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Capítulo 8 de 19

Índice — parte 7 de 8

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2

A igreja ortodoxa tentou fazer do mundo espiritual um lugar ou estado 'religioso', sendo o principal elemento religioso o Cristão, senão o único. Muitas pessoas acreditam seriamente que os não-Cristãos vão ser tornar Cristãos quando deixarem a terra indo para o plano espiritual, portanto, no m, o mundo espiritual será uma vasta assembleia de Cristãos irreprocháveis e indisputados! Algum ajuste necessário terá que ser feito, claro, para harmonizar todos os variados e antagônicos credos, mas isto, sem dúvida, será facilmente realizado pela organização providencial do mundo espiritual mais elevado. A mais dogmática das religiões da terra encara o mundo espiritual somente nos termos de seu próprio dogmatismo, e tudo deve, portanto, se render para as verdades das quais ela se acredita ser a única depositária na terra. Esta concepção estranha do mundo espiritual como sendo um templo enorme de orações, como se fosse o lugar onde os ocupantes do 'céu' habitam num estado de santidade e devoção, é uma concepção que está muito distante da verdade, tanto quanto a luz do dia está da escuridão da noite, como tentei mostrar-lhes. A imaginação recua diante da contemplação deste tipo de existência para toda a eternidade. Nenhuma mente poderia sobreviver a uma provação de uma eternidade apenas em oração, mesmo que a monotonia seja aliviada por um pouco de cantoria de hinos e canções espirituais. Por oração, claro, eu quero dizer aquele tipo de oração em uso nas igrejas do plano terrestre, e que podem ser encontradas nos livros comuns de orações impressos. As orações, como o resto que concerne ao bem estar espiritual do homem, foram moldadas e modeladas por mentes sem imaginação do plano terrestre, sob uma concepção completamente irracional do Pai do universo. Nunca esta concepção grotesca foi mais claramente exemplicada do que nos livros de orações que são compostos para os membros de todas as religiões da terra. Conforme enxergamos tudo isto do mundo espiritual, o motivo da maioria das orações em tais livros é puro paganismo. A adulação repugnante que é endereçada ao Pai do universo, e o grau extremo de auto-humilhação que é expresso por quem está orando, são originados de um medo nervoso e terror pelo 'desconhecido além'. Palavras eloquentes, longas frases pomposas e o recital de uma ampla variedade de crenças doutrinárias confusas são postas nas bocas dos que oram e que não têm noção do que estão dizendo, e que, de qualquer jeito, têm pouca aplicação em suas vidas simples. Muitas pessoas da terra foram torturadas por tais orações por gerações, porque a substância destas orações criou temor em suas mentes. Uma mente sensível tornar-se-á intimamente aterrorizada por sua aparente indignidade de chegar – como é detalhado e enfatizado pelos livros de orações – até mesmo a milhares de milhas do 'céu'. Ele é constantemente forçado a dizer, se ele usa o livro de orações, que ele é o mais miserável dos pecadores. Uma alma sensível acreditará que é uma descrição dele mesmo. Uma pessoa de outro tipo de mentalidade não acreditará em uma só palavra daquilo, mas repetirá as frases da mesma forma. No primeiro caso, terá o pior efeito possível sobre a mente; no segundo caso é insensatez, se não for completa hipocrisia. No mundo espiritual estamos em posição de ver o valor e a ecácia de certas formas de oração usadas, sendo tanto as devoções privadas de indivíduos comuns, como as orações que são incorporadas nos serviços de igrejas. Devo dizer logo que os livros de orações usados como veículos de devoção privada são, em regra, de nenhum valor. Em numerosos casos, os que oram estão baseados nas crenças que não têm fundamento na verdade. Sempre pareceu haver uma ideia xa nas mentes dos que compõem as orações: que um recitar constante daquilo que acreditam ser carinhosamente atributos do Pai do Céu seja para Ele a forma mais aceitável de orar. Muitas orações começam com tal adulação e terminam com frases completamente sem sentido de alguma crença doutrinária. Basicamente, a oração é uma concentração de pensamento dirigido ao Pai do universo. Deixaremos de lado, por instantes, a intenção particular da oração em algum caso especíco, e discutiremos a oração em geral. No mundo espiritual, o pensamento tem um efeito tangível. É visível a nós, onde é invisível a vocês. Vocês nunca podem ver o efeito imediato de seus pensamentos. Aqui no mundo espiritual, nós sempre podemos. Embora possamos falar uns aos outros por meio do som da mesma forma que vocês na terra, nosso método mais desejado e mais adotado de comunicação pessoal é através do processo do pensamento. Uma das minhas primeiras experiências em companhia de meus amigos, Edwin e Ruth, (o primeiro deles encontrou-me em minha transição), foi quando Edwin falou a Ruth e a mim a alguma distância. Até então, tínhamos usado o método de fala terreno. Mas agora uma luz cintilou diante de nós, e ouvimos o som da voz de Edwin falando claramente