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Capítulo 5 de 19

Índice — parte 4 de 8

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2

Agora, para que meus amigos não digam que exagerei no assunto, deixe-me assegurar-lhes que não o z. Quando eu estava na terra, houve muitas ocasiões, como ocorre com qualquer ministro da Igreja de qualquer denominação, em que uma alma sofrida veio em busca de ajuda espiritual e orientação. Todo o corpo de ensinamentos que Jesus trouxe naqueles dias lá para trás concerniam a temas duplos: orientação espiritual para as pessoas na terra baseada em fatos absolutos da vida espiritual, e as leis espirituais; e algum informe das leis espirituais e seu funcionamento, com plenos detalhes dos fatos da vida espiritual. O que é lido sobre estes últimos temas no Novo Testamento é apenas uma aitiva fração do que foi originalmente transmitido pelo grande mestre aos ouvintes. A porção maior daqueles fatos não foi registrada. Os restantes foram muito resumidos e distorcidos, e também acrescentados de interpolações não-autênticas, foram tão mal traduzidos, tendo gerado as 'interpretações' as mais sem sentido e bárbaras, que o livro como um todo deve agora ser tratado com o maior cuidado quanto aquilo que é verdade espiritual exata e o que não é. Os muitos 'milagres' que foram praticados por Jesus são demonstrações do uso perfeito das faculdades psíquicas sob a superintendência precisa e indisputável de elevados espíritos do mundo espiritual. Até estes foram metamorfoseados para atos de um ser divino, que seria Deus de fato, e a quem, portanto, tudo era possível, mesmo 'levantar os mortos'. A frase toda de bem-aventurados os que choram é, nesta forma, uma declaração isolada de um fato. É, na verdade, apenas um texto de todo o sermão, como são todas as 'bem-aventuranças'. Como está, não pertence a lugar algum. Como tema de um discurso completo, torna-se título de suprema importância para cada alma nascida na terra, e era isso que signicava. O signicado é claro a nós no mundo espiritual. Deveria ter cado claro a nós quando estávamos na terra. Ficaria claro a nós, se o texto completo fosse registrado como foi originalmente transmitido. Mesmo se só o substancial do que foi dito tivesse sido registrado, um resultado esplêndido teria sido alcançado. A ortodoxia, por centenas de anos, tem ignorado o verdadeiro signicado destas palavras, dando interpretações grotescas ao que é uma simples declaração da verdade. Deixe que o teólogo busque tão profundamente quanto queira, ele não encontrará meios, dentro da circunscrição da órbita de sua teologia, para demonstrar a verdade da asserção que o conforto deve ser dado ao que pranteia. O que ele pode descobrir, entre os credos da Igreja e os dogmas, que trará conforto? Mas no lugar de garantias vagas e vazias, a verdade das leis espirituais e sua ação trarão conforto imenso. Mas o conforto deve ser buscado. Nunca foi intenção que os dois mundos, o seu e o nosso, devessem ser tratados como dois mundos apartados, jamais tendo comunicação, em hora alguma, um com o outro. Por que não deveriam nossos dois mundos manter uma conversa regular e natural entre si? Esta comunicabilidade existe, sempre existiu e, mais ainda, sempre existirá. Pode ter sido, e é, cultivada por poucos, comparativamente, é verdade, mas é a maioria que perde com isso. Esta comunicabilidade é uma das verdadeiras bênçãos conferidas aos dois mundos pela Grande Mente que determina tais coisas. As pessoas falam livremente da vontade de Deus porque os queridos desceram à tumba (assim eles pensam) e dali em diante silenciaram. E a dor dos que estes deixaram para trás, na terra? É a vontade de Deus, então, que tal sofrimento venha sobre eles. Que imputação infame é esta ao Pai do Céu, que Ele tenha deliberadamente planejado as coisas no universo de forma tão rude que uma infelicidade tão profunda tenha que ser espalhada por toda a terra! Nós, no mundo espiritual, podemos saber pouco da vontade de Deus, mas pelo menos sabemos o que Ele jamais faria. Ele nunca causaria sofrimento, de qualquer tipo, para nenhuma criatura vivente, tanto na terra como no mundo espiritual. Do Pai do Céu pode vir apenas o que é bom e o que seja pela felicidade da humanidade. Cada alma nascida na terra deve passar pelo portal da 'morte' antes de tomar residência permanente no mundo espiritual. Mas, com a sua passagem para o mundo espiritual pela morte do corpo físico, as circunstâncias naturais e usuais são que outros devam ser deixados para trás, para continuarem suas vidas terrenas até que chegue o tempo em que também eles passem para estes planos. Não era intenção que uma barreira inexpugnável de silêncio fosse erigida entre os que passaram ao mundo espiritual e os que ainda estão na terra. Os meios sempre existiram, pelos quais um intercâmbio natural, normal