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Capítulo 17 de 19
Vi. A Oração Do Senhor — parte 8 de 10
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2
Estes antigos companheiros, em sua tristeza, não tiveram que buscar em textos obscuros; não tiveram que buscar alguma misteriosa e inexplicável 'fé'. Não foram derrubados na 'esperança'. Não lhes foi dito que foi a 'vontade de Deus'. Ao invés disso, Jesus veio e postou-se diante deles, como um deles, da forma que zera milhares de vezes antes, quando estava encarnado. Sua presença visível e tangível fez o que nenhuma citação das antigas crônicas poderia fazer; ele fez o que nenhum recôndito tratado teológico poderia fazer. Ele trouxe conforto e alegria supremos a uma dúzia ou mais de corações entristecidos. Jesus foi o maior exemplo de comunicação entre os dois mundos, o seu e o meu. Ele mostrou que, com o desenvolvimento apropriado e sob auspícios apropriados, é indisputavelmente certo para os dois mundos manter uma conversa normal através do exercício das faculdades psíquicas, de uma forma racional e normal. Jesus, entre outros, apontou o caminho para toda a humanidade seguir, mas a Ortodoxia não terá nada dele. A comunicabilidade com o mundo espiritual é diabólica e condenável, e nenhum bem pode advir dela. Tudo fede a inferno, e se não leva uma pessoa à loucura, ele escapa disto para tostar no inferno por toda a eternidade. Nenhum espírito volta para a terra, a não ser os do mal, e o fazem pelo propósito de arrastarem para seus próprios níveis imundos aqueles que são tolos ou desencaminhados o suciente para 'mergulharem' em tais práticas perniciosas. É tudo necromancia; uma chamada da morte. Um espírito bom jamais vem. Se algum disser que é um espírito bom, é um diabo mascarado de anjo de luz. Que tolice pueril indescritível! E que ignorância colossal! Haverá alguns – talvez muitos – que armarão que eu mesmo não sou só um demônio, mas o verdadeiro Príncipe das Trevas. Deixe que pensem assim, se isso os satisfaz. Há outros, bem, bem maiores que eu, que foram encarados como demônios dos reinos de trevas, por isso vejo que estou em boa companhia! X. VENHA O VOSSO REINO Um pouco antes, quando estávamos discutindo a Oração do Senhor, sugeri que poderia lançar alguma luz sobre a relação em comum entre os dois mundos, e que poderia ser, se você escolher analisá-la, considerada como algo que dá substância às palavras Venha o Vosso reino. A ideia teológica que o pedido supostamente traz em si, isto é, que o reino de Deus possa vir para ser espalhado por todo o mundo, é tão vaga quanto a maioria das ideias teológicas frequentemente são. De fato, a Ortodoxia não tem uma noção clara em sua mente quanto ao qual seria o signicado desta cláusula da Oração do Senhor. Tem um som piedoso e um halo verdadeiramente espiritual em torno de si, e isto não pode prejudicar, obviamente, se estas palavras forem decoradas e repetidas. As palavras voltaram à minha mente numerosas vezes desde que cheguei para morar nestes planos, há muitos anos atrás. No mundo espiritual, o Pai do universo é encarado como o Rei dos Reis. Mas as coisas são bastante diferentes aqui no mundo espiritual, quando comparadas com as da terra. Estamos sempre vendo as evidências do Grande Espírito de tudo. De fato, nestes reinos, e em muitos, muitos outros, é impossível não vermos esta evidência. Ela vive conosco e nós com ela. Mas tais fatos não são tão evidentes nas mentes terrenas. Como, então, de acordo com os termos da Oração do Senhor, poderia este reino ser estendido pela terra toda? Vamos voltar um pouco na história. O que é mais importante é que as pessoas da terra são totalmente desavisadas sobre o mundo espiritual que existe em torno deles. É a minoria, comparativamente, cujas faculdades psíquicas tenham sido desenvolvidas, que tem qualquer percepção do grande mundo que é invisível para os outros. Desde o início dos tempos na terra, nunca se pretendeu que nossos dois mundos cassem assim separados por qualquer barreira. O homem primitivo, como os antigos habitantes da terra são chamados, não estava apartado de seu irmão no mundo espiritual do jeito que é hoje. Por mais primitivo que possa ter sido, primitivo que foi aos olhos do mundo atual, mesmo assim seus talentos psíquicos eram mais altamente desenvolvidos de forma geral, e não estavam connados a relativamente poucos, aqui e ali. O exercício de tais poderes era bastante difundido. Também o homem daqueles tempos é considerado bárbaro e incivilizado, e, do ponto de vista religioso, nada mais que pagãos! O processo civilizatório da terra teve o efeito de reduzir em enormes proporções a posse de todas as faculdades psíquicas. Desta forma, nossos dois mundos tornaram-se mais amplamente separados, até aqueles que possuem qualquer dom psíquico serem minoria. Eles