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Capítulo 6 de 17
Deus — parte 6 de 17
Sangue na cruz · Osvaldo Polidoro
Quem sabe mal, ou errado, pensa mal, julga mal e procede incoerentemente. Glicério, filho intelectual-doutrinário do erro, poderia saber certo, pensar bem e proceder condignamente? Por isso mesmo, à custa de sofrimentos terríveis tivera que aprender uma das mais sérias lições da vida – saber que há Verdades inteiramente respeitáveis, que devem ser conhecidas e cultivadas por obrigação de iniciativa própria, Verdades que independem de afirmações alheias ou sectárias, Verdades que estão muito acima das chicanas clericais do mundo. Como tal, para iniciar atividades recuperadoras, disse-lhe Abel: – Quer ser recolhido a lugar e ambiente melhores, a fim de encetar trabalhos recuperadores? – Eu nada sei fazer!... – gemeu ele, concebendo a seu modo a pergunta. Abel sorriu, observando: – Tem, em parte, razão. O grande trabalho é de ordem íntima... Pureza, Sabedoria, tudo aquilo que serve de motivação eficiente. – Pureza e Sabedoria?! – fez Glicério, com acentuada admiração. Abel tornou, com firmeza e bondade extremas: – Sim, meu irmão. Esse o resumo, a síntese e a vitória final. Para se chegar a ser puro e sábio, segundo a lei de progresso, e a chancela do Senhor, faz-se mister abarcar toda a multiplicidade evolutiva, isto é, avançar em todos os rumos do saber e das virtudes. Portanto, ao se fazer tal referência, nada mais se faz do que lembrar o programa geral de conquistas espirituais. Assustado, atalhou Glicério: – Então, senhor, devo começar tudo de novo? – Não; apenas deve prosseguir no rumo verdadeiro. – Mas eu errei muito! Muito! – Mas também acertou alguma coisa, pois não? Boquiaberto, Glicério indagou: – Mas quem erra não perde tudo?... Tudo quanto tenha feito?... Bondosamente, explicou-lhe Abel: – Não há exageros na Lei, nem há prevenções na Justiça. Todos os valores são considerados, quer os ativos, quer os negativos. E se errou, creia, também acertou, estando registrados todos os feitos, a fim de justiçamento. Lembre-se dos erros, mas não se esqueça dos acertos. A Deus tudo importa, pois a evolução é lenta por base, bem assim como os graus da escala hierárquica são infinitos, pelo menos para nós, que não conhecemos tudo. Fitou-o bem, o alto mentor, para esclarecê-lo: – Lembre-se disto: não haverá jamais libertação pela Graça ou de favor, mas sim por evolução gradativa. Conseqüentemente, nunca existirá o salto para a condição perfeita, como medida de salvação, mas sim a sublimação por etapas, a evolução lenta. Até mesmo para o rumo inverso, ou para as chamadas trevas exteriores, aos poucos é que se vai. E você é testemunha disso; não foi aos poucos que desceu a tal ponto? – São lições de primeira vista, senhor. Eu tinha por certo que, se houvesse salvação, pois já não esperava coisa alguma da Justiça Divina, ela seria ou tudo ou nada, não admitindo o meio-termo ou a evolução por etapas. Abel acrescentou: – Não é assim. Verdadeiramente, Glicério, o homem é o produto da evolução biológica, da evolução gradativa. Os infindos mundos e as vidas sucessivas é que a fomentam; porém, cumpre dizer, que sendo assim pela Vontade de Deus, de algum modo o seria, se assim não fosse. Quero, com esta observação, afirmar que antes de mais nada nos cumpre respeitar a Suprema Determinação. Submisso, murmurou Glicério: – Eu não tinha esses conhecimentos. Para mim, conforme a doutrina aprendida, ou se era salvo ou se era condenado. Uma vez, porém, que a salvação se resume em sublimação lenta, pela organização do caráter, tudo é diferente. Necessito mudar completamente o modo de saber e conceber, a fim de realizar com acerto. Pelo visto, cumpre-nos edificar o Céu à própria custa! Como Glicério se mostrasse admirado, Abel fez-lhe algumas perguntas: – Não ensinou Jesus, que cada qual tem o reino do Céu dentro de si