e feliz entre os dois mundos fosse desfrutado para sempre pelos habitantes de ambos os mundos. Se as pessoas, em sua estagnação e estupidez, ou em sua cegueira e teimosia, desejam deixar de lado as bênçãos maiores que um despenseiro sábio providenciou para seu conforto, eles não têm, a não ser eles mesmos, ninguém a culpar por sua dor. Mas muitas das grandiosas mentes da terra encaram até mesmo pensar na comunicação direta entre os dois mundos como lixo, coisa não demonstrada, insalubre, mórbida, e até completa loucura – de acordo com a sua grande sabedoria. As Igrejas ortodoxas sustentam estes, em quaisquer objeções que possam levantar. Assim que surja uma objeção, será sustentada. Ao mesmo tempo, sustentam o Novo Testamento, cada palavra dele, apesar de não terem a mais pálida noção do que signiquem as palavras, ou nem compreendem, nem de forma vaga, o que as palavras devem signicar, não podem conceber quanto conforto poderia ser obtido, e eles não estão em posição, certamente, de providenciá-lo. Quando Jesus pronunciou estas palavras, ele estava fazendo uma declaração da verdade absoluta, e então procedeu ao desenvolvimento de seu tema sobre os fatos verdadeiros das leis espirituais. Ele via sobre ele, naqueles tempos antigos, a mesma dor da perda que pode ser testemunhada hoje em dia na terra. A humanidade não mudou a este respeito. Havia – e sempre haverá – dor pela partida de um amigo ou parente para o mundo espiritual, enquanto durarem as afeições humanas. As afeições humanas têm seus galardões; elas também têm suas dores, e nada é tão pungente quando na transição de alguém querido. Jesus observou o estado natural das coisas em torno dele. Seu ensinamento nesta ocasião em particular, entre muitas de descrição similar, providenciou a resposta satisfatória para este problema de sofrimento e tristeza humanos. Ele não se contentou em meramente fazer o pronunciamento de que os que choram deverão ser confortados, mas falou aos ouvintes como os que choram poderiam encontrar o conforto. E o meio tão prontamente à mão não era a 'fé' ou a submissão à vontade de Deus, mas os fatos claros da comunicação entre os dois planos e como poderiam ser alcançados. Quem seria melhor qualicado para falar de tal tema, senão o próprio Jesus? Ninguém, pois ele praticava exatamente o que pregava. Suas próprias faculdades psíquicas foram desenvolvidas durante um longo período de anos, sob a orientação cuidadosa do mundo espiritual. Ele podia falar, aos que ouviam, que a 'morte' não é a tragédia opressiva que o povo na terra sempre pensou que fosse. A terra estava de posse plena de inúmeras bênçãos conferidas a ela pela ação de leis naturais. Estas mesmas leis existem e agem hoje em dia, mas são expostas, não pelos expoentes da Ortodoxia, como deveria ser, mas pelos poucos, comparativamente, que estão fora do reinado das crenças ortodoxas.

Os problemas com que Jesus se confrontou ao apresentar seu tema por completo, sobre a verdade eterna que os que choram serão confortados, eram problemas que têm sua contraparte na terra a este momento. Seu principal oponente era a Igreja de seus dias. A principal arma do arsenal eclesiástico de todos os tempos e de todas as denominações é a arma do medo, fundamentado sobre estranhos mistérios e uma concepção total e completamente errônea do caráter e a natureza do Pai do universo. As Escrituras em si são feitas para gritar a conrmação textual de muitas das crenças inexplicáveis e teorias religiosas nas quais a Ortodoxia coloca tanta conança. O livro que deveria estar fornecendo aos professores religiosos da terra a verdade vital concernente à vida de cada um depois da terra, e à natureza das coisas que se pode esperar depois que a vida terrena termine, este livro foi feito campo de batalha para as religiões contendoras, com a consequente fundação de centenas de religiões de denominações diferentes, em desacordo umas com as outras, algumas delas clamando que Jesus é o próprio Deus, outras negando-o. Se estas mesmas Escrituras não tivessem sido tão grosseiramente falsicadas, a verdade completa estaria lá, para todos verem. Mas para a verdade ser vista às claras, na luz do dia, teria que ser pronunciado o julgamento da Ortodoxia, como mais tarde seria conhecido. Onde caria a autoridade de qualquer Igreja não baseada e moldada sobre a verdade, se o indivíduo fosse capaz de providenciar, por si mesmo e pelos seus poderes psíquicos, tudo o que fosse necessário para sua vida espiritual na terra, e pela sua conduta sã no mundo espiritual – sem o auxílio de nenhuma crença obscura, sem nenhuma performance religiosa e inteiramente livre do medo? Pela prática desta simples 'religião' da comunicação com o mundo espiritual, não somente o indivíduo seria o receptor de ensinamentos espirituais para a melhoria da posição que ele ocupará imediatamente