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Capítulo 3 de 19
Índice — parte 2 de 8
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2
Como sei disso?, podem me perguntar. A resposta é simples: é conhecimento comum no mundo espiritual. Nós, destes reinos, todos sabemos disto. Aí está contida a imensurável beleza dela. É aparente a cada instante. A 'ira de Deus' é uma cção estúpida e malévola. Inúmeras falsas teorias foram propostas a partir dela, e inúmeras teorias falsas foram formuladas. O mais elementar contato com as leis do mundo espiritual imediatamente mostrará que a 'ira de Deus' é uma contradição de termos. As duas palavras não podem existir juntas. Este também é um conhecimento comum nestes reinos, conhecimento elementar. A ira de Deus! Por favor! Mas isto não é tudo. Jesus, o grande mestre que nasceu na terra há dois mil anos atrás, foi violenta e vergonhosamente arrebatado da terra por seu povo. Esta transição trágica foi um ato de expiação ao Pai Eterno pela ira que Ele sentia, e um meio de salvar a população da terra. É assim que ensinam ainda nas igrejas da terra. Um sacrifício de sangue de Seu lho único! Crenças como estas são primitivas e bárbaras, e monstruosas se vistas à luz das grandes verdades do mundo espiritual, da forma como as conhecemos e entendemos aqui. Desde o primeiro momento que a terra existe, seres elevados dos mais altos reinos encarregaram-se dela. Como vocês contemplam as condições caóticas que prevalecem nos dias de hoje, vocês podem car dispostos a pensar que estes mesmos seres falharam muito em sua tarefa. Não é assim. Eles não falharam. Quando o homem evoluía de uma ordem inferior de criaturas, ele era constantemente observado e socorrido. À medida que o homem primitivo cou mais inteligente, estava em comunicação ativa com o mundo espiritual através dos mais altos sentidos operantes que são inerentes a toda alma, mas que permanecem desativados e sem desenvolvimento, principalmente por causa da ignorância do homem. A progressão da terra e seus habitantes foi lenta, calma e ininterrupta através dos milhares de milhares de anos de sua vida. Nunca, nem por um instante, os dois mundos estiveram sem contato. Durante este tempo, o homem esteve – e ainda está – exercendo seu livre arbítrio. Em algumas vezes, ele ouviu as vozes do mundo espiritual – e tudo cou bem. Em muitas vezes, seus ouvidos estiveram surdos a estas vozes – e tudo correu mal. A guia sempre esteve lá. A 'estrada da salvação' foi sempre a mesma. Ensinar que uma grande alma sofreria todos os tormentos da perseguição e uma 'morte' horrível para salvar o mundo da 'condenação', e ensinar que esta mesma tragédia seria pedida pelo Pai dos Céus para apaziguar Sua ira, não é somente revoltante a nós do mundo espiritual, mas é muito, muito pior que isso. É o libelo mais indecente, a maior difamação – para dizer o mínimo – que poderia ser empregada como característica, natureza e verdadeira essência do Grande Pai do universo. Nós que moramos no mundo espiritual podemos ver o poder e a majestade da grande criação do Pai – o universo. Mas também podemos ver o que é muito maior e mais majestoso – o próprio homem. Dirão talvez que não podem ser majestosos e grandiosos aqueles cidadãos horríveis dos reinos trevosos que já descrevi. Não! No seu atual estado, certamente que não. Mas, residindo dentro de cada um daqueles desafortunados seres, está o germe da evolução espiritual e o progresso, e ali estão a sua majestade e grandeza. Lembre-se daqueles homens 'primitivos' que evoluíram e progrediram tanto que agora são habitantes dos mais elevados reinos, que possuem um conhecimento imenso e sabedoria, e que são, em todos os sentidos, almas maravilhosas. Durante todo o percurso da existência da terra, nasceram nela grandes professores das grandes verdades. Foi uma longa sucessão deles no passado, e continuarão a vir no futuro. Compete ao homem seguir tais mestres – ou rejeitá-los. A entrada para o mundo espiritual é obtida apenas de uma forma – através da 'morte' do corpo físico. Nenhuma pessoa, ou pessoas, pode destinar para uma alma qualquer outro lugar no mundo espiritual que não seja aquele que a alma mereceu por ela mesma. Ele não pode ser salvo pela intermediação de outro, quem quer que seja. Seus méritos para residir num reino de belezas devem ser os seus próprios méritos. Nenhuma outra pessoa pode dividir sua carga, se a sua vida na terra foi terrível. Ele pagará a penalidade por si mesmo, como eu já tentei expor a vocês. Se o caso é esse, e é, de que serve a repetição constante de credos elaborados e reiterações perpétuas de escuridão e longos formalismos, nos quais a vida do encarnado está envolta e sufocada? Não há fórmulas mágicas para serem pronunciadas, a m de assegurar