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Capítulo 14 de 19

Vi. A Oração Do Senhor — parte 5 de 10

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2

Pode-se ver que a super-expectativa dos resultados da oração, junto à concepção falha dos meios usados para respondê-la são responsáveis por um grande número de orações públicas que são completamente inúteis. Como, por exemplo, rezas para chuvas, ou por outras quaisquer mudanças nas condições meteorológicas. Como nós, do mundo espiritual, poderíamos mudar o tempo? Não podemos fazer isso, tanto quanto vocês na terra. O mundo espiritual não tem inuência em quaisquer estados de clima na terra. As mudanças de tempo acontecem por leis naturais que governam a atmosfera do mundo material. A alteração da atmosfera e da temperatura produz seus resultados variados, mas elas não podem ser inuenciadas por ninguém do mundo espiritual, como algumas vezes se supõe. Foi sugerido que os elementos terrenos estão sob a supervisão particular de alguma grande alma nos planos espirituais. Isto é impossível. Se a Ortodoxia apenas soubesse a verdade sobre as orações, sua ecácia, suas limitações e o modus operandi para respondê-las, nunca, em seu passado, teria feito as orações ridículas e suas exibições, como as 'preces pela chuva'. A Ortodoxia não está mais iluminada agora sobre o assunto, e ainda se atém à vontade de Deus para providenciar uma explanação sobre algo – talvez sobre muitas coisas – que está completamente fora de seu entendimento, mas que poderia ser alcançado pela simples exposição da verdade espiritual ou da atuação da lei espiritual. A Ortodoxia não aprendeu ainda como rezar. Como pode instruir outros, quando sua própria ignorância e falta de conhecimento são tão profundas? VIII. BATISMO As leis do mundo espiritual são a contradição visível de uma vasta quantidade de teologia, de tantas doutrinas fabricadas por homens, credos e dogmas, e de grande parte dos impedimenta que concorrem para construir a religião Ortodoxa. Uma das minhas primeiras descobertas aqui foi que uma das leis do mundo espiritual, apenas uma lei, pode tornar falsas talvez três ou quatro crenças doutrinárias da terra. Pode-se perceber, como residente no mundo espiritual, que a Igreja terrena, por sua própria estimativa, praticamente pegou o comando do mundo espiritual. A Igreja, com efeito, construiu um código de leis complicadas pelas quais a alma de um mortal deveria ser governada. Ela elevou a terra a uma importância bem mais elevada do que na verdade pode garantir. O mundo terreno tem alguma importância na evolução da alma do homem, e naturalmente tem seu lugar no esquema total da existência. Mas a terra é meramente um trampolim para uma vida superior, a vida superior do mundo espiritual. A vida 'religiosa' do homem no plano terrestre deveria ser tão livre quanto o ar que ele respira. A Igreja não tem direito nem mandato para limitar nenhuma alma com suas crenças pegajosas feitas pelos homens que nem se aproximam da verdade, e que são um estorvo e não uma ajuda para o progresso espiritual do homem. A Igreja formulou doutrinas pelas quais a alma tem o seu exato estado e o lugar de habitação no mundo espiritual pré-atribuídos a ela. A Igreja fez leis; pela infração delas o homem infalivelmente se entrega ao inferno para toda a eternidade. Executa ritos que, a respeito do fato absoluto, são totalmente inúteis para qualquer alma, e que não ajudarão para que alma dê um só passo no caminho de sua jornada ao mundo espiritual, ou depois. Tem sido dado muito peso às opiniões e declarações dos clérigos mais antigos, cujos ensinamentos os elevaram ao título de Pais da Igreja. Jamais pais guiaram seus lhos tão terrivelmente desencaminhados. Eles estavam na maior parte tão no escuro quanto aqueles a quem estavam professando, a m de instruir. Estes