a nós. Seu pensamento viajou instantaneamente até nós, e o entendemos perfeitamente, exatamente como vocês entendem as vozes uns dos outros na terra. Os pensamentos de Edwin passaram para nós sem falhas e sem erros, e assim os recebemos. Agora, esta função de transferência do pensamento não está connada exclusivamente aos habitantes do mundo espiritual, nem somos nós as únicas pessoas que podemos praticá-la. Cada ser humano pode fazê-lo. É possível – e perfeitamente natural – que as pessoas ainda vivendo na terra dirijam seus pensamentos a algum amigo no mundo espiritual, e eles estão sempre fazendo isto. Se estes pensamentos fossem dirigidos com intenção plena de que serão recebidos pela pessoa desejada, então serão recebidos, sem dúvida nenhuma. Na direção reversa, podemos mandar nossos pensamentos a vocês. Eles serão destinados a alcançarem vocês, mas, a menos que vocês sejam sucientemente sensitivos psiquicamente, vocês não perceberão seu recebimento ou, recebendo-os, não saberão de onde vêm. Muitas pessoas considerarão que algum pensamento, relevante ou irrelevante, 'veio à sua mente'. No mundo espiritual, o pensamento não é necessariamente visto como se estivesse em trânsito. Se fosse assim, todo o reino do espírito seria entrecruzado com um labirinto de focos de luz coloridos, de variados graus de intensidade e cor. Embora tais efeitos possam ser curiosos e, de fato, lindos de se ver à primeira vista, depois de um tempo iria se tornar motivo de distração e confusão às mentes. Pensamentos, portanto, são, na maioria, invisíveis quando em trânsito. Mas os resultados de certas concentrações de pensamento podem ser sentidos por nós, num sentido coletivo. Durante o tempo das festividades no plano terreno, como, por exemplo, festas de Natal, quando em tempos normais a terra emana uma quantidade maior de benevolência, e quando as mentes das pessoas voltam-se para seus amigos nos planos espirituais, durante tais períodos festivos nós camos sutilmente atentos a uma grande ascensão de pensamentos bondosos. Tais pensamentos se espalham sobre estes reinos como um grande manto de afeição e alegria. Este é o resultado dos esforços combinados do pensamento. A oração trabalha precisamente da mesma forma que as duas formas de pensamento concentrado que acabei de delinear a vocês – pensamentos pessoais dirigidos a um amigo, e pensamentos genéricos enviados ao mundo espiritual para um número de amigos, em alguma ocasião em especial.

Nestes dois exemplos temos um paralelo exato da oração em particular e a oração pública, ou 'culto'. E ambas são dependentes de uma, e a mesma, condição indispensável. Os pensamentos, em particular ou coletivos, devem, sem falha, ser positivamente dirigidos à pessoa ou pessoas a quem pretendiam. Se nós não recebermos seus pensamentos, é porque vocês não o dirigiram com intenção rme e precisa. Nós, como os perceptivos, não temos culpa de nada. Poderemos receber metade de seus pensamentos, cando o resto sem poder motivador por trás dele, porque a mente se desviou ao longo dos caminhos e, desta forma, o pensamento completo não conseguiu chegar a nós. Os de nós que estão em comunicação ativa com nossos amigos da terra, desfrutamos da risada que damos quando um bom amigo começa a falar conosco claramente e coerentemente e, então, o pensamento começa a car cada vez mais fraco, mais fraco, e nalmente perambula até silenciar. Se vocês pudessem ver isto acontecendo, sei que vocês ririam também! Entretanto, de passagem, vou dizer que podemos frequentemente adivinhar o restante, preenchendo as omissões nós mesmos. Ou talvez devêssemos mandar de volta um pensamento de resposta a vocês, para 'limpar a linha' e permitir que seus pensamentos tenham um caminho desobstruído. Tais distrações são perfeitamente comuns – e perfeitamente naturais – na terra, mas podem ser eliminadas de uma maneira simples, e é afastando-se delas, ao retirarem-se para algum lugar onde vocês carão despreocupados, onde poderão esquecer de si mesmos e de seu ambiente de certa forma, e assim deixarem suas mentes livres para cumprirem seu papel de concentrar e dirigir os pensamentos. É verdade que vocês podem dirigir seus pensamentos a nós enquanto estão fora de casa e em trânsito, mas nós desaprovamos estes momentos e lugares, e os desencorajamos por causa dos perigos que existem diariamente nas ruas públicas na terra. Seus pensamentos, então, podem ser dirigidos a nós a qualquer momento e de qualquer lugar onde aconteça de vocês estarem. Em circunstâncias de aição, problemas ou desconcerto, o lugar e as condições não terão inuência inibidora porque o estímulo à mente ocasionado pela tensão proverá força diretiva suciente para o pensamento. Mas, para todos os propósitos normais pelos quais desejem mandar seus pensamentos a nós aqui, quietude e repouso são os meios mais seguros de sucesso. O repouso seria tanto do corpo físico quanto o mental. Atinja o primeiro, e será mais fácil atingir o segundo. Lembre-se disto, e lembre-se também de que a essência do sucesso na transmissão do pensamento é manter sempre na mente a