são a exceção e não a regra. O homem pagou a penalidade por ter deixado de lado aquilo que devia ter e usar como seu direito natural na terra, isto é, o poder e a habilidade de exercitar aqueles sentidos extra com os quais o mundo espiritual poderia se comunicar com ele. É a autoridade, de variadas formas, que novamente deve ser culpada, porque foi a autoridade que gradualmente suprimiu estes poderes nas pessoas e os reteve exclusivamente para si. Mas a exclusividade trouxe com ela seu próprio castigo. Os próprios espíritos negaram à autoridade a comunhão com o mundo espiritual, porque ela não tinha o direito de reter estes poderes em suas próprias mãos para seu uso próprio e benefício, com a exclusão de todos os outros. Foram sendo usados pela autoridade para o favorecimento de seus próprios ns, e estes ns não coincidiam com os propósitos do mundo espiritual. A mediunidade, como é chamada a posse dos dons psíquicos, não foi totalmente destruída, mas foi limitada para poucos, e o mundo vem sofrendo por causa disto desde então. A terra tornou-se mais civilizada, geralmente assim dizem, mas será que é assim? A ciência avançou com passos largos, gigantescos, desde aqueles primeiros tempos, desde os dias de Jesus, de fato. Seus tempos não podem ser comparados com os de hoje. Cada esfera de vida na terra marchou adiante, tantos nas ciências, como nas artes, na medicina, para se enunciar apenas três. A terra, como dizem, está mais suave, mais nobre que nos dias em que Jesus viveu nela. Tem-se apenas que olhar em torno para se observar os sinais patentes por todos os lados dos imensos avanços que foram feitos em todos os setores da sociedade, e a vida na terra assumiu um grau maior de conforto e prazer em tempos normais, de forma que era não só impensável há dois mil anos atrás, como inimaginável. Mas há uma falha nesta declaração sobre o progresso do mundo, e a própria linguagem na qual estamos agora escrevendo fornece o sinal mais lamentável de quanto a terra evoluiu espiritualmente. Há dois termos que se tornaram lugar-comum, e estes são tempos de guerra e tempos de paz. Por tanto tempo a terra tem tido a alternância de paz e guerra, que estes termos comuns são usados para descrevê-los. As palavras tempos de guerra e tempos de paz são parte da vida do habitante da terra, da mesma forma que as palavras denotam alternância em clima do verão e clima do inverno . É um terrível indicador dos povos da terra.
O que tem tudo isto, talvez diriam, com o reino de Deus? Precisamente – que tem isto com o reino de Deus? A resposta: não tem nada a ver com o reino de Deus, porque qualquer sugestão para que este reino seja estabelecido na terra foi frustrado, sufocado, anulado pelo andar das coisas no presente momento, e está assim há entenas de anos. Foi realizado grande progresso material, mas o progresso espiritual retardou bastante. A humanidade é dotada de livre arbítrio, e tem exercitado este livre arbítrio pelos séculos, deixando de lado a grande ajuda que está sempre próxima a ela, no mundo espiritual. O caminho foi escolhido cuidadosamente, no qual o homem pudesse andar para seu progresso, mas ele escolheu exercitar seu livre arbítrio, e ele o fez para sua desvantagem. A mera demanda de nossos direitos não signica, necessariamente, que a concessão de tais direitos acontecerá para nossa vantagem. O homem sábio não insistirá em tais casos, antes, preferirá ouvir a conselhos mais sábios. A terra escolheu seguir seu próprio caminho, e o fez. Ela, efetivamente, dispensou o mundo espiritual de todos os seus governos e conselhos. A Igreja seguiu seu próprio caminho inecaz e fútil, impotente para prevenir o acontecimento do mal, e é culpada de uma longa e terrível lista de horrores indizíveis, agora conhecidos pelo mundo como perseguição religiosa, onde os chamados de heréticos foram torturados de todas as maneiras porque tentaram pensar por si mesmos, e onde a morte era a ordem do dia para os inimigos da Igreja. Como pode a Igreja liderar uma única alma, quando ela mesma é cega? Tem sido cega por séculos. Não tem solução para a maioria dos problemas com que a terra se confronta, e continuará se confrontando, por tanto tempo, e continua a rejeitar o mundo espiritual, e por isso as pessoas desacreditam em sua existência e, portanto, na existência de seus habitantes. Ou se, como seguidores, acreditam em alguma espécie vaga de um 'além', este 'além' nada tem a ver com o presente material, e não pode dar soluções para nenhum problema. Serão os cérebros inteligentes da terra que acharão uma saída deste pântano. Isto falta acontecer, e acontecerá. Como pode o reino de Deus vir a milhares de milhares de léguas para se estabelecer na terra quando as pessoas que falam tanto e tão alto sobre ele – os clérigos – não têm nem a mais remota noção de