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Capítulo 7 de 19
Índice — parte 6 de 8
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2
Vemos onde está a culpa; vemos aquilo que zemos a nós mesmos. Percebemos infalivelmente que a culpa é nossa, culpa de mais ninguém, e, portanto, não podemos culpar ninguém mais. O que zemos, zemos deliberadamente e por nosso próprio livre arbítrio. Nossa razão era má, ou, alternativamente, nossa razão não era boa. Aplicando esta regra às nossas vidas terrenas, pois é das nossas vidas na terra de que tratamos no momento, você observará exatamente onde Deus entra em nossa verdadeira avaliação espiritual. Ele entra em lugar algum. Ele não está nos julgando; Ele não nos julgará, nem no momento de nossa transição, ou em algum momento posterior. Não há, de fato, necessidade para que Ele – ou qualquer outra pessoa – faça o julgamento. Nós seremos compelidos a fazê-lo mais ecientemente. Voltando à minha analogia. Temos apenas que olhar para as nossas mãos queimadas para toda a história se revelar por si mesma em nossas mentes, com toda a verdade. Outros, também, podem ver as queimaduras terríveis, mas não precisam saber como aconteceram. Nós não temos obrigação de contar a eles, mas chegará a hora em que caremos felizes em aliviar nossas mentes incomodadas pela carga de sofrimento e tristeza. Para que meus bons amigos na terra não me levem ao pé da letra, ou erradamente se desviem de minha pequena analogia, deixem-me que me apresse em assegurar-lhes de que não há chamas aqui no mundo espiritual. Aquelas chamas terríveis do inferno não têm lugar na economia do mundo espiritual! Estou falando bastante sobre este tema em particular, do Julgamento e o Dia do Julgamento, porque tenho em mente minhas próprias experiências terrenas, das quais eu sei, como vocês também, a extensão universal da convicção –e o medo que inspira. Quero remover o medo, se possível, e, ao fazê-lo, trazer algum brilho e alegria às vidas e aos pensamentos de meus bons amigos da terra. Mas, acima de tudo, é meu maior desejo que meus amigos tenham uma melhor e mais profunda compreensão do Grande Pai do universo, já que Ele é quem as religiões ortodoxas traduzem tão abominavelmente e ultrajantemente, ao transformá-Lo num Juiz terrível e severo, de Quem a nossa principal esperança é a misericórdia. De nossa discussão sobre a misericórdia e justiça, uma ou duas questões subsidiárias podem vir às suas mentes, e é oportuno respondê-las agora. Por exemplo, podem perguntar: como a justiça atua exatamente, no mundo espiritual? Justiça, como a que conhecemos na terra, deve ser dispensada por alguém. Não pode voltar-se para si mesma, se estamos considerando algum caso em particular. Agora, meu bom amigo, esta pergunta é difícil de responder, a menos que sejamos peritos ou especialistas espirituais. Suponha que eu perguntasse a você como o fogo queimou aquela mão. De que era composta aquela chama e como ela queimou? Aí então penso que nos vemos na mesma posição relativa. Podemos, quando muito, dizer o que acontece em algum caso em particular, e podemos estar bem familiarizados com certos efeitos, mas não somos conhecedores das forças reais que são colocadas em ação, nem como elas operam. Podemos, entretanto, lançar uma pequena luz neste tema. Justiça, como agora a estamos considerando, é um termo bastante abrangente. No mundo espiritual signica que não é apenas o transgressor que receberá por seus méritos justos, signica também que todos os que sofreram durante suas vidas terrenas, por fatos maus, ou outros, ou por tensão de circunstâncias adversas, ou por doenças e defeitos do corpo físico, para todas estas pessoas serão conferidas as medidas de compensação através de meios naturais que são abundantes e pródigos no mundo espiritual. Justiça, você verá, será dada aos que sofreram pela falta de alguém. Uma longa corrente de circunstâncias e eventos pode levar para as eventuais aições de um indivíduo, mas a justiça será feita para a pessoa, livre e completamente. Talvez você já tenha conhecimento de algumas das múltiplas delícias que podem ser encontradas nestes reinos de luz, e a suprema alegria que elas trazem a nós aqui, e trarão, aos milhares que, no futuro, vierem a estes reinos. Ali está a compensação por tudo o que possam ter passado, e ainda não achei ninguém que não concorde sinceramente comigo, quando digo que a alegria que deriva daqui excede, em muito, toda e qualquer infelicidade que nos aconteceu durante nossa vida terrena. O encarnado precisa não ter medo desta comparação. A compensação é prodigamente distribuída. Mas há também a justiça que acontece ao que praticou o mal. Os atos e pensamentos de nossas vidas terrenas são registrados em nós e, desta forma, a história de nossa vida está indelevelmente registrada em nossas memórias infalíveis. Para entender isto, vocês devem, antes