Voltar ao livro A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2

Capítulo 13 de 19

Vi. A Oração Do Senhor — parte 4 de 10

A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2

Milagres não acontecem. Nada acontece sobre a terra – ou nos reinos espirituais – que passe por cima ou além das leis naturais. Não há coisas ou estados chamados 'supranaturais'! Como certas mentes da terra gostam de se referir à qualquer coisa impressionante sobre o mundo espiritual como 'supranatural'; os fantasmas, os duendes e as aparições, com uma variedade de outras designações a escolher, tudo é usado para indicar um habitante dos planos espirituais. A estes que usam estas palavras numa ridícula ofensa ou por pura negligência eu diria: tenham cuidado! Lembrem-se de que cada alma que viveu na terra vive agora no mundo espiritual, entre os quais estão seus bons amigos e parentes que já se foram. A menos que vocês os considerem da altura espiritual de um 'santo', se não, eles ainda estão vivendo em planos um pouco mais baixos e podem ser contados entre os milhões de nós aqui. Sejam cautelosos ao usarem tais termos para descreverem uma pessoa espiritual, pois podem, na hora certa, ser usados contra você num escárnio ofensivo similar. Esta visão bastante mundana do mundo espiritual é mantida pelos encarnados porque eles se consideram, em todos os aspectos, superiores aos habitantes do mundo espiritual, em virtude do fato de que os encarnados ainda estão na terra, a boa e rme terra onde a realidade os circunda. Estão vivendo uma vida normal. No mundo espiritual é vastamente diferente. Lá é que é vago e sombrio, invisível e distante; os moradores destas regiões são fantasmas, espectros ou assombrações; sombras, de fato. O mundo onde vivem deve ser não-substancial porque, como seus habitantes, não pode ser visto com os olhos da terra, na forma terrena pelas quais as coisas podem ser percebidas na terra substancial. O mundo espiritual, para estas mentes, é um lugar insalubre também, o mínimo que se pode dizer – ou mesmo pensar – sobre isso. Há muitas pessoas que pensam desta forma, e que ainda estão vivendo na terra. Há milhões de pessoas no mundo espiritual que pensavam assim, uma vez, quando eram encarnados. Todos experimentaram um choque para a sua auto-satisfação quando descobriram a verdade por eles mesmos, depois de sua chegada a estes planos. Entretanto, temo que isto seja uma digressão. Vamos retomar. Se examinarmos os procedimentos das respostas de uma oração, poderemos ver por que a oração algumas vezes não é respondida. Primeiro de tudo, é feita uma súplica ao Pai. É impossível que eu entre nos detalhes de cada tipo de petição, por razões que vocês rapidamente vão entender. Há milhões de milhões de requisições vindas ao mundo espiritual, e cada uma com intenções, condições e circunstâncias bem diferentes. Cada oração é levada em conta, individualmente. Se os pensamentos foram completamente concentrados nas palavras, ou na intenção que as palavras carregam, e se teve poder diretivo adequado nela, então a oração infalivelmente alcança seu destino elevado. Para nossos propósitos atuais, consideraremos que a oração alcançou estes reinos de luz. Nosso primeiro ponto de contato com ela será, daí por diante, com o guia espiritual da pessoa que enviou a oração. Aqui eu devo explicar que cada ser humano na terra está a cargo espiritual de uma alma experimentada e sábia, que é conhecida tecnicamente na terra como o espírito guia. Os guias espirituais pertencem a uma ordem nobre de seres do mundo espiritual. Todos são residentes nestes planos por muitas centenas de anos, e são especialmente escolhidos para seu trabalho por causa de seu alto grau de sabedoria que possuem, entre muitos outros atributos importantes. Os guias têm os seus custodiados a seu encargo desde a sua tenra infância. Eles estão, portanto, bastante familiarizados com todas as circunstâncias e assuntos das vidas deles. Mais felizes são os que, entre os encarnados, encontraram seus espíritos guias e falaram com eles ainda na terra. Seu espírito guia está completamente familiarizado com qualquer oração que você possa fazer e que contenha um pedido. O guia, sendo bastante conhecedor do conteúdo de certas orações suas, é natural que ele empreenda a tarefa – frequentemente bastante difícil – de conseguir uma resposta a ela. Mas o guia não levará esta tarefa sozinho; ele terá um número de ajudantes dispostos. Em muitos casos, eles também serão amigos e parentes do suplicante, ou ambos. Estes amigos ou parentes podem ser também residentes no mundo espiritual, ou alguns poderão estar no plano terrestre. O processo real, então, de responder uma oração consiste em inuenciar, impressionando ou inspirando, estas pessoas na terra, pois estão na posição de cumprir a realização dos desejos do suplicante, direta ou indiretamente. O espírito guia, em todos os casos, sempre usará seu julgamento e discernimento quanto a oração ser respondida totalmente e o mais breve possível, ou se vai ser respondida apenas parcial ou condicionalmente, onde isto for praticável; ou se será remetida ao futuro, quando as condições e as circunstâncias forem mais propícias. Finalmente, o guia exercitará seu discernimento quanto aos desejos do suplicante serem mesmo realizados. A sabedoria do guia lhe dirá se beneciar seu encarregado em algum desejo seria prejudicial a ele, espiritualmente, ou sicamente, ou materialmente. Em tais casos nenhuma ação será promulgada, nem seria permitido, e a oração continuará sem resposta. Naturalmente, não são todos os pedidos que, em seu cumprimento, são prejudiciais à pessoa que faz a súplica, mas a realização poderia ser prejudicial a outros e, por isso, não lhe será concedido. Deixe-me dizer aqui que as orações, incontáveis milhares delas, que são respondidas completa e plenamente são mais numerosas que as que são deixadas sem resposta. Se ela for sábia, possível e praticável, o pedido através da oração será concedido sem dúvida. A vontade de Deus não entra no assunto, mas, decididamente, a sabedoria de Deus sim. Esta sabedoria é manifestada através dos espíritos guias dos encarnados, e é derivada, onde necessário, dos seres mais elevados. Mas deve ser lembrado que os espíritos guias não possuem forças todo-poderosas, apesar de obterem seu poder do próprio Pai. Quando um espírito guia começa a acionar as várias forças para inuenciar, através da impressão, certas pessoas na terra, ele sempre estará ciente do livre arbítrio da pessoa perceptiva. Ele deve respeitá-lo, e não fazer nada que infringirá de forma alguma o direito de exercê-lo. Até aqui eu apenas tratei do assunto de forma abstrata. Vou dar um exemplo que, espero, servirá para esclarecer o assunto; um exemplo que escolheríamos entre tantos e tantos. A variedade de pedidos que estão contidos em orações é inndável, como podem imaginar quando considerarem por um momento a vasta diversicação dos assuntos humanos e as circunstâncias que constituem as vidas das pessoas ainda viventes na terra. Cada um tem seus desejos e ambições particulares, e apesar de que incontável número de pessoas jamais pense em orar nesta conexão, mesmo assim há outros incontáveis que o fazem. Aqui, então, está um exemplo simples e comum

