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Capítulo 11 de 19
Vi. A Oração Do Senhor — parte 2 de 10
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2
Outra vez pode ele objetar: “Supõe-se que você esteja morando num céu de alguma espécie; você contaria, talvez, em termos gerais, qual é a vontade de Deus? O céu que você habita não pode ser o céu da teologia, pode não ser o céu que a grande maioria imaginou como 'o paraíso' – pode ser até melhor que lá; pode ser um céu que, ao ser contemplado, muitas pessoas se desgostem ou se perturbem, ou até mesmo se revoltem. Qualquer que seja ele, sua felicidade parece ser grande, e é uma felicidade que é compartilhada por milhões de outras pessoas, assim você diz. Você não poderia nos contar alguma coisa sobre a vontade de Deus?” Posso, mas posso contar-lhes muito pouco, pela simples razão de que há realmente muito pouca coisa a ser dita! Foram as pessoas da terra, lideradas e inspiradas pelos ensinamentos ortodoxos que elaboraram este enorme fator, a vontade de Deus. Já lhes disse antes, mas devo dizer de novo porque, sendo extremamente simples, a mera frase quase passa desapercebida, ou com a signicância plenamente incompreendida. A vontade do Pai do universo é que todo o universo das coisas viventes seja feliz. O destino de toda a humanidade é a felicidade suprema e pura que, no mundo espiritual, um dia será gozada por todas as almas nascidas na terra. Diante de cada alma está toda a eternidade de tempo para alcançar esta sublime condição. Neste meio tempo, cada alma gozará no mundo espiritual a medida exata de felicidade alcançada em seu progresso espiritual. Quando o sentimento de que a felicidade particular está enfraquecendo, como se fosse perder seu auge, chega o momento de considerar um meio de dar mais um passo na estrada do progresso, trazendo assim a esta alma um franco acesso à graticação. Felicidade. Esta é a suprema vontade do Pai do céu e da terra. Felicidade, e tudo o que possa conotar felicidade. Daquela vontade de felicidade vem o desejo de bem-estar para toda a humanidade, encarnada ou desencarnada. O Pai jamais inigiria um só momento de dor sobre qualquer alma vivente. Mas, objeta-se, e a 'morte'? Isto já não traz dor e tristeza a milhões de pessoas na terra? Mas claro que sim, mas não devia; nunca se quis que fosse assim. Não é a vontade de Deus. Já não discutimos as palavras bem-aventurados os que choram, porque serão consolados? Não haveria choro na terra, se todo homem soubesse das verdades do mundo espiritual e da vida espiritual. Se todos os homens conhecessem e praticassem a comunicação entre os dois mundos e, desta maneira, pudessem falar com seus amigos e parentes que já partiram e continuassem com um colóquio natural com eles, como se ainda estivessem encarnados, se todos os homens soubessem desta verdade, as lágrimas tristes que são tão frequentemente vertidas seriam logo secas, para não caírem mais. Não se conceberia mais que é a vontade de Deus que uma or tenra da infância seja tirada de seu lar feliz e de sua família da terra pela morte de seu corpo físico, para ir para lá, sem bem que para uma felicidade maior no mundo espiritual, mas deixando para trás a dor e a tristeza profundas. Embora muitos possam regozijar-se por aquele ente querido ter seguido para uma vida superior, ainda ca a tristeza da separação. Mas se, mesmo com a partida para uma vida mais elevada, não houver separação em virtude da prática da comunicação, então não haverá tristeza se os canais para tal comunicação forem providenciados. O grande erro em atribuir tanto à vontade de Deus, quando nenhuma outra explicação pode ser encontrada, também vem de um equívoco sobre as causas de inúmeras coisas que acontecem