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Capítulo 16 de 19
Vi. A Oração Do Senhor — parte 7 de 10
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2
Como isto poderia agradar, ou apaziguar ou ajudar aquele deus em particular, isto era um dos 'mistérios' da religião. Esta crença primitiva e bárbara da necessidade essencial do sacrifício sangrento passou para a religião Cristã, onde as pessoas ainda estão sendo ensinadas na terra que Deus sacricou Seu único lho numa cruz para a salvação da Humanidade. Poderia alguma crença ser mais terrivelmente cruel? Poderia alguma crença ser uma caricatura maior da verdadeira natureza e essência do Grande Pai do céu e da terra? Poderia alguma crença ser mais bárbara e terrível? Deve-se ponderar quando as pessoas dizem que não sabem como amar a Deus, como lhes é ensinado a fazer por seus instrutores, quando lhes dizem que Deus, o Pai, demanda não somente um sacrifício de sangue, mas que a vítima sacricada seja Seu lho único. Poderia ser este um Deus de amor? – é uma pergunta que partiria da mente de qualquer pessoa normalmente constituída. Tentar uma resposta para uma pergunta com esta é seguir para a selva de complexidades teológicas que têm pouca relação com a verdade. A manutenção de tal doutrina, que Deus tenha demandado um sacrifício sanguinário de Seu lho, é imputar as qualidades mais terríveis e diabólicas ao Pai do universo. Este sacrifício, dirão os eclesiásticos a vocês, era necessário para a remissão dos pecados dos povos da terra. Deus demandou, armarão. Isto é puro paganismo – e sem um vestígio de verdade por trás de tudo. Cada um de nós é responsável por nossos pecados. Devemos pagar nossas penalidades por todas as transgressões das leis espirituais; ninguém poderá fazê-lo por nós. Assim é administrada a verdadeira justiça por todo o mundo espiritual a todos de forma igual, imparcialmente, infalivelmente, e exatamente. A 'redenção' não pode ser comprada por nós. Mas mesmo se a 'redenção' pudesse ser comprada – por alguma estranha mutação das leis espirituais – seria um artigo inútil, porque não há ninguém no mundo espiritual, ou sobre a terra, que poderia substanciar por um só instante o direito de ser um 'redentor'. Mesmo as almas mais ilustres, que moram bem longe acima de nós daqui nos reinos de luz, mesmo eles não têm o poder para remover a carga que o homem mortal põe sobre si por causa da vida que levou na terra. O homem é seu próprio 'redentor'. Sempre foi, sempre será. Não podemos transferir para outros ombros o peso que devemos carregar por nós mesmos. Mas teremos toda a assistência para torná-la mais leve, e os meios de fazê-lo serão mostrados rapidamente, ao nosso mais leve desejo. Isto é aonde cada um pode ir. O Pai do Céu não pede apaziguamentos; Ele não pede nada. Nem Ele precisa ser aplacado através de ofertas de sacrifícios, nem que sejam não-sanguinários. No mundo espiritual, nem ao menos pensamos em termos de 'corpo e sangue'. A Ortodoxia exulta nestes termos, e apontará a famosa reunião de Jesus e seus amigos, tão perto da hora de passar para o mundo espiritual. Neste último encontro, supõe-se que ele tenha dito, quando pegava o pão e o vinho em suas mãos, este é o meu corpo.... este é o meu sangue. E pediu a seus amigos para repetirem a mesma cena em comemoração. Por este simples pedido espalhou muitos dogmas, doutrinas e práticas religiosas. Nestas últimas se supõe re-ordenar o sacrifício, de uma forma sem sangue, aquilo que Jesus fez antes de sua morte. Vamos examinar o assunto do ponto de vista do mundo espiritual. A Ortodoxia imprime muita pressão sobre 'o corpo e o sangue' de Jesus. Que signicado carregam? A resposta é nenhum. O corpo físico é o veículo que o corpo espiritual usa durante sua jornada na terra. O sangue que corre naquele corpo tem sua força vital, mas o corpo espiritual, que reside nele, anima o corpo físico. Se o sangue que corre nas veias do corpo físico sair em certa quantidade, o corpo espiritual não mais animará o corpo físico. Quando você passa para o mundo espiritual, não tem mais uso para seu corpo físico. Consta como nada, em sua mente. Em comparação com a excelência superlativa de seu corpo espiritual, o corpo terreno foi apenas uma estrutura vacilante, desajeitada e vulnerável. Mas serviu a seu propósito. Com o nosso novo corpo, não podemos pensar em termos de 'corpo' e 'sangue'. Temos os dois, mas são indestrutíveis e não podem ser feridos. Um 'sacrifício' de 'corpo e sangue', por assim dizer, um serviço religioso onde um pedaço de pão é tido como corpo de Jesus, e um copo de vinho tido como seu sangue, aos nossos olhos, aqui no mundo espiritual, é uma concepção revoltante. Sentiram que uma reunião comemorativa seria útil, então não há razão por que não manter