de tudo, saber de um fato simples do conhecimento espiritual: espiritualidade signica luz; a ausência de espiritualidade signica escuridão. Não estou falando gurativamente, mas literalmente. A luz é luz real, exatamente como vocês a têm na terra, num dia de luz de verão, e não é 'experiência espiritual'. A escuridão é infernal, a completa ausência de luz, e pode ser mais negra que a escuridão da mais escura noite de um inverno deserto e amargo na terra, ou de algum calabouço profundo e tenebroso sob a terra. Os indivíduos que vivem nestes dois estados contrastantes de luz e escuridão marcam exatamente seus entornos de brilho e de escuridão em si mesmos. Seus corpos e suas vestimentas corresponderão minuciosamente com suas habitações. Nos reinos brilhantes, onde tenho a fortuna de viver, nossas roupagens e nossas formas físicas têm tanto brilho quanto nossa vizinhança. O mesmo estado de coisas acontece nos reinos maiores e mais elevados sobre nós, a um grau que é indescritível através das palavras terrenas. Ainda mais, os rostos dos seres elevados que habitam tais reinos alinham-se com a alta espiritualidade de seus reinos. Nos reinos trevosos, acontece o reverso. Os cidadãos são terríveis em suas formas e feições, deformados algumas vezes até carem longe da aparência humana que um dia tiveram. De fato, quando estiveram na terra, podem ter sido elegantes nas formas e bonitos nas características, mas agora estão reduzidos a seu verdadeiro status. Suas roupas podem ser trapos sujos, uma mera imitação de roupagem. Podem apresentar um espetáculo tão revoltante que qualquer um recuaria diante de um contato com eles. Os fatos principais de suas vidas reagiram neles, tanto no corpo quanto na mente. Eles não têm nenhum lampejo de luz perceptível, e suas habitações também, da mesma forma, têm falta de luz. Vocês verão o que quero dizer quando repito que a espiritualidade signica luz, a ausência de espiritualidade signica escuridão. Vocês também observarão a monumental estupidez da Ortodoxia quando, em sua cegueira, pronuncia ponticialmente que nós, que voltamos do mundo espiritual para falarmos com nossos amigos da terra, somos nada mais que demônios do inferno mascarados de anjos! Não há máscaras aqui, asseguro a vocês, meus bons amigos. Em nenhum lugar do mundo espiritual é possível para ninguém, de qualquer tipo, assumir uma cintilação de luz que não seja completa e absolutamente sua mesmo. Nenhuma pessoa pode dotar outra com luz, temporaria ou permanentemente. A luz que emana de nós é o resultado do trabalho a lei de causa e efeito – que é justiça.
Outra questão que pode vir às suas mentes é esta: como pode uma pessoa ir, automaticamente, como parece, para o lugar exato que mereceu? Quem decide esta questão? Para responder a última pergunta em primeiro lugar: ninguém decide os assuntos de outra pessoa; a pessoa decide por si mesma. Ele vai automaticamente para sua habitação certa, porque esta é a habitação para a qual ele se ajustou. Ele está sintonizado para aquela habitação de uma maneira que vou explicar a vocês. Pela mesma razão, não há temor de que um indivíduo suba ou escape dos reinos escuros, se ele foi condenado para tais regiões. A razão é esta: a espécie de vida que cada um leva na terra reage diretamente sobre a sua contrapartida espiritual; em outras palavras, o corpo espiritual de alguém terá exatamente o grau de luz que é resultante de sua vida na terra. Se a sua vida foi má em todos os sentidos, então o corpo espiritual terá pouca ou nenhuma luz. A esfera para qual ele irá no mundo espiritual terá exatamente o mesmo grau de luz que o corpo espiritual tem, nem mais, nem menos. Os dois coincidem perfeitamente, estão sintonizados. Podemos fazer uma analogia simples com os oceanos da terra. O mar, como vocês sabem, é composto de águas de várias densidades, nas quais miríades de criaturas estão vivendo, segregadas de acordo com as várias densidades. Estão ajustados à particular pressão de água pela construção de seus corpos físicos. Se, falando amplamente, criaturas que ocupam águas de alguma densidade tentassem entrar em outra, de densidade diferente, trariam a destruição a eles mesmos, se fossem longe demais. Eles seriam advertidos de qualquer invasão ou desvio de sua esfera correta através de um desconforto agudo ou de um sofrimento. As barreiras entre estas duas densidades diferentes são invisíveis, mas estão ali, apesar de tudo. Agora, se deixarmos o oceano e formos para terras secas, veremos que os seres humanos sofrerão de aições agudas e podem terminar suas vidas terrenas se penetrarem em regiões de pressão atmosférica à qual não estejam acostumados, ou para a qual não estejam prevenidos com aparatos especiais, com os quais possam contrabalançar esta densidade atmosférica a que não estão acostumados. Talvez vocês encontrem uma grande diculdade de respirar nas alturas de uma