na terra. Muito do que é atribuído à vontade de Deus é causado por nada mais que a vontade do homem. Muito do que é atribuído à vontade de Deus nada mais é que as forças naturais operando. Quantas pessoas por tanto tempo acreditaram que as doenças do corpo físico foram inigidas por Deus como punição? Inúmeros são os que ainda acreditam que é assim. Eles apontarão para o Novo Testamento, e citarão Jesus dizendo a quem curara: Seus pecados lhe foram perdoados (NT: Mt, 9, 5). Deus se abrandou, perdoou os pecados deste aito, e sua doença saiu dele. As tormentas e tempestades que acontecem na terra não são 'atos de Deus'. São o trabalho de leis naturais. Quando certas condições de atmosfera e temperatura prevalecem, então surgem os distúrbios. Eles não são uma intervenção da vontade de Deus. Quando as grandes guerras se espalham sobre a terra, não é pela vontade de Deus que elas acontecem, mas pela vontade do homem – e apenas do homem. As guerras não são 'enviadas' para os homens da terra por eles terem se comportado mal de alguma forma. Do nosso grande Pai não pode vir nada que não seja do mais elevado, e do melhor, e do mais puro, e a guerra é o mais baixo, e o pior, e o mais asqueroso. O Pai, portanto, não pôs a mão ali. Se alguém tivesse que fazer a lista de todos os eventos, circunstâncias e assim por diante, que são imputados apenas à vontade de Deus, seria uma lista horrível. Ela revelaria, em sua fria narração, não um Pai de amor, mas um Deus Cuja mente seria qualquer coisa, menos a mente perfeita que é. Revelaria um Personagem que poderia dispensar a justiça em favor da misericórdia, por causa dos méritos obtidos do sacrifício de outro, ou através de rogatória especial. Desta forma não teríamos justiça verdadeira. Revelaria um Ser de mente tão caprichosa e incerta, que nenhum ser humano saberia quando ou onde Ele golpearia em seguida. Ele poderia esmagar a vida de qualquer indivíduo ao inigir sobre ele alguma doença tenebrosa, ou Ele poderia enviar um grande tufão e destruição, ou uma pestilência repugnante sobre toda a nação; Ele poderia envolver muitas nações numa guerra cruel e bárbara, onde a matança é contada por centenas de milhares de vítimas. Os pecados do indivíduo e de populações inteiras seriam punidos pela intervenção direta de Deus. Desta forma, vocês seriam conduzidos a crer – e muita coisa, além de tudo, é completamente errônea – por aqueles que são 'autoridades apropriadamente constituídas' para difundir ensinamentos 'religiosos' sobre a terra. Tudo isto está muito longe, tão terrível e deploravelmente longe da verdade concernente à personalidade do Supremo Ser. Nenhum sofrimento, de qualquer tipo ou causa, nenhuma tristeza ou mágoa, nenhuma infelicidade, nenhuma aição de corpo ou mente, nenhuma pestilência ou doença, nenhuma tormenta ou grande tempestade sobre a terra ou o mar, nenhuma fome, nenhuma guerra, pequena ou grande, nenhum destes eventos, como são chamados, são causados, direta ou indiretamente, pelo Grande Pai do universo. Todos estes desastres terrestres são atribuídos aos terrenos, e somente a eles, e têm suas causas tanto pelo funcionamento de forças naturais, quanto pelos caminhos malévolos do homem na terra. Não são a vontade de Deus. Nada que não seja pelo bem da humanidade e por sua felicidade e bem estar está de acordo com a vontade do Pai. Isto, meus amigo, é a única regra verdadeira e segura que você pode aplicar a todos os eventos e circunstâncias que encontrará durante uma vida inteira, e esta condição sempre existiu desde que a terra se tornou habitável. Busque sempre uma causa terrena para tudo o que não for manifestadamente pela verdadeira felicidade do homem, e então começará a perceber alguma coisa da vontade de Deus.