um serviço assim. Mas qualquer sugestão, mesmo qualquer pensamento, sobre 'o corpo e o sangue' deveria ser expurgado drasticamente. A propósito, tal serviço teria muito pouco valor espiritual – ou nenhum. O mundo espiritual não está ligado a observâncias ritualísticas, imbuídas de estranhas doutrinas ou não. Os teólogos armarão que tais serviços são necessários para o homem na terra, para que ele tenha a 'graça de Deus' sobre ele. Puro lixo! Deus não depende de algumas bugigangas religiosas para dar ao homem de Suas forças e poderes. A força e os poderes do Pai do Universo serão obtidos em qualquer hora, em qualquer lugar. Esta emanação não requer aparatos religiosos quaisquer, nenhum edifício especial, nem formulários, nenhuma condição ou qualicação feita pelo homem. Podem objetar que estou condenando as 'reverências' comunais como sem valor para o esquema espiritual das coisas; que os serviços da Igreja, de fato, são inúteis. Não condeno os serviços corporativos na Igreja, mas realmente armo que a maioria deles é, espiritualmente, inútil. Um serviço de Igreja, do qual a parte central ou vital está baseada em uma falsa doutrina, é completamente sem valor no mundo espiritual. Novamente, o objeto de tal serviço deve ser levado em consideração. Se pretenderam um ato de sacrifício expiatório ao Pai, é sem valor algum. O Pai não precisa disto. Se o serviço foi feito porque alegam que Deus precisa de reverências, então, de novo, não tem nenhuma signicação. Deus não precisa de reverências de nenhuma espécie ou descrição. Se o serviço for feito para a 'remissão dos pecados' da congregação, então, uma vez mais, os serviços não valem de nada. O serviço mais magnicente, realizado na maior e mais ornamentada catedral, com o máximo de solenidade, pompa e aparência ritualística, e na presença de toda a hierarquia, não removerá nem o menor pedacinho da carga de um só 'pecador', carga que a vida mal vivida jogou nos ombros dele, infrator das leis espirituais. Nenhum apelo, mesmo pronunciado eloquentemente, ou prolongadamente, atingirá este objetivo. Estas peculiares invenções religiosas, conhecidas no mundo ortodoxo como sacramentos, através dos quais, dizem, a graça de Deus descerá sobre o homem, são apenas instituições erigidas pelo homem, por onde as pessoas podem ser mantidas numa subjugação apropriada. Os mistérios são necessários para manter o poder da Igreja e sua autoridade. Nunca fariam as pessoas saberem tanto quanto os ministros da Igreja.
Ao manterem-no o quanto possível, o medo de Deus aumenta e, com isto bem inculcado, as pessoas farão exatamente o que lhes dizem. A autoridade da Igreja será mantida e tudo cará bem – pensam eles, da própria autoridade. Nem tudo está bem. Tudo está mal, na realidade, com os incontáveis milhares que foram enganados, extraviados e confundidos por seus supostos mentores religiosos. A Igreja construiu um sistema elaborado de observâncias e doutrinas, a maior parte das quais, dirão, tem sua base no Novo Testamento porque foram realmente instituídas pelo próprio Jesus. Escritores desonestos, ou ignorantes, colocaram na boca de Jesus frases que nós, no mundo espiritual, sabemos positivamente que ele jamais as teria pronunciado. Supostamente, Jesus falou sobre sua 'Igreja'. Isto é uma falsidade da pior espécie. Em nenhuma ocasião interessou a Jesus estabelecer qualquer Igreja. Ele lidou apenas com as verdades espirituais; em nenhum momento esteve ligado á criação ou o estabelecimento de invenções sacramentais peculiares, das quais dependeria a salvação do homem. Ele sabia que ninguém, tanto na terra quanto no mundo espiritual, pode tomar a si o caráter ou as funções de um 'redentor' ou de um 'salvador', no sentido em que estas duas palavras são conhecidas, que elas signicam e da forma que são entendidas pela Igreja e a maioria se seus seguidores. Jesus apenas lidava com as verdades espirituais, não com as fantasias religiosas e seus enfeites ritualísticos. Ele armou a verdade, nua e sem adornos; não falou de si nada além do fato de que conhecia e falava a verdade sobre todos os pontos pertinentes ao destino e ao propósito espiritual do homem. Sobre todo o âmbito da verdade que Jesus explicou durante sua breve e ativa vida na terra, quase que a menor fração foi registrada; isto é, registrada para que a posteridade lesse. Muito mais foi escrito originalmente, mas foi eliminado. Era simples demais em seu conteúdo para agradar a algumas mentes, especialmente aqueles que não podiam ver sentido em se permitir que as pessoas soubessem bastante sobre si mesmas e sua evolução espiritual e destinação. Havia pouco a ser feito fora das verdades como Jesus as proclamou. Não havia mistérios com os quais manter as pessoas em sujeição espiritual, para trazê-las sob os