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Capítulo 13 de 17
Deus — parte 13 de 17
Sangue na cruz · Osvaldo Polidoro
Retornando à base de serviços, o centro de onde partiam as ordens, fomos encontrar Abel bastante atarefado; dentre os muitos serviços, contava-se um que me dizia respeito, por dizer respeito ao grupo de pessoas a que me achava relacionado. Chegada a minha vez de ser atendido, depois de prestar contas do serviço feito, disse-me Abel: – Lira, temos pela frente um bom trabalho. Estamos para estabelecer novos locais de serviço, na crosta, e nos círculos onde se darão, futuramente, reencarnações que lhes dizem respeito. Aquele irmão atendido hoje, Siciliano, junto de quem deixamos Glicério e Nina, é avô da jovem com quem se irá casar um neto de Nina. Foi por intermédio dessa jovem que surgiu a idéia de pedir por ele num Centro Espírita. E será por ela que havemos de penetrar em toda a família, pois está fadada a ser um bom veículo da Verdade. Por ora, saiba apenas isto – importa que esteja sempre por lá, que faça o possível por tudo quanto seja permitido. Os dois que lá ficaram, para servir, irão obter vantagens, serão dentro em pouco os mais beneficiados. Irão reconhecer os seus descendentes, pois os filhos de Nina e Castro, todos eles serão chamados pelo Senhor. O programa é vasto, como profunda é a linhagem que a todos nos une. Em face do Consolador, que se restabelece no mundo, muitos espíritos culposos encontrarão elementos de reparação final, a fim de terem oportunidades melhores no porvir. É de seu conhecimento, que certos débitos constituem embargos a melhores realizações. Estamos, portanto, em tempo de belas preparações. – De minha parte, irmão Abel, rendo graças ao Emanador, estendendo-as a si, de cujos serviços intermediários muito temos obtido. Embutido em sua absorvente simplicidade, respondeu-me: – Como servo da Lei e amigo, tenho servido e procurarei servir. Faço questão de salientar o seguinte – a Lei a todos vige! A lição do Cristo fundamenta-se no respeito à Lei. O Consolador, que é o Batismo de Espírito, tem por finalidade testemunhar essa verdade, conferindo elementos de informação, repetindo, incutindo a necessidade inadiável e intransferível de observar a melhor conduta. Portanto, quando a tormenta e a dificuldade pesarem sobre os indivíduos, não é que a nossa atenção pessoal não tenha vigorado; é que não fizeram jus perante a Lei, é que movimentaram contra si a Justiça, por terem obrado a iniqüidade. Contem, por isso, com a nossa ajuda; mas não se esqueçam de que tem no íntimo o fiel da balança... Quando a criatura se indispõe com a Lei, só recuperará as liberdades e as garantias de progresso, depois de se consertar com a Lei! Fitou-me com ternura paternal, completando: – Grande amor nutrimos por todas as criaturas; porém, todo o respeito devemos à Lei, por ser igual para todos, por constituir a Soberana Vontade de Deus. É do meu conhecimento, caro irmão, que muitos de vocês, implicados na obra do Cristo, no curso dos tempos, reclamam contra uns e outros, criticam, agem com menos fraternidade, como no caso de Sabino, por exemplo. No entanto, saiba, Débora tem-lhe grandes créditos, pois foi ele mesmo, em certa vida, que mais a fez errar, chegando a ponto de forçá-la a seviciar e matar, se não quisesse morrer... Interrompi-o: – Para evitar outros males, mandei-o de volta. Débora ressentiu-se muito com o comportamento de Sabino, mas a seguir arrependeu-se, e deseja falar-lhe, para auxiliá-lo. Eu não sabia desse particular, mas fi-la conhecer alguma coisa sobre ele. Abel prosseguiu: – Eu sei. Estive por lá, ocultamente. Aqui, a seguir, conversei com ele, fi-lo compreender o que há entre eles e mandei-o passar o dia nas montanhas... Vai meditar, lagrimar, sentir