pessoa a quem está sendo endereçado, e você entenderá por que é que nós no mundo espiritual temos uma opinião tão fraca de muito daquilo que acontece nas igrejas da terra sob a denominação de oração. Meus amigos e eu zemos jornadas especiais à terra para observarmos o efeito, sob variadas condições, dos diferentes serviços que acontecem nas igrejas. Pudemos ver exatamente o que cada indivíduo – incluindo o ministro ociante – emanava no esforço de rezar. Na grande maioria dos casos, os resultados, ai!, foram bem desprezíveis. Em muitas ocasiões, os pensamentos da congregação estavam obviamente vagando para longe do propósito para o qual as pessoas se reuniram. O ministro estava cumprindo sua parte do serviço de uma forma bastante mecânica, originada da longa prática e da completa familiaridade. Ele cou, desta forma, capacitado a conduzir a sua parte do serviço sem ao menos ter que pensar sobre o que estava dizendo. Ele lia em seu livro de serviço as palavras que ali estavam impressas, e executava certas ações que eram requeridas pelo ritual ou ordem de serviço. Raramente percebíamos algum pensamento espiritualizado emitido pelo ministrante, como deveria ter feito. Deveríamos ter observado um raio de luz conforme seus pensamentos saíssem dele para ascender a Ele, a Quem eram dirigidos. Mas, acima de tudo, deveríamos ter visto a chuva de raios celestiais que indicariam, além de qualquer dúvida, que as orações foram apropriadamente dirigidas, foram recebidas e estavam sendo conferidas as conrmações. Se os pensamentos de toda a congregação ali reunida tivessem sido adequadamente concentrados e emitidos, todo o prédio caria banhado na mais vibrante galáxia de cores celestiais e matizes de cores. Supondo-se que o fervor da congregação tenha crescido gradualmente – apesar de que isso é dicilmente esperado na maioria das igrejas – veríamos uma imensa forma-pensamento, do mais lindo desenho e da mais linda cor, a envolver a igreja inteira, volitar mais e mais alto, ao mais alto céu, uma manifestação magnicente de poder do pensamento espiritual dirigido à Grande Fonte de tudo. Mas não, não vimos nada disso. O que realmente vimos foi uma fraca luz vacilante, como se alguém estivesse tentando dirigir seus pensamentos, uma luz vacilante que rapidamente apagou e desapareceu, deixando o ambiente no mesmo estado de escuridão espiritual que estava antes. E a causa? Há várias. A principal entre elas é a forma dos serviços em si. Longos, inapropriadas recitações de salmos entorpecentes e tristes, sem valor espiritual. A recontagem oral dos incidentes e atos que aconteceram há dois mil anos atrás não tem valia espiritual. Mas o recitar das orações, tão familiares que podem ser ditas sem qualquer esforço da vontade, deixando a mente livre para pensar no que gosta – e é qualquer coisa menos o objetivo ao redor, o recitar das orações, cujo conteúdo tem pouco ou nenhum interesse, nenhuma aplicação para o que está orando; a repetição de credos incompreensíveis e o sussurrar dos versículos e as respostas das pessoas que estão desatentas ao que estão dizendo – apenas pondere nestas questões. Então considere a atitude mental de bajulação que é instilada ao devoto quando lhe é dito que, no melhor caso, ele é um 'pecador miserável'; e considere, também, o ar geral de apaziguamento da ira de Deus que, supostamente, trará punição condigna sobre a humanidade se ela não se comportar, juntamente com a abjeta autohumilhação que este mesmo Deus estranho exige como direito Seu – apenas contemple tudo isto, e então pergunte a si mesmo, meu querido amigo: é de se surpreender que nestas poucas igrejas que visitamos fossem lugares de atmosfera acinzentada, onde poucas orações, orações reais, subiam aos altos reinos dos céus? E nossas devoções pessoais, diriam vocês, as orações que dizemos em casa, na privacidade de nossos quartos? Se a fórmula dos livros de orações pode ser descartada, então as preces reais terão alguma chance ao serem pronunciadas, para o perpétuo benefício da pessoa que as pronuncia. Mas devem ser esforços reais e sensíveis de pensamento. Primeiro de tudo, esqueçamos a forma estereotipada de oração que é familiar à maioria das pessoas, algumas das características delas eu já lhes transmiti. Comecemos como se fosse de novo, como se estivéssemos nos aproximando do assunto pela primeira vez, e portanto com as mentes perfeitamente livres de qualquer noção convencional. Oração é uma coisa robusta, viril, grandiosa, não um assunto de adulação, de rastejo, de santarrão. Em nossas preces temos algo a dizer. Vamos dizer isto de forma saudável, direta. Claro, vamos mostrar nosso respeito pela forma cortês na qual moldaremos nossos pensamentos. Não necessitamos usar frases longas, pesadas, nem precisamos usar um preciosismo extremo ao escolhermos nossas palavras. Não precisamos, se o quisermos, usar a forma arcaica, bem pitoresca, de nos endereçarmos empregando o 'Vós'. Não é nem um pouco necessário e, sua ausência, de nenhuma forma, conota uma falta de respeito ou reverência.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.