calcanhares com medo das terríveis punições a virem se eles desobedecessem a autoridade. Primeiramente, Deus deveria ser um Deus de Temor. Se o amor aparecer no quadro, foi meramente para temperar o medo de alguma forma. A grande coisa a ser feita era evitar a ira de Deus porque quando Ele não estava irado, então aí poderiam buscar a presença daquele amor. De uma simples refeição de despedida, em companhia de doze amigos, surgiu uma forma de serviço da igreja que não traz a menor semelhança com aquilo que queriam comemorar. Àqueles poucos amigos foi pedido para não se esquecerem de Jesus depois que ele se fosse de sua presença física. Foi pedido a eles que se encontrassem de alguma forma e, pelo exercício das faculdades psíquicas que possuíam, eles poderiam vê-lo de novo e manter conversações com ele, coletivamente, como se tornara costume entre eles. Enquanto cada um deles pudesse, através de seus dons, perceber Jesus, esta seria a forma mais agradável de comunhão enquanto estivessem reunidos. Jesus poderia, então, dizer-lhes alguma coisa mais sobre o grande mundo invisível, o mundo espiritual do qual ele se tornaria morador permanente. Estes seguidores caram felizes por seu amigo poder estar entre eles, mesmo que o mundo exterior não casse sabendo. A tragédia terrível de seu nal na terra rapidamente se extinguiu por causa de sua presença real entre eles. De fato, é uma coisa natural, aqui no mundo espiritual, ver que as glórias da nova vida, suas belezas, suas ilimitadas possibilidades e suas alegrias, ajudam coletivamente a banir das mentes quaisquer desagrados, desastres, tragédias ou horrores que possam ter acontecido na transição real. O processo de eliminação, como podemos chamá-lo, pode levar um período curto ou longo, de acordo com vários fatores ou circunstâncias, entre as quais deve ser considerada a mentalidade da pessoa. É o choque da transição que a faz sentida mais proeminentemente, e não necessariamente o modo da transição. Aqui está um importante ponto que é bom enfatizar. O processo real de passar permanentemente para o mundo espiritual através da morte do corpo físico é precisamente o mesmo com cada ser humano nascido sobre a terra. Apesar de que as causas físicas da transição podem variar multiplamente, o processo espiritual é exatamente o mesmo em todos os casos. Jesus não foi a exceção a esta lei espiritual natural. Não houve, portanto, 'ressurreição' ao terceiro dia, como usualmente é colocado nos diferentes credos. A ressurreição apenas não aconteceu. Onde poderia alguém aparecer – e de onde? Se um indivíduo, em seguida a sua transição, achar oportuno cair em um sono revitalizante e reanimador, que é uma ocorrência bastante comum nestes planos, então ele o fará. Eventualmente, ele acordará; pode ser depois de muitos meses depois que partiu, ou meramente depois de passar uma hora ou duas do tempo terreno. Mas este acordar é apenas uma função ordinária, não é mais 'ressurreição' que o seu acordar todas as manhãs em suas camas da terra – pela mesma razão. Nos dois casos, vocês saem de sonos naturais. Não temos 'ressurreições' aqui no mundo espiritual, em nenhum momento de nossas vidas. A transição de Jesus, como processo espiritual que é, aconteceu exatamente de acordo com a lei que governa as transições. O processo não admite nenhuma alteração ou variação, nenhuma modicação ou exceção. A 'morte' de Jesus e sua rápida volta em seu corpo espiritual aos seus amigos demonstrou, a eles, da forma mais convincente e simples, o que ele falara a eles durante sua vida terrena. Ele lhes provou que, sem sombra de dúvida, o homem sobrevive após o túmulo, que a 'morte' signica a morte do corpo físico apenas; que o corpo espiritual e a personalidade que ele abriga são imperecíveis e indestrutíveis. Ele lhes provou que a morte não termina nada; que o homem continua vivendo. Ele mostrou-lhes que o homem pode destruir completamente a vida que há no corpo físico, até cometer chacinas naquele corpo, mas a alma não pode ser tocada da mesma forma. O homem não pode perder sua alma. Jesus demonstrou claramente aos seus velhos amigos a quem deixara, que não só a vida é contínua e ininterrupta pela morte, como também que é possível para os habitantes dos planos espirituais voltar para a terra para visitar seus amigos ali, para conversar com eles, para ajudá-los e adverti-los quando necessário, para continuarem o relacionamento agradável que a transição, aparentemente, interrompeu. Jesus lhes mostrou que era certo e apropriado um dos mundos manter conversação com o outro. E ele veio exatamente no meio de seus amigos na terra e ofereceu-lhes o conforto de sua presença real. Ele praticou exatamente o que anteriormente pregara – bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.