amor... Quando se pode, é melhor ensinar do que punir. E Sabino é digno de atenções, apesar de seus muitos pequeninos defeitos. Todavia, para quem veio de tão baixo, sofrendo ainda recalques a valer, já é bastante que se dedique a compreender e sentir, quando se lhe fala. Afinal, não se pode mudar um caráter de um dia para outro... Tenhamos paciência, saibamos harmonizar entre a Lei e os errados, da melhor forma. Cessada a fala, enviou-me: – Vá, Lira, e acompanhe aqueles dois. Quando quiser, faça-se invisível para com eles, a fim de melhor poder agir. Agradeci, pois até então não tinha autorização para tanto, a respeito de espíritos conscientes e servos do bem. Só podia agir como invisível para com elementos inconscientes e maldosos. Parti, conseqüentemente, satisfeito com a promoção recebida. Ao chegar, invisivelmente, encontrei-os a orar, com as mãos sobre a cabeça de Siciliano. Este sentindo aquele bem estar estranho e indefinível, chamou a filha e anunciou-lhe: – Zulmira, alguma coisa se está passando! Vou sarar ou morrer... Sinto estranho bem estar, confortável estado de alma... Por vezes até sinto cheiro agradável, cheiro de Céu... Você acredita, minha filha? Presa de contentamento, a bem aureolada senhora respondeu-lhe: – No Centro estão fazendo preces por nós todos. Deve ser isso. Meditativo, Siciliano murmurou: – Acho que é bom crer em Deus... Deve haver um Deus... A filha revidou-lhe: – Embora nesta casa a descrença tenha sido regra comum, eu sempre tive a minha fé, papai. O Universo Infinito não foi criado pelos homens... Uns negam, outros afirmam, outros explicam a seu modo. Entretanto, nenhum homem tem autoridade sobre as leis que regem o Universo... Já viu o Atlas Universal da Glorinha? – Não, filha. Por quê? – O senhor tem que ver como é grande o Universo!... Milhões de mundos! E quem fez tudo isso? Os que negam a existência de um Deus?!... O velho sentiu a reprimenda, alegando: – Muita gente acredita num Deus, minha filha, que pode ser tudo, menos Deus. É isso que estraga o mundo! Sabemos que há um Princípio, uma Origem... Glorinha entrou, encheu o recinto com a sua triunfal juventude, pondo termo à conversação. Fiz-me visível, com o que alegrei meus dois amigos. Relatei-lhes a promoção e recebi seus cumprimentos. Enquanto o avô trocava idéias com a neta, sobre questões espíritas, Zulmira orava o seu Pai Nosso, e o fazia com tanta certeza de estar sendo atendida pelo Céu, que o ambiente se iluminou. – Que beleza! – exclamou Nina. – É a prece feita em condições! – afirmou Glicério. Nina volveu, amargurada: – E dizer que se perde tanto tempo no mundo!... Que se empregam esforços para tudo quanto é inferior, mundano, até criminoso, e não se encontra tempo para fazer uma prece, estabelecer contato com o Céu!... Glorinha avisou o avô: – Vou trazer meu noivo e quero vê-lo sorrir, falar, discutir, ouviu? Fraqueza não existe mais! Até logo, volto dentro de uma hora. Glicério observou, pensativo: – É muito cedo para sorrir, falar e discutir, não acha? Tive imenso prazer em anunciar-lhes: – Entenda-se com o neto de Nina, procure compensar o esforço... Nina interrompeu-me, deslumbrada: – Meu neto? Essa jovem irá ser minha neta?!... Senhor, meus agradecimentos! Glicério olhou-me, compreensivo, indagando: – Quando aprenderemos a amar assim todas as criaturas? Estamos no mundo das verdades maiores e vivemos rentes ao chão... Pai, Mãe, filho, neto... A fraternidade espiritual, de cunho universal, cristã, onde está? Nina encarou-o bem, franziu o cenho e afirmou: – Eu ainda não sou um Jesus Cristo... Reconheço como deveria ser... Mas, que posso fazer? Sinto-me esposa, mãe, avó... Deus sabe como sou, não sabe? Consolei-a: – Não se apoquente. Deus sabe o que faz, e o que devemos querer, em