mesmo? – Ensinou, sim senhor. – E não fez saber que uns podem estar, com relação a outros, mais avançados no caminho do Céu? – Fez saber, sim senhor. – E não disse que muitas coisas mais tinha para dizer, mas que na ocasião seria impróprio delas tratar, ficando a cargo da Revelação í-las ensinando aos poucos? – Sem dúvida, meu senhor. Mas... Como deve saber, o protestantismo é filho do catolicismo, sem alguns de seus embaraços, mas igualmente sem Revelação. Se não admite certos prejuízos, nem por isso compreende e respeita o que chamam de Batismo de Espírito. A falar verdade, nunca pude compreender o capítulo dois do Livro dos Atos e o capítulo quatorze da primeira carta de Paulo aos Corintos. Tudo nublado ou truncado, sei lá... Pois, enquanto Jesus deixou a Igreja Viva, e os Apóstolos continuaram na vivência da Revelação, o catolicismo não nos legou tal verdade nem nós a procuramos por nós mesmos. Já vô-lo disse, tenho ouvido agora, de vossa parte, tais referências, e referências que bem merecem respeito, porquanto concordam plenamente com as afirmativas do Livro Sagrado. Satisfeito, anunciou-lhe Abel: – E poderá estudar quanto quiser, em nossas bibliotecas, a fim de se por a par de todas as Verdades ensinadas pelo Cristo, Verdades que posteriormente foram corrompidas pelos homens. A dizer certo, Glicério, e você nada poderia saber a respeito, marcha triunfalmente, no mundo, a trabalheira restauradora... Soerguendo-se em ânimo, tendo feito brilhar um pouco os febris olhos, Glicério inquiriu, interrompendo-o: – Como assim?... Que se passa no mundo?... Jesus voltou?... Suavemente, explicou-lhe Abel: – Jesus não disse que um dia as coisas seriam repostas no lugar? Não citou Elias como sendo o futuro restaurador? – Sim, eu li isso várias ou milhares de vezes, mas nunca pude entender, motivo porque fazia de menos comentar semelhantes questões. Entretanto, se as questões estão nesse pé, devemos render graças a Deus, pois significa estarmos numa fase de renovação... Cessou de falar, ficou cismando, sorrindo, para a seguir dizer: – Graças a Deus!... Volta a luz ao mundo!... Eu bem sentia que as falhas não podiam ser do Cristo... Como eu gostaria de estar na Terra, agora, conhecendo de perto a obra restaurada!... E, como fez isso Elias?... Em que condições, de que modo o enviou Jesus?... Glicério, sorrindo também, deu-lhe a devida atenção: – Jesus, para Batizar no Espírito, não se apresentou como homem? E não foi repelido, incriminado, preso, julgado e justiçado? Pois assim mesmo Elias se apresentou como homem, trabalhou e findou seus dias em pleno trabalho. Nenhum milagre, nenhum mistério, tudo na ordem comum, tudo segundo leis básicas. Simples caso de reencarnação e de Revelação, nada mais. E irá ter oportunidades à vontade, para estudar e saber como são os processos de Deus, que Jesus põe em prática, com toda a simplicidade, quando o tempo cíclico é atingido. Cheio de felicidade, exclamou Glicério: – A Terra bem que necessitava de um novo impulso!... Uma renovação!... Eu quero... Eu quero melhorar, aprender, saber... Eu quero trabalhar!... Aproveitando a ensancha, emendou Abel: – Então, se assim de fato o quer, pense em Jesus e vamos embora. Este lugar é muito triste, apesar de ser melhor do que aquele em que por tanto tempo permaneceu. Meio enigmático, indagou o chaguento homem: – Qual a posição de Jesus, neste lado da vida? Fazendo um sinal de cabeça, que valeu por expressão de prudência, Abel fê-lo saber: – Cristo é grau hierárquico, bem assim como é função diretora. Todos os mundos possuem os seus Cristos, que são diretores e modelos. Eu lhe darei um manual, para que estude, enquanto se recupera. Ficará sabendo o que deve saber, pois o mecanismo é vasto e profundo. Entretanto, saiba, significa também um certo grau vibratório, e é a esse grau que todos apelamos. Esse grau-poder está presente, é íntimo a tudo e a todos, devendo