mesmos Pais da Igreja estão todos eles no mundo espiritual. Uma hoste deles são grandes almas, mas suas visões agora são bem diferentes daquelas que tinham quando estavam na terra. Foi alegação de um destes Pais, enquanto estava encarnado, que no estado em que alma estivesse quando sua 'morte' acontecesse, naquele estado ele caria para sempre. Como a árvore cair, assim cará. No momento em que a 'morte' aconteceu, então, seu futuro cou selado. Se ele não se comportou bem na terra, então o inferno será a sua parte, ou talvez, com melhor sorte, uma estadia de duração não-especicada no purgatório. Durante este tipo de vida na terra, portanto, um homem determinaria sua morada no mundo espiritual para toda a eternidade. É sob um ditame como este que muito da doutrina da Igreja foi baseada. No mundo espiritual, nós encaramos a realidade, encaramos a verdade sem qualquer equívoco. Como padre da Igreja, executei numerosas cerimônias. Desde a minha chegada no mundo espiritual vi a verdade e o valor de tais rituais. Minha mente se elucidou – assim como as mentes de milhões de outros que aqui também se iluminaram – sobre toda a falsidade de muitos dos ensinamentos religiosos da terra. Ao falar assim com vocês, portanto, transmito a verdade como ela é conhecida por nós nestes reinos. Vocês não estão vivendo num mundo onde a verdade é sempre sustentada. Nós estamos. Se eu tivesse que temperar minhas declarações com falsicações da verdade, que uso teria falar, anal de contas? Tais comunicações do mundo espiritual seriam inteiramente sem valor. Em assuntos relativos à alma e o futuro status espiritual do homem, uma atitude faria a terra sempre certa e o mundo espiritual sempre errado. Esta é uma posição que no mundo espiritual não podemos aceitar. O mundo espiritual não pode receber e não recebe ordens da terra. Os líderes da Igreja não sabem praticamente nada sobre o seu 'futuro estado'. Deveriam. Ao invés disso, sustentam e espalham doutrinas irracionais que alegam ser de origem e fonte Divinas. Na maioria dos casos, estas doutrinas são puras trivialidades que uns poucos momentos de vida aqui no mundo espiritual revelam que vieram de mentes banais. Com minha experiência mais completa no mundo espiritual, algumas vezes tremi em lembrar como algumas doutrinas mesquinhas estão inseparavelmente associadas com a Maior Mente do universo. Quando eu estava na terra, acreditei piamente que 'morrer' sem ser batizado signicava estar impedido de entrar nos reinos do céu. O maior extremo de tudo foi acreditar que as pessoas não-batizadas que passaram para o mundo espiritual naquela condição eram condenadas ao inferno para sempre. Eu, portanto, encarei toda a cerimônia do batismo como da maior importância para a 'salvação' da alma. Julguei-a, de fato, indispensável. Acreditei que ela lavava qualquer traço de 'pecado' se o batismo fosse em alguém que já tivesse atingido a 'idade da razão'. Eu acreditei que a pessoa se omitisse de ser batizada até que estivesse em seu leito de morte, sendo batizada então, isto o levaria diretamente ao céu. E mais, quaisquer más ações que tivesse cometido, estas más ações seriam retiradas dele num piscar de olhos, que sua alma caria imaculada e ajustada para o céu mais elevado. Eu não sabia ali, como agora sei, que não há fórmula mística ou mágica que faça erradicar de alguém maldoso os resultados de seus males praticados. Era parte de minha fé achar que conforme, e na hora que, eu batizava uma criança, eu salvava aquela criança para os reinos dos céus; que se aquela criança tivesse 'morrido' sem participar desta cerimônia, ou pelo menos de uma récita mais simples feita por um leigo, de curta duração, mas com as palavras essenciais do batismo real, aquela criança estaria para sempre impedida de car à vista de Deus. Ela nunca poderia ver Deus 'cara a cara'.