tempos diferentes. Enquanto não puder amar universalmente, ame especificamente. Mas, prepare-se para os maiores amores, para o Grande Amor, de cuja altitude nos deu o Cristo o imortal exemplo. Seus olhos estavam marejados. Era bem avó aquele espírito recém-vindo da tremenda rebordosa carnal. E quem pediria mais, a quem só menos pode dar? Bem sabemos o quanto é devido ativar medidas progressivas, avançar, triunfar sobre a inferioridade; mas, afinal, não são as religiões os instrumentos de estagnação, de cristalização? Os cleros, as organizações sacerdotais, não são os sindicatos da atrofia espiritual? Não tecem os seus ronceiros programas, fantasiados de rituais, sacramentos, liturgias, cultos, etc.? E que representa, em sã verdade, tudo isso que é de ordem temporal e formal? Olhando-se de mais alto, noventa por cento daquilo que se diz religião nada mais é do que fingimento, do que aparência de culto, como já o profligava Pedro, naqueles tempos, assim como está contido no segundo capítulo de sua segunda Epístola, todo ele votado a ser advertência contra a corrupção que se levantaria, e que havia de se valer do seu próprio nome a fim de passar como verdade cristã, como doutrina do Senhor, embora sendo traição ao Batismo de Espírito, ao culto da Revelação. Porque, entendamos bem, não se pode ser cristão sendo avesso à Revelação, e Revelação cultivada na pauta decalogal, pois a Lei veio por intermédio da Revelação. Somos forçados a dizer, entretanto, que nem toda a Revelação é cultivada nos moldes da Lei, havendo bastante mediocridade a passar como verdadeiro culto revelacionista. Se a ordem comum é para a frente e para o alto, isso nem sempre é observado, havendo quem se compraza em aprender de espíritos medíocres, e até mesmo quem descambe aos mais horríveis tratos interplanos, levando a cabo atividades comprometedoras. Há falta de conhecimento, havendo falta de espírito crítico, da parte de elevado número dos que praticam a Revelação. Esquecem, estes tais, por falência de conhecimentos, a divisa do Cristo: "Amar a Deus com toda a força do coração e de toda a inteligência.” Isto para repousar o conceito na Autoridade máxima, aquela que, por ser derramadora do Espírito sobre a carne, viria a marcar para sempre a trilha da Verdade. Porque, de tal forma o culto da Ciência e do Amor constituem as bases da pura função religiosa, que Buda, séculos antes do Cristo já ensinava: "A Ciência e o Amor são dois fatores básicos do Universo; enquanto não os adquirir, o ser está condenado a prosseguir na série das reencarnações terrestres.” Apontamos para o Buda, que viveu séculos antes de Jesus Cristo; mas poderíamos ir muito mais para trás, além de Crisna, que viveu mil e quinhentos anos antes, pois a doutrina védica contém os mesmos ensinamentos. Assim mesmo, conforme documentos aqui de nossas bibliotecas, muitos milênios antes, dezenas deles, enviados do Cristo Planetário já haviam falado a alguns poucos homens, sobre as bases da Verdade, revelações que foram guardadas, sigilosamente escondidas, por receio de que se tornassem objeto de profanação. Para término deste capítulo fica dito o seguinte – enquanto Jesus veio para servir de Modelo Divino, e viveu o culto da Lei e da Revelação, havendo estendido o direito de culto a toda a carne, pelo fenômeno do Pentecoste, muitos homens comprazem-se no culto da corrupção, simplesmente porque necessitam de satisfazer os interesses do bolso, do estômago, do orgulho, da ignorância, etc. etc. E disso há por toda parte infelizmente, havendo também, na seara do Consolador restaurado. Estes tais, convém assinalar, que fazem culto revelacionista com menos devotamento nos exemplos do Cristo, tanto mais serão responsáveis!
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.