montanha elevada. Quando se aventuram a altas altitudes no ar, vocês devem estar bem protegidos, ou sua vida terrena se extinguirá rapidamente. Novamente, as barreiras são invisíveis, mas não menos reais. É assim no mundo espiritual. Nas regiões trevosas do mundo espiritual, a densidade – se é que podemos chamar assim – é enorme, da forma que podem computar estas coisas. Os habitantes dos reinos mais elevados podem entrar ali apenas bastante protegidos pelos 'aparatos' espirituais. Eu uso o termo 'aparato' no sentido gurativo apenas. Nós, realmente, não usamos nenhuma roupa espiritual especial, ou outros impedimentos para este propósito. A proteção particular que é necessária é fornecida pelas nossas habilidades mentais. Devemos aprender como dominar este processo mental antes de nos aventurarmos nos reinos trevosos e, mesmo assim, um cicerone experimentado é indispensável. Quando somos convidados para fazermos uma visita aos reinos mais elevados que aqueles nos quais habitamos normalmente, algum habitante do reino mais elevado estará presente para nos equipar para a jornada. Este é um processo que não podemos tentar fazer por nós mesmos, pois necessita de força extra que não possuímos em nós. Quando andamos por nosso reino em particular, eventualmente chegaremos a um lugar ou localidade em que não nos sentiremos tão confortáveis como estávamos. Veremos e sentiremos que a luz está cando mais intensa, e não conseguiremos suportá-la. Esta é uma das barreiras invisíveis do reino (a intensidade de luz aumentada, per si, pode não constituir uma barreira). Ali é onde a densidade relativa está começando a mudar. Assim é através de todo o domínio do mundo espiritual. Cada um de nós habitará naquela região onde se sentirá confortável. Mesmo nos reinos trevosos esta regra se aplica, apesar de que pode soar estranho para os seus ouvidos terrenos falar em conforto nestas regiões indignas. Mas qualquer que seja a aição que aconteça a uma alma nas trevas, não é tanto do reino onde ele vive, mas do estado mental em que ele se lançou. O reino em si não inige torturas sobre ele. Seus companheiros fazem isto. Ele está inevitavelmente condenado a viver ali; seu próprio estado espiritual vai mantê-lo ali, até que chegue o tempo em que ele sinta vontade de progredir. Assim, vocês verão plenamente que a justiça no mundo espiritual é a ação da lei da causa e efeito, e que não requer nenhum administrador, a não ser nós mesmos. Inigimos a nós mesmos a condição em que nos encontramos. A quem podemos gritar por misericórdia? O perdão que podemos receber de outro não vai nos levar mais longe no caminho. Nós pagamos o preço até o último centavo. Nossas feridas são auto-inigidas, não podemos culpar a não ser a nós mesmos. Ele não nos condenou; nós não O ofendemos; Ele não tem nada a nos perdoar. Nós é que transgredimos leis espirituais. Isto, e somente isto. Por que choraríamos por misericórdia? Que direito temos de chorar por misericórdia? Sabíamos que o fogo queima e chamusca – para retornarmos à analogia anterior – mas mesmo assim, deliberadamente pusemos nossas mãos nas chamas. Bem-aventurados são os misericordiosos na terra. Bem-aventurados são os que buscam a justiça, porque serão fartos no mundo espiritual. V. ORAÇÃO Tenho enfatizado constantemente, espero que não ao ponto de ser tedioso, que no mundo espiritual não vivemos num estado perene de êxtase espiritual, nem estamos mergulhados numa atmosfera de emoção religiosa fervorosa com uma vida de um ciclo sem m de 'oração e exaltação' e cantorias de 'salmos, e hinos, e cânticos espirituais' ofertados numa torrente incessante ao 'grande trono'. Não somos o que o plano terreno chamaria de religiosos, pela simples razão de que não temos religião da forma como ela é conhecida – mas muito pouco entendida – na terra. Fui sutilmente sensibilizado para a necessidade urgente de acentuar estes pontos, porque afetam toda a visão de muitas pessoas da terra em suas considerações sobre o mundo do espírito. A religião ortodoxa é culpada por este conceito errôneo, porque a religião ortodoxa, em suas reivindicações doutrinárias diversicadas e assertivas dogmáticas, assumiu para si mesma muitos direitos exclusivos sobre o mundo espiritual. Ela se encarregou da alma ainda na terra, e se esforçou para mostrar ao homem como viver a sua vida terrena – enquanto frequentemente mostrava exemplos pobres em seu próprio comportamento. Ela fez muitas reivindicações monstruosas a respeito de seu conhecimento e poder, ambos virtualmente somando quase nada e, pela especulação teológica pura baseada na 'interpretação' do Novo Testamento, juntamente com as opiniões falhas dos clérigos terrenos, professa prever a condição espiritual quase exata de uma alma, depois que ela passou para o mundo espiritual. Um caso claro de cegos guiando cegos.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.