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Capítulo 12 de 19
Vi. A Oração Do Senhor — parte 3 de 10
A Vida nos Mundos Invisíveis – Volume 2
A Igreja ensina que não importa o 'pecado' que a pessoa tenha cometido, não importa o quão malévola tenha sido a vida de um homem, Deus tem misericórdia innita e perdoará os verdadeiramente contritos, através dos méritos da grande alma a quem, na terra, conhecem por Jesus. De fato, tão grandes são os poderes creditados a Jesus, não somente para conseguir a 'salvação' do homem na terra, mas também por sua advocacia na Alta Corte do Céu, que estas suposições formam a terminação de toda oração 'ocial' que é expressa publicamente, ou impressa em livros para a devoção pessoal. Estas terminações peculiares parecem trazer um valor de talismã, um poder mágico que, muito seguramente, não têm, e não podem ter. Como um instrumento para reza, elas são completamente inúteis. De fato, de qualquer forma e em qualquer circunstância, elas são inúteis. São parte do alto edifício teológico de erro espiritual que a Igreja erigiu e apresentou, para a confusão de incontáveis milhões de almas que, nalmente, chegam ao mundo espiritual. Eles descobrem por si mesmos que não adianta chorar pedindo misericórdia contra a ação de uma lei natural que eles tenham infringido ou desconsiderado. Eles podem gritar pelo Pai do Céu, mas não pedindo misericórdia. Isto também seria inútil. Mas eles podem enviar suas orações pedindo ajuda aos reinos mais elevados que o dele, e a ajuda chegará instantaneamente, não em forma de misericórdia nem em forma de perdão pelos 'pecados', mas alguma alma que devota suas energias aos aitos logo se apresentará a este aito. Imediatamente, este último poderá aliviar sua mente atormentada com seu socorrista, o qual poderá mostrar-lhe os meios de redimir o tempo perdido, não pelos méritos ou sacrifícios de outrem, mas por seus próprios esforços apenas. Ele deve trabalhar sozinho por sua 'salvação', mas ele vai precisar dessa assistência real quanto às formas e meios para realizá-la, por causa de sua falta de conhecimento. O recitar de mil credos não vão valer de nada. A fé assim descrita não tem valor para a alma fazer avanços nem uma só fração de polegada em sua estrada de evolução. Nosso melhor amigo, em tais casos, só pode oferecer e dar assistência amistosa; o trabalho real da 'redenção' pessoal é desenvolvido pelo indivíduo sozinho. É ele que tem que se decidir por harmonizar-se com as leis que infringiu, não importa quais, nem em que extensão. Se suas ofensas foram contra outros, sua primeira atitude será buscar o perdão dos que prejudicou. Este último rapidamente vai perdoá-lo, porque vocês devem saber que as inimizades podem acabar rapidamente no mundo espiritual, em certas regiões. Então, logo lhe será mostrado como se redimir para se ajustar ao recebimento de sua indubitável herança de felicidade nestes planos. Seus erros passados serão acertados através de seus próprios esforços, e não por processos mágicos de reparação vicária; será pela aplicação pessoal, possivelmente através de trabalho bastante duro. A Igreja que faz estas reivindicações orgulhosas na terra não contribui em nada com a verdade, ou o conhecimento, ou a assistência para o socorro da alma em sua vida no mundo espiritual. As preces que são pronunciadas para os 'mortos' são baseadas em um conhecimento tão deciente, que são de pouca ou nenhuma ajuda para a alma que 'partiu'. A Igreja, na verdade, falhou desastrosamente. E a falha da Igreja pode ser vista por todos aqui no mundo espiritual, onde temos que endireitar os efeitos dos muitos erros sobre os 'éis'. Talvez um dos mais graves conceitos errôneos sobre o Pai do universo está expresso nas últimas palavras desta oração que estamos discutindo: Não nos deixeis cair em tentação (NT: Esta frase em inglês teria a tradução direta de forma diferente: Não nos conduza à tentação). Aqui, novamente, não estamos interessados nos documentos originais do Novo Testamento, mas só nas palavras que transmiti, da forma que estão transcritas também em miríades de cópias dos evangelhos. Os teólogos objetarão que não há pessoa sã que acreditaria que o próprio Deus deliberadamente levaria um só ser humano à tentação, mas há muitas, muitas pessoas sãs que realmente acreditam, que, mais ainda, acreditam em cada palavra do Novo Testamento exatamente como estão registradas em sua própria língua, pessoas que discordariam enfaticamente com os teólogos. Deus, armam, certamente nos levaria a tentações, e se falharmos na força espiritual e cairmos em 'pecado', e 'morrermos impenitentes', então nos danaremos por toda a eternidade. Nesta hora viriam em seguida as usuais crenças cruas e sem sentido sustentadas por tais pessoas. Os teólogos neste caso estariam certos – Deus não conduziria, não