Nunca me ocorreu, como agora sei ser o caso, que a beleza espiritual da alma de uma criança era, por ela mesma, uma parte do Pai do Céu, e que nenhuma palavra pronunciada por alguém sobre a terra poderia acrescentar um traço de mais beleza para aquela alma. A alma que é implantada numa criança é perfeita. Há uma lei, pelo menos, no mundo espiritual, que se opõe inteiramente ao rito do batismo, que é a lei de causa e efeito. É uma doutrina errônea esta 'lavagem dos pecados' batismal. Muitas são as almas que encontramos aqui que caram chocadas ao aprenderem que incontáveis crianças felizes que moram no reino das crianças passaram para o mundo espiritual sem o batizado. Quando entenderam sua nova situação e as leis que governam este mundo, logo perceberam que a lei espiritual que traz todas as crianças da terra para seu mundo próprio no mundo espiritual é muito, muito maior que qualquer ritual de batismo. De fato, ele torna-se insignicante diante da verdade e a beleza da esfera da criança. Para continuar com o ritual como se fosse um símbolo puramente tradicional, dedicar uma criança a Deus seria inofensivo, já que não envolveria ninguém em crença nenhuma de nenhuma doutrina obscura. Realizar uma cerimônia simples para nomear uma criança e, ao mesmo tempo, oferecer agradecimentos por ter nascido perfeito, isto, também, é inofensivo. Mas ir adiante disto, isto é inquestionavelmente errado. Vão observar, talvez, que as Escrituras, sobre as quais muito da religião Cristã está fundamentada, falam muito claramente que devemos ser batizados, e que, mesmo as palavras da fórmula sendo dadas, sem o recital exato toda a cerimônia é nula. É assim. Mas por isto aparecer nas Escrituras, não posso alterar as leis do mundo espiritual mesmo que quisesse ou pudesse – e, enfaticamente, não quero! O mundo espiritual e as leis do mundo espiritual são muito mais importantes que algumas palavras que alegam terem sido pronunciadas há quase dois mil anos atrás. A importância espúria que foi agregada ao rito do batismo é apenas mais um exemplo da posição falsa na qual o Cristianismo foi colocado, dando-se a ele uma exclusividade à qual não tem direito. Esta exclusividade foi estendida até que não somente atue bem distante no mundo espitritual, mas até que quase invada o Pai do universo. Se a Ortodoxia Cristã não clamou o direito da posse plena do direito de se aproximar do Pai do universo, certamente clama os privilégios mais extensivos para todos os que se consideram Cristãos, tanto bons, quanto maus. Está no espírito de justiça verdadeira que alguns sejam mais privilegiados que outros em termos de suas 'salvações'? Muitos responderiam sim, porque consideram que a religião Cristã está acima e além de todas as outras, simplesmente porque é 'Cristã'. Não é uma razão satisfatória, mas é uma razão que, todavia, é mais comumente dada. Quando chegamos a discutir as coisas com as pessoas daqui, descobrimos que elas sustentaram rmemente sua Cristandade enquanto ainda na terra, mas não podem dar uma razão adequada para explicarem o porquê disto. Alguns dirão que foram batizados na religião Cristã ao nascer, e por isso consideraram-se Cristãos desde então. Eles, naturalmente, acham – primeiramente – que estão num céu Cristão, um céu que é prêmio por terem sido bons Cristãos – ou, pelo menos, por ter sido Cristão, no nal das contas – e ter levado uma ba vida. Com o decorrer do tempo, seus olhos se abrem. Quando saem, como eu z, numa viagem de descobertas através destes reinos, começam a encontrar pessoas que, para dizer o mínimo, não podem realmente pertencer a estes reinos Cristãos nos qual eles imaginam estarem vivendo. Eles verão visitantes dos mais altos reinos cujas feições sugerem que não são Cristãos; a cor de suas peles e sua aparência geral, também, somar-se-ão a esta descoberta tão surpreendente. Nenhuma destas almas foi jamais batizada, e assim, de acordo com algumas