Um lho ou lha – podemos dizer? – ora fervorosamente pela mãe, que está perigosamente doente, para que ela não seja 'levada pela morte'. As orações, entretanto, não foram frutuosas, e a mãe 'morre'. Por que esta requisição em particular foi aparentemente recusada, quando tanta alegria poderia ter, se lhe fosse concedida a recuperação da mãe? Os inclinados religiosamente, como a própria Ortodoxia, responderiam esta questão dizendo que não foi a vontade de Deus que a senhora permanecesse na terra, que Deus chamou-a para a outra vida, e assim por diante, tudo o que está bem longe do ponto. Vamos ver o que aconteceu, ou aconteceria, quando a oração foi emitida. Antes, talvez bem antes, que qualquer oração pela cura da senhora fosse emitida, o espírito guia da mãe já estava em atendimento, o mais próximo possível, com os doutores espirituais. A oração neste evento não seria perdida nem redundante, mas serviria para fazê-los, a paciente, o guia e os doutores, mais unidos e, desta forma, se fosse possível, efetuarem a cura, esta cura mais que certamente seria alcançada. Por outro lado, a paciente poderia estar tão longe da sintonia com seu espírito guia que ele seria incapaz de chegar sucientemente perto, por causa da barreira material separando-os, uma barreira que foi erigida pelos pensamentos materiais da paciente, ou seu modo de vida, ou sua negligência sobre o além do plano terreno da existência, ou por uma variedade de outras causas. A oração poderia ajudar a dispersar isto eventualmente, mas aí então poderia ser tarde e a doença já teria se alastrado demais para responder a um tratamento feito pelos mundos, o seu e o meu. O resultado, portanto, é inevitável, e a transição acontece. Mas a transição acontecerá mesmo sem a ajuda que realmente foi dada do mundo espiritual, e não porque a ajuda foi recusada. Assim podem ver, aqui temos o que parece ser, do ponto de vista terreno, um caso claro de falha da oração. Mas a oração em si não falhou, já que foi plenamente atendida com a melhor habilidade de todos os que participaram de sua resposta. A falha verdadeira não veio da parte dos que estavam lidando com a sua resposta. Neste exemplo em particular – como milhares de outros – a falha está com o encarnado. Os poderes dos curadores espirituais ou doutores não são infalíveis ou onipotentes. Em todos os casos, eles trabalharão até o limite de suas capacidades para prolongar a vida de qualquer pessoa encarnada a seus cuidados, mas não podem prolongar a vida de nenhuma pessoa na terra indenidamente. Os tecidos se rompem pelo curso natural das coisas, e a transição acontece. Há muitas pessoas ainda vivendo na terra que devem a continuação de suas vidas naquele plano aos doutores espirituais e seus instrumentos terrenos altruístas. Tais pessoas podem estar completamente cientes do fato, e apreciam muito o que lhes foi feito. Há muitas mais que poderiam ter vantagens enormes com este serviço, mas não acreditam que seja possível, ou acham que tudo isto é desagradável. Novamente, há outros que oram por sua recuperação, e esperam que, pela intervenção direta de Deus, tudo estará bem novamente. Mas não fazem qualquer esforço efetivo para ajudar os espíritos invisíveis que estão fazendo o que podem para levar o paciente ao estado de boa saúde. Assim se poderia continuar multiplicando, não só os diferentes casos, mas a imensidão de circunstâncias diferentes. O que tantas pessoas não percebem é que o pedido mais simples contido numa oração pode signicar uma quantidade enorme de trabalho da parte do pessoal espiritual concernente ao trabalho de realizar os pedidos dos que oram. Novamente, o que muitos não alcançam é que, quando a oração contém um pedido especíco de