o faz, não pode conduzir nem um simples indivíduo à tentação. Mas por que pronunciar a malévola sugestão de que Ele o faz? Por que, acima de tudo, dizer uma coisa e signicar exatamente o oposto? Desta forma as palavras perdem totalmente seu signicado. Estes métodos verbais nunca seriam tolerados nem por um instante no relacionamento comum na vida diária da terra – ou sobre qualquer outro plano de existência. Resultaria o caos inevitavelmente, se persistíssemos em dizer uma coisa enquanto, ao mesmo tempo, teria signicado totalmente oposto. A precisão e a exatidão, tanto nas importantes quanto nas mais simples ocasiões da vida comum, cariam para sempre em falta, ou, pelo menos, nunca se saberia se as palavras deveriam ser tomadas como foram pronunciadas, ou se o signicado oposto seria o pretendido. Os assuntos ordinários não poderiam ser resolvidos se condições verbais deste tipo prevalecessem. Esta perda retórica das palavras e da fala é francamente tolerada num assunto tão importante como as orações. Se há uma coisa onde a precisão e a exatidão é essencial, é na formação de uma oração. Nós já discutimos este aspecto do assunto, e eu lhes dei algumas sugestões sobre o tema. Aqui vou ampliar o que já transmiti, ao enfatizar o fato de que as teorias teológicas que estão incorporadas em muitas orações são perfeitamente inúteis e completamente inecazes. São tantas palavras vazias que melhor seria omitirmos todas. Elas servem meramente para confundir o propósito principal da oração. A recitação das crenças religiosas durante o curso da oração é igualmente inútil, sejam estas crenças verdadeiras ou apenas o recitar de doutrinas falaciosas, e novamente servem apenas para confundir o real propósito da oração. Não há valor espiritual em armar, pública ou privadamente, as crenças religiosas de alguém na forma de um credo disposto e reconhecido, nem num credo de sua própria composição. Nas épocas passadas, tornou-se costume das congregações fazer destas declarações públicas um meio de demonstrar claramente que eles tinham a verdadeira fá e não contaminada pelas crenças heréticas dos outros. Tal exibição de ostentação não tinha mais valor espiritual que agora. Para voltarmos à Oração ao Senhor. Ainda que um clérigo negasse ativamente que Deus jamais levaria o homem à tentação, apesar da declaração contrária que está na Oração ao Senhor, o mesmo clérigo declararia que Deus 'tentará' uma pessoa; isto é, atribulações ser-lhe-ão 'enviadas' para testar a qualidade de seu poder espiritual de resistência e, portanto, falando apropriadamente, as tentações vêm do 'demônio', mas Deus permite 'o diabo' fazer seu trabalho desumano – e etc., nas mesmas linhas.
De fato, quando alguém chega a pesar estas coisas, o Deus da teologia arma muitas armadilhas para os desatentos, fez da vida sobre a terra, em sua relação com a vida no mundo espiritual, uma massa das complexidades de dogmas, e fez o 'céu' um lugar tão pio que se tornou um lugar quase impossível, e a muitos indivíduos justica-se tremerem diante da perspectiva de irem para lá. Eles vão associar o 'além' com a marca particular da religião que ele favoreceu, ou com a qual ele era mais familiarizado, e se ele se permitir pensar em tudo sobre o tema, ele vai comparar a vida que agora está vivendo, que pode ser bastante confortável para atender aos seus desejos, com o tipo 'religioso' de vida que está associado em sua mente com o 'céu' da Igreja. Ele sentirá que, pelo menos no que lhe concerne, parecerá um peixe fora d'água, vivendo num estado de constante vergonha entre pessoas num grau tal de devoção que ele nunca almejou atingir. Essa confusão nas mentes dos homens não surge apenas através dos ensinamentos errôneos da Igreja, mas surge também pelo conteúdo das orações ociais. Se uma pessoa é devota, vai ouvir regularmente as palavras não nos deixeis cair em tentação endereçadas ao Pai. Qual é o resultado? Se ele acredita que Deus pode, a qualquer momento, deixá-lo cair em tentação agindo como um funcionário extremamente desagradável, um agente provocador, ele não está fazendo a si nenhum bem espiritual ao acreditar em uma coisa tão danosa. Se ele não acredita que o Pai o tentaria a transgredir, por falar diretamente o contrário nesta oração, ele está falhando no primeiro princípio de uma oração de sucesso, ou seja, que a oração deve ser clara e exata em seus termos e ensinamentos. Tanta gente pronuncia suas orações com fé e seriedade, mas ai!, dirão a vocês que elas jamais pareceram ter resposta. Pode haver muitas razões para isso. Espero adentrar em algumas delas com vocês agora. Por agora, entretanto, podem se levantar objeções quanto ao que eu disse concernente à Oração do Senhor, a mais apreciada e a favorita entre as orações. 