A busca pelo perdão de Deus é talvez uma das exortações mais comuns, incorporada em orações e incluída nos termos das frases formais das crenças. 'O perdão dos pecados' cometidos contra Deus – quais são estes pecados? Não preciso enumerar a vocês a longa lista de transgressões. Imagino que são sucientemente bem conhecidas! Mas ensinam a vocês sobre a terra que, quando cometem um pecado, ofenderam a Deus. Eu disse a vocês, apenas um momento atrás, como vocês não podem, simplesmente não podem, ofender a Deus. Pense por um momento que se os ensinamentos da Igreja fossem verdadeiros, Deus estaria existindo num estado contínuo e sem-m de estar ofendido, porque o homem está permanentemente em estado de pecado. Vocês devem se reportar somente às palavras impressas dos vários livros de oração para averiguar aquilo que é apenas da condição espiritual do homem – Deus é tão incomensuravelmente elevado, e a pobre humanidade é tão incomensuravelmente baixa, 'pecadora miserável', de fato. Perdoai nossas ofensas assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido. Quantas pessoas podem seriamente, e sinceramente, e verdadeiramente, dizer, enquanto recitam esta parte da Oração do Senhor, que perdoaram aqueles que os ofenderam? Seguramente, seria melhor que esta frase não fosse pronunciada. A última metade pouco signica na mente de muitas pessoas, e a primeira parte pode ter nenhum efeito sobre qualquer indivíduo, mesmo que seja pronunciada com piedade, ou com quaisquer desejos elevados de receber perdão que o suplicante possa ter. O Pai não pode ser ofendido. Ele não tem perdão a dar. Ele não condena; Ele não pune; nem delega a outros o poder ou o direito de punir. As ofensas que a grande maioria da humanidade comete são ofensas contra as leis naturais, as leis que governam a natureza espiritual do homem, e estas ofensas reagem sobre quem as cometeu. Podemos ofender nossos companheiros, e podemos – e deveríamos – obter perdão deles. Assim nos colocamos numa ordem espiritual apropriada. Ao agirmos desta forma, teremos ajuda do mundo espiritual, sob a orientação do próprio Pai do universo, através de Seus ministros do mundo espiritual. Não ofendemos a Deus, infringimos certas leis espirituais. Se você se jogar de cima de um muro alto, num total desrespeito à lei da gravidade, não teria ninguém para culpar, a não ser você mesmo, porque seu corpo físico bateu violentamente contra o chão ao custo de membros quebrados ou outros ferimentos. Neste caso, você 'infringiu' a lei da gravidade, mas não ofendeu a ninguém; não machucou ninguém, neste caso, a não ser você mesmo. As leis espirituais devem ser respeitadas da mesma forma que vocês na terra respeitam a lei da gravidade, uma lei sempre presente e muito potente. O terrível encargo de muitas das orações 'autorizadas' é o constante pedido a Deus por misericórdia e o perdão pelos pecados dos homens. Este costume inveterado de martelar nas mentes dos que usam os livros de orações o seu pecado inato é mau, porque estabelece todos os tipos de condições mórbidas nas consciências das pessoas com mentes sensíveis. As rezas feitas publicamente não são melhores a este respeito. Elas sempre proclamam o pecado e a indignidade do homem, até que o homem, por ele mesmo, se ponderar sobre o caso, possa enxergar uma pequena esperança em seus prospectos futuros, quando passar para o mundo espiritual. Misericórdia e perdão, por estes ele vai clamar, porque lhe ensinaram que Deus é todo-misericordioso e perdoará os pecados de todos que estejam verdadeiramente contritos. Eu tentei explicar a vocês que a misericórdia e o perdão não são distribuídos pelo Pai do Céu. A Igreja insiste em que isto é certo, e continuará a enfatizar estes dois pontos até que ela atinja algum grau de iluminação. Enquanto a Igreja está desperdiçando tanto tempo com estas duas crenças errôneas, ela poderia gastar o tempo precioso para pregar