natureza material, a realização da prece deve, no nal, se reetir em alguma pessoa ou pessoas que ainda estão encarnadas. E não pára por aí. Quanto mais suscetível é um encarnado às impressões que vêm do mundo espiritual, maiores são as chances de um cumprimento satisfatório da prece. É muito simples fazer uma pequena prece contendo algum pedido, mas obter uma resposta pode envolver a inuência de numerosas pessoas na terra, incluindo a pessoa que pronunciou a prece. Pode ser necessário conduzir este último cuidadosamente na direção correta, para impressioná-lo a m de entrar em contato com certas pessoas que, por sua vez, entrarão em contato com outros, formando assim uma corrente completa de indivíduos, como é possível imaginar, onde, no nal, a pessoa certa pode ser alcançada e a oração ser completamente respondida. Pode depender, e muito frequentemente acontece, de nossa habilidade de impingir nossos pensamentos sobre a última pessoa com vigor suciente para atingir nosso propósito e o propósito da oração. Toda a estrutura dos contatos humanos podem ser demolida pela inabilidade do último indivíduo que recebe nossas impressões diretas. Podemos, então, repassar nossos passos, e nos esforçarmos para encontrar outro que seja de mente e perspectivas menos materialistas, ou cujas faculdades psíquicas sejam mais aguçadas, e assim construirmos outra cadeia de pessoas, outro grupo de ligações. Não, meu bom amigo, a resposta de uma oração não é brinquedo de criança. Não é raro que envolva uma enorme quantidade de trabalho duro de nossa parte. Algumas vezes podemos entrevistar pessoas quando elas vêm visitar estes planos durante seu sono, e expor o caso a elas. Raramente temos uma recusa aos nossos desejos em nome de nosso amigo necessitado na terra. Estas pessoas, na maioria das vezes, cam desejosas e ansiosas por nos ajudar, participando de nossas vontades – enquanto estão em sua visita noturna ou em outro estado sonambúlico. Suas intenções são puras, genuínas e honestas, mas, ai!, quando voltam para seus corpos terrestres e recuperam suas consciências físicas, frequentemente acontece que não relembram as suas boas intenções e resoluções para fazerem o que desejamos que façam. Mas perseveramos, e continuamos perseverando, até que atinjamos o sucesso, ou até que sejamos obrigados a, relutantemente, abandonar nossos esforços de vez, ou pelo menos até uma ocasião ou um tempo mais auspiciosos. O principal problema, pelo qual uma oração dá tanto trabalho, vem das visões errôneas que as pessoas da terra têm a respeito delas. Por muitos, muitos anos, os encarnados esperaram demais da oração. Por muito tempo a Ortodoxia estrondeou nos ouvidos de seus 'devotos' que a oração é praticamente todo-poderosa. Não é assim. Deus responderá suas preces, armam, se for de Sua vontade fazer isso, ou se você tiver fé suciente – ou ambos. Desta forma, a oração é sustentada e mantida viva, enquanto que quaisquer falhas são imputadas à vontade de Deus ou à falta de fé. Fé em quê, ou quem? Você poderá perceber por si mesmo o quanto a fé tem a ver com a resposta da oração. As pessoas podem ter fé absoluta, como alegam, mas mesmo assim a oração não obtém sucesso. Uma intenção forte, rme e boa é, de longe, melhor. Fé é não-substancial, vago demais. Mas uma resolução rme de ajudar a oração ao máximo das habilidades na terra, ser tão alegre quanto as circunstâncias permitam, ser esperançoso, e estar conante e certo de que, contanto que o pedido da oração não prejudique ninguém, incluindo o suplicante, então um grande la de socorristas e amigos trabalharão incessantemente para atingir os desejos expressos na prece. Não requer fé.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.