crenças, deveriam ter sido 'jogadas nas trevas exteriores'. Certamente, eles pareceriam não ter como morarem nestes reinos. Mas o fato inexível continua, eles estão morando nestes reinos, e estão aqui independentemente de raça, cor, ou credo. As três distinções não têm validade e nenhuma signicação no mundo espiritual. Raça e cor não são obstáculos para a grande marcha de progresso da alma, e aqueles de nós que mantivemos visões totalmente estreitas e insulares sobre o tema, somos compelidos, pela força da verdade, a reajustar nossas visões. Aqueles de nós que, quando encarnados, preferíamos observar as pessoas de outras raças e nacionalidades como seres humanos como nós mesmos, descobrimos que, quando encontramos tais pessoas no mundo espiritual, elas são nossas amigas, felizes por nos conhecerem, assim como nós a elas. A cor da pele e o contorno do nariz são assuntos sobre os quais nem pensamos. Nestes reinos somos um grande grupo de amigos verdadeiros, tão orgulhosos por conhecer alguém cujo semblante seja triste, como por conhecer alguém cujas características sejam fracas, por comparação. Estão afastados para sempre os preconceitos raciais e os sentimentos de estranhamento entre homens de cores raciais diferentes. No meio desta imensa população de variadas nacionalidades, há milhões que não foram batizados quando estiveram na terra, milhões que preferiram não serem submissos a religião alguma, mas que viveram suas vidas de acordo com suas consciências, e que se comportaram perante seu próximo como gostariam que seu próximo se comportasse perante eles. Não se enroscaram em nenhuma forma de credo religioso quando nalmente chegaram ao mundo espiritual. Eu disse que as pessoas daqui não se importam com credos. Com isto, quero dizer que não importa o credo que tais pessoas professaram quando estavam encarnadas, isto não faz diferença em sua habitação no mundo espiritual. Eles alcançaram suas habitações pela espécie de vida que levaram na terra, e apenas por este meio. Mas suas crenças religiosas usualmente experimentam uma vasta reconstrução depois que suas transições acontecem, quando nalmente vêem que aquela Ortodoxia que foi peremptoriamente brecada nos verdadeiros portais do mundo espiritual. As igrejas que existem aqui, na forma antiga da terra, são imitações religiosas de nenhuma signicação real. À luz de nossas novas experiências no mundo espiritual, podemos ver apenas o grau de conança que se pode dar na tradição ao escolhermos o lado religioso da vida na terra. Podemos ver como nações e mais nações, por gerações e mais gerações, sustentaram a crença da necessidade vital do rito do batismo como a chave espiritual que destrancará as portas do mundo espiritual para a alma que ali chega. Podemos ver que a Ortodoxia encara a pessoa não-batizada como alguém que está em perigo mortal de perder a 'salvação' de sua alma. Muitas pessoas encarnadas tratam estes como desgarrados espirituais, condenados à perdição eterna, ajustados apenas ao inferno mais baixo. A Ortodoxia é cegamente ignorante e pouco disposta a aprender. Através dos séculos que se passaram, ela construiu um sistema elaborado de observações e ensinos religiosos que são, principalmente, inúteis. As Igrejas arrogaram-se poderes sobre todas as almas, os quais não têm base na verdade ou em fatos. Sem dúvida, estes poderes não são nada além de fraude; não podem jamais ser comprovados. A Igreja pode contar bazóas, pode tentar circunscrever uma alma com ameaças de desastre espiritual se ela desobedecer seus 'mandamentos' falsicados. Ela pode tentar impor todas as formas de condições restritivas sobre seus membros; pode tudo menos extinguir a vida espiritual de um homem; ela pode viver sua vida auto-satisfatória e elegante sobre a terra, proclamando orgulhosamente, de sua forma presunçosa, o que ela crê profundamente que seja a 'vontade de Deus'.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.