uma jornada segura para o mundo espiritual, nem para se obter uma destinação salutar. Somente os nossos méritos proverão tais coisas, e ninguém pode advogar por nós diante do Grande Trono. Apenas a nossa vida sobre a terra é nossa advogada – e a mais eloquente – para o estado em que chegaremos no mundo espiritual. E esta mesma vida é também nosso juiz incorruptível. As muitas religiões ortodoxas que se espalharam no curso de dois mil anos estão todas completamente fora de contato com as realidades do mundo espiritual. São todas baseadas em valores e concepções inteiramente falsos. Alguns grupos religiosos são presunçosos o suciente para professarem que sabem exatamente o que se passa na mente de nosso Pai Celeste. Outros se baseiam fortemente no 'poder de salvação' de Jesus. Clamam que ninguém pode ser 'salvo' a não ser que seja salvo através dele. Através de uma constante repetição disto nas orações bem frias e repugnantes que são feitas publicamente, parece que crêem que algum processo mágico vai começar a funcionar, por onde a alma vai se assegurar de que não importa para onde ele seja mandado quando a 'morte' acontecer, ele não irá ao inferno pela eternidade. De fato, pode-se dizer que a Ortodoxia baseia a única esperança da 'salvação' da alma nos méritos de outro. É esta a consideração que a Ortodoxia tem pelo mundo espiritual e zeram um mundo espiritual Cristão, ou, pelo menos, os professores religiosos diriam que o elemento Cristão é mais do que predominante. Como habitante do mundo espiritual, logo descobri que o mundo espiritual é muito maior que aquilo que a terra denomina 'a religião Cristã'. Realmente, está muito além de todas as religiões terrenas de quaisquer denominações. É composto de pessoas de todos os quadrantes da terra, representando todas as escolas de pensamento religioso terreno. Nos reinos onde moro, deixamos de lado para sempre a submissão à Igreja de nossas vidas na terra. Não temos religiões ortodoxas por aqui. Todos temos o mesmo pensamento, e ele é regulado pela verdade irrestrita. Já contei a vocês que em certas partes destes reinos pode-se encontrar igrejas, como as que são vistas na terra, com o suporte dos frequentadores de uma variedade de seitas religiosas. Mas isto não faz diferença nenhuma na armação que z sobre as religiões terrenas. Permite-se que estas igrejas existam, sob certas condições que são perfeitamente entendidas e também perfeitamente denidas. Elas formam meramente uma comunidade segregada, que está limitada a regras estritas. Não há mal em se erigir um lindo edifício ao estilo e moda dos prédios eclesiásticos da terra. É o que acontece dentro deles que está sujeito às leis mais exatas.
O mundo espiritual, em resumo, é não-sectário. A Ortodoxia pode clamar o quanto quiser a respeito dos direitos que se arroga de ser a guardiã da 'alma imortal' do homem. A admissão no mundo espiritual não é feita através de qualquer Igreja ou coleção de Igrejas; nem é obtida pelos méritos de outra pessoa ou conjunto delas. Não há santo de calendário eclesiástico cujos méritos nos auxiliem a escapar ou evadir dos resultados de nossos erros quando estávamos encarnados. Somente nós devemos pagá-los. Ser membro da Igreja que faz os maiores clamores de assegurar a 'salvação' para nós não será de proveito algum, nem um pouquinho. Nós suportamos a experiência de passar pelo portal da morte do corpo físico sozinhos, apesar de que podemos ter ajuda disposta no procedimento, vinda daqueles que já desencarnaram. Mas pára por aqui. Tais socorristas não podem determinar para nós qualquer destinação que não seja aquela que alcançamos por nós mesmos. É claro como a luz do sol, a saber, – e falo exatamente de minha experiência – que a tragédia que aconteceu no Calvário, há quase dois mil anos, apesar de ser um sacrifício pessoal de beleza sublime, aquela tragédia não pode dar suporte às almas individuais que nasceram na terra desde então, ou que estavam nascidas naquele tempo, ou antes dele. Aquele grande evento demonstrou uma profunda verdade da qual eu e incontáveis milhões somos testemunhas vivas, isto é, que a morte do corpo físico é apenas o começo de uma nova vida e que, conforme o que semeamos durante nossas vidas na terra, assim colheremos na vida no mundo espiritual. Mas por mais grandioso que este sacrifício tenha sido, nem sua grandeza nem seus méritos são transferíveis, assim como todos os nossos méritos e os sacrifícios são incomunicáveis. Cada um de nós, e todos nós, somos responsáveis por nossos próprios erros. Talvez vocês digam que tudo isto é um lamento antigo da história de nossos primeiros pais. Não é assim, realmente. Adão e Eva foram nossos primeiros pais, é assim que vocês pensam. Eles cometeram o primeiro 'pecado' e foram