mundo terreno – a qual deveremos descrever aproximadamente como esferas espirituais que são concêntricas a ela – e o elemento espiritual do homem e da besta, tudo isto é incorruptível. O homem primitivo da terra estava sujeito às mesmas leis naturais que vocês estão agora, neste momento do tempo. Desde o instante de seu começo, a terra cou sujeita às leis da corrupção. O homem primitivo 'morria' sofrendo um processo exatamente similar a este que acabei de experimentar, apesar de que as circunstâncias dele podem ter sido bem diferentes. O mesmo homem primitivo reside agora no mundo espiritual. Suas características mudaram através dos incontáveis anos, até que atingiu a nossa conformação geral. Progrediu em virtude de seu direito inato, o mesmo direito inato que todos nós temos, vocês que estão encarnados, e eu, que estou desencarnado, junto a todos os inúmeros milhões de almas em ambos os mundos. E este direito inato é a licença livre e total, a habilidade e a oportunidade para o progresso ilimitado. Quem pode dizer para onde pode ser estendida a progressão para cada indivíduo? Para nós, aqui, parece ilimitada. O homem primitivo, assim são chamados os primeiros habitantes da terra, está aqui conosco no mundo espiritual. Estas almas são os ocupantes das mais altas esferas. Vieram para cá quando deixaram o mundo – vocês os teriam encarado como selvagens. Suas características talvez sugiram a vocês esta denominação. Aos habitantes do mundo espiritual daqueles tempos antigos eles eram almas humanas, rudes, talvez, com falta de conhecimentos das coisas espirituais como as que vocês gozam hoje, mas, apesar disso, possuidores de lampejos de luz espiritual. Com a sua chegada ao mundo espiritual, foram logo tomados pelas mãos por almas maravilhosas que jamais tinham tido uma existência encarnada, mas que pertenciam ao mundo dos espíritos, e somente ao mundo dos espíritos. Com esta maravilhosa instrução e guia, estas almas primitivas progrediram sem o reconhecimento deles mesmos anteriormente. Neste momento dos tempos, vocês serão incapazes de identicar um ser que uma vez foi chamado de 'homem primitivo', nem o diferenciarão de qualquer outro habitante de seu próprio reino. Enquanto o homem primitivo estava evoluindo cuidadosamente, até ser alguém mais elevado do mundo espiritual, seu irmão ainda na terra estava passando por uma transformação similar, até que chegasse a ter todas as características que são familiares à humanidade neste momento atual. A evolução espiritual e material do homem no plano terrestre ainda continua, e sempre continuará. Qual será o grandioso nal não cabe a mim arriscar numa adivinhação. Tais coisas são segredos bem guardados das mais altas esferas, e é problemático ver se é melhor não ser informado ou ser completamente informado sobre isso. Falando religiosamente, o homem dividiu sua existência terrena em duas épocas – Cristã e pré-Cristã. Nesta última, disseram-lhes, o mundo estava em trevas espirituais. A humanidade estava ainda trabalhando o melhor que podia, sob a suposta ira de Deus por nossos primeiros pais terem cometido o grande 'pecado'. De acordo com os livros antigos e crônicas, um 'salvador' seria enviado, mas nenhum homem conhecia o tempo, o lugar e as circunstâncias de sua chegada. Finalmente, num período que é avaliado como sendo há dois mil anos atrás, um grande ser nasceu sobre a terra. Por alguns, ele foi aclamado como o salvador longamente esperado; por outros, ele foi rigorosamente negado. Depois que dois mil anos se passaram, ainda resta o mesmo pensamento dividido, sobre Deus ter ou não ter enviado o Seu libertador. O nascimento sobre a terra daquela alma ilustre há tanto tempo atrás, sacudiu as mentes humanas como jamais haviam sido sacudidas. Foram feitos manuscritos, supostamente contendo os muitos atos praticados e as palavras pronunciadas durante sua breve vida na terra, juntamente com os seus ensinamentos. Sobre isto, foi erigida uma vasta teologia, tão confusa, tão complexa, tão incompreensível, que nenhum homem pode explicá-la, e é tão controversa que muitas seitas religiosas distintas, separadas e opostas surgiram na terra, cada uma clamando ser mais ou menos o único meio verdadeiro de 'salvação' das almas. Como padre de uma das principais destas denominações, sustentei, quando estava na terra, todas as suas doutrinas ou credos. Quando cheguei a morar no mundo espiritual, vi que todo o meu 'conhecimento' teológico foi negado ou anulado pela minha primeira visão das verdades espirituais do mundo espiritual, de seu povo e de suas leis. Vi que, no que concernia às pessoas da terra, eles jamais viveram, durante uma fração mínima de um só momento, sob a ira de Deus, pela razão onipotente de que o Grande Pai do Céu não pode enviar sua ira contra qualquer pessoa, ou pessoas, qualquer que seja a razão, ou razões.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.