'Quem é seu irmão', pode ser objetado, 'que tenta demolir a prece real que foi dada ao mundo pelo próprio Jesus como modelo para todas as orações?' Eu responderia que esta oração nunca foi usada como modelo para todas as orações, como é claro de se ver pelas composições repugnantes que são diariamente recitadas e que aparecem nos livros de orações. O precedente – se fortuitamente incluído ou não - o precedente sobre precisão e brevidade foi totalmente ignorado, em favor de exibições oratórias moldadas em longos períodos e fraseologias pomposas. Quanto à oração ter sido dada ao mundo por Jesus, como observei no princípio, quem quer que seja o autor dela, não foi Jesus. Seu conhecimento espiritual naquele tempo era grande demais para ele cometesse tal erro. VII. ORAÇÃO RESPONDIDA Há outro aspecto da oração ao qual devotaríamos alguma atenção e que poderia ser expressa desta forma: a oração é respondida? Esta é uma pergunta que mexe com a mente de muitos na terra. Alguns responderão enfaticamente que a oração é respondida, e apresentarão uma experiência pessoal para demonstrar sua armação. Outros, não tão afortunados, negarão que as preces são respondidas porque não tiveram nenhuma experiência pessoal sobre isto. Destas duas evidências opostas, os encarnados podem responder nossa pergunta inicial desta maneira: as orações são respondidas algumas vezes, mas depende inteiramente da vontade de Deus. Se nossa súplica estiver de acordo com a vontade de Deus, teremos nosso pedido atendido; se for contra a vontade de Deus, então não. Se pudéssemos, (os encarnados vão acrescentar), obter um lampejo da vontade de Deus, então teríamos a solução para todo o problema sobre a ecácia da oração. Mais uma vez temos a introdução da vontade de Deus para providenciar uma explicação sobre o estado espiritual dos assuntos sobre os quais, aparentemente, não se acha outra explicação – desta vez para explicar a falha, ou algo assim, da oração. Insatisfatória é a razão pela qual a vontade de Deus se traduz como um capricho de Deus, porque em nenhum outro campo se pode basear a aparente parcialidade e o caráter caprichoso no exercício da vontade de Deus, e a incerteza geral de que as orações serão respondidas. A experiência da maioria das pessoas é que elas rezam ao Pai por algum propósito em especial, enquanto que, ao mesmo tempo, estão, em suas mentes, totalmente incertas sobre o que vai acontecer – se é que vai. Pode signicar sucesso, pode signicar falha. Mesmo que se alegue que a falha da oração pode ser atribuída à falta de fé, o suplicante pode rebater que ele tinha fé absoluta de que sua oração seria respondida. Nada, de fato, poderia ser mais arriscado do que a realização de uma oração onde algum pedido tenha sido feito. Muitos devotos esconderão seu desapontamento e tristeza, resultantes da falha de suas orações, nas palavras Seja feita a Sua vontade. E com este lamento desesperado todas as esperanças se esvairão, porque a quem mais ele agora poderia apelar? Por alguma razão inescrutável, Deus não foi sintonizado, diria, para responder à sua oração, e assim não há nada mais para ser feito. No mundo espiritual, nunca usamos as palavras Seja feita Sua vontade. Preferimos dizer, efetivamente, Prevaleça a Sua sabedoria. E a sabedoria de Deus prevalece. Ela prevalece em cada instante – sem falhas. Esta sabedoria se manifesta através dos personagens ilustres que habitam nos mais elevados reinos, e a quem nos voltamos nas maiores diculdades que possamos ter. Quando temos algum pedido para fazer, vemos que a resposta nos chega instantâneamente, seja um sim ou um não. Mas isto não acontece em nossa consideração presente, já que vocês não são ainda habitantes destes planos. Vamos eliminar, para sempre, qualquer noção de que a vontade de Deus é concernente à resposta de suas orações, e se discutimos como elas são respondidas, deveremos ver logo por que acontece de não serem respondidas. Estamos, claro, considerando orações que contenham algum pedido especíco, seja por orientação espiritual de alguma forma ou outra, ou seja por assistência material durante os tempos de diculdades ou aições. Não vamos lidar aqui com as orações de agradecimentos, ou muitas emanações de devoção que aparecem nos livros de oração. É amplamente suposto que Deus, sendo onipotente e onisciente, responde Ele mesmo às orações dos encarnados. Se uma oração completamente atendida está ligada com qualquer assunto concernente à Igreja, tudo o que ocorre é encarado como um 'milagre', ou algo próximo disto. Neste caso, entretanto, pode não ser devida à intervenção direta de Deus. Pode se alegar que a resposta da oração tenha vindo através dos serviços bondosos de algum 'santo' da Igreja. É por causa da crença de que as orações são respondidas através da intervenção direta de Deus que tanta má compreensão exista.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.