como lidar com ele? Enviar discursos eloquentes, entrelaçados com os pensamentos mais elevados, selecionados das Escrituras, não fará efeito nenhum. Toda a verdade é que a terra não pode existir sem a intervenção do mundo espiritual, e isto signica que não pode existir sem a assistência direta e o aconselhamento dos grandes e sábios dos planos espirituais. O homem poderia ser inspirado para cumprir obras gigantescas para a melhoria de toda a terra, mas ele se fecha para quase todos os recursos da inspiração – exceto para o mais baixo. A inspiração ainda acontece, mas seus poderes estão circunscritos, e suas vantagens estão limitadas pela ignorância do homem sobre a verdade. Quanto a uma comunicação direta com o mundo espiritual, isto está fora de questão. Os relativamente poucos que conhecem e praticam a comunicabilidade conosco – e eles são poucos em comparação com as populações da terra – não podem ser abertamente encontrados entre os que os que têm o controle dos assuntos de um país. De fato, em alguns lugares iluminados, as pessoas que mantêm conversação conosco são proscritos. Há muitos problemas tremendos que terão sua vez para a solução, e devem ser resolvidos se a terra tiver que sobreviver. O homem, sem dúvida, deverá se esforçar para resolver tais problemas por ele mesmo, lembrando que ele é um ser superior com um cérebro superior. Ele proverá uma exibição grandiosa e impressionante e expressará um enorme volume de palavras. As pessoas de mente religiosa, como a religião ocial, declararão seriamente que, a menos que as nações peçam ajuda e orientação de Deus, nada poderá ser alcançado, e tendo pedido a ajuda e a orientação, eles proverão qualquer meio para que Deus as dê através de seus mensageiros do mundo espiritual. Sobre isso, não há erro, asseguro-lhes. Todos os problemas da terra poderiam ser satisfatoriamente resolvidos se as pessoas da terra apenas se voltassem às pessoas do mundo espiritual. No mundo espiritual reside a sabedoria mais pura e, nos imensos reservatórios desta sabedoria, o homem é livre para buscar qualquer coisa que possa necessitar. Se as pessoas da terra se voltassem para o mundo espiritual e aos seres imensuravelmente sábios que vivem aqui nos reinos mais elevados, e com seriedade total colocassem os problemas sociais e internacionais diante deles, poderiam - e vão - receber os planos precisos e os detalhes para a elucidação de todos os problemas, por mais complexos que possam ser, pelos quais passam os governos e as nações da terra. Mas estes seres elevados estipulariam, para o sucesso, a obediência implícita aos seus direcionamentos que deveria ser acordada, porque somente por este meio o sucesso seria alcançado. Que bem se alcança, ao se rezar Venha a nós o Vosso reino, quando os encarnados não fazem nenhuma tentativa para o cumprimento, mas ainda, de fato, não têm nem a mais remota noção de como cumprir tudo isto? Rezar meramente pelo reino de Deus não é suciente; algo deve ser feito pelo próprio homem para que isto aconteça. E nada vai acontecer com o incremento de congregações nas igrejas, nada vai acontecer pelo estudo mais assíduo das Escrituras. Nada vai ser feito pelos milhares de 'chamadas à religião', sejam elas feitas pelos que se dizem evangélicos, ou por toda a hierarquia da Igreja. Meus amigos podem, talvez, arguir-me se seguirmos estritamente os ensinamentos de Jesus, as diculdades do mundo logo se arrumariam, e uma terra Utópica resultaria disto. Tal argumento pode ser o caso, se todos os ensinamentos de Jesus tivessem sido registrados em sua exatidão total. Mas não foi assim que os registraram, e os que foram colocados contêm muitos erros, resultados de falsicações posteriores. Até que ponto os ensinamentos de Jesus restantes são realmente seguidos pela população da terra? Não muitos, dá para se ver claramente. Mas há muitas questões que gritam – e gritarão – por solução, e que não podem receber qualquer resposta nas palavras de Jesus. Os ensinamentos de Jesus são ensinamentos espirituais. As diculdades da terra são, em muitos casos, puramente materiais e mundanos. Não podem ser encarados à luz dos textos bíblicos, e os ensinamentos espirituais não oferecerão uma solução. O concreto é o desejado, e o concreto está à disposição das pessoas da terra, se elas se aproximarem do mundo espiritual e buscarem. Alguns de meus bons amigos na terra talvez rirão de mim. Dirão que meu entusiasmo está me deixando; ou que sou visionário demais; e que minhas sugestões estão além de todas as esperanças de realização. Deixem-me responder-lhes que não sou um visionário, e que minhas sugestões não estão além de todas as esperanças de realização. Elas estão baseadas no conhecimento comum nestes reinos sobre os assuntos terrestres em geral.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.