ser atingido por sintonia, isto é, pelo esforço do pensamento e da vontade. É um recurso, um instrumento vívido, sempre ao alcance de quem faça por merecê-lo... Sim, é necessário poder atingi-lo, a fim de conseguir utilizá-lo. – Sempre a regra do merecimento? – Sim, sempre a lei do mérito. E não diz a Escritura que é assim mesmo? Amuado, Glicério comentou: – A Escritura diz... Mas cada seita, ou cada homem, entende como quer e faz escola a seu bel prazer. Surgem as corrupções, os erros e os crimes... Sabino pilheriou: – Depois surgem as trevas e os seus duendes... Pouco depois, Glicério era por nós entregue a uma casa de tratamento, situada em lugar agradável, entre montanhas verdejantes e riachos murmurantes, em cujos ares volteavam aves e borboletas de todas as cores e de todos os tamanhos e tipos imagináveis. Um lugar aprazível, muito aprazível, onde tudo irradia saúde, onde tudo respirava fragrância, embora um lugar bastante igual à vossa Terra, talvez indistinguível por quem não fosse avisado da mudança operada.
Glicério não tinha a menor idéia do que se passava na Terra, com a movimentação dos valores mediúnicos, à base da Codificação Kardeciana. Ao ir melhorando o seu corpo de espírito, também progredia em saberes sobre a obra levada a termo pelos baluartes da restauração. Contudo, somava com entusiasmo os seus efeitos, vindo a errar, é claro, pelas suposições otimistas. – Então – atalhou certo dia – a Terra vive seus grandes momentos de espiritualidade? – Não, por ora. Apenas se movimentam os mais compreensíveis, aqueles que para a encarnação foram em cumprimento de missão, e a falange sofredora, que admite por necessidade, prosseguindo, a seguir, em muitos casos, pelas oportunidades de superiores aprendizados. Nem há que se fazer pensamentos otimistas, pois toda medida de ordem avançada encontra na rotina e nos conchavos humanos a sua natural oposição. O Cristo não foi repelido? No entanto, Glicério, quem vinha na esteira de trinta e tantos séculos de anunciação? Que de revelações fizera Isaías, no capítulo cinqüenta e três, de seu livro? E qual fora a função de João Batista, proclamando a todo o Israel a chegada do Messias? Olhou-me com bastante tristeza, balbuciando: – Então, Lira, o Consolador encontra os seus obstáculos, na hora de sua reentrada no mundo, assim como o Seu ínclito realizador os defrontou há quase dois mil anos? – Sim, encontra cerrada oposição, da parte dos credos organizados à base de clerezias e formalismos. Entretanto, saiba, ninguém o deterá, porque aos poucos invadirá toda a carne, conforme as promessas do Velho Testamento. Debalde pretendem truncá-lo, eliminá-lo, porque é chegada a hora cíclico-histórica de sua manifestação universal. Quem poderia barrar a manifestação mediúnica nas criaturas e a comunicação dos espíritos? – Sempre o Cristo a se defrontar com inimigos de toda ordem! – Realmente. E convém lembrar que os piores inimigos são os amigos infiéis. As clerezias é que fomentam e sustentam os erros mais crassos, porque neles se amparam e proliferam. Como tudo fazem em nome de Deus, do Cristo, da Verdade, e vivem com o Livro Sagrado nas mãos, conseguem perverter e convencer, o que é ainda pior. Invertem totalmente os termos da Verdade! – Eu bem sei!... – gemeu o ex-pregador – Eu bem sei!... Ao que é indigno se atribui a Deus e ao que é digno se faz infâmia, se diz que é diabólico. Assim se fazem as verdades rasteiras, os conchavos humanos, que levam desgraças e tristezas a todos os recantos do planeta. Sem dúvida, hão de dizer que o diabo está a fazer das suas, não é? – Apenas isso. Tal como fizeram com Jesus, atribuindo Seus feitos a Belzebu. Mas, como já disse, ninguém logrará triunfar contra a restauração. Puderam contra Moisés, puderam contra Jesus, quando assim os tempos permitiam, pelo atraso das inteligências. Agora, podemos afirmar, a ordem é não voltar atrás. E, de fato, o