depois de sua transição, mas também durante a sua vida sobre a terra ele poderia conversar constante e facilmente com seus amigos e parentes que já haviam passado para os planos espirituais antes dele. Não haveria pranto, já que o pranteador estaria confortado pela conversa que poderia desfrutar a qualquer momento com os que o 'precederam'. Seus amigos no mundo espiritual poderiam dizer-lhe como estão passando, o que lhes aconteceu depois da experiência de 'morrer', do mesmo jeito que pude fazer contando a vocês, meus bons amigos, algumas de minhas experiências desde que vim morar nestes planos. Vocês não lamentaram a minha passagem? Sei que o zeram, mas também sei com que alegria vocês deram as boas vindas, naqueles primeiros tempos, às notícias de que eu estava bem, e quei mais sensibilizado com a alegria ainda maior com a qual saudaram meu retorno para falar a vocês. Há outra forma pela qual este estado feliz e alegre pudesse ser atingido? Nenhum. Jesus contou àquelas pessoas simples que se sentavam a seus pés, a forma pela qual os que choram seriam consolados, e hoje estamos pondo em ação as mesmas leis cuja ação ele lhes expôs. Jesus tinha seus próprios amigos no mundo espiritual, com quem conversava constantemente, como está sendo feito hoje, no plano terreno. Ele podia comparar as formas de religiões ortodoxas que havia em torno dele com a grande verdade que ele conhecia. E ele se dispôs a espalhar as 'boas novas' diante de seu próprio povo. Ele usou palavras e empregou termos que seus ouvintes infalivelmente entenderiam. Ocasionalmente, ele deixava velado seu signicado por razões de diplomacia, mas em nenhum caso, durante seu discurso particular, ele deixou sua audiência inteiramente em dúvida quanto ao signicado preciso. Ele falou como uma pessoa normal falaria, tendo o conhecimento dos fatos, e sempre teve em mente o grau da mentalidade de seus ouvintes. Eles eram pessoas simples, iletradas e incultas, que estariam mais familiarizadas com as coisas simples do que com os ensinos confusos sobre temas que estivessem longe e além de sua limitada compreensão. Os ensinamentos maiores e mais simples de todos não foram registrados nos evangelhos. Os doutores da Igreja forjaram estragos como foi exposto, e uma ampla variedade de 'interpretações' foi dada aos textos mutilados. Mas, apesar deles, os que choram continuarão a ser confortados da única maneira possível. IV. JUSTIÇA E MISERICÓRDIA Parece não terem m as interpretações ingênuas que foram dadas a algumas das declarações mais simples que Jesus fez durante sua breve vida na terra. Em muitas vezes, estas interpretações são baseadas em premissas falsas. Tanta religiosidade foi entremeada quase que em cada palavra nos evangelhos, que parece que a verdade das declarações claras se perdeu em pronunciamentos portentosos dos teólogos e doutores da Igreja. Talvez seja argumentado, no caso das bem-aventuranças, que se elas são, como armei, apenas textos de um discurso completo, então os teólogos zeram o que melhor podiam com o pouco material que tinham à disposição. Não se espera que eles saibam o conteúdo do discurso inteiro. E eles teriam o direito de assumir que isto ou aquilo foi dito, quando não há evidências quaisquer do que foi dito. Isto seria uma prática perigosa demais, e deveria ser logo condenada. Nós, do mundo espiritual, podemos ver como a autoridade procedeu em suas interpretações. As falsas premissas, às quais acabei de aludir, são suposições de que os evangelhos são a palavra inspirada de Deus, e que Jesus é, ele mesmo, Deus. Os evangelhos tornaram-se o principal fundamento de muitas religiões da terra. A religião tornou-se uma parte separada da vida do homem sobre a terra, para ser praticada ou ignorada, conforme a predileção do indivíduo possa decidir. A religião, para muitos encarnados, signica uma sucessão de idas à igreja em intervalos regulares, ou meramente uma crença cega em cada palavra que está contida no Novo Testamento, estando entendida ou não. Se uma religião em particular prefere introduzir um pequeno ritual em seus serviços, este ritual é marcado como superstição pelos outros de seitas opositoras. Mas a verdade, com podemos vê-la do mundo espiritual, é a que maioria das religiões, como elas se constituem agora na terra, nada mais são do que superstição completa. É superstição gerada pela ignorância ou pela falta de conhecimento das verdades da vida, da forma como ela é vivida no mundo espiritual. O após-vida é encarado pelos ignorantes como um lugar sagrado onde, de um lado tem a ver com o céu; do 'inferno' nem é bom pensar. Mas a Igreja mantém a perspectiva dela sempre diante das mentes dos 'crentes' como um instrumento de medo, para atemorizar as pessoas para um modo de vida apropriado enquanto estiverem na terra.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.