punidos, ao serem expulsos do seu 'jardim paradisíaco'. Até agora estes dois indivíduos foram estranhamente apresentados. Eles foram, de fato, imortais em seus corpos físicos, já que viviam naquele tempo numa terra incorruptível. Perderam seu estranho atributo quando cometeram seu 'pecado', e a 'morte' foi introduzida. Toda a raça da humanidade que viria foi envolvida no impacto, e foi somente a promessa da visitação, 'do alto' até aqui, de alguém que redimisse a terra que fez a vida nela ser possível. Tentei mostrar-lhes que esta história é fantasiosa e, ao fazê-lo, atravessar o imenso lapso entre a formação do mundo, com a sua subsequente evolução constante, e aquela era que começou há dois mil anos. Adão e Eva, como nossos primeiros pais, não existem de fato. A história é uma fantasia. Jesus nasceu na terra há dois mil anos, e hoje ele é uma força imensa sobre a terra. Isto é fato. A fantasia e o fato não têm relação um com o outro, mas a Igreja fez um dependente e consequente ao outro. Disto levantou-se toda a estranha variedade de seitas religiosas e observâncias religiosas que podem ser vistas pela terra. É contra qualquer lei do mundo espiritual que alguém possa assumir a responsabilidade pelo erro de outro. Não há méritos pertencentes a outra pessoa que nos dêem aval e pelos quais podemos fugir de nossas responsabilidades. Mas, dirão, a grande alma que pereceu tão tragicamente é diferente. Ele é apartado. Ele é divino. Ele é o Filho de Deus vindo à terra para nos redimir. Ele é, de fato, o próprio Deus. Para Deus tudo é possível. Portanto, em virtude de sua divindade, Jesus pode nos lavar de todos os nossos pecados se tivermos fé suciente e zermos o que a Igreja ensina. Devemos nos arrepender, claro, mas ao nos arrependermos, temos alguém que vai lutar pela nossa causa e, pelos méritos de seu supremo sacrifício, nós vamos nos salvar. Isto é um pensamento e uma crença muito confortantes e confortáveis, mas há apenas uma falha. Simplesmente, não é verdade. III. OS QUE CHORAM É marcante em meus escritos anteriores que não z menção nenhuma à grande alma que o mundo conhece como Jesus de Nazaré, e este, aparentemente, tanto quanto me concerne, pode nem ter existido. Minha abstenção de tal menção foi deliberada. Toda a pretensão era de que este seria o caso desde o momento em que colocamos a primeira palavra destas exposições de minhas experiências no mundo espiritual. Mas o tempo chegou, agora, em que seria proveitoso, não só falar do Nazareno, com é frequentemente chamado, mas também para discutir o livro, pelo menos algumas partes dele, no qual estão escritos alguns dos ensinamentos que nos transmitiu durante sua breve vida na terra. Por muitas centenas de anos terrenos, o Novo Testamento foi aclamado como sendo a palavra inspirada de Deus. As opiniões diferem neste ponto, mas ainda há uma diversidade ainda maior de opiniões sobre o que está contido nos evangelhos. É tão ampla esta última divergência, que literalmente centenas de religiões cristãs diferentes e seitas religiosas se espalharam pela terra, cada uma dizendo que é uma religião 'verdadeira', senão a 'verdadeira' religião. Alguns indivíduos vão ainda mais longe e clamam que a crença absoluta no conteúdo no livro é suciente para a 'salvação' da alma, e que, sem esta crença, a alma está perdida, condenada por toda a eternidade a car do lado de fora dos portais do céu, e a uma distância bem grande deles. Uma denominação religiosa em particular proclama que é a única depositária da verdade sobre a terra, com a interpretação infalível dos evangelhos. Como, então, nós do mundo espiritual encaramos o Novo Testamento? Dirão que, claro, nós no mundo espiritual temos a oportunidade de averiguar a verdade sobre tais assuntos, especialmente sobre os vários textos nos evangelhos sobre os quais tanta controvérsia tem surgido, ou que seus signicados ainda estão obscuros. Certamente no mundo espiritual temos os meios de obter a verdade em tal caso. Mas suponha que tivéssemos que transmitir a verdade, não seríamos cobrados por darmos outra interpretação e, assim, aumentarmos a confusão que já existe? Não estaríamos sob a suspeita de tentarmos fundar mais uma outra religião sobre a terra que já tem muitas, muitas, muitas demais? Finalmente, por que alguma interpretação que eu pudesse oferecer aos meus amigos na terra seria considerada a interpretação certa? É um risco que vale tentar. Consequentemente, apesar de que aquilo que uma Igreja ensina enfaticamente, ou seja, seu julgamento particular de tais temas, deva ser vigorosamente condenado, eu gostaria de pedir aos meus amigos que seguiram meus escritos até aqui que vissem o que eu tenho a dizer à luz da verdade espiritual.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.