Espiritismo invade a Terra, levando a todos a certeza da Verdade que livra. Nossa conversa findou com a chegada de Sabino, que veio trazer a ordem de serviços para o dia, como de costume, pois me dera, nos últimos dias, a visitar os recolhidos em primeiro lugar, a fim de saber das melhoras operadas ou de quaisquer outras contingências ocorrentes. – De que estavam falando? – perguntou-me Sabino, em caminho. – Da repulsa que os ditos crentes oferecem a tudo que é verdade progressiva, as verdades que vão sendo reveladas continuamente, a pretexto de maior respeito a Deus. – Do culto da aberração? Dos que pretendem ensinar a Deus? – Isso mesmo. Dos que se julgam conhecedores além de Deus. E cumpre dizer o que de fato se passa – todos os credos comportam elementos desse jaez, criaturas que julgam bastar-se em conhecimentos de verdades fundamentais. Dando com a casa indicada para o primeiro serviço, demos a conversa por finda, a fim de acautelar-nos contra possível perigo. Não costumamos entrar em lugares desconhecidos ou de primeira visita, sem tomar as preliminares indispensáveis em matéria de cautela. Casas há, como deveis saber, habitadas por elementos da pior catadura, sempre capazes e prontos aos mais indignos procederes. – Façamo-nos invisíveis – recomendei. Haviam feito pedido, num ambiente de sessões, em benefício de uma senhora enferma, tendo as voltas do mecanismo acional vindo parar em nosso agrupamento de serviços socorristas. Quase sempre os encarnados pedem, ignorando os trâmites seguintes, trâmites que se prolongam nestas plagas, movimentando organizações e departamentos, indivíduos e serviços especificados. Outra condição indispensável, e muitas vezes ignorada, e mais vezes ainda descurada, é a do merecimento. Todo e qualquer indivíduo se acha no direito de reclamar assistência; mas pouca gente se compenetra de que deve cultivar o bem, a fim de recebê-lo na disposição desejada, ao fazer o seu pedido. Verdadeiramente, desde sempre as organizações deste lado estão prontas ao serviço de assistência; mas, também, não é menos verdade que bem poucos fazem por merecê-la. A mentira, o ódio, a inveja, a maledicência, o egoísmo, o orgulho; a brutalidade no trato para com os semelhantes; os abusos no exercício das funções biológicas, etc. Tudo isso constitui barreira, agrava e até mesmo neutraliza as nossas possibilidades funcionais. Resumindo, é a Lei em vigência! Cada qual recebe conforme seus méritos. Naquela casa havia muito disso, isto é, pouca atividade moral. Acima de tudo, como infelizmente observamos, as conversações eram sempre em torno de assuntos pouco edificantes, maliciosos, até bem obscenos. As mulheres da casa davam-se a comentários apimentados, sempre atraindo elementos invisíveis de baixo calão, indivíduos capazes de tudo, pelo muito que se atinham aos desejos animalizados. E, como tal, encontrando brechas de tal ordem, sugavam fluidos e se satisfaziam, provocando vampirismos extremados, causando abalos nervosos, lesando a economia física de modo acentuado. Angelina, a doente, por quem haviam reclamado assistência, ali estava, muito enfraquecida, mas sempre disposta a conversações menos interessantes. A seu lado, como formigões em torno de um torrão de açúcar, alguns elementos movimentavam-se, cada qual procurando ser mais afim e subtrair a sua vantagem... Vimos chegar uma vizinha, também acompanhada de dois elementos indesejáveis, e a conversa tomar o rumo costumeiro – maledicência e pornografia. – Que espécie de auxílio ela quer? – indagou-me Sabino, abanando a cabeça. Dei-lhe a resposta: – É apenas uma, dos milhões que a Terra comporta, cujos pensamentos impelem ao plano vibratório inferior, fazendo sintonizar com elementos desse jaez. Como pode observar, aqui estamos, os dois pólos representados, o bem e o mal, e no centro a criatura encarnada. Sempre foi assim, e assim continuará a ser, pois a