e ensinar a verdade. A Ortodoxia é cega, mas a sua cegueira não afeta meramente os clérigos que a sustentam, afeta materialmente a milhares de almas que acreditam naquilo que estes mesmos clérigos lhes ensinam. Eles chegam desta forma no mundo espiritual, com suas mentes toldadas pela ignorância e embromadas pelas crenças errôneas. Nós, no mundo espiritual, temos que endireitar isto. Temos que trazer o conhecimento da verdade a almas estonteadas com os ensinos religiosos terrenos que os deixaram aitivamente desencaminhados, não do caminho da retidão moral, mas ao longo do caminho da ignorância completa das condições da vida do mundo espiritual. Converse com qualquer um deles, e a Ortodoxia coraria de vergonha se pudesse ouvir as acusações que são feitas por estas almas sobre a forma pela qual foram desencaminhados. Vocês podem entender, então, porque não temos grandes ligações com as instituições que são responsáveis por este estado de coisas. Em sendo assim, os erros da Igreja têm que ser corrigidos no mundo espiritual, depois de incontáveis almas passarem para cá. Eu contei a vocês do terror abjeto com o qual inúmeras pessoas chegam nestes planos, só pelo temor do terrível Julgamento que supostamente aguarda cada alma depois de sua transição. Eu também lhes contei alguns detalhes do alívio esmagador que podemos trazer a estas almas torturadas. É por eu mesmo ter um dia ensinado tais coisas que agora gasto grande parte da minha vida no mundo espiritual vindo em pronto socorro, para alívio desta gente desiludida espiritualmente. Quem me dera jamais tivesse dado minha voz a tais erros quando estava vivendo na terra! É um sentimento incômodo, asseguro-lhes, descobrir que aquilo que se ensinou com aparente autoridade não tem nenhum vestígio de verdade. É mais do que incômodo; é humilhante. Mas com o entendimento completo podemos ir em socorro das pessoas que caram aitas por tais ensinamentos e, desta forma, podemos ajudar a endireitar as coisas, não somente com os amigos recém-chegados em aição, mas conosco também. Há 'mistérios' demais ligados às religiões da terra, 'mistérios' estes que ninguém na terra ou no mundo espiritual pode resolver ou jamais será capaz de resolver. A religião está envolvida em problemas estranhos, muitas crenças afetadas são sustentadas, muito tempo é desperdiçado na récita de credos incompreensíveis, de forma que todo o fato de viajar a salvo para o mundo espiritual tornou-se um processo arriscado, algo que deve ser temeroso e terrível, tão problemático em sua realização, tão circunscrito com tolices piedosas que não têm relação com a verdade, tolices tão insultantes ao Pai do universo que o homem, constantemente avisado que é um 'pecador miserável', só pode se lançar à misericórdia de Deus e implorar perdão pelos seus 'pecados'. Nada podia ser mais sem dignidade que o homem ter que rastejar, como lhe ensinaram, em auto-humilhação, sob o peso insuportável de seus supostos 'pecados'. Não se deve crer que eu estou sugerindo que a maioria dos habitantes da terra seja santa. Bem longe disto. Mas o degrau baixo no qual a maioria das pessoas é colocada pela alegada autoridade dos professores espirituais da terra é exagerado demais. A humanidade não é, nem de perto, individualmente tão ruim como as Igrejas expõem. A Igreja não é juiz para julgar tais coisas. Nós no mundo espiritual apenas somos competentes para avaliar o verdadeiro status de um homem. É patente para todos verem. Vamos perdoar a quem nos tenha ofendido. Isto é vital, mas não vamos buscar o perdão de Deus. Ele não o dá, porque não há nada para ser perdoado. Ele não pode ser ofendido, mas nós podemos infringir as leis do espírito, e, ao fazê-lo, não podemos pedir à lei que nos perdoe. Mas podemos arrumar tudo endireitando, de forma a voltarmos à harmonia com aquela lei novamente e não desaá-la.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.