Lei confere o direito de relativa liberdade no arbitramento individual. Aproveitando o lapso, quis ele saber: – Como vamos agir? Podemos tomar alguma providência ou devemos informar o departamento? – Vamos dar a resposta no grupo espiritista onde fizeram o pedido. Só agiremos conforme vier a merecer. – Duvido que receba alguma coisa... – balbuciou Sabino. – Que pensas então fazer? – Recursos existem muitos, bem o sabemos. Contudo, causa nojo ver o que se passa... Essa gente não sabe falar de outras matérias? Serão apenas esses os assuntos de que se possa tratar? Causam-me repugnância!... – Então?... Abanando outra vez a cabeça, sentenciou: – O Céu para os celestiais, o inferno aos infernais! – Estás errado, Sabino. Devemos dar o devido, devemos ser tolerantes, pois o erro é patrimônio de todos nós, infelizmente. Esbravejando, redargüiu: – Essa gente pede assistência espiritual num agrupamento espírita e prepara-se dessa forma?! Ao menos tomasse um pouco de cuidado... Vimos aqui para dar o possível e temos que ouvir conversa desse teor? Olhe como se regalam os iguais, como cada qual faz questão de tirar partido... De fato, com a evolução da conversa pornográfica, o ambiente punha-se turvo, a coloração áurica avançava para o pior, constituindo forte incentivo àqueles elementos e às suas pretensões lascivas. – Daremos o devido; mandaremos o nosso recado. Tomando ares de insatisfação, obtemperou Sabino: – Convém dizer tudo, marcar a hora da visita e relatar o que se ouviu... A bonita conversa que se ouviu!... Estacou, e resmungou, pouco depois: – Gente adulta, mães de família, e só tendo isso para conversar?... Sabino era assim mesmo, todo temperamental. Capaz de ironizar, ridicularizar, satirizar. De momento para momento, podia esbravejar, punir, fazer das suas. Era novo nos serviços de socorro e pouco afeito a certas contingências. Um espírito altamente devedor, truculento mandatário do passado, mas desconhecedor de sua longa e terrível história. Só mais tarde é que veio a saber dela, compenetrando-se do quanto se deve ser tolerante, para se conseguir alguma coisa, algum resultado bom. Afinal, pelas experiências adquiridas, sabemos que assim agem os mais endividados; marcam o caráter com a mais desenfreada impaciência, até o dia em que se descobrem tremendamente faltosos. Aquele caso, assim como a grande maioria deles, era de enviar bom conselho e prometer auxílio segundo as performances apresentadas a seguir. E assim se fez, dando resposta à consulta feita. Verdadeiramente, a grande maioria humana pensa que religião é concepção admitida, fé deísta aceita em forma contemplativa, largando-se ao culto de procedimentos incorretos, usando e abusando das práticas menos decentes, como sejam a mentira, a maledicência, o egoísmo, o ódio, a inveja, a conversa licenciosa, etc. Pensando sobre Deus de modo formal, e sobre os tratos comprometedores de maneira tão pródiga, como evitar o achego de elementos indesejáveis? Há casos em que se não pode fazer coisa alguma, pelo simples fato de se não contar com a boa vontade das criaturas realmente interessadas. Faltam com o bom procedimento, usam-se perniciosamente, a ponto de nos obstarem todo e qualquer esforço. Enquanto isso, é claro, os maus elementos usam e abusam do acesso que se lhes permite, pensando e procedendo com leviandade. Naquela casa, entretanto, tudo se resolveu a contento, porque a informação dada foi direta e simplesmente franca, nada se ocultando. Deviam, pois, tomar novo rumo nas regras de conduta em geral. E a obra levada a termo, em poucos dias transformou-se em inamovível alicerce; fincados na melhor conduta, seus pensares valiam por elos atrativos de grande alcance, facilitando-nos ação pronta, rápida, neutralizando todas as maquinações daqueles malévolos elementos, que a seu turno foram aprisionados e doutrinados.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.